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13 de maio de 2013

Meio Desligado indicado ao Prêmio Dynamite 2013


Descobri por acaso, outro dia, que o Meio Desligado está indicado ao Prêmio Dynamite na categoria "Melhor site, blog, coluna ou fanzine". Fico feliz por ser indicado e concorrer com sites como Catarse, Trama Virtual e Toque no Brasil. Se você quiser votar, vai lá: premiodynamite.com.br

Em outras categorias o prêmio destaca selos, eventos, casas de shows, CDs em diferentes gêneros musicais e outros recortes temáticos. Uma iniciativa boa, apesar de não demonstrar muito critério na seleção dos indicados e priorizar a quantidade de indicações.

2 de setembro de 2012

Revista Select: cultura digital nas bancas

Protagonista de grande parte das transformações e inovações na cultura, na arte e na comunicação nos últimos anos, a tecnologia intersecciona todo o conteúdo da revista Select. Entre o academicismo teórico da cultura digital e matérias mais acessíveis ao público em geral, a Select aborda as manifestações culturais contemporâneas relacionadas aos meios digitais e é, atualmente, uma das publicações impressas mais interessantes do mercado brasileiro. Um de seus diferenciais é destacar a forma como a cultura digital está inserida no cotidiano e provocar a reflexão sobre sua influência na arte e na cultura moderna.

Para quem ainda não conhece, segue, abaixo, uma matéria da Select e a opção de ler a versão digital da revista.


O sonho não acabou 
A internet nos põe na encruzilhada entre a sociedade do conhecimento e a da imbecilidade. Mas é pré-requisito da inteligência distribuída
Por Giselle Beiguelman 
A WAYBACK MACHINE, um serviço do Internet Archive que arquiva sites desde 1999 tem um acervo que cresce 20 terabytes por mês. Se a biblioteca do congresso dos EUA, a maior do mundo, digitalizasse os seus 33 milhões de livros, produziria 10 terabytes. Resumindo: o Internet Archive cresce, por mês, duas bibliotecas do congresso e seu patrimônio bibliográfico construído em quase 200 anos de história. 
Essa quantidade de dados é um parâmetro do aumento no volume de textos, imagens e sons que temos hoje à nossa disposição. Os mais conservadores dirão que nunca fomos inundados com tanto lixo cultural. esquecem, porém, que a internet não inventou a banalidade, nem a pedofilia, o racismo e outros acintes políticos e estéticos. Apenas deu vazão a eles. 
Mas deu vazão, também, a um manancial de recursos que quebrou a hierarquia da cadeia produtiva cultural. Possibilitou que artistas e criadores chegassem ao público e aos críticos antes de passar pela chancela da galerias, gravadoras, editoras e emissoras de TV. Isso tudo faz parte de um cenário cultural novo e inovador que põe em questão um sistema de produção e circulação do conhecimento que vai muito além do valor da propriedade intelectual. 
Pelo menos desde o modernismo, no início do século 20, as práticas de apropriação e reciclagem dialogam com a produção artística. Pensar na obra de artistas referenciais da arte pop, como Andy Warhol e Roy Lichtenstein, fora da esfera da cópia como fenômeno criativo é um exercício insano. Sampleagem e remix surgiram no mundo das fitas cassete e dos LPs, muito antes que alguém, fora dos laboratórios de ciência avançada, sonhasse com a internet. 
Então, o que há de tão diferente no que se faz hoje? O fato de que todas essas coisas podem ser feitas sem qualquer referência anterior. Tudo pode ser combinado com tudo e chegar ao seu desktop ou à palma da sua mão sem que seja necessário consultar as fontes. Basta seguir uma tag específica no Twitter, como, por exemplo, #NowPlaying. Você fica sabendo, via @fulano, que filtrou @beltrano que assina os feeds do blog X, que é alimentado pelo tumblr Y, que coleta informações em um serviço automatizado de publicação, que o DJ Z está bombando. 
O conteúdo espalha-se e vaza pelos nós da rede. E é aí que a coisa pega. Porque a qualquer momento alguém, diretamente do #SPFW, pode tuitar: um dos maiores stylists italianos! Michelangelo. Moda noite. #fashion. >3. http://youtu.be/NPkzQJo9ByE. Até explicar que Michelangelo designa o autor de uma das obras máximas da Renascença, o Davi, e que La Notte é uma das obras-primas do cineasta Antonioni, também Michelangelo e também italiano, mas não estilista, nem muito menos nascido no século 15... Porque agora, com todas as facilidades de transmissão de conteúdo que os meios digitais favorecem, as comportas do conhecimento estão abertas para que ele seja recriado, mas também reutilizado sem lastro e sem contextualização das informações. 
Os limites entre a sociedade do conhecimento e da imbecilidade são estreitos. Mas é simplista acreditar que conteúdo livre é prerrogativa da barbárie. Especialmente porque é ingenuidade pensar que os novos formatos autorais que emergem na internet são formatos do pode tudo. Como disse o poeta americano Charles Bernstein, a autoridade nunca é abolida, apenas se reposiciona. Em um sistema descentralizado, gera autoridades múltiplas e conflitantes, não sua ausência. 
O desafio hoje, portanto, não é pensar como controlar as informações que circulam na internet, mas como fomentar processos de criatividade distribuída que expandam o repertório cultural, pluralizando os focos de validação das informações.

19 de junho de 2012

Revista MI - Música independente em Pernambuco

Existe um tipo de literatura que chamo de “literatura de banheiro”. É aquela que é uma merda, hahaha não demanda muita atenção e cuja leitura pode ser fragmentada em várias partes sem prejuízo algum do resultado final. É o tipo de material que se lê para passar o tempo e que geralmente não tem muito a acrescentar ao leitor. A primeira edição da revista MI – Música independente em Pernambuco é  o contrário de tudo isso.

São longas entrevistas com artistas contemporâneos pernambucanos, acompanhadas de um CD com músicas dos entrevistados, compondo um importante registro histórico da cena musical alternativa do Estado. Lá estão o elogiado Siba e nomes desconhecidos no cenário nacional, como Caçapa, Marditu Soundz, Pajé Limpeza e Ex-Exus.

Para os realizadores da publicação, a revista "valoriza o apelo atemporal e menos emergente do veículo impresso, se preocupando em trabalhar os temas com mais profundidade apostando em uma leitura mais prolongada, rica em referências e que diminui a descartabilidade da informação tão em voga atualmente com os conteúdos para web".

Visualmente, utiliza a estética dos fanzines. Uma mistura de colagens, manuscritos e fotocópias apresentada de forma moderna e que representa esteticamente certo ativismo necessário para se produzir uma revista de forma independente (ainda mais quando dedicada exclusivamente à música alternativa de uma região).

Iniciativa dos recifenses Diego Albuquerque (do blog Hominis Canidae), Raul Luna e Rodrigo Édipo em parceria com a Nuvem Produções e a SBP Editora, a MI - Música Independente em Pernambuco pretende ter publicação bimestral com circulação nacional, sempre com 10 artistas pernambucanos em cada nova edição. A revista pode ser comprada pela internet, por R$ 20, e seu segundo número acaba de ser lançado.

Além das entrevistas, várias coletâneas virtuais estão sendo publicadas pela equipe do projeto no Soundcloud. A primeira delas você escuta abaixo.

6 de junho de 2012

Revista Noize

Um blog indie em versão impressa. Essa é a uma boa descrição da Noize, revista gaúcha distribuída gratuitamente por todo o país e atualmente em sua 53ª edição. Com tiragem de 30 mil exemplares, a Noize traz textos curtos e muitas fotos com novidades da música indie mundial e boas indicações de artistas da cena independente brasileira.

Sua versão online (noize.virgula.uol.com.br) acaba sendo mais relevante pela agilidade e maior abrangência do conteúdo, enquanto a versão impressa tem o diferencial de atingir também um público “não-iniciado” na música alternativa (através dos pontos de distribuição da revista).


Entre as seções fixas da Noize, como “Música para ouvir” (resenhas), “Discoteca básica” e “Direto ao ponto” (na qual convidados indicam obras artísticas favoritas no momento), destaca-se a “Bandas que você não conhece - mas deveria” (cujo nome é auto-explicativo).

Quem quiser receber a revista em casa tem a opção de assiná-la por R$ 45 (pelos custos de envio pelo correio).

23 de abril de 2012

Revista Nós destaca juventude artística do Espírito Santo

O que você conhece da cultura capixaba produzida nos últimos anos? Caso a resposta inclua poucos ou nenhum item, a revista Nós é ideal para você. Atualmente em sua quarta edição, a Nós reúne jovens artistas nascidos ou residentes no Espírito Santo e é produzida pelo Programa Rede Cultura Jovem, projeto do governo local (que abrange núcleos de cultura digital  web tv, coletivos artísticos e pesquisa).

Com projeto gráfico excepcional, a revista utiliza diferentes tipos de papel e de corte em uma mesma edição e representa visualmente a modernidade da produção cultural local. A maioria das matérias é curta (média de duas páginas) e aborda desde performances teatrais experimentais à cena de reggae do Estado. A partir do recorte que realiza, a Nós apresenta artistas que dialogam com a arte moderna em suas mais diferenciadas facetas e que carecem de maior visibilidade. Situados no Estado menos expressivo economicamente do Sudeste brasileiro, os jovens artistas capixabas acabam soterrados pelos trabalhos artísticos difundidos pelos Estados vizinhos e de maior tradição.

Além de perfis de artistas, pautas como a que aborda jovens e ousados empreendedores do meio gastronômico e a superação de limitações na produção cultural da periferia ajudam a compreender (parte d)o cenário cultural capixaba, suas dificuldades e singularidades. Abaixo você pode acessar a versão virtual da revista, que é distribuída gratuitamente em sua versão física e tem tiragem de 5 mil exemplares.


6 de abril de 2012

Leitura indicada: Ronaldo Lemos e "Código aberto"

"Existe um segredo bem guardado que grande parte dos músicos brasileiros ainda não descobriu. Em setembro de 2010, o Ecad fechou um acordo com o YouTube e o Google para recolher direitos autorais....
Resultado: a partir de novembro de 2010 um bom dinheiro adicional passou a entrar nos cofres do Ecad em nome de toda e qualquer pessoa que posta um vídeo musical no YouTube. A notícia do acordo (divulgada de forma bastante discreta) diz que ele abrange 'todo o repertório musical que estiver disponível na plataforma do YouTube' (veja em bit.ly/f1FFbw). Como se isso não bastasse, o Google comprometeu-se a pagar valores retroativos desde 2001! Ou seja, uma dinheirama.
Com isso, o Google faz a sua parte: paga aos músicos os valores devidos. A questão é se o Ecad vai pagar todos os que têm direito a receber. Na prática, se você colocou uma música que tem qualquer participação sua no YouTube, tem direito a receber – mesmo que não seja associado ao Ecad ou às associações que o constituem. Afinal, sua parte já está sendo cobrada por você".

Estes são trechos do artigo "O mistério do E-cad", publicado por Ronaldo Lemos em sua coluna "Código Aberto" na revista Trip de Março de 2011. Longos 12 meses depois, o Ecad virou manchete ao cobrar ilegalmente de blogs que veiculavam vídeos do YouTube com músicas e que serviu de estopim para que seu nebuloso funcionamento fosse alvo de muitas matérias, com destaque para as publicadas no Farofafá.

Referência em direito autoral na internet, Ronaldo Lemos é figura essencial na divulgação do Creative Commons e pesquisador da cultura digital. Além de sua coluna na Trip, apresenta o programa Mod na MTV e foi um dos fundadores do Overmundo.  Na "Cógido Aberto", Lemos demonstra como a cultura digital é parte cada vez mais essencial da cultura contemporânea e afeta aspectos distintos de nossas vidas, desde nossas relações interpessoais à economia das nações.

Atento às transformações culturais, os textos mensais de Lemos abordam vanguardismo, tecnologia, mudanças sociais e registram  pontos importantes da cultura contemporânea que poderiam facilmente passar despercebidos. A música tem destaque em suas colunas e serve como base para se (tentar) entender uma série de mudanças comportamentais e do mercadológicas, como as destacadas nos textos "Radinho de pilha 2.0" ("Nas periferias da América Latina, as músicas mais populares circulam hoje em celulares"), "Chupa chups musical", "A mensagem é o meio" (de 2009, quando fazia sentido escrever "Quem faz rock independente utiliza o MySpace, já a música de periferia prefere o Youtube", hoje pode-se trocar o MySpace pelo Facebook) e "Os números erram" ("dinheiro público x combate à pirataria").

* Ilustração de Luba Lukova publicada junto a uma das colunas de Lemos na revista Trip.

5 de abril de 2012

Todas as edições da revista [] Zero para download

Publicação fundamental do jornalismo musical produzido no Brasil no início dos anos 2000, a revista [] Zero teve vida curta (14 edições), porém marcante. Cobriu a lacuna deixada pela Bizz durante um período, contribuiu na formação musical de muitas pessoas e estimulou outros a se aventurarem no jornalismo cultural. No início de 2002, o Leo Santiago (meu irmão), fez uma matéria sobre o lançamento da revista - publicada aqui no Meio Desligado em 2007. Agora, todas as edições da revista estão disponíveis no site do Luiz César Pimentel, um de seus criadores.

A qualidade da digitalização é ruim mas permite a leitura de algumas matérias. Mesmo com esse problema, vale para se ter noção das pautas e das bandas abordadas na publicação (principalmente as brasileiras independentes que, em sua maioria, já acabaram).

É até estranho pensar que houve uma época em que boas revistas eram vendidas por R$ 4,90.

27 de fevereiro de 2012

Revista Marimbondo: cultura, arte e espaço público em BH

São 96 páginas sobre o espaço público, a relação entre a população e a cidade, questões políticas e artísticas ligadas ao espaço urbano. A primeira edição da revista  Marimbondo  amplia o debate e registra um momento importante de reflexão e ação da sociedade civil em relação à cultura urbana e políticas públicas que promovam a interação entre arte e o espaço público.

Distribuída gratuitamente em Belo Horizonte (no Tambor Mineiro e nas livrarias Quixote e Mineiriana), a Marimbondo é uma revista cujo objetivo é falar de "arte e de cultura para além da agenda cultural e da crítica especializada", com foco exclusivo na cidade de Belo Horizonte. O projeto gráfico minimalista e elegante é um dos diferenciais e ajuda a absorver o conteúdo complexo de alguns artigos (marcados pelo viés acadêmico), fundamentais para o aprofundamento no tema desta primeira edição. 


A Marimbondo estreia registrando iniciativas culturais importantes para a resignificação de espaços públicos em BH, como a transformação da área debaixo do viaduto de Santa Tereza a partir da realização do Duelo de MC's na região e da Praia da Estação, movimento/manifestação responsável por aproximar um significativo número de pessoas para repensar a ocupação artística da cidade. Paralelamente, a revista traz entrevista com pesquisadores e acadêmicos e faz um histórico do posicionamento do poder público sobre a questão da utilização do espaço público para manifestações artísticas.

A revista pode ser solicitada gratuitamente por quem residir fora de Belo Horizonte e o download de sua versão em PDF pode ser feito no site oficial, revistamarimbondo.com.br. Uma versão online da revista também está disponível, tendo como pontos negativos o fato de apresentar seu conteúdo através de arquivos de imagem, o que impossibilita a seleção do texto, e de não ser registrada em Creative Commons (o que permitiria a livre circulação de seus textos). Assim como a Bequadro, outra revista comentada no Meio Desligado recentemente, a Marimbondo é patrocinada pelo Conexão Vivo, programa de incentivos culturais da Vivo.

24 de fevereiro de 2012

Revista Bequadro apresenta diversidade da música baiana


Uma revista sobre música baiana pode parecer desinteressante para muitos, mas isso apenas reflete a necessidade de se divulgar outras facetas da cena local, principalmente sua produção contemporânea alheia ao mercado de axé. Isso é o que se encontra na revista  Bequadro , atualmente em seu primeiro número. Distribuída gratuitamente e produzida com patrocínio do Conexão Vivo através da lei de incentivo à cultura do Governo da Bahia, a primeira edição da Bequadro faz um apanhado da atual cena musical de Salvador sem se restringir a gêneros específicos, o que resulta em uma espécie de catálogo da diversidade da música produzida na capital baiana.

Estão presentes nomes mais conhecidos, como Pitty (com seu projeto Agridoce) e Luiz Caldas, mas abordados de forma diferente. Caldas, por exemplo, dá entrevista ao lado de Vandex, ex-Úteros em Fúria, e resgatam o passado recente do mercado musical baiano e sua transformação ao longo das últimas décadas. Um dos diferenciais da revista é a integração entre elementos típicos da cultura afro-brasileira (muito forte na Bahia) e a música moderna. Poder ler sobre a história dos blocos afro de Salvador sob uma perspectiva histórica, conhecer novos expoentes do hip hop e do dub e ainda descobrir mais sobre um dos maiores nomes do arrocha em uma mesma revista é um fato louvável.

Sem preconceito, a Bequadro mistura o brega (sem intenções pejorativas, apenas como marcação de estilo) Pablo - A voz romântica, o rock instrumental do Retrofoguetes, a erudição da Orquestra Sinfônica da Bahia e o experimentalismo da OCA - Oficina de Composição Agora e cria um interessante panorama da diversidade musical presente em uma região estigmatizada pelo axé e o pagode.

A versão em PDF está disponível para download no site da revista, assim como versões digitais dos textos. Para quem quiser um atalho para o que há de melhor na revista, segue abaixo indicações de três textos da Bequadro.

Aos 11 anos, Pablo disse ao pai que não queria mais a vida de vendedor de picolé que levava em Sergipe. Conseguiu uma carona com um motorista de ônibus e voltou para a terra natal, Candeias (BA), para fazer o que mais gostava: cantar. Foi com ele, inclusive, que o menino havia começado anos antes, aos 6 de idade, nas serestas da cidade. Hoje, já com uma década de carreira nas costas, Pablo, conhecido como A Voz Romântica, é um dos maiores nomes do arrocha na Bahia. Vaidoso, sempre bem vestido, com cuidadosos cortes de cabelo, aos 25 anos, ultrapassou o conceito de mero cantor. Pablo mantém uma empresa de produção, carrega uma equipe com mais de 30 profissionais em seus shows, faz diversas apresentações semanais e ainda cria dois filhos pequenos.
Casado desde os 14 anos, Pablo é precoce em quase tudo. Decidiu os rumos da vida cedo, começou a cantar, assumiu o vocal da banda Asas Livres, vendeu muitos discos, saiu de casa, casou, comprou apartamento, tudo com menos de 16 anos de idade. “Meu primeiro dinheiro foi para comprar um apartamento para minha mãe, o segundo um pra mim”, explica, revelando que tudo o que possui na vida deve ao arrocha, estilo que ele ajudou a criar e a tornar popular. Há versões diferentes e outros que cobram a paternidade do gênero, mas Pablo é tido pelo público como o pai do arrocha. Ele diz que inventou o nome arrocha vendo os casais dançando de forma, digamos, mais quente, na plateia. 

O maestro Letieres Leite, 51 anos, concebeu o que parecia impossível. Uma orkestra, assim mesmo, com k, como no original grego, que mescla a força seminal da música de matriz africana com a tradição do jazz e do erudito contemporâneos. Numa composição de sopro e percussão, misturou Bahia com New Orleans, candomblé com big band, orixás com ícones do jazz. O resultado é único, intenso, refinado e talvez o que há de mais inovador na música instrumental do país.
Duvida? Experimente se deixar levar pelo poder dos atabaques, surdos, timbaus, caixa, agogô, pandeiro e caxixi, que se unem a trompetes, trombones, saxes (alto, tenor e barítono, uma família completa) e tuba. Impossível não ser tragado pela vibração que emana da Orkestra Rumpilezz, especialmente se for em apresentação ao vivo. Aí, a conversa é outra, o público vibra em uníssono numa espécie de transe de euforia, difícil de ser contido. “Sinto nos shows que as pessoas percebem sua ancestralidade. Em todos os lugares em que a gente toca, as pessoas ficam curiosas”, confirma Letieres.
A década de 70 foi época de grandes transformações culturais, políticas e comportamentais em várias partes do mundo. A população negra de Salvador, influenciada pelo movimento Black Power, reinventava novas formas de afirmar sua negritude. Os terreiros de candomblé, embora perseguidos pela intolerância religiosa vigente, eram uma dessas fontes. Traço fortemente característico nos blocos afros.
Salvador já tinha uma grande participação negra em escolas de samba, afoxés e blocos de índio. Mas foi em 1974 que surgiu o primeiro bloco afro fundado na Bahia, o Ilê Aiyê, nascido no Curuzu, Liberdade. Pela primeira vez, uma agremiação carnavalesca expressava claramente nas letras de suas músicas o protesto contra a discriminação racial, ao mesmo tempo em que valorizava enfaticamente a estética, a cultura e a história africana. Assim como o Ilê Aiyê, emergem na mesma década outros blocos afros, tais como o Mutuê (1975), o Olodum e o Malê Debalê (1979), todos formados por moradores de bairros populares como Liberdade, Itapuã e Pelourinho.

10 de setembro de 2011

Bizz, Facebook, jornalismo musical, público x privado e democracia

José Flávio Júnior Muita vergonha dos coleguinhas que estão ajudando a criar esse monstro chamado Criolo. A cena pop brasileira não recebia alguém tão pedante e poseur desde sei lá quando. Toda resposta é uma "lição de vida". Essa implicância com a brincadeira do Clemente foi de foder o cú da cobra. O cara lançou um disco nota 7,5 e já está sendo tratado como gênio da raça, acima do bem e do mal. Sendo que ele passou 20 anos como um rapper medíocre, sem que ninguém desse a menor pelota pra ele. Sendo que algumas músicas do Nó na Orelha são velhas pra cacete. Sendo que de Criolo ele tem só o nome - mas estrila se alguém pergunta o motivo dele usar essa alcunha. O Ganjaman deu um golpe de mestre: arrumou um Sabotage branco mas com nome de preto e com apelo junto ao mulherio e colocou a melhor assessora do circuito Augusta para trabalhar a marca na Folha e nos veículos da descolândia. Os jornalistas e publicitários brancos sempre estiveram no papo. Eu quero ver é depois da capa da Serafina. Vingar fora do mundinho é bem mais complicado. 

Alex Antunes novo paulista de cu é rola. eu fui lá falar pro capilé outro dia: como é que o fora do eixo perde a iniciativa estética desse jeito? eu passo cinco anos repetindo "região norte" que nem um maluco pelo brasil inteiro, e nada. deu tempo pra pseudoelite paulista se rearticular e começar a se sentir à vontade pra cagar hypes de novo. e de repente esse povo fofo daqui começa a virar objeto de desejo em festival independente... é foda ou é bem-feito? "jeneci" é a cabeça do meu caralho :)))))))))))))))

Minha ideia inicial era apenas indicar aqui o texto publicado pelo músico e produtor Daniel Ganjaman sobre sua visão do jornalismo musical brasileiro a partir do grupo da extinta revista Bizz no Facebook, mas são necessárias algumas palavras a mais. Acho extremamente válida a discussão sobre o posicionamento da crítica e concordo em grande parte com o que Ganjaman escreve, mas de forma alguma tiro os méritos dos jornalistas José Flávio Júnior (da revista Bravo!) e Alex Antunes - dos quais Ganja publicou comentários, sendo que dois deles abrem este texto - mesmo discordando dos mesmos em muitos casos, não apenas no que se refere ao que escrevem na comunidade da Bizz como em seus textos profissionais.

Declarações extremas têm em si o poder de gerar polêmica e, com isso, fomentar discussões e reflexões, mas não de definir afirmações incontestáveis. Acredito que Ganja reforce demais questões pessoais em seu texto, o que acaba por enfraquecer um pouco seu argumento. Independente de concordar ou não, o caso me chama atenção para questões de privacidade e democratização.

Primeiro, por se tratar de algo que se baseia em informações publicadas em um grupo privado do Facebook. Somente membros podem ler e escrever lá. Para participar você pode solicitar a inclusão ou ser adicionado por alguém. O detalhe é que ao ser adicionado por alguém você não tem a opção de negar o convite, você automaticamente passa a receber as postagens do grupo (exatamente o que aconteceu comigo). Membros do grupo questionaram a publicação de suas publicações fora do ambiente "privado" do Facebook, justificando que se trata de um ambiente descontraído e semelhante a uma mesa de bar, um bate-papo descompromissado. Até mesmo um email trocado entre José Flávio Júnior e a assessora de imprensa do rapper Criolo (do qual Ganjaman é produtor e suscitou toda a discussão) foi publicado, tornando a situação mais delicada.

Praticamente toda forma de comunicação pode ser registrada e reproduzida de alguma forma, mas a internet potencializa isso. Em um grupo de discussão privado você cria barreiras, mas não há como evitar a circulação do conteúdo. O caso do email é semelhante, com a diferença de que existem opções legais que podem ser acionadas para o caso de divulgação de informações particulares enviadas via email e tornadas públicas.

Cada ação na internet é registrada e gera rastros, consentidos ou não, e isso é algo que devemos ter em mente (independente da forma que usamos a rede, seja como jornalistas, criadores de conteúdo profissionais ou outra função). O próprio Ganjaman é "vítima" dessa dinâmica. Apesar de seu artigo/desabafo estar publicado com o título "Grupo no facebook e uma grande piada pronta!", é possível saber que o título original continha a frase "Jornalistas mortos não mentem", uma vez que a URL do texto é http://danielganjaman.blogspot.com/2011/09/jornalistas-mortos-nao-mentem-fred-zero.html e que, no Blogger, plataforma de publicação usada por Ganja, o título inicial de uma publicação define sua URL. Assim como é possível apagar, editar e quebrar lógicas de leitura lineares e temporais, cada uma dessas ações deixa suas marcas.

E ao pensar em rastros, edição, privacidade e distribuição de conteúdo, neste caso entra também no jogo a democratização da fala: ou melhor, a possibilidade de se fazer ouvido/lido independente de deter tal autorização. Ao ser questionado sobre a descontextualização dos comentários de membros da comunidade da Bizz publicados em seu blog, Ganja de certa forma se exime da culpa ao considerar a descontextualização uma prática recorrente no jornalismo. Verdade, é uma prática recorrente no mal jornalismo e que não deveria servir de exemplo, ainda mais quando se questiona a qualidade do próprio jornalismo. Mas em um de seus comentários ele indica um dos grandes pontos do debate: "Não quero brigar com ninguém. Só estou colocando o lado de quem é sempre questionado e nunca teve direito de questionar. Agora tem".

Entende a força disso? Não é uma inversão de papeis, é democratização da fala. São jornalistas, antes detentores da palavra disseminada às massas, se "defendendo" junto a um ex-leitor, agora participante ativo do debate e com grande potencial de distribuição de suas opiniões. Poder expressar suas opiniões não é novidade tão grande e não estou estabelecendo uma relação de paridade entre grandes veículos de comunicação já estabelecidos e quaisquer blogs. O ponto, aqui, é que a famosa democratização na produção e distribuição de conteúdo não vai derrubar a mídia de massa, mas com certeza abala seu conformismo. 

Independente de qual lado da história apoiar ou se solidarizar, o fato é que se trata de (mais) um exemplo do potencial da internet para a construção de debates (muitas vezes criados de forma involuntária) e que beneficiam, neste acaso, tanto a cena musical como o jornalismo cultural brasileiro.

O texto de Ganjaman e os mais de 20 comentários publicados sobre o mesmo estão no blog do artista, o Seleta Coletiva. Todos os comentários publicados no grupo da Bizz sobre o assunto até o momento estão abaixo. Relutei em copiá-los, mas acho importante para que os não-membros tenham acesso às opiniões de quem está diretamente relacionado ao assunto e foi criticado no texto publicado. Se alguém cujos comentários foram publicados quiser que eu os retire é só avisar.

22 de agosto de 2011

Família Takara

Sinônimo de música alternativa de qualidade em São Paulo (com pequenos deslizes), os irmãos Takara são um caso raro na cena musical brasileira. Daniel Ganjaman, Fernando Sanches e Maurício Takara são responsáveis por dezenas de importantes trabalhos realizados nos últimos 15 anos, envolvendo de Racionais MC's e Sabotage a Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Otto. 

Ganjaman é atualmente um dos produtores musicais mais requisitados do país e além de suas recorrentes apresentações com Otto, comanda o Instituto e produziu o elogiado álbum Nó na orelha, do Criolo. Maurício Takara é integrante do Hurtmold (também banda de apoio de Marcelo Camelo), tem o projeto solo M Takara, co-produziu o 2º CD de Mallu Magalhães e foi baterista de vários artistas. Fernando Sanches é engenheiro de som e baixista, tocou no CPM 22 (sic) e está mais ligado à cena hardcore.

Aproveitando a deixa do dia dos pais a revista Trip fez uma breve entrevista com o trio de músicos, também responsável pelo estúdio El Rocha, em SP.

28 de dezembro de 2010

Negócios movidos a ideias

Matéria completa na Época Negócios, por Rafael Barifouse e Raquel Salgado, sobre o atual momento da indústria musical no Brasil. As perspectivas para o setor em 2011 são boas e a profissionalização no mercado, junto às estratégias de divulgação e distribuição relacionadas aos meios digitais, tem papel importante nesse cenário.

No site da Época, logo depois de carregar a página com o texto em questão você é transferido para a página de cadastro da Globo. Caso não queira fazer isso, é só voltar até a página da matéria e impedir que ela complete seu carregamento (aperte "esc" ou o "x" no seu navegador, de "interromper o carregamento). Essa dica vale pra outras páginas da Globo.com também.

Reconhecido como celeiro de talentos, o Brasil ampliou horizontes. Além de exportar artistas, passou a receber um volume inédito de nomes internacionais. Junto ao crescimento do consumo doméstico, com mais gente buscando lazer, esse movimento traz novas perspectivas ao mercado. A produção de shows e a popularização de novos canais de distribuição, como celulares e a internet, ganham espaço. Isso só é possível graças à recente profissionalização do setor.

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O mercado musical, porém, vai muito além dos grandes palcos. Com a venda de CDs minguando, as apresentações ganharam importância. Calcula-se que 60% do faturamento de um artista venha dos shows. É preciso achar novos lugares para esses músicos. Um grande filão é o de eventos empresariais. Pode ser o lançamento de um novo produto ou uma festa promovida para estreitar o relacionamento com clientes e fornecedores. O Banco de Eventos, agência de marketing promocional, tem se beneficiado da tendência. “Temos uma atração musical em quase todas as nossas ações. Se não for uma banda ou um cantor, há pelo menos um DJ”, diz Andréa Galasso, diretora-geral da empresa. Não há dados consolidados sobre o mercado de produção musical, mas quem dele participa nunca esteve tão animado. A conjuntura econômica ajuda no crescimento. A crise atingiu duramente a Europa e os Estados Unidos e fez boa parte dos investimentos estrangeiros migrar para países emergentes, como o Brasil. Artistas de fora também veem o país como um mercado em potencial. Aliado a isso há a ascensão social interna, com mais gente consumindo itens antes considerados supérfluos, como os de lazer. “Há público para todos. De concertos de jazz a shows de bandas sertanejas”, diz Andréa.

20 de dezembro de 2010

A MPB entre a arte e o trono do mercado

Publicado na edição de outubro da revista Cult como parte do dossiê intitulado "Os rumos da cultura no Brasil", esse artigo do Tárik de Souza faz uma análise do atual momento da música brasileira a partir de um resgate histórico dos genêros musicais brasileiros e suas respectivas relações com o mercado. É interessante perceber (indo além do que está no texto) como movimentos tidos como à margem do mercado de massa em um primeiro momento se destacaram ao longo dos tempos e acabaram sendo apropriados pelo mainstream, constituindo-se como verdadeiros marcos da música popular brasileira contemporânea (como nos casos citados do pagode de raiz e do tecnobrega).

Abaixo você lê a primeira parte do artigo, que está disponível, na íntegra, no site da Cult.

Como o Brasil é muito extenso – fragmentado por regionalismos e absurdas discrepâncias de renda, escolarização e capacidade de geração e apreensão cultural –, não há como definir um rumo linear para a música popular. De forte apelo nacional, ela não possui uma voz única. Ao mesmo tempo, os cada vez mais abrangentes meios de comunicação também não a disseminam de forma democrática, com igualdade de oportunidades para os mais diversos gêneros sonoros que povoam nosso território. Tais limitações são regidas pela engrenagem financeira imediatista do mercado. Ou seja, é fácil encontrar música populista brasileira (geralmente classificada de brega) nos horários mais nobres dos meios de comunicação de massa, muitas vezes turbinada por uma divulgação artificial, financiada (o assim chamado “jabá”). E não a resultante da que deveria ser uma demanda popular de oferta ampla. É um circuito que se autoalimenta, já que ele condiciona o ouvido da maioria da população a um único tipo de música e abordagem.

Ainda que essa música possa vestir formatos como sertanejo, pagode romântico, forró pop ou axé music, muda-se a embalagem, mas o conteúdo vem recheado dos mesmos clichês poéticos de paixão exacerbada ou revanche amorosa, enquanto as linhas melódicas reprisam sequências surradas, incapazes de tirar a audiência da zona de conforto do já conhecido. “O povo sabe o que quer / mas o povo também quer o que não sabe”, já cantava com sagacidade o compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, em “Rep”, faixa de seu disco O Sol de Oslo, de 1998.

Mas, dentro desse cenário viciado, há curiosas exceções, sob certos aspectos. Como o assumido “tecnobrega” paraense e suas variações, cujo lastro musical-poético não difere muito dos congêneres do mercado de massa, exceto pelo fato de ser um produto independente cedido à promoção pela divulgação pirata dos camelôs locais. Some-se a isso alta tecnologia, utilizada em iluminação, cenários, aparelhagem e efeitos sonoros. Da mesma forma, independentes (difundidos ou não por gravadoras) e virais, espalharam-se o rap, em geral de forte conteúdo contestatório, como o dos pioneiros Thaíde e DJ Hum, mais Racionais MC’s, Sabotage (que morreu assassinado), Mzuri Sana, O Rappa, Nega Gizza, Xis, MV Bill, Negra Li, e também uma perna associada ao samba, via Rappin’ Hood e Marcelo D2. E ainda o funk carioca, de alto apelo sexual, não raro pornográfico, junto aos “proibidões”, que exaltam os bandidos e a vida marginal. Inicialmente uma mera cópia dos batidões de baixo estertorado do estilo norte-americano miami bass, esse funk – dentro da espontânea antropofagia cultural brasuca – ganhou a adesão do tambor de candomblé, acelerou a batida e sofisticou-se na direção de um eletroclash nativo, com repercussões internacionais.

Após uma década de ouro – os anos 1980 –, quando implantou no país um modelo pós iê-iê-iê com tinturas punk e pop em variadas colorações (Blitz, Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Lobão, Lulu Santos, Marina Lima, Cazuza, Angela Ro Ro, Barão Vermelho, Ira!, RPM, Capital Inicial, Camisa de Vênus), o BRock, que conseguiu exportar até heavy metal via os mineiros do Sepultura, diminuiu sua influência e poder. Passou por uma geração que incorporou elementos étnicos como os do “mangue bit” pernambucano, viveu a imolação da rascante antidiva Cássia Eller, a meteórica passagem da híbrida banda Los Hermanos, e desaguou em tribos pop de calibres variados. Dos tristonhos de rímel do emocore aos jeans de cores ácidas do happy rock. Num nicho à parte, bandas como a cearense Cidadão Instigado (do guitarrista Fernando Catatau, o mais influente da nova fornada), Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, e a mato-grossense Vanguart oferecem dissonâncias ao discurso dominante no setor.

13 de maio de 2010

Revistas Rolling Stone, Piauí, Cult, Brasileiros e outras de graça na internet e em Creative Commons?

Você sabia que as revistas Rolling Stone, Piauí, Cult, Brasileiros, Raça Brasil, Viração, Carta na Escola, Fórum Outro Mundo em Debate e Jornal Rascunho estão disponíveis integralmente, de forma gratuita na internet, e que suas assinaturas anuais custam no máximo R$ 75? E que todo o conteúdo delas está liberado em Creative Commons ou licenças livres semelhantes? Provavelmente você não tem conhecimento de tudo isso simplesmente porque essa não é a realidade, apesar de ser esse o acordo estabelecido entre o Governo Federal e essas publicações. Elas são as nove publicações contempladas pelo Edital de Periódicos de Conteúdo Mais Cultura que estabelece todos os procedimentos acima.

Em um primeiro momento o resultado do edital causou polêmica, principalmente no meio literário, ao selecionar revistas comerciais, ligadas a grandes empresas e patrocinadores. O que acontece é que boa parte dos críticos do edital são responsáveis por publicações menores que não foram selecionadas ou simplesmente não leram o edital. A proposta do Ministério da Cultura, na realidade, é exemplar e, de certa forma, experimental. Experimentalismo, este, necessário não somente na produção cultural objeto do edital como também das políticas públicas.

Ao fornecer apoio financeiro na casa das centenas de milhares de reais a essas publicações o Minc busca expandir o alcance dessas publicações pelo país e, com isso, ampliar o número de leitores, disseminar informação cultural, tornar mais próximo e acessível da população material cultural que posibilite o desenvolvimento intelectual. Para isso, cada publicação aprovada no edital deve disponibilizar 7 mil assinaturas e enviar para os endereços de bibliotecas, centros culturais e pontos de cultura estabelecidos pelo Governo, além de:
- uma concessão de desconto mínimo de 30% sobre o preço comprovadamente cobrado em assinaturas individuais praticado no mês anterior à publicação deste Edital, não podendo ultrapassar o valor de R$ 75,00 (setenta e cinco reais) por assinatura com no mínimo, doze edições
- manter uma versão na internet de todo o conteúdo publicado nas edições impressas atualizado simultaneamente à circulação do material, sob licenças Creative Commons ou outras licenças livres

Excelente, não? Afinal, qual a porcentagem da população brasileira que tem condições de comprar mensalmente a Piauí (R$ 12), Rolling Stone (R$ 9,90) e Cult (R$ 9,90), só para ficar em três das aprovadas?

De acordo com o edital, cujo resultado foi publicado no Diário Oficial da União no dia 19 de fevereiro de 2010, hoje eu deveria poder entrar nos sites de qualquer uma dessas publicações e acessar todo o conteúdo das revistas. Inclusive, poderia republicar parte do material encontrado no site, aqui no meu blog, já que ele não tem fins lucrativos, contanto que indicasse a fonte, ou seja, a revista e o autor do texto.

Ok!

Vamos aos próximos passos:
2. Vejo na parte inferior direita a chamada para a edição do mês, com Black Eyed Peas (sic) na capa e penso "Ugh, vou dar uma lida no que saiu esse mês e ver se é tudo tão bom quanto a capa"
3. Coço o saco, porque ele foi depilado na semana passada e quando os pêlos começam a crescer dá uma super coceira, é um saco
4. Clico em "Edição 44" (que á a última disponível)
5. Vejo a chamada para a matéria sobre meus ídolos Edson e Hudson e a empreitada rocker do segundo e clico na mesma:
"E até natural que, após o fim da dupla com seu irmão Edson, o sertanejo Hudson partisse para uma carreira solo. Mas o caminho escolhido não foi o mais óbvio: depois de gravar um disco instrumental cheio de guitarras (Turbination, de 2007), Hudson resolveu levar a brincadeira a sério e entrar de cabeça no mundo do rock. Ele foi para Los Angeles, onde passou cerca de 20 dias gravando o primeiro trabalho oficial de sua carreira roqueira com o nome Hudson Cadorini e Banda Rollmax. As gravações do primeiro CD contaram com as participações do baterista Matt Sorum (Velvet Revolver, ex-Guns N' Roses) e do baixista Mike Inez (Alice in Chains). "Eles são amigos do produtor", diz Hudson. "O Slash ia tocar, mas não conseguiu espaço na agenda.  
Você lê esta matéria na íntegra na edição 44, maio/2010"

Será que li errado o edital? Volto ao pdf do Minc, item 13, "das obrigações e contrapartidas dos selecionados":
"13.1- Constituem obrigações automaticamente contraídas pelos proponentes selecionados, incluindo o ônus para o cumprimento das mesmas: 
I – produzir editorial e graficamente o número de 12 edições de acordo com a periodicidade da publicação apresentada; 
II – proceder o envio dos exemplares para os endereços individuais apresentados pela DLLL/ SAI/ MinC; 
III – manter produção de conteúdo dedicado à cultura e à produção cultural nos padrões apresentados no portfólio; 
IV – manter uma versão na internet de todo o conteúdo publicado nas edições impressas atualizado simultaneamente à circulação do material, sob licenças Creative Commons ou outras licenças livres".

Peraí, não é essa a revista que recebeu R$ 524.160,00 assumindo, justamente, cumprir as exigências do edital? E por que a assinatura custa R$ 106,92 e vem de brinde uma bolsa horrorosa?

(Uma dor de cabeça me ataca e tento pensar em outras coisas)

Visito o site do jornal Rascunho (contemplado com R$ 420.000,00):
- Preço da assinatura anunal: R$ 60 (exatamente como informaram ao Minc)
- Todo o conteúdo livre para acesso, apesar de que, ao clicar, pedirem usuário e senha, basta clicar em cancelar. Erro ou má fé? Meu lado Poliana me faz crer que se trata apenas de um período de adaptação, liberaram o conteúdo mas permaneceram algumas falhas no sistema.

Há esperança no mundo. E, para mantê-la, deveria parar por aqui.

Continuo.

No site da revista Cult, analisei o conteúdo disponível no com a revista em mãos, simultaneamente. A maior parte do conteúdo da última edição realmente está disponível no site, mas grande parte do dossiê de capa, por exemplo, não está lá. E a assinatura? 12 edições por R$ 103. No resultado do edital, através do qual a revista recebeu R$ 504.000,00, o valor da assinatura anual está em R$ 72.

Cansado e um pouco menos esperançoso, acesso os sites das revistas Piauí e Brasileiros. Ambas publicam o material de suas versões impressas no site (apesar de eu não poder verificar, como no caso da Cult, se essa publicação ocorre efetivamente na íntegra ou não) mas, assim como todas as outras analisadas, ignoram a exigência de publicação do conteúdo registrado em Creative Commons ou semelhantes licenças livres. Lá está, em todos os sites, o velho e maroto copyright, como deixa claro o textículo no fim da página da Piauí: 
"Os direitos autorais de todo o material apresentado neste site, inclusive imagens, logotipos, fotografias e podcasts, são de propriedade da revista piauí ou de seu criador original. A reprodução, adaptação, modificação ou utilização do conteúdo aqui disponibilizado, parcial ou integralmente, é expressamente proibida sem a permissão prévia da revista ou do titular dos direitos autorais".

E, novamente, sobre as assinaturas, em duas versões: uma para os leitores, outra para o Ministério da Cultura:
Assinatura anual da Piauí para o leitor, hoje: R$ 129,60
Assinatura anual da Piauí que consta no resultado do edital: R$ 57
Assinatura anual da Brasileiros para o leitor, hoje: R$ 90
Assinatura anual da Brasileiros que consta no resultado do edital: R$ 63


Entrei em contato com a Rolling Stone, Cult e Ministério da Cultura através de seus respectivos sites, da mesma forma como qualquer cidadão, jornalista ou não, poderia questionar o acontecido. Perguntei porque as publicações ainda não estavam seguindo as obrigações estabelecidas no edital e se havia um prazo para que isso ocorresse. Ninguém me respondeu.

Atualização:
Resposta da Rolling Stone ao leitor Mário César Mancinelli:
"Caros Leitores Rolling Stone,
O resultado do edital, foi sim divulgado dia 19 de fevereiro de 2010, porém ainda não entrou em vigor. Apesar de ter o resultado divulgado, o edital ainda não está assinado entre as partes. Para que passe a valer, em todas suas regras, deverá ser assinado entre o Minc e os veículos contemplados. A partir daí, os veículos tem um período para adaptar-se as normas do edital.
Agradeço o espaço e os manteremos informados.
Leo Belling
Gerente de Marketing
Rolling Stone Brasil
leobelling@rollingstone.com.br"

9 de janeiro de 2010

Os melhores de 2009, segundo a Rolling Stone Brasil

Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acaju, Cidadão Instigado, Wado, Lucas Santtana e Emicida são os representantes da música independente na lista dos melhores de 2009 da Rolling Stone Brasil.

Abaixo, o que a revista publicou e meus brevíssimos comentários, em laranja.




1 "My Favorite Way" Black Drawing Chalks
A melhor canção do rock brasileiro em 2009 é... cantada em inglês. O empolgante hit do quarteto goiano é uma pérola certeira em todos os quesitos: a batida é irresistível. Os riffs esbanjam personalidade. O vocal, agressivo na medida, canta uma letra no limite do nonsense. Com energia e maturidade adquiridas na estrada, o Black Drawing Chalks criou um cartão de visitas digno da mais grata surpresa do ano.
Eu avisei (clica aí do lado).

2 "Cangote" Céu
A voz delicada de Céu fica em segundo plano neste reggae psicodélico cantado em marcha lenta. Entre os versos sussurrados de maneira preguiçosa, se sobressaem as texturas sonoras geradas por teclados, sopros e um baixo sempre marcante.


3 "Cover" Erasmo Carlos
No ritmo do country rock e sem se preocupar em soar presunçoso, o eterno Tremendão faz uma ode divertida e louvatória à sua própria originalidade. Talvez agora surjam os tais covers de Erasmo, que, segundo ele, inexistem no país.


4 "O Tempo" Móveis Coloniais de Acaju
Melhor faixa de C_mpl_te, segundo disco do grupo brasiliense, que revela de uma só vez todo o potencial musical do octeto: os metais suntuosos, a voz equilibrada e afável de André Gonzales, as pausas precisas e um refrão inesquecível.
O CD é realmente muito bom, mas nunca que colocaria essa faixa como a melhor.

5 "Me Adora" Pitty
Em uma carta-resposta endereçada a seus detratores na imprensa, a cantora evoca a jovem guarda e os grupos vocaiscriados pelo produtor Phil Spector para cometer o refrão mais lembrado do rock nacional em 2009.

6 "Invejoso" Arnaldo Antunes
Com uma letra recheada de boas rimas e melodia puxada sem pudor para o brega clássico, Arnaldo Antunes descomplica sua música, abraça o pop com carinho e se descobre mais acessível do que jamais foi antes em sua carreira.


7 "O Nada"
Cidadão Instigado
Em uma espécie de ode singela ao desprendimento, Fernando Catatau pontua esta marchinha psicodélica com distorções de guitarra e súplicas desafinadas e desesperadas.
"Doido" é muito mais doida.

8 "Só Isso" Emicida
Enquanto descreve suas tortuosas peregrinações pelos extremos diversos de São Paulo, Leandro Roque de Oliveira, o Emicida, revela sutilmente as origens do combustível que resultam em suas rimas exterminadoras.
Hype paulista, o Holger do hip hop, só que sem a qualidade da banda indie.

9 "Assinado Eu" Tiê
A combinação básica de violão e a voz intimista e convidativa da cantora paulistana ganha profundidade e delicadeza em uma balada sincera que expõe as agruras dos relacionamentos platônicos sob a ótica de uma mulher.

10 "Bee on the Grass" Mallu Magalhães
Não são poucos os artistas que tentam - em vão - fazer referências aos Beatles, à psicodelia ou ao tropicalismo. Mallu, porém, explora os clichês com criatividade, ousadia e graça ao narrar o passeio despreocupado de uma abelha.


(Comentários dos próprios artistas e download no Todos somos DJs)

1 - Céu - Vagarosa: "Esse álbum é mais ousado. Não tinha muitos planos de reconhecimento de larga escala. Foi [um trabalho] extremamente sincero. Fiz sem pensar no peso de ser o segundo álbum. Outra ousadia é a ausência de instrumentação. É aquela temática de 'Cangote': o ócio, o vagar, o vagaroso. Um pouco de leseira não é pecado. A Jamaica é uma influência que sempre tive. Quis trazer essa ideologia para a música, sua estrutura. Queria que soasse mais tocado de banda, não de produtora."


2 - Cidadão Instigado - Uhuuu!: "Esse é nosso terceiro album e fiquei muito feliz com o resultado. Deu muito trabalho pra ser finalizado, mas ficou do nosso gosto. Vejo o Uhuuu! como uma continuação do nosso trabalho, nem pior e nem melhor que os outros. São todos registros da nossa história."

3 - Erasmo Carlos - Rock 'n' Roll: "Olha, é um disco sincero. Eu vi o nascer do rock 'n' roll. Não sei por informação, como a geração de agora que recorre ao passado para ouvir o que foi o rock. Ouve friamente. Não viveu a magia do nascer da coisa, como eu. Toda a aura de grandiosidade, o ineditismo. O disco é muito sincero de minha parte. Gravei em nove meses. Um parto mesmo. Fiz umas 25 músicas - eu, meu violão e minha bateria eletrônica. Quando convidei o Liminha para produzir, ele fez uma coisa que desde o início eu não fazia: conservou o que eu fiz. Os músicos no estúdio, sabe, começam a mudar harmonias. Minha música é simples e direta, sem frescura. Pelos modismos, os músicos mudam a música toda. O Liminha disse: 'Vamos conservar tudo o que você fez'. Entendeu a raiz, o sentimento do trabalho."

5 - Móveis Coloniais de Acaju - C_mpl_te: "O C_mpl_te é, antes de tudo, um álbum que preza pelo coletivo. É o trabalho do grupo, das dez pessoas que fazem parte do Móveis. A ajuda do [Eduardo] Miranda foi muito bacana também, trazendo uma unidade ao álbum. Depois dessa gravação pudemos lançar esse disco inteiro de graça para as pessoas baixarem no projeto Álbum Virtual, da Trama. Foi um projeto muito bom e prazeroso de trabalhar." (Bejo Mejia, flautista da banda)

6 - Black Drawing Chalks - Life is a Big Holiday for Us: "Desde o início, esse segundo disco foi feito com a intenção de passar a experiência que ganhamos na estrada desde o Big Deal. Conhecemos outros lugares, tocamos com outras bandas, trocando ideias e ouvindo coisas novas, incluindo bandas gringas, e isso contribuiu pro resultado final do Life is a Big Holiday for Us. No fim das contas, o disco surgiu naturalmente, nada planejado ou com algum deadline marcando em cima. As músicas surgiram espontaneamente, sendo que algumas foram compostas antes mesmo de sair o primeiro disco; outras só ficaram prontas um dia antes da gravação. Ao todo, a produção durou cerca de um ano, sendo que a gravação foi feita em duas semanas. O material foi todo produzido no estúdio Rocklab, de Gustavo Vazquez, onde já havíamos gravado o Big Deal e onde também nos sentimos à vontade, totalmente entre amigos. Fabrício Nobre sempre nos acompanhou e, dessa vez, participou de perto da produção do CD. Nas 11 faixas, nós procuramos tirar e trabalhar com timbres mais crus e gravar ritmos mais dançantes e menos 'caretas' [risos]. Bom, estamos muito felizes com a repercussão. Não esperávamos nada além da repercussão do Big Deal e acabamos nos surpreendendo muito." (Victor Rocha, guitarrista e vocalista da banda)

8 - Lucas Santtana - Sem Nostalgia: "O disco é uma brincadeira em cima do formato voz e violão. Usamos várias técnicas de gravação e equipamentos diferentes(além do violão e da voz) para que ao final o disco não soasse como um disco tradicional de voz e violão, e sim, as vezes eletrônico, parecendo uma banda, folk, etc. Os ambientes que usei no disco foram um diferencial importante para a sonoridade dele. Há muito tempo tinha essa "patologia" de querer fazer um disco de voz e violão que saisse do formato tradicional dos últimos 50 anos e fiquei muito satisfeito com o resultado."

9 - Wado - Atlântico Negro: " O disco dá continuidade à minha aproximação com a música de periferia. A ideia veio do conceito do sociólogo inglês Paul Gilroy e mergulha no universo histórico, mítico e rítmico do entrelaçamento entre África e Américas: um movimento iniciado nos navios negreiros e que segue até hoje, através do samba, do afoxé, do funk e do reggaeton. Atlântico Negro tem uma sonoridade bem orgânica (o que me deixou bem feliz), muitas ambiências e salas nos sons das baterias e percussões. Além disso, voltei a tocar violão de nylon e guitarra, acho que nunca toquei tanto nos discos, antes me concentrava mais em cantar. O disco é manifesto, afeto, festa, melancolia, bravura, fragilidade, poesia, afoxé, funk e samba."

10 - Mallu Magalhães - Mallu Magalhães: "Em mim, esse novo álbum cai como uma luz de um próximo passo. Sinto ele como uma segunda etapa de minha vida e carreira que, por tanta sinceridade e transparência, se misturam. Depositei ali o que pude arrancar de meu peito em forma de canção, e agora sinto completar mais uma pequena parcela de mim como ser humano existente nesse mundo estranho." 

A história das revistas de skate no Brasil

Leonardo Brandão e Marcelo Viegas (vocalista do destruidor Ästerdon) fizeram uma interessante matéria sobre as revistas sobre skate publicadas no Brasil. Ao ler sobre a trajetória dessas publicações no país é inevitável estabelecer uma relação com as revistas dedicadas à cultura pop e música que também viveram (ou vivem?) momentos conturbados no Brasil.

A matéria completa está no Overmundo, mas abaixo você confere um trecho.


O início da prática do skate no Brasil ocorreu durante a década de 1960, época bastante conflituosa de nossa história, pois compreende um período marcado pelos anos iniciais da Ditadura Militar no país (1964-1985). Segundo o pesquisador Tony Honorato, “há rumores do surgimento do skate no Rio de Janeiro em 1964, mas como nada foi documentado torna-se difícil apontar o ano de forma precisa”.

A década de 1960 foi um período agitado tanto política quanto culturalmente, pois registra uma das ascensões mais interessantes dos últimos tempos: a de uma cultura ou contracultura jovem. Embora existissem skatistas na década de 1960 (Cesinha Chaves relata que começou a andar de skate em 1968), foi somente na década de 1970 que o skate começou a aparecer em revistas especializadas.

Antes de surgirem revistas específicas sobre skate, a editora Abril já apostava na existência de uma cultura jovem no país. Assim, em 1972 surgiu a primeira revista voltada para a juventude brasileira, notoriamente tendo o rock como assunto principal. A Revista POP teve 82 edições em seus quase sete anos de existência, entre novembro de 1972 e agosto de 1979.
Os links e foto são por minha conta. O crédito da foto (feita em BH) é para Fernando Biagioni.

23 de junho de 2009

Mistureba # 8

sem ordem de preferência.

Redação da Trip

A Trip, uma das minhas revistas favoritas, mostrou sua redação para a Enxame.tv, iniciando uma parceria que promete render ótimos resultados. Matéria ágil, com um bom ritmo e um trabalho gráfico interessante. Já faz um tempinho que publicaram isso, mas essa é a vantagem da internet.



Sem Palavras com Algo a Dizer
"Com propostas sonoras variadas, nova geração do rock independente aposta nas canções sem vocais". Prévia da matéria que está na Rolling Stone desse mês (e que tem uma capa hor-ro-ro-sa, bicha!). Eu não vou comprar e não vai me fazer falta alguma.

Diário de bordo no Porto Musical
O festival já acabou e agora você pode sacar um pouco do que aconteceu através da experiência do pessoal do coletivo Mundo, que pegou estrada em João Pessoa à caminho de Recife para o evento.
Eles não beberam enquanto dirigiam, ok? Isso é feio.

"Essa Canção Francesa", de Thiago Pethit
O Pethit dá o recado:
"Convido-os a assistir ao clipe da música ‘Essa Canção Francesa’, que faz parte do meu EP de estreia, ‘Em Outro Lugar’. Dirigido por Rafael Barion e Adams Carvalho, o vídeo foi feito com uma técnica de animação conhecida como rotoscopia. Ele foi filmado, editado e depois desenhado frame por frame pelo Adams Carvalho. Esse é o segundo clipe do Adams, que já tinha dirigido o vídeo de ‘Green Grass’, da Cibelle."



Macaco Bong e Autoramas em uma foto mal feitaMacacos andando de autorma na Argentina
"O Kayapy foi aproveitar a grana a mais ganha com o cambio e foi atrás de um afinador para guitarra. Explicando melhor, aqui um real vale cerca de 1,75 pesos. O preço dos produtos são praticamente os mesmos, mas a grana quase dobra com o cambio. Tamanha foi a felicidade na banda quando vimos o Fender PT100. Segundo o Ynaiã, a banda esta dividida em Antes Argentina e Depois Argentina".

Trecho do diário de turnê do grande Macaco Bong na Argentina, onde trombaram com o Autoramas também. Não sei onde publicaram isso, só sei que foi assim, belê?

4 de maio de 2009

A nova era dos festivais

José Flávio Júnior, em matéria para a revista Bravo! deste mês, faz um paralelo entre a atual safra de festivais independentes (organizados, como ressaltado na própria matéria, majoritariamente fora do tradicional eixo Rio-São Paulo) e os festivais de música da década de 1960.

Segue um trecho:
"No essencial, os festivais do século 21 têm a mesma função dos realizados na década de 1960: revelar novos talentos. No restante, e a começar pelo fato de que não são competitivos, são completamente diferentes. Essas diferenças estão ligadas às mudanças que o mundo da música experimentou nos últimos anos. A década de 60 do século passado foi o período em que a televisão se consolidou como principal meio de divulgação de música popular, superando o rádio. Os festivais eram promovidos por emissoras como a Tupi e a Excelsior. Quando apareciam na televisão, artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque passavam a fazer parte de uma espécie de mainstream da música e, assim, conseguiam contratos com grandes gravadoras. Hoje o conceito de mainstream não existe mais. A internet vem substituindo o rádio e a televisão como principal meio de divulgação de música. As gravadoras enfrentam dificuldades financeiras, e os artistas, novos ou não, sobrevivem sobretudo de shows. É justamente esta uma das principais funções dos novos festivais: ver quem se sai bem no teste do palco."

Outro ponto da matéria vale para estimular as bandas que, ao se debaterem com os custos para se apresentar nos festivais independentes (uma vez que a maioria deles não dispõe de verba para custear as passagens dos artistas), acabam desistindo de viajar:
"Para uma banda iniciante, os festivais podem ser estratégicos, uma vez que reúnem tribos distintas na plateia. O grupo de rock Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, resolveu em 2005 que investiria tudo nesse circuito, com os nove integrantes custeando o alto preço das viagens. A banda começou tocando, nos piores horários, em festivais como o extinto Curitiba Rock Festival. Graças a performances interativas e arrebatadoras, o Móveis foi conquistando fãs e hoje é chamado para ser a atração principal em vários eventos. Os produtos com o logotipo do grupo disponíveis nas barraquinhas vão de abridores de garrafas até espelhinhos femininos. Tanto destaque nessa cena rendeu um contrato com a gravadora Trama, que lança o segundo álbum dos brasilienses neste mês."

2 de setembro de 2007

Festival Mente Aberta

Festival Mente AbertaA revista Época está promovendo o Festival Mente Aberta, que irá selecionar uma banda para gravar durante três dias no estúdio da gravadora Trama, além de figurar em uma das edições da revista. Um dos diferenciais do concurso é que as inscrições serão feitas através do envio de vídeos das bandas ao vivo, sendo que estes deverão ter no máximo 7 minutos e não podem ter efeitos de edição.

Podem participar artistas individuais e bandas brasileiras que não tenham vínculo com gravadoras multinacionais (as majors) e que não sejam exclusivamente instrumentais. Segundo os organizadores, esta última restrição é justificada pelo fato de o festival se focar no descobrimento de novos nomes da música pop, no sentido de popular, e não de um estilo específico. Ou seja, podem participar bandas de rock, mpb, reggae, metal, etc, contanto que tenham "potencial" para se tornarem grandes nomes da música nacional (será que comento isso ou não?).

As inscrições são feitas no site oficial, www.festivalmenteaberta.com.br, e continuam até o dia 10 deste mês, próxima segunda-feira.

16 de junho de 2007

UDR na ELEELA

Por volta de novembro de 2006 a revista ELEELA voltou reestruturada, com novo projeto editorial e gráfico, focada em uma pornografia, digamos, artística. Além de ótimas fotos que podem levar mais uma vez à famosa questão pornô x arte, a revista também abre espaço para muitas matérias interessantes relacionadas ao sexo. O resultado varia de matérias sobre uma brasileira fazendo sucesso no ramo do pornô hardcore à textos de Michel Foucault e shows do Mr. Catra.

Na edição deste mês, o que faz a revista ser assunto no Meio Desligado é a matéria especial com a infame dupla UDR, antigamente classificada como "funk-satânico-pornográfico", e que agora se intitula como uma banda de "rock and roll anti-cósmico da morte" (coincidência ou não, a UDR é a próxima banda da nossa seção "conheça").

Para sentir o teor do conteúdo, eis o trecho de uma resposta do Professor Aquaplay, um dos membros, sobre o demônio e sexo anal: "...e se ele (o demônio), na verdade, é apenas um sujeito puro? Vai ver ele jamais tocou uma mulher. Talvez ele prefira observá-las na rua. Talvez ele se toque solitariamente todas as noites na penumbra de seu quarto, lubrificando seu pênis com as lágrimas da frustração e descarregando sua fúria num meio usando antes de dormir. Ninguém sabe".

A matéria, de quatro páginas, está (toscamente) escaneada e pode ser lida clicando sobre as imagens. Mesmo assim, eu reitero: a revista está muito boa nesta nova fase e é uma das melhores no mercado atualmente, vale a pena comprar principalmente pelos textos, mas algumas fotos também são simplesmente... fóda. A imagem ao lado, uma das melhores que vi nos últimos tempos, estava na edição passada e não me deixa mentir.

Quanto à UDR, uma explicação sobre a treta citada na matéria, entre eles e os "bondes indie":
Todos sabem, Bonde do Rolê e Bonde das Impostora são muito influenciados por UDR, as próprias bandas já admitiram. Acontece que durante um certo período o Bonde das Impostora era miguxo da UDR, faziam brincadeiras entre si, uma banda remixando a outra, etc. Até que, em uma dessas brincadeiras (do caralho, por sinal), os caras da UDR criaram um blog chamado "As curitibanas mais safadas", no qual os fãs deveriam publicar montagens pornográficas com os rostos dos integrantes do Bonde. A pessoa que enviasse a montagem considerada como a melhor levaria o grande prêmio: um cd da UDR autografado pelos pais dos membros da banda!

Acontece que o pessoal fez muitas e muitas montagens e no início o pessoal do Bonde dizia achar tudo muito legal. Com o passar do tempo, segundo o jornal "Babados & Tretas Indie", começaram a surgir montagens com os rostos dos pais dos integrantes do Bonde das Impostora. Eles então choraram, espernearam e sentaram no colinho dos advogados, ameaçando a UDR por essa grande atitude de sarcasmo e descompromisso.
Esse caso na maioria das vezes é abafado e, no fundo, serve apenas como mais uma prova sobre quem é sincero no que diz e no que faz e quem é apenas parte da modinha.

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