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28 de novembro de 2018

Onde estão as apostas do MySpace de 10 anos atrás?

Jovens podem sequer saber, mas não muito tempo atrás o Myspace era a maior rede social do mundo. Por um período em 2006, chegou a ultrapassar o Google como o site mais visitado dos Estados Unidos. Após ser comprado por U$ 580 milhões em 2005, acabou vendido por apenas U$ 35 em 2011. Enquanto no exterior o site foi o responsável por tornar famosos artistas como Arctic Monkeys, Lily Allen e Calvin Harris, no Brasil o principal caso de sucesso do Myspace foi Mallu Magalhães.


Em 2008, enquanto o site ainda estava no auge, publiquei aqui a lista de apostas do Myspace Brasil para aquele ano. 10 anos depois, o que aconteceu com essas bandas? 

Terminal Guadalupe e Instiga acabaram, assim como (espero) Granada e Stuart. O Udora terminou e alguns de seus integrantes tocam hoje no Oceania, enquanto o Leonardo Marques embalou carreira como produtor musical e artista solo. Macaco Bong e Los Porongas continuaram lançando discos com outras formações, entre altos e baixos. A UDR foi condenada na justiça e proibida de continuar a se apresentar. O Violins está inativo, com shows esporádicos. De todos listas 10 anos atrás, somente a Ana Cañas se manteve em ascensão, tornando-se nome de relativo destaque entre a MPB e o rock.

Como bônus, uma curiosidade: quem subiu esse mini documentário sobre o Udora no Youtube, em 2009, foi o Lauro Kirsch, anos antes de ficar famoso como baterista do Far From Alaska.

1 de junho de 2008

Novos vocalistas para a UDR (agora sim)

Após terem adiado a escolha dos novos vocalistas da UDR, outra festa foi marcada para a definição de quais serão os novos parceiros de Professor Aquaplay na banda.

A noite promete "provas, gincanas e humilhações públicas" e a divulgação da festa no Fotolog dá a dica: "leve seu próprio traveco e não pague entrada!"

A bagaça acontece hoje de noite na Mary in Hell, por R$ 10. Também tocam os DJs Fael, Feliz e MarckField.

A definição do estilo sonoro da noite é uma belezoca: Techno-Brega, Música para orgias, Funk Irlandês e Grindcore Tropical. Faltou deathpunk com afoxé.

Escute "Bonde do Aleijado", da UDR

23 de março de 2008

UDR corrompe novas mentes com auxílio da platéia

Após a misteriosa saída do MC Carvão da UDR, Professor Aquaplay, auto-denominado "o outro cara da banda", finalmente saiu das sombras esta semana e comentou via email os motivos da separação, assim como o futuro da UDR.

Quando escrevi sobre a saída de Carvão, alguém brincou nos comentários se haveria um reality show no estilo do realizado pelo Bonde do Rolê na MTV para a escolha do novo vocalista e, por incrível que pareça, algo próximo disso acontecerá. Toda o processo está explicado no comunicado oficial que reproduzo abaixo, mas, para os preguiçosos de plantão, resumo a história assim: Aquaplay escolheu quatro otários candidatos que julga capazes para assumir o cargo de vocalistas da UDR e o público irá escolher dois deles para entrar na banda. A partir de agora, Aquaplay cuidará mais das bases da banda enquanto os novos vocalistas serão os palhaços "encarregados de arrancar risadas baratas" do público, segundo palavras do próprio.

A escolha se dará no inferninho clube/boate Mary in Hell, na próxima quarta-feira, 26 de março, e será devidamente filmada/fotografada pelo Meio Desligado, se tudo correr bem até lá.

O comunicado oficial, na íntegra:
"Crianças,

Saio do meu confinamento solitário para reiterar e comentar a saída do MC Carvão da U.D.R. Sem mais delongas, porque de longa já basta a minha, prossigamos.

Não houve necessariamente uma briga. Preferimos podar este laço de nossas vidas antes que acabássemos nos odiando. Não é fácil, mas estou aqui para esclarecer.

Desde os tempos de "MC Abutre e MC Carniça", a banda nunca teve a pretensão de sequer sair do nosso folclore mental. Com a adoção de um nome, a realização de shows e a composição de músicas e discos, foi inevitável. A besta acabou ganhando proporções maiores do que as jaulas de nosso retardo mental poderia suportar.

Esse crescimento gerou vários efeitos colaterais que culminaram na saída de MS Barney. Nos acostumamos. Com isso o rumo da banda mudou bastante. Explico com uma analogia:

Pessoalmente, sempre vi a U.D.R. como um carro desgovernado no qual caroneiros podiam embarcar para uma viagem louca e sem a pretensão de chegar a algum lugar. A minha maior preocupação era garantir aos caroneiros que a viagem na qual entraram fosse inesquecível e cheia de manobras loucas. Aparentemente, a satisfação era geral.

Porém, de uns tempos para cá, muito para meu desprazer, a banda ganhou características de uma linha urbana de ônibus. Itinerários, horários, capacidade máxima e outras amarras que simplesmente obscureceram a alma daquilo que sempre foi a U.D.R.

Para encurtar uma longa história, é simples assim: eu estava satisfeito com o carro desgovernado. MC Carvão preferia o ônibus urbano. Sem chegarmos a um consenso, ele preferiu fechar a conta e passar a régua.

Sem a menor vontade de tocar este bonde sozinho e sabendo que me dou melhor como músico de estúdio, tomei uma decisão.

A U.D.R. continua viva. Diferente, mas viva.

Estarei encarregado das produções musicais, composições e demais aspectos técnicos por trás dos panos. À frente, teremos duas novas caras. E é aí que entra a parte bacana de algo tão desagradável.

Demorei para me pronunciar justamente porque andei sondando algumas pessoas. Talentosos, amigos e sujeitos de disposição. Conversei com e averiguei a capacidade de sabe-se lá quantos infelizes. A peneira me deixou com quatro candidatos ao posto de novos integrantes da U.D.R.

Sob minha batuta mágica, dois deles ficarão encarregados de arrancar risadas baratas de vocês em shows. A melhor parte? Vocês os escolherão. Meu trabalho já foi feito, qualquer resultado me agradará. Resta saber se vocês saberão escolher com consciência.

Tudo isso vai acontecer em nossa terra, Belo Horizonte, no dia 26 de abril, na boate Mary In Hell (R. Tomé de Souza, 470, esquina com Prof. Moraes) a partir das 23 horas. É hora de tocar o foda-se e jogar mais gente na cova dos leões. Os detalhes serão devidamente divulgados em breve.

Já que estamos no embalo... neste sábado vai ao ar a última performance da U.D.R. com MC Carvão e Professor Aquaplay no programa Alto Falante. Aqui vão os horários:

NO BRASIL

- Sábado, 29/03: 11:15 da manhã, versão de 30 minutos pela TV Cultura
- Sábado, 29/03: Meio-dia, versão de 30 minutos pela Rede Minas

SÓ EM MINAS GERAIS

- Domingo, 30/03: 14:30, versão de 60 minutos pela Rede Minas

A performance chega quase que paralelamente com o lançamento de um LP da U.D.R. na Inglaterra, pelo selo Uppercuts. O vinil conta com as faixas "Clube Tião Caminhoneiro Hell" e "Bonde da Orgia de Travecos". Saiba mais em http://myspace.com/uppercutsyo.

Outra: pode ser ou não que eu ressucite momentaneamente o blog http://udr.blogspot.com para manter vocês inteirados a respeito dos candidatos que não passaram na peneira para fazer parte da banda. Como gosto de incertezas e ainda estou em dúvida, FIKADIKA OK.

Sem mais para o momento despeço-me com cordialidade e homoerorismo reprimido, do jeito que sempre foi, sempre será e sempre teve de ser.

Professor Aquaplay - O outro cara da banda."


E aqui estão os vídeos da sessão Alto-Falante da banda, na última aparição da antiga formação.

"Quero Ser do Boned do Rolê Comofas / risos risos"


"Todos Os Nossos Fãs São Gays"


"Gordinho Você Não É DJ"


Ps.: não curti muito essa nova fase da banda. Está longe de ter clássicos como "Bonde do Aleijado", "Gigolô Autodidata" e "Dança do Pentagrama Invertido".

29 de fevereiro de 2008

Tchau, Carvão!

Carvão fazendo pose
Acabei de receber este email:

"Moçada,
Agradeço a todos que deram apoio a minha participação no grupo U.D.R. e me despeço do cargo de MC Carvão.
Estes anos foram muito legais, recheados de tremendas confusões e muitas aventuras.
Não sei se vou continuar "fazendo musica", nem os próximos passos da U.D.R.
Esporadicamente lanço musicas no: http://www.myspace.com/porquinho , mas não sei se isso continua também. Devo ter me cansado mesmo.
É isso! Obrigado denouvo.
Peixes!
MC Carvão."

Seria uma piada?

Por enquanto não há nada no MySpace da banda que confirme a saída de Carvão. Para saber mais sobre a banda, você pode ler a matéria sobre eles aqui no Meio Desligado.

E para os iniciados, a dica é ouvir "O Dilema Colombiano", música que euzinho aqui fiz em parceria com Carvão para o projeto de grindcore Viva Nayla!, que acabou por influenciar (?) o mais recente EP da UDR, O Shape do Punk do Cão.


23 de agosto de 2007

o nosso lixo é melhor que o deles!

Durante a criação de qualquer produto cultural, é sabido que pequenos detalhes podem resultar em alterações drásticas e que o resultado final é, na maior parte do processo, uma incógnita para seu criador.

Músicas deixam de entrar nos álbuns por não serem consideradas boas o suficiente; o produtor adiciona um feito diferente na guitarra e grava o vocal baixo demais; uma palavra é alterada na letra, de última hora; o executivo do estúdio manda o cineasta tirar uma determinada cena; seu amigo acha que falta contraste na foto; e por aí vai...

Todos os acontecimentos citados acima são exemplos de intervenções que acontecem antes de o produto final chegar ao público. No jornalismo não é diferente. São exigências do editor, limitações de tempo, a incansável busca por sinônimos, etc. E em muitos casos, você simplesmente lê tudo aqui em que ficou trabalhando durante horas e se pergunta "mas que merda é essa?" ou tem o famoso bloqueio criativo. Você está escrevendo e...

Trava. Sim. Com a gente não é diferente. Às vezes você tem realmente que começar tudo de novo, a partir do zero, e tentar entender o que estava errado, o que faltou. Imagino que em diversas outras redações a situação seja parecida. Ao menos na redação em que trabalhava era assim.

E para aqueles que não estão acostumados com os bastidores jornalísticos, esse é um post especial, dedicado a alguns textos inacabados ou que simplesmente não chegaram a ser publicados no Meio Desligado.

Aproveite (ou não, afinal, os textos sequer foram publicados devido à dúbia qualidade).

*

Título: o jornalismo bebum picareta de terceiro mundo

Mesmo que você não seja do ramo é bem provável que já tenha ouvido sobre diferentes formas de jornalismo, como o mentiroso dos jornais diários, o literário e o gonzo. Outro estilo jornalístico, bem menos badalado e nem por isso menos praticado, é o jornalismo bebum picareta de terceiro mundo. Algumas de suas características essenciais são os lapsos de memória que ficam evidentes no texto e a alta quantidade de álcool no sangue do autor. As constantes tentativas de desviar a atenção do leitor do assunto proposto, já que, na realidade, o jornalista bebum picareta de terceiro mundo tem pouca condição de se aprofundar no tema, é outra característica marcante.

Pode parecer complicado como ler um texto original do Saussure, mas, no fundo, é bem fácil. Mas antes de chegarmos ao nosso exemplo, vale lembrar uma coisa importantíssima: esta não é uma prática comum a nós do Meio Desligado. Nããão, não. Trata-se de um exercício empírico estilístico experimental xamãnístico sociológico que vem sendo desenvolvido, lentamente, há cerca de quatro anos. Sim, é verdade. Juro pela sanidade mental do David Lynch e pelo puritanismo do Cláudio Assis.

*

Noite de sábado, 7 de julho de 2007. Mais uma Noite Alto-Falante (ainda na ressaca da dupla vitória do programa no Prêmio Toddy de Música Independente), desta vez com shows do monno e Superguidis, que está lançando seu segundo álbum depois de uma bem-recebida estréia.

Público mediano na Matriz (as pessoas preferiram ficar em casa e assistir ao Live Earth?), boa discotecagem, uma grana razoável na minha super-cool paper-hand-made pocket e uma constante alternância entre Bhrama's e Skol's (além do aquecimento em um buteco próximo).

Não querer ser chato pode acabar atrapalhando sua atividade. Os membros do monno e do Superguidis estavam cada um deles entretidos em conversas paralelas, melhor não interromper. "Vamos beber mais um pouco".

Jogo da seleção na tv, conversas sobre algum filme do qual não me lembro e planos mentais sobre minha viagem de 1300 km. Odeio longas viagens de ônibus, acidentes, todas aquelas batidas entre motoristas sonolentos (ou simplesmente tapados), estradas esburacadas... Putz, hora do show do monno. "Tudo bem, vamos pegar umas cervejas e ver o show. Depois conversamos com eles".

Se não me engano, é a terceira ou quarta vez que os vejo ao vivo e a cada show estão melhores.

*

título: UDR
[matéria escrita para a filial imaginária da New Musical Express no Brasil]

Imagine uma banda que:

1. em sua comunidade no Orkut só tem tópicos do nível de "Minha primeira relação com fezes", "ANÃO TRAVECO STRIPPER", "as paraliticas + sexys do mundo!!!" e "Vcs levariam Jesus para casa?", só para citar alguns.
2. seu maior "hit" é intitulado "bonde da orgia dos travecos"
3. crucificou um sujeito durante um show, em pleno palco
4. se auto-denomina como criadora do sub-estilo "funk satânico"
5. tem letras como "é isso menininha, não fique no meu pé / jesus pode te amar, mas só a UDR te quer / fogo do capeta, brava na calcinha / deformo sua buceta e arrombo a tua bundinha"
6. se envolveu em pendengas judiciais por difamar os pais dos integrantes de uma banda curitibana, hype dos últimos tempos

Esses são apenas alguns poucos exemplos do que é a U.D.R...

ilustrações: Dove! / on green satellite / voxphoto

13 de julho de 2007

U.D.R: fist fucking para os ouvidos

U.D.R >> 15.06.06

A música alternativa brasileira pode ser dividida em duas grandes fases: antes e depois da U.D.R. Calma, calma. Antes de interromper a leitura e continuar sua busca na internet por pornografia gratuita e mentiras reconfortantes, pense em quais bandas podem ser diretamente ligadas à criação de um novo estilo musical.


Eu poderia usar onomatopéias como “tic” e “tac” para simular a passagem de tempo enquanto você pensa e uma verdadeira tempestade elétrica acontece nisso em que você chama de cérebro, mas seria uma grande mentira, já que quase nenhum relógio atual continua fazendo esses sons e o próprio uso desses acessórios vem diminuindo, sendo substituídos pelos celulares que, entre suas atuais 46 funções padrão, também informam as horas, veja só! “Nosfa!”.

Pois bem. Aos nomes que possam ter surgido em resposta à pergunta proposta, como The Stooges e Black Sabbath, adicione mais três letras: U-D-R. Porém, esta dupla mineira foi além. Não criaram apenas um estilo, mas dois: o funk escatológico satânico e o rock n' roll anti-cósmico da morte. Se o primeiro é uma legítima manifestação da ironia levada ao extremo, uma sarcástica resposta ao controle e ao poder da Igreja Católica no Brasil e sua suposta assepsia, influenciando diretamente nomes como Cansei de Ser Sexy (como a própria vocalista Lovefoxxx já declarou) e Bonde do Rolê, o segundo estilo é mais uma grande piada, mas nem por isso menos original.

Ao apropriar-se dos cacoetes e clichês oriundos do funk, rap, metal, rock e até mesmo tendo como influência os estilos de vida dos playboys e patricinhas, a U.D.R faz poderosas críticas sociais, até mesmo sem querer, disfarçadas sob ideais hedonistas e uma falsa alienação. Não é apenas um dedo na ferida exposta, mas uma mão inteira, em uma autêntico fist fucking sem lubrificantes para os ouvidos.


Ter sua própria obra fora de seu controle é comum às grandes bandas e é isso o que encontramos na U.D.R. Por mais que MC Carvão e Professor Aquaplay soem extremamente honestos ao comporem suas rimas com termos do cinema pornô hardcore e de práticas do submundo homossexual, suas letras também refletem as transformações ocorridas na cultura e na sociedade brasileira desde meados da década de 90.


A religião é um dos temas preferidos destes nerds que, munidos de alguns poucos softwares pirateados, utilizam a fúria gerada nos seguidores de Jesus como combustível. Afinal, o que esperar de canções intituladas “Bonde da Mutilação” e “Dança do Pentagrama Invertido” e letras como “É isso menininha / Jesus pode te amar mas só a U.D.R te quer / fogo do capeta / brasa na calcinha / deformo sua buceta e arrombo a sua bundinha”, do refrão da incrível “Gigolô Autodidata”?

Outro elemento que reforça a importância da U.D.R no cenário musical brasileiro é que ela é uma das primeiras da geração de bandas que se tornaram conhecidas através da internet e que utilizam esquemas de produção caseira. Em suas próprias casa, plugando microfones aos Pcs e utilizando programas de produção musical crackeados, gastos com estúdio e instrumentos são eliminados, permitindo que a capacidade criativa não seja reprimida e limitada por questões monetárias.


Circulando entre as cenas metal, indie e eletrônica com naturalidade, canções como “Dança do Pentagrama Invertido” e “Bonde da Orgia de Travecos”, dois dos hits alternativos da dupla, são entoadas tanto por headbangers com suas camisas do Venom como por indies de óculos de armação grossa e piranhas electro de shortinho. Grupos que se unem pela atração ao bizarro, o hedonismo inconsequente, a crueza, a busca pela liberdade e a diversão de não se ter limites ao menos por um momento.


Desde 2003 Aquaplay e Carvão são os pastores do demônio organizando sessões de descarrego em clubes sujos do sudeste brasileiro, lembrando as pessoas que existe vida além das atuações às quais nos entregamos diariamente e, mais importante, reavivando em nossas mentes o quanto a vida pode ser divertida. Basta não levá-la a sério todo o tempo.

Em entrevista por email, Professor Aquaplay (à direita, de branco), comenta o início da banda, momentos singulares de alguns shows e seus planos nefastos.

Quando foi formada a U.D.R e quais eram seus integrantes na época? Qual a formação atual?
A banda foi formada em 2003. Éramos eu, MS Barney e MC Carvão. Montamos a banda depois que eu e um outro amigo tocarmos ao vivo com a extinta dupla "MC Abutre e MC Carniça". Daí o MC Carniça saiu e entraram o Barney e o Carvão. O Barney saiu em outubro de 2005 e agora somos só eu e o Carvão.

Qual a origem e significado do nome "U.D.R"?
Eu ia dizer que significa "Udora" sem as vogais, mas ninguém pescou essa piada ainda. A idéia era usar uma sigla baseada em algo que remetesse a puritanismo e conservadorismo extremos. De início, a intenção era usar "TFP", por causa daquele movimento "Trabalho, Família e Propriedade" ou coisa que o valha. Mas daí o Barney teve a idéia de usar "UDR" por causa da União Democrática Ruralista, um partido extremamente conservador. Gostamos da idéia e topamos. De qualquer maneira, o nome da banda não tem necessariamente o mesmo significado da sigla de onde o tiramos. É só uma sigla.

Qual a tiragem de cada um dos cds da banda? Algumas pessoas afirmam que eles nem sequer existem, devido a dificuldade em se achar algum cd da UDR.
Tiramos 50 cópias do
Seringas Compartilhadas Vol.2, nosso primeiro e único cd até então. A idéia era pegar uns e levar para nosso primeiro show em São Paulo.
Fizemos uma divulgação boa e nego só queria o disco de presente. Desembolsar 7 mangos que é bom, nem pensar. Alguns compraram por encomenda e o disco foi - em doses homeopáticas - pra tudo quanto é canto do Brasil. O resto ficou encalhado um tempão até acabar, daí broxamos para fazer uma segunda prensagem, imaginando que daria no mesmo. Agora é só lamento, o Seringas... acabou pra valer. A moçada vai ter que ficar esperta e esperar até rolar tiragem do próximo disco, que estamos terminando. Deve sair um número mais generoso de cópias, tipo 100. Nem a pau que vamos fazer prensagem super profissional de 2 mil exemplares pra ficar com 1200 encalhados.

Levando-se em consideração a questão anterior, a U.D.R pode ser considerada a típica banda da geração mp3?
Partindo do princípio que só somos conhecidos assim por causa de meia dúzia de MP3 soltos na internet, acho que sim.


No maior país católico do mundo e com a enorme proliferação das igrejas evangélicas na última década, é de se esperar que uma banda que canta sobre satanás, orgias de travestis e pessoas comendo fezes não seja muito bem aceita. Vocês já tiveram problemas com algum grupo religioso ou com a mídia?
Esse lance de aceitação é bem o contrário, somos até bem queridos e os últimos shows fora de BH foram excelentes. Acho que teríamos público bom em outras cidades, pelo que dá pra notar por aí... parece que estão percebendo, aos poucos, que são só piadas. Feias, mas, ainda assim, piadas.

Quanto a "problemas", só tivemos dois. Ambos em BH.
O primeiro foi quando um sujeito desavisado adentrou o recinto justo num show em que "crucificamos" um cara que se voluntariou para tal. O tal desavisado quis "protestar" por causa disso e ficou avacalhando a performance. Me matou de raiva na hora. Parei o show, dei chilique e tudo mais, mas quem teve de sair de fininho foi ele porque só tinha fã da banda no lugar. Noutra, foi abrindo o show do Massacration. Não é como se já não esperássemos por uma reação negativa, afinal eram quase 2 mil pessoas que pagaram 25 reais pra ver o Massacration.

Vocês conseguem ganhar algum dinheiro com a U.D.R ou é apenas por diversão?
Vez ou outra, rolam uns trocados, mixaria mesmo, mal paga ônibus e uma cervejinha. Mas nem importa, enfim... querer viver de banda é coisa de gente que não trabalha.


Ao ouvir as músicas do primeiro álbum, Seringas Compartilhadas..., a impressão que fica é a de que vocês fizeram todas as bases no computador. Isso procede? No segundo álbum o processo foi o mesmo?

Lógico, ora. De que outra forma a gente gravaria a bateria eletrônica? De toda forma, na segunda leva de gravações, temos uns sons com instrumentos reais (vide "Gigolô Autodidata", "Punkristão", "Oh Mefisto", "O Leão de Judá Não Mente Jamais"). O resto é computador.

Como surgiu a oportunidade de tocar em São Paulo pela primeira vez? Quais os lugares em que já tocaram fora de Belo Horizonte?
Um amigo nosso daqui levou um cd para Sampa e mostrou para um pessoal que faz a organização do Kool Metal Fest, um festival semestral que já tem certo prestígio por lá. Eles ouviram despretensiosamente e acharam bem legal.
Quando vieram para BH, assistiram a um show nosso. Acharam que seria interessante e acabamos convidados para a terceira edição - considerada uma das piores. Um ano depois, tocamos na sexta edição - considerada uma das melhores. Nos redimimos.

O fato de serem membros da U.D.R já atrapalhou algum de vocês profissionalmente?
Na verdade, não. Nem tem por que atrapalhar.

Como suas famílias encaram a U.D.R?
Aqui em casa é tudo tranqüilo em relação a isso. Inclusive, minha mãe e minha irmã adoram o "Bonde da Orgia de Travecos" e até têm a música como toque de celular.
Quando botamos religião no assunto, ouvimos uns "Isso é pesado demais, hein?". Mas, num âmbito geral, as duas famílias levam numa boa. Acham até legal o fato da gente realmente tocar fora e ter fãs.

Vocês conhecem o Creative Commons? Registram suas músicas?

Não conheço o Creative Commons.
Quanto ao registro... por enquanto, a gente é protegido pela lei de direito intelectual, que garante nossa autoria incondicional. O fato da banda ter certo reconhecimento é bem crucial também. Registrar é um plano futuro que envolve tirar carteira e lidar com o ECAD e a Ordem dos Músicos. Tudo isso pra poder tirar um lucro mixuruca caso um dia a gente toque em rádio, o que acho bem improvável. Então não é tão necessário.

Conte um pouco sobre o episódio do sujeito "crucificado". Quando foi, local, etc.

Foi no Matriz. Se não estou enganado, foi em julho de 2004. Ou setembro, não sei. Eu estava em um bar com uns amigos e algumas pessoas que eu desconhecia. Tivemos a idéia de fazer um show em homenagem à estréia d'A Paixão de Cristo. Daí tive a idéia de crucificar alguém.
Pedi a um amigo e ele topou, mas a esposa dele vetou. Daí esse amigo meu lançou "alguém quer ser crucificado no show da U.D.R?". Uns três sujeitos se prontificaram. Fizemos uma cruz de papelão e demos uma entrada gratuita pro primeiro que disse "eu!". Foi um dos shows mais "bad vibe". A introdução foi bem sombria, a platéia ficou bem encabulada com nosso novo amiguinho na cruz. O figurino era bastante pastelão, mas bem menos do que o habitual. Fizemos até covers de Rammstein e Atari Teenage Riot.
Eis que um sujeito desavisado adentra o local e chega à frente do palco. Ficou injuriado por termos um sujeito crucificado com "UDR" escrito no peito e começou a cuspir na gente. Num determinado momento, jogou uma garrafa d'água. Depois subiu no palco e jogou água na minha cara. Foi aí que dei o chilique citado anteriormente.
O dono do Matriz sugeriu a ele que ele fosse embora, porque quando todos perceberam que não era uma das nossas estratégias imbecis de show, a galera ficou bem injuriada com ele. O cara saiu de fininho e eu voltei ao palco.

É verdade que já fizeram um show com fantoches, no qual vocês não apareciam?
Sim. Foi um dos melhores shows, inclusive. Foi o infame "Teatro Lusitano de Meias". Cantamos boa parte das músicas com sotaque e gírias portuguesas. As meias eram decoradas. A minha namorada, Mariana, que fez alguns shows cantando o "Bonde do Amor Incondicional", tinha uma meia com cabelo e maquiagem.
Num determinado momento, a platéia se amontoou tanto na frente do palco para tentar ver o show (já que estávamos sentados atrás de uma "bancada" de papelão) que começaram a gritar "levanta! levanta!". Acabamos levantando, jogamos o papelão no meio da platéia e todos ficaram bem empolgados.
Foi realmente um ótimo show.
Acho até que foi o mesmo show que teve o "Desafio do Funk", no qual fizemos um concurso de Break Dancing no qual um concorrente que não participava ganhou. Inclusive, o ganhador foi o mesmo amigo meu que perguntou "quem quer ser crucificado?" pra um monte de desconhecidos na mesa do bar. Ele detonou com as habilidades malucas de dança dele.

- - - Faça o download de todas as músicas da UDR aqui, incluindo versões raras, disponibilizadas pela própria banda - - -

Fotos ao vivo: Marcelo A. Santiago
Foto no bar: Mariana Machado

16 de junho de 2007

UDR na ELEELA

Por volta de novembro de 2006 a revista ELEELA voltou reestruturada, com novo projeto editorial e gráfico, focada em uma pornografia, digamos, artística. Além de ótimas fotos que podem levar mais uma vez à famosa questão pornô x arte, a revista também abre espaço para muitas matérias interessantes relacionadas ao sexo. O resultado varia de matérias sobre uma brasileira fazendo sucesso no ramo do pornô hardcore à textos de Michel Foucault e shows do Mr. Catra.

Na edição deste mês, o que faz a revista ser assunto no Meio Desligado é a matéria especial com a infame dupla UDR, antigamente classificada como "funk-satânico-pornográfico", e que agora se intitula como uma banda de "rock and roll anti-cósmico da morte" (coincidência ou não, a UDR é a próxima banda da nossa seção "conheça").

Para sentir o teor do conteúdo, eis o trecho de uma resposta do Professor Aquaplay, um dos membros, sobre o demônio e sexo anal: "...e se ele (o demônio), na verdade, é apenas um sujeito puro? Vai ver ele jamais tocou uma mulher. Talvez ele prefira observá-las na rua. Talvez ele se toque solitariamente todas as noites na penumbra de seu quarto, lubrificando seu pênis com as lágrimas da frustração e descarregando sua fúria num meio usando antes de dormir. Ninguém sabe".

A matéria, de quatro páginas, está (toscamente) escaneada e pode ser lida clicando sobre as imagens. Mesmo assim, eu reitero: a revista está muito boa nesta nova fase e é uma das melhores no mercado atualmente, vale a pena comprar principalmente pelos textos, mas algumas fotos também são simplesmente... fóda. A imagem ao lado, uma das melhores que vi nos últimos tempos, estava na edição passada e não me deixa mentir.

Quanto à UDR, uma explicação sobre a treta citada na matéria, entre eles e os "bondes indie":
Todos sabem, Bonde do Rolê e Bonde das Impostora são muito influenciados por UDR, as próprias bandas já admitiram. Acontece que durante um certo período o Bonde das Impostora era miguxo da UDR, faziam brincadeiras entre si, uma banda remixando a outra, etc. Até que, em uma dessas brincadeiras (do caralho, por sinal), os caras da UDR criaram um blog chamado "As curitibanas mais safadas", no qual os fãs deveriam publicar montagens pornográficas com os rostos dos integrantes do Bonde. A pessoa que enviasse a montagem considerada como a melhor levaria o grande prêmio: um cd da UDR autografado pelos pais dos membros da banda!

Acontece que o pessoal fez muitas e muitas montagens e no início o pessoal do Bonde dizia achar tudo muito legal. Com o passar do tempo, segundo o jornal "Babados & Tretas Indie", começaram a surgir montagens com os rostos dos pais dos integrantes do Bonde das Impostora. Eles então choraram, espernearam e sentaram no colinho dos advogados, ameaçando a UDR por essa grande atitude de sarcasmo e descompromisso.
Esse caso na maioria das vezes é abafado e, no fundo, serve apenas como mais uma prova sobre quem é sincero no que diz e no que faz e quem é apenas parte da modinha.

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