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24 de junho de 2011

O fim do Superguidis...

... foi anunciado hoje, pelo Twitter da banda.



Uma das minhas melhores lembranças da banda é de um show deles em Recife, no Abril Pro Rock, no qual lembro de ter achado a apresentação deles a melhor de todo o festival (que tinha na programação ninguém menos que os lendários New York Dolls e Bad Brains, além do Datsuns e Lobão). 

Apesar de ter excelentes canções, sempre achei seus álbuns irregulares - o que não comprometia a qualidade dos shows. Conversei com os caras algumas vezes, tanto nessa ocasião em Recife como nos shows que fizeram em BH, mas infelizmente nunca cheguei a escrever algo mais completo sobre eles - o máximo foi este aqui).


Abaixo, fica o que escrevi sobre o Superguidis e enviei para a Music Alliance Pact há exatamente um ano, material que foi republicado em 34 blogs estrangeiros:
"Não fosse o bom humor" é a música principal do terceiro álbum da Superguidis, banda do sul do Brasil que lançou este novo trabalho há alguns meses. Seu riff e linhas melódicas lembram alguns dos melhores momentos do Foo Fighters - sensação que, ao vivo, é ainda mais forte.

A discografia completa da banda está disponível pra download na TramaVirtual. Sobre informações sobre o fim uma boa fonte pode ser os perfis no Twitter do Andrio (vocais, guitarra) e do Marco (bateria).

18 de agosto de 2010

Novidades no SWU: The Mars Volta, MSTRKRFT, Superguidis, CSS e mais...

Grandes novidades na programação do festival SWU esta semana. A primeira delas, diretamente relacionada ao tema deste blog, é o anúncio da banda gaúcha Superguidis no primeiro dia do festival, ao lado do Black Drawing Chalks e Rage Against the Machine, entre outras. A notícia veio da banda através de seu perfil no Twitter.


Outro nome confirmado é o da dupla eletrônica MSTRKRFT, formada por um ex-membro da melhor banda canadense de todos os tempos, o Death From Above 1979. A confirmação se deu através do anúncio do SWU na revista Veja desta semana, no qual o nome da dupla aparece entre os artistas do festival na tenda eletrônica no dia 9 de outubro, assim como os americanos do Crystal Method, que até então estava somente na lista de boatos.

Ainda na tenda eletrônica, no dia 11, as novas atrações são o DJ alemão Anthony Rother e o Mixhell, projeto eletrônico de Iggor Cavalera, que no mesmo dia fará show com o Cavalera Conspiracy (sua banda junto do irmão Max, pela primeira vez no Brasil). Outra novidade do dia é a banda brasileira CSS (eterna ex-Cansei de Ser Sexy), que foi anunciada pela produção do festival para o palco Oi Novo Som, parceria do SWU com o projeto de música da Oi.

No dia 10 de outubro, com shows mais pop, a novidade é a inclusão da cantora inglesa Joss Stone. Já o guitarrista Alain Johannes, frequente colaborador do Queens of the Stone Age, é um dos artistas que estão na programação do festival Maquinaria, no Chile (realizado pelos  mesmos produtores do SWU), e que pode se apresentar no festival brasileiro, segundo jornalistas como o Lúcio Ribeiro.


E, para fechar, a melhor notícia: a psicodlélica e destruidora banda The Mars Volta estaria fechada para tocar no primeiro dia do SWU (mesmo dia do Rage Against The Machine). Formada por ex-integrantes do At the Drive-in, banda super barulhenta da segunda metade dos anos 90/início da decada passada, se apresentaram no Brasil uma única (e histórica) vez, no Tim Festival. A notícia veio da Folha de S. Paulo.

Pelo jeito, o SWU vai valer o investimento.

23 de agosto de 2007

o nosso lixo é melhor que o deles!

Durante a criação de qualquer produto cultural, é sabido que pequenos detalhes podem resultar em alterações drásticas e que o resultado final é, na maior parte do processo, uma incógnita para seu criador.

Músicas deixam de entrar nos álbuns por não serem consideradas boas o suficiente; o produtor adiciona um feito diferente na guitarra e grava o vocal baixo demais; uma palavra é alterada na letra, de última hora; o executivo do estúdio manda o cineasta tirar uma determinada cena; seu amigo acha que falta contraste na foto; e por aí vai...

Todos os acontecimentos citados acima são exemplos de intervenções que acontecem antes de o produto final chegar ao público. No jornalismo não é diferente. São exigências do editor, limitações de tempo, a incansável busca por sinônimos, etc. E em muitos casos, você simplesmente lê tudo aqui em que ficou trabalhando durante horas e se pergunta "mas que merda é essa?" ou tem o famoso bloqueio criativo. Você está escrevendo e...

Trava. Sim. Com a gente não é diferente. Às vezes você tem realmente que começar tudo de novo, a partir do zero, e tentar entender o que estava errado, o que faltou. Imagino que em diversas outras redações a situação seja parecida. Ao menos na redação em que trabalhava era assim.

E para aqueles que não estão acostumados com os bastidores jornalísticos, esse é um post especial, dedicado a alguns textos inacabados ou que simplesmente não chegaram a ser publicados no Meio Desligado.

Aproveite (ou não, afinal, os textos sequer foram publicados devido à dúbia qualidade).

*

Título: o jornalismo bebum picareta de terceiro mundo

Mesmo que você não seja do ramo é bem provável que já tenha ouvido sobre diferentes formas de jornalismo, como o mentiroso dos jornais diários, o literário e o gonzo. Outro estilo jornalístico, bem menos badalado e nem por isso menos praticado, é o jornalismo bebum picareta de terceiro mundo. Algumas de suas características essenciais são os lapsos de memória que ficam evidentes no texto e a alta quantidade de álcool no sangue do autor. As constantes tentativas de desviar a atenção do leitor do assunto proposto, já que, na realidade, o jornalista bebum picareta de terceiro mundo tem pouca condição de se aprofundar no tema, é outra característica marcante.

Pode parecer complicado como ler um texto original do Saussure, mas, no fundo, é bem fácil. Mas antes de chegarmos ao nosso exemplo, vale lembrar uma coisa importantíssima: esta não é uma prática comum a nós do Meio Desligado. Nããão, não. Trata-se de um exercício empírico estilístico experimental xamãnístico sociológico que vem sendo desenvolvido, lentamente, há cerca de quatro anos. Sim, é verdade. Juro pela sanidade mental do David Lynch e pelo puritanismo do Cláudio Assis.

*

Noite de sábado, 7 de julho de 2007. Mais uma Noite Alto-Falante (ainda na ressaca da dupla vitória do programa no Prêmio Toddy de Música Independente), desta vez com shows do monno e Superguidis, que está lançando seu segundo álbum depois de uma bem-recebida estréia.

Público mediano na Matriz (as pessoas preferiram ficar em casa e assistir ao Live Earth?), boa discotecagem, uma grana razoável na minha super-cool paper-hand-made pocket e uma constante alternância entre Bhrama's e Skol's (além do aquecimento em um buteco próximo).

Não querer ser chato pode acabar atrapalhando sua atividade. Os membros do monno e do Superguidis estavam cada um deles entretidos em conversas paralelas, melhor não interromper. "Vamos beber mais um pouco".

Jogo da seleção na tv, conversas sobre algum filme do qual não me lembro e planos mentais sobre minha viagem de 1300 km. Odeio longas viagens de ônibus, acidentes, todas aquelas batidas entre motoristas sonolentos (ou simplesmente tapados), estradas esburacadas... Putz, hora do show do monno. "Tudo bem, vamos pegar umas cervejas e ver o show. Depois conversamos com eles".

Se não me engano, é a terceira ou quarta vez que os vejo ao vivo e a cada show estão melhores.

*

título: UDR
[matéria escrita para a filial imaginária da New Musical Express no Brasil]

Imagine uma banda que:

1. em sua comunidade no Orkut só tem tópicos do nível de "Minha primeira relação com fezes", "ANÃO TRAVECO STRIPPER", "as paraliticas + sexys do mundo!!!" e "Vcs levariam Jesus para casa?", só para citar alguns.
2. seu maior "hit" é intitulado "bonde da orgia dos travecos"
3. crucificou um sujeito durante um show, em pleno palco
4. se auto-denomina como criadora do sub-estilo "funk satânico"
5. tem letras como "é isso menininha, não fique no meu pé / jesus pode te amar, mas só a UDR te quer / fogo do capeta, brava na calcinha / deformo sua buceta e arrombo a tua bundinha"
6. se envolveu em pendengas judiciais por difamar os pais dos integrantes de uma banda curitibana, hype dos últimos tempos

Esses são apenas alguns poucos exemplos do que é a U.D.R...

ilustrações: Dove! / on green satellite / voxphoto

10 de julho de 2007

Superguidis e monno na Noite Alto-Falante

"Ei, olha só! Tu sabia que a gente é 'música alternativa brasileira'?", pergunta Lucas Pocamacha, guitarrista e vocalista do Superguidis, ao vocalista e guitarrista Andrio Maquenzi, ao saber que a entrevista era para um blog dedicado à categoria em questão. Quando pergunto como a própria banda se define, a resposta é rápida: "Indie anos 90, um grupo de amigos que resolveu tocar junto".

A pegada anos 90 e as influências ficam ainda mais claras ao vivo que em cd: riffs e distorção que lembram Nirvana, melodias ao estilo Guided By Voices, passando por ecos de Pavement e Sebadoh, sempre com os vocais no bom e velho português. Apesar das referências nubladas e, de certa forma, melancólicas, o som da banda mantém um inegável apelo pop, permitindo que as letras retratem momentos nos quais tudo dá errado e ainda assim você as cante balançando a cabeça e dançando.

A história da banda teve início em 2002, quando Andrio, Marco Pecker e Diogo Macueidi, todos ex-Dissidentes, moradores da pequena cidade de Guaíba, a 30 km de Porto Alegre, arrumaram um guitarrista da capital e escolheram o nome Superguidis, em referência a uma marca que é quase sinônimo de "tênis" no sul do país.



Em sua segunda visita à Belo Horizonte, o Superguidis foi a atração principal da Noite Alto-Falante do mês de julho (ainda na ressaca da dupla vitória do programa no Prêmio Toddy de Música Independente deste ano), que aconteceu no último sábado, dia 07, e contou também com a apresentação da banda belo-horizontina monno. Esse foi o segundo show da turnê de lançamento do segundo álbum da banda, A Amarga Sinfonia do Superstar, que acaba de sair pelo selo Senhor F. Há menos de um ano a banda se apresentou na capital mineira também à convite do Alto-Falante, na festa de comemoração de 9 anos do programa de tv.

Tocando para uma platéia mediana na Matriz, reduto hardcore em BH mas que eventualmente é palco de interessantes apresentações indies, a banda fez um bom e enérgico show, deixando clara a razão pela qual é tida como uma das mais interessantes do Brasil atualmente. Os hits alternativos "Malevolosidade" e "Discos Arranhados" são prova disso. Outras canções de destaque são a ótima "Bolo de Casamento", com seu riff mais que grudento, "O Tranquêra" e "O Banana".

O primeiro álbum, homônimo, pode ser baixado na íntegra através de um link disponibilizado na página da banda no MySpace. Já o cd Pacotão, que reúne os dois primeiros EPs da banda, O Véio Máximo (2003) e Ainda Sem Nome (2004), pode ser ouvido no site oficial e baixado, caso você saiba usar algum gerenciador de downloads.

Antes do Superguidis subir ao palco, quem comandou foi o monno, unanimidade em se tratando de rock contemporâneo de qualidade em Minas Gerais. Com apenas um EP no currículo, a banda vem se apresentando constantemente em outros Estados e em festivais alternativos, e lança em breve algumas canções que farão parte de seu novo EP ou, talvez, do primeiro álbum.

Dividindo algumas influências e semelhanças com o Superguidis, o monno também faz letras em português, mas apresenta canções mais melancólicas e cada vez mais elaboradas. No início, os shows perdiam para as gravações, mas a evolução da banda permitiu que atualmente pegá-la ao vivo não deixe nada a desejar.

monno - A Falta


O potencial para que a banda tome de assalto o mainstream brasileiro é inegável, algo que já foi até reforçado pela revista Bizz, que tem o monno como uma das grandes apostas desse ano. Se depender de músicas como "A Falta", "#1" e de algumas das novas canções apresentadas no show, essa previsão tem tudo para se confirmar. É preciso talento para se misturar The Walkmen, Broken Social Scene e Interpol e não soar como apenas mais uma cópia e fazer letras de amor e dor e não soar piegas, mas é isso o que o monno nos apresenta.

Ps.: não tirei fotos do Superguidis porque perdi as pilhas da câmera. Em breve as fotos do show do monno estarão publicadas e ambas as bandas serão tema da seção "conheça", assim que eu descobrir onde coloquei as gravações das entrevistas...
Ps.2: a foto do início do texto é do Superguidis durante um show em Porto Alegre e foi feita por Luiz Fiebig

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