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14 de março de 2018

Sofrência indie, o novo pop rock e o aniversário da Autêntica

Quinta-feira, 8 de março de 2018
Sobram poucos lugares vazios no Teatro Bradesco, o que indica que quase 600 pessoas estão ali para assistir ao lançamento do primeiro disco solo de Tim Bernardes, vocalista e guitarrista d'O Terno, em BH. Diferentemente do que eu esperava, o público não é completamente formado por adolescentes. No chutômetro, diria que ao menos 1/3 dos presentes estaria entre os 25 e os 34 anos (pra usar um recorte etário também usado pelo Instagram). Músicos, arquitetos, designers, jornalistas... basicamente uma aglomeração de ex-estudantes de Humanas (não que isso seja ruim, que fique claro).
Recomeçar, o disco de Tim Bernardes, foi uma unanimidade em 2017 entre a crítica. Nesses casos, geralmente me abstenho de ouvir os discos mais comentados no auge do hype e deixo para ouvi-los quando der vontade (e não pelo impulso da novidade). Aqueles que se sustentam com o passar do tempo se mostram mais interessantes de se dedicar atenção. Assim, fui ao show conhecendo poucas músicas, mas ciente de sua estética crua e intimista.
Sentado, disposto entre um piano e duas guitarras, poucas luzes ao redor, Tim disse tentar reproduzir seu quarto, ambiente onde surgiram aquelas composições. Amigos (músicos e jornalistas) me disseram que sentiram falta dos arranjos do disco, que alguns trejeitos vocais e na guitarra limitaram o show ao ter exclusivamente Tim no palco. Eu, talvez por não ter ouvido o disco e não ter nenhum vínculo emocional já construído, nenhuma memória daquelas composições, considerei o minimalismo um grande acerto, um ponto essencial para a imersão. Como se a imagem aparentemente frágil daquele grandalhão magro, um Napoleon Dynamite hipster-tilelê, sozinho no palco espaçoso e de luzes fracas, fosse o elemento chave que nos dissesse que "sim, estamos invadindo seu espaço e entendemos sua timidez, estamos juntos".
Solo, Tim demonstra a mesma perspicácia das letras d'O Terno, permitindo-se mais emotivo e menos irônico. "Sofrência indie", brinca. O pouco uso de efeitos na guitarra e as canções ao piano as limitam ao essencial e o reverb na voz e guitarra reforçam a solidão, como se estivesse sozinho ouvindo a si mesmo por um tempo estendido. Do Terno, tocou "Melhor do que parece", "Volta" e "Minas Gerais", todas do disco mais recente da banda, sendo que a última foi originalmente composta pro seu disco solo. Ainda teve tempo para um medley de "Changes", balada do Black Sabbath, com Belchior, e uma versão de arrepiar de "Soluços", do Jards Macalé. "Acho que vou chorar", disse mais de uma vez a garota sentada atrás de mim. Entendo.


Sexta-feira, 9 de março de 2018
No fim dos anos 90 e início dos 2000, tudo classificado como pop rock chegava até mim como algo deplorável. Provavelmente, com razão. O símbolo disso, em BH, era o festival de mesmo nome realizado em estádios da capital. Basicamente um festival onde todos os anos tocavam Charlie Brown Jr, O Rappa, Tianastácia, Biquini Cavadão, Capital Inicial e Jota Quest. Creio que isso seja suficiente para sentir o drama. (Nota para não ser ingrato: em 2006 o New Order tocou no festival, apesar de a mesma edição também ter tido CPM 22, Nando Reis, Reação em Cadeia e, adivinhem só, Tianastácia e O Rappa).
O estigma do pop rock como gênero asséptico e limitado (tanto musicalmente como nas letras) fez com que nos últimos anos as próprias bandas tentassem se distanciar da classificação. Trabalhei por um tempo em um grande portal de música onde os artistas podiam criar seus perfis e ninguém se autoclassificava como pop rock. Por mais que fosse exatamente a sonoridade que criassem, se autodenominavam como bandas de rock alternativo ou até mesmo experimental, como se isso representasse um posicionamento estético de maior aceitação, de melhor reputação.
Isso tudo porque me peguei pensando sobre o estilo (pop rock) durante os shows da mineira Devise e dos baianos da Vivendo do Ócio na sexta, dia 9, para quase 300 pessoas na Autêntica, também em BH (no dia seguinte ambas as bandas se apresentariam em São João del-Rei, interior de Minas, em um pub lotado). Diferentes no resultado final, as duas têm uma pegada pop na essência. Enquanto o Devise vem do britpop, com muita (muita mesmo) influência de Oasis e em alguns momentos também lembra Teenage Fanclub e Snow Patrol, o Vivendo do Ócio tem muito do rock do início dos anos 2000, do Arctic Monkeys do início, The Bravery, Strokes e afins. Shows enérgicos e musicalmente no meio termo entre o pop radiofônico e o rock de suas principais influências. O resultado são boas bandas de entrada ao universo desse tipo de rock produzido entre os anos 90 e o início dos anos 2000 e, não por acaso, seus públicos são majoritariamente jovens. Rock jovem, de melodias cativantes e que rende hits latentes como "Prisioneiro do futuro" e "Qualquer hora".

Sábado, 10 de março de 2018
Depois de Thiago Pethit e O Terno (com participação da Tulipa Ruiz), que tocaram em 2016 e 2017, a atração da festa de aniversário da Autêntica em 2018 foi Ava Rocha com abertura do mineiro Lucas Avelar. Primeira vez que a vi fora de um festival. Performance mais contida, talvez pelo palco menor do que nas outras ocasiões em que a vi (no Coquetel Molotov em Recife, na edição mineira e no Popload Festival). Além dos três anos da Autêntica, a data também marcou o mesmo tempo desde o lançamento do disco Ava Patrya Yndia Yracema, segundo e mais recente álbum de Ava. Dele, vieram logo no início do show dois dos "hits" de Ava: "Você não vai passar" e "Transeunte coração".
Difícil escrever sobre um show realizado no aniversário da Autêntica porque, se você trabalha com música em BH e está ali, invariavelmente aquele é um espaço por onde passou algumas (provavelmente muitas) vezes e que nesse dia encontra muitos conhecidos. Um espaço convidativo não somente para o público local mas também para os músicos, como provam os convidados do show da Ava: não somente a já anunciada Juliana Perdigão participou como também Tulipa Ruiz, Gustavo Ruiz e Lucas Santtana, que estavam em BH por causa de shows em outros espaços e terminaram a noite no palco da Autêntica.
Celebrar os três anos da Autêntica é parte do reconhecimento do trabalho dos sócios e de sua equipe, que luta diariamente para manter uma casa de shows autorais com capacidade para 400 pessoas em uma cidade onde a música cover predomina e se paga R$ 30 para ouvir playlists do Spotify em boates mas é difícil cobrar R$ 20 por shows alternativos. Da minha parte, posso dizer que comemorei tanto que mal me lembro do que aconteceu para poder terminar este texto.


A foto do público no dia dos shows do Devise e Vivendo do Ócio é do Luciano Viana. A foto do encontro entre Ava Rocha, Juliana Perdigão, Tulipa Ruiz e Lucas Santtana é do Flávio Charchar.

18 de fevereiro de 2018

Como fazer um mapa de palco (além de rider e input list)

Em 2013 fiz uma publicação indicando um site no qual era possível fazer mapas de palco para bandas de forma rápida e gratuita. Infelizmente, o site foi tirado do ar e deixou muitos músicos na mão. Para tentar suprir essa necessidade, publico abaixo alguns exemplos de mapas de palco (que não é nada mais do que um documento que indica o posicionamento dos músicos e seus respectivos equipamentos no palco), riders (lista dos equipamentos necessários no palco para realização do show) e input lists (lista que indica em qual canal da mesa de som cada um dos instrumentos/fontes sonoras deve ir).

Existem várias formas de apresentar graficamente o posicionamento da banda. Alguns artistas desenham até mesmo à mão, enquanto outros criam PDFs caprichados e com figuras tridimensionais. O importante é ser funcional. O mapa de palco não deve vir com sua foto e release, por exemplo (acredite, isso acontece). O ideal é uni-lo ao rider, input list e mapa de luz (caso tenha um). Esse material será importante tanto para o contratante do show (que precisa saber exatamente qual a estrutura necessária para a realização da apresentação) como para a equipe que irá efetivamente montar o palco para que a performance seja realizada. Tenha em mente que é um material que deve funcionar bem se for impresso em preto e branco (raramente alguma equipe técnica irá imprimir seu mapa colorido) e também na tela do celular (aquele clássico recorrente, quando você enviou todo o material para o contratante mas nenhum técnico da casa de show recebeu e você precisa mostrá-lo na hora da passagem de som, pelo próprio celular).

Enviar os arquivos sempre em PDF evita que alguma informação seja excluída sem querer por parte da equipe do contratante de show. Para preparar o seu material técnico (mapa de palco, rider e input list) você pode se basear nos modelos abaixo, exemplos para saber como outros artistas apresentam suas necessidades técnicas.

Exemplos de mapa de palco




A segunda imagem é um exemplo de mapa e rider unificados, de uma banda que não possui seu próprio técnico de som e por isso não tem um input list preparado. Para esse último exemplo de mapa, acima, rider e input list são esses:

RIDER
- Bateria com bumbo, pedal de bumbo, estante de caixa, uma estante de prato, máquina de chimbal, um tom e banco (repare que nesse caso ele não usa surdo e tem poucos pratos).
- 1 amplificador de baixo Ampeg SVT-2PRO ou 3PRO through 4x10 ou 8x10 - ideal)
- 2 amplificadores Marshall JCM 800 ou 900
- 2 microfones para voz
- 2 direct box
- 3 suportes de guitarra
- 5 monitores

INPUT LIST
1 bumbo
2 caixa (superior)
3 caixa (inferior)
4 tom
5 over (ambiência)
6 Baixo DI
7 Baixo (mic)
8 Guitarra 1
9 Guitarra 1 DI
10 Guitarra 2
12 Vocal 1
13 Vocal 2

Esse é um caso de banda que usa poucos canais da mesa de som e tem um input simples, além de não especificarem canais de monitores ou marcas dos outros equipamentos. Um exemplo de input mais completo é este abaixo, de um quinteto.




Você também pode fazer o download de mais alguns exemplos de mapas de palco, riders e input lists para ter mais referências..

11 de fevereiro de 2017

Pin Ups de volta e com show em BH


A paulistana Pin Ups foi criada em 1988 e se tornou um dos principais nomes do underground nacional nos anos 90. Elogiada por gente como Dave Grohl e Kurt Cobain, a banda tocou com ícones indie como Pixies e Superchunk. Após anos parada, a banda se reuniu para uma apresentação lotada no Sesc Pompeia no fim de 2015 e agora retoma as atividades na Obra, em BH, dando sequência aos shows que fizeram no festival Bananada e na Virada Cultural de São Paulo em 2016. A formação atual da banda é Alê Briganti (voz e baixo), Zé Antônio Algodoal (guitarra), Adriano Cintra (guitarra / ex-Cansei de Ser Sexy, Thee Butchers Orchestra, Madrid) e Flávio Cavichioli (bateria / Forgotten Boys, Corazones Muertos). O show de BH acontece dentro da programação do Tremor, festival criado para marcar os 20 anos da Obra, famoso inferninho da capital mineira. O projeto já recebeu bandas como Autoramas, Ludovic, Pequena Morte e Vivendo do Ócio e segue até junho, quando a Obra comemora seu aniversário.

 A abertura do Pin Ups será feita pela Miêta, banda indie que apesar do pouco tempo de formação (foi criada em 2015 a partir de um post no Facebook) já realizou algumas turnês pelo país. Representante do rock feminino de BH, a banda mistura dream pop, shoegaze e indie e prepara seu primeiro disco.

23 de janeiro de 2017

O que vi ao vivo em 2016

Essa é uma playlist bastante pessoal, parte de um registro particular que mantenho desde 2014 anotando todos os shows aos quais assisto. Em 2016 foram 196 shows (quase como um show dia sim, dia não), cujos artistas estão reunidos na ordem cronológica em que os vi na playlist abaixo. Para mim, marca parte de como foi o meu ano, por onde estive e o que fiz. Aqui, no blog, serve como um exemplo do que era possível acompanhar ao vivo em 2016 e um recorte das bandas ativas nesse período (principalmente na cena alternativa brasileira).

Abaixo destaco, a partir das minhas anotações na época dos shows, alguns dos meus favoritos:

- SUUNS (Sala Apolo e Parc Del Forum) _ "dos shows mais incríveis que já vi. segue a estética do health e battles só que mais industrial e dark"
- BEAK > (Barcelona e Porto) _ "minha maior surpresa no festival. hipnótico e dançante, krautrock contemporâneo com raízes no Portishead"
- RADIOHEAD (Barcelona)_ "pra mim, sem dúvida uma das melhores bandas da história. incrível como o som mudou em comparação com as bandas que tocaram anteriormente no mesmo palco. as músicas do 'a moon shaped pool' funcionaram bem ao vivo, ao contrário do que eu imaginava"
- TY SEGALL AND THE MUGGERS (especificamente o show da Sala Apolo, em Barcelona. O do Parc Del Forum vi só um pedaço e o de Porto foi mediano) _ "foda. alta velocidade o tempo todo. deathpunk ao estilo Turbonegro com um visual Village People e Frank Zappa. Ty é como um Iggy Pop da geração instagram"
- BATTLES (Porto, porque o de BCN foi ruim - a banda errou bastante lá) _ "deve ter sido a primeira vez que chorei durante um show instrumental. é a trilha de uma hipotética luta entre homens e máquinas em um futuro pós-apocalíptico. a gravação dos loops ao vivo é de uma fragilidade que usa pequenos 'erros' como elementos pra construir a singularidade de cada show da banda"
- PJ HARVEY (BCN e Porto) _ "poucos hits no repertório. atmosfera mais sombria. show mais bonito que já vi em termos de imagens ao vivo no telão"
- JOHN CARPENTER (BCN) _ "primeiro show dele. musicalmente, é um pré-industrial com hard rock, não lá muito original. as projeções de trechos de filmes do diretor funcionaram muito bem, público delirou"
- FLOATING POINTS (Porto) _ "daqueles shows que valeriam, por si só, todo o festival"
STEVE SHELLEY + GATA PIRÂMIDE (CCSP) _ "cerca de meia hora de show apenas, mas valeu por um festival. mistura as músicas mais agitadas do Sonic Youth com o início do Hurtmold e o Diagonal"
- TORTOISE (Porto) _ "começou estranho, como se algo estivesse fora do lugar, até que você se percebe imerso no som sem saber como chegou ali e não quer que aquilo acabe"
- KAMASI WASHINGTON (BCN) _ "tive receio por causa do hype mas ele se justifica. os hipsters não duraram o show inteiro, o rockdelux estava entupido no início e foi esvaziando"
- OCEANIA (Autêntica) _ "15 anos depois do show do Diesel no Rock in Rio, a energia do público ao ouvir as músicas da banda foi sensacional. expectativa boa pelo que o Oceania vai produzir"
- AVA ROCHA (no Coquetel Molotov BH, o do Popload Festival vi pela metade)
- DEERHOOF (Coquetel Molotov BH e Recife) _ "muito melhor ao vivo do que gravado. experimentalismo com punch"
- CIDADÃO INSTIGADO (Autêntica) - "até então meu show favorito do Música Quente (atualização: foi sim meu favorito). pesado, enérgico, boa escolha de repertório, mesmo sem tocar alguns hits"
- NELDA PIÑA E BOGOTÁ ORQUESTRA AFROBEAT (Latino Power)
- RAKTA (Coquetel Molotov) _ "justifica todo o burburinho. música experimental enérgica e sombria"
- METÁ METÁ (Autêntica) _ "duas noites seguidas, ambas lotadas. a primeira, com repertório mais animado e distorcido. só ao vivo reparei como os elementos percussivos cresceram progressivamente ao longo dos álbuns"
- LES DEUXLUXES (Centro Cultural Rio Verde e Breve) _ "dupla de duas guitarras e bateria. sujo, cru. entre o rock de garagem e rockabilly"
- SANDRA KOLSTAD (Centro Cultural Rio Verde) _ "metronomy + bjork. pena que as músicas novas ainda não foram lançadas"
- CAETANO VELOSO (Inhotim) _ "a produção do festival foi desastrosa, mas assistir a um show do Caetano voz e violão, de perto em Inhotim, é algo pra ficar marcado na memória"

3 de novembro de 2016

TREMOR, um festival pra comemorar os 20 anos da Obra

Se alguma vez você já se envolveu com a vida cultural noturna de BH é provável que já tenha ouvido falar d'A Obra. Localizada no subsolo de um prédio comercial da Savassi (um dos bairros mais movimentados da cidade, na região centro-sul), a Obra é o principal reduto do rock alternativo na cidade, na ativa desde 1997. Por lá passaram bandas como a japonesa Guitar Wolf, Marcelo D2 e Pitty em início de carreira e centenas de artistas alternativos, de Wander Wildner, MQN e Wry, a Gram, Black Drawing Chalks, Supercordas e novos nomes como Francisco El Hombre, My Magical Glowing Lens e Rafael Castro, sem contar o espaço sempre aberto pra novas bandas de BH. Não foram poucas as vezes em que saí direto da Obra pra faculdade.

Pra marcar os 20 anos da casa, A Obra e a Quente se juntaram pra criar o Tremor, um festival que se estende por oito meses e culmina justamente no dia 22 de junho de 2017, data do aniversário. Uma vez por mês, sempre às quintas, importantes bandas da cena alternativa tocarão ao lado de grupos de destaque na noite belorizontina. A ideia é misturar diferentes gerações de bandas e apresentar novos artistas ao público ao mesmo tempo em que promove shows de nomes já consagrados no underground.

A primeira edição do projeto é no dia 3 de novembro com a banda paulistana Ludovic, nome fundamental do rock alternativo brasileiro dos anos 2000 e que voltou à ativa em 2015 após longo hiato, e os mineiros da Aldan. No dia 22 de dezembro será a vez da lendária Autoramas, também prestes a completar 20 anos de existência, tocar novamente n'A Obra, dessa vez com a mineira Pequena Morte. Os shows de janeiro de 2017 já estão fechados e serão divulgados no fim de dezembro. Quem tiver indicações de artistas que gostaria de ver na Obra pode enviar diretamente para os produtores nas páginas da Quente e da Obra no Facebook.




12 de julho de 2016

Aquele texto no qual não consigo esconder a nostalgia em ver uma (quase) volta do Black Drawing Chalks


Zé Celso Martinez para atrás de nós e pergunta se estamos esperando um táxi. Chico César passa ao fundo com sua equipe. Aeroporto movimentado por causa da Virada Cultural de BH que começaria no dia seguinte. Os integrantes do Black Drawing Chalks comentam a morte do Baixo Astral enquanto penso em como seria uma selfie unindo a banda aos artistas ao nosso redor. Um encontro inusitado que remete à época em que o quarteto goiano era um dos grupos que mais circulava pelo underground brasileiro e nos encontrávamos de tempos em tempos em festivais como o Calango, em Cuiabá, e o Bananada, em Goiânia, e também em cidadezinhas do interior. Ao lado do Macaco Bong, é uma das bandas que definiu o rock alternativo brasileiro no fim da década passada. Até o Rogério Flausino se dizia fã deles.

Lá se vão quase 10 anos desde a primeira vez que os vi ao vivo (já comentei isso em outro momento). Pensar na história do Black Drawing me faz pensar no processo de desenvolvimento deste blog e da cena em que estamos envolvidos. Em 2009, foram uma das primeiras bandas a tocar em uma festa do Meio Desligado e enquanto estavam hospedados na casa dos meus pais eu acompanhava o Victor e o Douglas desenhando o que viria a ser o clipe de "My favorite way", hit da banda. Além de converter uma grande leva de ouvintes ao rock alternativo brasileiro (roqueiros ortodoxos que não acreditavam que pudesse existir boas bandas nacionais cantando em inglês), o BDC definiu uma estética visual marcante que contribuiu para catapultar a carreira (internacional) do estúdio Bicicleta Sem Freio, de seus integrantes Douglas (baterista) e Victor (vocalista e guitarrista, mas que atualmente atua como tatuador).

Em um semi-hiato desde meados de 2014, o Black Drawing Chalks voltou a BH dia 8 de julho, dentro da programação da mostra Música Quente, depois de dois anos. Período este em que seus conterrâneos do Boogarins alcançaram uma exposição internacional que provavelmente já ultrapassa os feitos do CSS, até então o grupo indie brasileiro de maior presença no exterior nos anos 2000. Não por acaso, o Boogarins tem como baterista Ynaiã Benthroldo (ex-Macaco Bong) e Renato Cunha, guitarrista do Black Drawing, como técnico de som. Retroalimentação e continuidade. Douglas, o baterista, não participou do show de BH por estar em Las Vegas em um trabalho do Bicicleta Sem Freio para o UFC. Em seu lugar, Rodrigo Miranda, do MQN - "tios" do BDC. "O Douglas começou a tocar por sua causa", alguém diz ao Miranda em determinado momento. Retroalimentação e continuidade.

Contextualizações à parte, o efeito ao vivo continua o mesmo de outrora. Energia crua e direta, aquela descarga barulhenta que aos poucos acaba com nossa audição e resulta em uma pulsão de morte que se transforma na vontade de destruição expressa fisicamente por moshs, cabeças inquietas e saltos do palco. Catorze músicas foram pouco. Focado no segundo disco da banda, Life is a big holiday for us (tocado na íntegra com exceção de uma das minhas favoritas, "Finding another road"), o repertório ainda teve "Cut myself in 2"e "Simmer down", do No dust stuck on you (terceiro e mais recente álbum), "Red love", presente apenas no disco ao vivo Live in Goiânia e somente uma do disco de estreia da banda (um crime!), a essencial "Big deal" (que dá nome ao álbum). A boa notícia é que, a julgar pelo crowd surfing dos integrantes durante o show e pela expressão em seus rostos mais tarde, tudo vai ficar bem e não deve demorar muito pra que mais pessoas voltem a ter essa experiência (e, torço, com mais músicas do primeiro disco inclusas). Help me.


Mais fotos na página da Quente no Facebook.

11 de abril de 2016

Vídeos exclusivos do Silva e Leonardo Marques ao vivo

No show de lançamento do Júpiter, seu terceiro álbum, em BH, o Silva também tocou "Um girassol da cor de seu cabelo", clássico do Clube da Esquina de autoria do Lô Borges, e misturou o single "Volta" com "Uma onda no mar", do Lulu Santos. Abaixo você assiste aos vídeos com exclusividade!
 


Outro vídeo da mesma noite é o do mineiro Leonardo Marques (Transmissor, Diesel, Udora, Maglore) tocando "Day mind travel", uma das minhas favoritas do seu disco de estreia, Dia e noite no mesmo céu.

4 de janeiro de 2016

Melhores shows brasileiros de 2015

Acho válido começar explicando que o título original deste texto é "Meus shows favoritos de 2015" e não "Melhores shows brasileiros de 2015". Essa é apenas uma estratégia caça-cliques, blz? Ou, como o Malvados coloca, o famoso "cata-corno google". O que acontece é que ninguém pesquisa por "shows favoritos de 2015" (512 resultados no Google), a maioria pesquisa por "Melhores shows de 2015" (6.630 resultados), daí usar o termo "melhores" em vez de favoritos. Então, feita a introdução, comecemos de novo.

Meus shows favoritos de 2015

Tenho um caderno no qual faço breves anotações de todos os shows que assisto. Em 2015, foram 144 deles, dos quais destaco alguns abaixo (em ordem cronológica, sem ordem de preferência), junto das anotações originais. Alguns pontos:
- a única banda a aparecer mais de uma vez foi o Ludovic
- dos 16 shows mencionados, 10 foram em festivais/feiras (o que reflete a importância desses eventos em disseminar a música alternativa em um mercado cheio de restrições orçamentárias)
- 12 espaços/casas de shows aparecem na lista, sendo que o mais frequente foi A Autêntica, em BH (4 dos shows que citei aconteceram lá)
- somente shows nacionais entraram na lista. Para citar somente um gringo "fora do eixo" estadunidense/europeu, destaco o show do Sukippara Ni Sake no Club Quattro Umeda, de Osaka, no dia 2 de fevereiro ("Lugar do caralho no 10º andar de um prédio. Afinações estranhas, muitas mudanças de tempo, às vezes lembrando uma versão j-pop de Fugazi e Faith No More")
- desses quase 150 shows, só três foram marcados como realmente horríveis (um deles vem acompanhado apenas da anotação "vergonha alheia")
- por considerar que é através dos shows que a maioria dos artistas consegue a principal parte de seus rendimentos, achei válido fazer essa retrospectiva dos shows por aqui. Torço pra que as bandas incluídas aqui sigam tocando cada vez mais (e, se figurar nessa lista ajudar ao menos um pouquinho, já valeu).

Baleia em BH, foto por Luciano Viana

Baleia
festival La Femme Qui Roule, no Galpão Cine Horto, 28 de fevereiro 
"O Baleia cresce muito ao vivo. Daquelas bandas que entendem as nuances do estúdio e sabem se adaptar para o palco".

SLVDR 
na Soleá Escola de Flamenco, 27 de março
"Math rock esporrento, bons instrumentistas. Público molecada não entendeu muito".

Bixiga 70
no Baixo Centro Cultural, 25 de abril
"Show de lançamento do 3º disco da banda. Muita pressão, casa lotada. Nunca vi um show ruim deles".

Dibigode
na Jam no Mam, no Museu de Arte Moderna da Bahia, 23 de maio
"Melhor show da turnê de lançamento do Garnizé, fora o show de BH. Calor baiano, cerveja barata e acarajé enquanto a banda tocava ao lado do mar".

Retorno do Ludovic, foto por Flávio Charchar

Ludovic
festival Transborda, n'A Autêntica, 20 de junho
"Show de retorno da banda. Ótimo. Não me lembrava de todo esse peso ao vivo. Faltam bandas realmente boas fazendo esse tipo de som".

Uakti
Savassi Festival, no CCBB, 8 de julho
"Show pra ficar de olhos fechados. Primeiro sem o Décio, senti certa tristeza nos integrantes". NOTA: esse foi o penúltimo show antes da banda acabar.

Hurtmold
Savassi Festival, n'A Autêntica, 10 de julho
"Show mais barulhento e enérgico que vi da banda. Espaço lotado, quase toda banda de rock alternativo de BH tinha algum integrante ali".

Hierofante
na Sensorial Discos, 19 de agosto
"Grande surpresa. O Goat brasileiro. Trio de rock psicodélico pra trilhas ritualísticas".

Câmera
no Studio Bar, 28 de agosto
"Melhor show que já vi deles. Mais pressão, mais noise. Ótima fase da banda, reflete bem a repercussão que estão tendo".

Senta a Pua!
Savassi Festival dentro da Virada Cultural de BH, na Praça da Savassi, 13 de setembro
"Puta banda, dos shows mais animados desse ano. Gafieira afiada, ótimos instrumentistas".

Pequeno Céu
festival Viva, n'A Autêntica, 17 de setembro
"A banda perdeu integrantes esse ano mas ganhou pressão. Pós-rock com menos firula e mais brasilidade".

Mariana Aydar
no teatro Bradesco, 1º de outubro, BH
"Denso, pesado, cenário sombrio. Bem diferente dos discos anteriores".

Reallejo
Sonâncias, n'A Autêntica, 28 de outubro
"Surpreendeu muito. Intimista no sentido positivo da palavra. Diálogo com o audiovisual muito bom".

Cidadão Instigado no Coquetel Molotov, foto da Revista O Grito

Cidadão Instigado
festival Coquetel Molotov, na Coudelaria Souza Leão (palco interno), 31 de outubro
"Rock progressivo nordestino. Peso, 3 mil pessoas cantando. Cidadão é das melhores bandas ao vivo que já vi".

Ludovic
festival Coquetel Molotov, na Coudelaria Souza Leão (palco externo), 31 de outubro
"Devia ter umas 100 pessoas assistindo, enquanto a maioria via o Tono com o Ney Matogrosso no outro palco. Show mais curto e tão intenso quanto o de BH. Jair saiu do palco direto pro hospital, rs".

Guizado
SIM, no CCSP, 5 de dezembro
"Só um pocket show, mas foram 15 minutos muito melhores do que a maioria do que as bandas que se dizem experimentais por aí estão fazendo. Black Sabbath jazzy".

23 de junho de 2015

Segunda edição do festival Vozes do Brasil acontece em BH entre 26 e 28 de junho

Criado pela jornalista Patricia Palumbo, o programa Vozes do Brasil está no ar em diversas rádios país afora e também na internet, sendo testemunha das transformações ocorridas nos últimos 17 anos da música brasileira. Após uma bem-sucedida primeira edição realizada em 2014, que contou com cinco noites com ingressos esgotados e nomes consagrados ao lado de novos representantes da música brasileira na programação (Karina Buhr, Marina Lima, Anelis Assumpção, Zélia Duncan, Ana Cañas, Flávio Renegado, Marina Machado, Marcelo Jeneci, Pedro Morais e Paulinho Moska), a segunda edição do Festival Vozes do Brasil acontecerá novamente no teatro Oi Futuro Klauss Vianna, desta vez entre os dias 26 e 28 de junho. Serão três noites com artistas que se destacam no cenário musical atual, selecionados por Palumbo:

Thiago Pethit (dia 26, sexta)
Mariana Aydar (dia 27, sábado)
Tiê + Makely Ka (dia 28, domingo)

As apresentações acontecerão às 21h e terão ingressos à venda por R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira). O encontro de Tiê com o multiartista Makely Ka é inédito (e inusitado); Thiago Pethit retorna à cidade cinco meses após lançar por aqui seu mais recente disco (que aconteceu no início do ano no festival Furor); e Mariana Aydar volta a apresentar seu show solo em BH após anos (em breve ela lança novo trabalho em parceria com o artista Nuno Ramos).

Sobre os artistas

Dia 26, sexta

THIAGO PETHIT
Com formação em artes cênicas, Thiago Pethit estudou canto e composição em Buenos Aires e Paris. Lançou seu primeiro trabalho como músico em 2008, com o EP "Em outro lugar". Seu disco de estreia, "Berlim, Texas", (2010), rendeu a Pethit o prêmio Aposta MTV no VMB 2010 e levou seu show a diversas cidades brasileiras e a países como Argentina e Portugal. "Estrela Decadente", seu segundo disco, foi lançado em 2012 e ampliou a base de fãs do artista. Atualmente divulga seu terceiro CD, "Rock'nroll sugar darling" (2014), no qual apropria-se do rock em sua origem marginal, afetada, sexy e debochada para chegar a canções em que guitarras rockabilly e tambores à la Bo Diddley convivem com batidas eletrônicas, elementos digitais e samples.

Dia 27, sábado

MARIANA AYDAR
Representante da nova safra de cantoras brasileiras surgidas nos anos 2000, Mariana Aydar possui três discos lançados e parcerias com grandes nomes da música brasileira no currículo. Sua música dialoga com a MPB, samba, forró e música afro-brasileira. Após dividir o palco com Elba Ramalho em BH no ano passado, Mariana retorna à cidade quase três anos após sua última apresentação solo por aqui. Nos próximos meses a cantora lançará seu quarto disco, desta vez em parceria com o multifacetado artista Nuno Ramos.

Dia 28, domingo

TIÊ
Cantora e compositora de voz doce e letras sinceras, Tiê tem três discos:  “Esmeraldas” (2014), “A Coruja e o Coração” (2011) e “Sweet Jardim” (2009). Já se apresentou em festivais como Rock In Rio (RJ e Lisboa), SXSW (Texas, EUA), Planeta Terra (SP) e Coquetel Molotov (Recife), além de ter se apresentado para 2 milhões de pessoas no Réveillon da Paulista.

MAKELY KA
Poeta, músico e produtor cultural, Makely Ka possui dois discos solo e uma extensa lista de composições gravadas por outros artistas, entre os quais estão nome como Ná Ozzetti, Aline Calixto e Estrela Leminski. O segundo álbum do compositor surgiu a partir de uma jornada de quase 2mil km pelo sertão mineiro, remetendo aos caminhos percorridos por Riobaldo, personagem do livro 'Grande sertão: veredas', de Guimarães Rosa.

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Diferentemente do ano passado, quando fiz a coordenação de produção do festival, este ano trabalhei apenas na pré-produção e atuarei de forma diferente: cuidando do bar do festival. Quem chegar mais cedo também vai poder ouvir as playlists especiais de música brasileira que preparei pro Vozes. Aqui, um resumo do que foi a primeira edição do festival, em 2014.
 

3 de dezembro de 2014

BH Music Station 2014 - como foi


A premissa do BH Music Station é ótima: um festival musical que acontece em estações de metrô e dentro dos próprios vagões, fora do seu horário de funcionamento. O ambiente diferenciado e a produção impecável proporcionam ótimas experiências, mas em 2014, na sétima edição do evento, faltou um elemento essencial: uma programação musical mais atraente.

Diferentemente dos últimos anos, quando a programação do festival geralmente se dividia por três ou mais dias com shows em três estações do metrô, em 2014 o festival concentrou seus palcos na chamada "Estação Oficina" (localizada após a estação final do metrô, onde é realizada a manutenção dos vagões), no dia 29 de novembro. Lá, se apresentaram Rodrigo Amarante, Orquestra Imperial, Mustache e Os Apaches e os DJs da festa Geleia Geral. Apesar da redução no número de dias em relação aos outros anos do festival, foi uma programação fraquíssima se comparada com os artistas que se apresentaram em 2008 (Arnaldo Antunes, Nação Zumbi, Tom Zé, Fino Coletivo, Móveis Coloniais de Acaju, entre outros), 2009 (Vanguart, Lenine, Cordel do Fogo Encantado, Zeca Baleiro, Mart'Nália e a própria Orquestra Imperial, entre outros) e 2011 (Paralamas do Sucesso, Marcelo Camelo, Céu, Nação Zumbi - de novo, Roberta Sá, Lobão e Tiê, entre outros).

Outros pontos pioraram a situação:
- Rodrigo Amarante e Orquestra Imperial atraem praticamente o mesmo público e, no dia da realização do Music Station, acontecia em BH a estreia da Banda do Mar na cidade, atingindo o mesmo público e com o peso de ser uma novidade, ao contrário de Amarante e da Orquestra (que realizaram bons shows, inclusive, apesar do trabalho do Amarante ser intimista demais para o formato do festival - por vezes a altura das conversas do público tornava difícil conseguir indentificar o que ele cantava);
- Quando foi lançar Cavalo, seu primeiro disco solo, em BH, Amarante teve duas noites agendadas na casa de shows Granfinos, onde a capacidade é de cerca de 600 pessoas. No entanto, a venda de ingressos foi tão ruim que uma das noites foi cancelada e a outra sequer teve os ingressos esgotados. Ou seja, o headliner do BH Music Station 2014 não encheu uma casa com capacidade para 600 pessoas e foi a principal atração de um festival que nos anos anteriores recebia milhares de pessoas. O resultado? A edição mais vazia do BH Music Station de que se tem notícia. Contribuiu também, é claro, o fato da entrada custar R$ 120 (inteira). Mesmo com os custos de se realizar um festival desse nível no metrô, envolvendo uma grande equipe, é um valor muito alto para o ingresso, ainda mais levando em consideração que o patrocínio do evento é de R$ 432.250,00 via Lei Estadual de Incentivo à Cultura e que os cachês dos artistas que se apresentam dentro dos vagões é baixo (me lembrei dessa piada sobre os cachês das bandas indie no Lollapalooza).

Mauro Lauro Paulo na entrada do BH Music Station. Foto de Renata Caldeira

E por falar nos shows que acontecem dentro dos vagões, vale destacar que, nesse sentido, a programação de 2014 foi a melhor de todos os tempos. Como a entrada no festival é centralizada na Estação Central, o público percorria um longo caminho até a estação na qual o palco principal havia sido montado. Por isso, shows alternativos, em sua maioria semi-acústicos, acontecem dentro dos vagões durante esse trajeto. E neste ano a programação contou com uma ótima e diversificada amostra da cena independente belorizontina, com Iconili, O Melda, Barulhista, Madame Rrose Sélavy e novidades promissoras como Minimalista, Pequeno Céu e Peluqueria (única banda esperta pra aproveitar o local inusitado e fazer um vídeo ao vivo), entre outros. Para melhorar, logo na entrada da Estação Central o público se deparou com as intervenções do palhaço-músico-onemanband Mauro Lauro Paulo e o barulho garageiro d'O Lendário Chucrobillyman. Se nos próximos anos o festival cuidar de sua programação principal com a mesma atenção que deu às atrações secundárias em 2014, tem tudo para se firmar como um dos eventos mais legais do país.

26 de setembro de 2013

Savassi Festival NY: impressões

Por Lucas Mortimer

Recém-chegado aos Estados Unidos para uma temporada de 10 meses de estudos, tive a oportunidade de presenciar alguns momentos do Savassi Festival NY. Realizado em Belo Horizonte desde 2003, o festival levou à sua primeira edição internacional uma série de shows e workshops focados na música instrumental brasileira e ocupou diversas casas de show e universidades da "grande maçã" de 16 a 25 de Setembro de 2013. Participei de dois, dos cinco workshops, e assisti a cinco dos 16 shows.

No dia 18, participei do workshop de Rafael Martini sobre a música popular contemporânea brasileira realizado na NYU. Rafael e os excelentes músicos de seu sexteto apresentaram e demonstraram alguns ritmos populares brasileiros como baião, maracatu, bossa nova e também ritmos sul-americanos como a chacarera, descrevendo e relacionando a influência destes na música contemporânea moderna. Uma bela aula sobre música brasileira em uma das principais universidades de Nova York, destacando artistas como Hermeto Pacoal e Egberto Gismonti, além de novos talentos.

Em seguida, compareci ao clube The Bitter End para os shows de Joana Queiroz Quarteto (que contou com a participação de uns 10 músicos) e de Andre Vasconcelos Quintet. A casa estava cheia e o show de Joana Queiroz começou ofuscado pelo volume das conversas nas mesas. Aos poucos os músicos foram conquistando o público: Felipe Continentino e sua firmeza rock/jazz na bateria; Rafael Martini e sua sutileza no piano; Vítor Gonçalves e sua agilidade no acordeon; Fred Heliodoro e sua segurança no baixo; Alexandre Andrés e sua bela sintonia com Joana; Antonio Loureiro e sua serenidade na bateria; Sergio Krakowski e sua sensibilidade no pandeiro; e Tatiana Parra e sua força e presença na voz. Um belo time muito bem orquestrado por Joana Queiroz, ovacionada de pé por todos ao final do show.


André Vasconcelos subiu ao palco em seguida mostrando grande habilidade e sentimento na guitarra, apresentando belas versões jazzísticas de músicas brasileiras. Sem conseguir, no entanto, segurar o público que se dispersou aos poucos. Vale a pena conferir o trabalho do moço e do excelente pianista Evan Waaramaa na banda Crosswalk Anarchy.

No dia seguinte (19), foi a vez de Rafael Martini apresentar seu show no Shapeshifter Lab no Brooklyn. Para quem não sabe, o Brooklyn é uma outra cidade que compõe a Grande NYC, juntamente com Queens e The Bronx. Embora no mapa do metro não pareça, a área do Brooklyn é bem maior que Manhattan e alguns bairros vem aos poucos se tornando alvo de ocupação de artistas gentrificados e se tornando culturamente ativas. Talvez por ainda estar nesse processo, a casa estava um pouco vazia. Mas isso não foi suficiente para abalar os músicos. A sonorização da casa era excelente e ajudou os músicos a fazerem um show intimista de muita expressividade. Quase a mesma trupe do show da Joana Queiroz, com Trigo Santana no baixo e Jonas Vítor no sax tenor. Ponto alto para a participação de Tatiana Parra, que fez um duo belíssimo com Rafael em "Consuelo", música do disco de estreia de Martini, Motivo.


Um parênteses para mencionar que Rafael Martini foi contemplado pelo Edital de Intercâmbio do Programa Música Minas, que concedeu as passagens aéreas para o artista apresentar seu show e sua oficina no Savassi Festival NY. Como contrapartida, o artista deverá realizar essas ações também em Minas Gerais, em formato solo. Vale a pena ficar ligado para conferir.

No domingo (22), foi a vez de Sérgio Krakowski apresentar seu "Carrosel de Pássaros" com participação especial de Túlio Araújo. The Cornelia Street Cafe foi uma bela escolha para receber o show. No ambiente onde os shows são realizados, no porão da casa, as luzes são reduzidas na hora da apresentação e todo o público fica em silêncio para poder experienciar a música. Krakowski consegue extrair diversas sonoridades do pandeiro com uma variação dinâmica impressionante. O pianista Vítor Gonçalves dá a base para que Sérgio, o guitarrista Todd Neufeld e o saxofonista John Elis improvisem a vontade. Túlio Araújo entrou e ajudou a dar o groove que às vezes falta no show de Sérgio. Ao fim do carrosel, uma longa salva de palmas da plateia que ficou imersa durante uma hora de show.

Saldo muito positivo do festival, realizado com excelência por Bruno Golgher, que confessou estar planejando essa ação em NY há 3 anos. Fica a expectativa para que essa ação possa se desdobrar e outros artistas mineiros e brasileiros possam desfrutar do caloroso público nova-iorquino.

5 de junho de 2013

Resumo da tv.meiodesligado em Maio: só shows completos


Fugazi em Piracicaba (1997)

Chico Science & Nação Zumbi no Hollywood Rock (1996)

Black Sabbath em Paris (1970)

The Clash em Tóquio (1982)

Nirvana no Hollywood Rock (1993)

30 de maio de 2013

Hospedagem durante turnês: Airbnb e Housetrip

Na hora de planejar uma turnê, principalmente no exterior, um dos grandes problemas é a questão da hospedagem. Hoteis geralmente são caros e albergues não costumam ter espaço para guardar os equipamentos e instrumentos com segurança. Uma boa alternativa é utilizar sites como o Airbnb e Housetrip (disponíveis em português), que possibilitam o aluguel temporário de quartos ou imóveis inteiros. O mais comum são pessoas que têm quartos livres em casa ou que vão passar temporadas em outras cidades (ou países) e colocam esses imóveis à disposição dos interessados, utilizando esses sites para alcançar mais pessoas com segurança.

Ambos os sites são extremamente fáceis de usar: você pode buscar o local de sua hospedagem através de parâmetros como data, localização, número de quartos, valor, tipo de imóvel, línguas faladas pelo anfitrião e comodidades disponíveis (internet, piscina, ar condicionado etc), entre outros. O pagamento é feito com cartão de crédito e só é debitado após a estadia no local contratado.

Antes de fazer a reserva, o ideal é ler os comentários deixados por quem já se hospedou no local, ver a avaliação do proprietário pelos usuários e pesquisar sobre o bairro do imóvel na internet. Com essas pequenas precauções, a probabilidade de ter problemas com sua hospedagem diminui bastante.


24 de maio de 2013

Dibigode divulga turnê norte-americana e lança projeto de financiamento coletivo

Prestes a iniciar a gravação de seu segundo CD, a banda instrumental Dibigode fará sua primeira turnê nos Estados Unidos e conta com o apoio do público para viabilizar a viagem. Através de um divertido vídeo, os integrantes da banda mineira explicam a campanha de crowdfunding que está sendo realizada através do site Catarse e que busca captar R$ 6.000 para bancar parte dos custos da turnê, que já conta com mais de 10 shows marcados no país, durante o mês de Julho. 


Os interessados em ajudar podem participar com quantias entre R$ 10 e até R$ 5.000, recebendo em troca do apoio material exclusivo e personalizado da banda, como adesivos, camisetas, pen drives, vales para fazer a barba, bigode e cabelo e até shows da banda na casa do apoiador.

8 de maio de 2013

Violins encerra atividades com show e lançamento de livro em BH



O dia 11 de Maio será marcado por encontros e despedidas no Granfinos. A banda goiana Violins, depois de 8 discos lançados, shows nos principais festivais independentes do Brasil e de ser apontada como uma das 10 apostas do MySpace, fará seu último show antes do encerramento de suas atividades por tempo indeterminado. Além de ser a despedida da banda, a noite celebra o lançamento oficial do disco mais recente da banda, homônimo, em Minas Gerais. O disco, que tem formato apenas virtual e foi liberado gratuitamente para download (assim como todos os outros CDs da banda), foi lançado no final de 2012 e traz a tradicional orientação melódica, distorções e letras bem elaboradas.

Última oportunidade para os fãs ouvirem ao vivo as músicas que os emocionam desde 2001, data de surgimento da banda, e para quem ainda não a conhece bem conferir de perto o motivo da Violins ter se tornado uma das principais bandas de rock independente do país.

A abertura da noite será feita pelos mineiros do Câmera, banda que recentemente abriu o show do ícone indie Stephen Malkmus (Pavement) em BH, levando ao público o indie e folk rock do repertório dos seus dois EPs (“Invisible Houses” e “Not Tourist”). Após shows em festivais como Planeta Brasil, Transborda e participações em programas do Multishow e Oi Novo Som, a banda prepara seu primeiro CD “cheio” para o segundo semestre de 2013.

Compositor e vocalista lança primeiro livro
A noite será ainda mais especial para Beto Cupertino, vocalista, guitarrista e compositor do Violins. Ele lança oficialmente seu primeiro livro, “Os Espetáculos da Desrazão” (2013), pela editora mineira Ius. 

Para os fãs da banda, não será uma novidade se deparar com uma ficção instigante e de bom gosto, já refletida em várias letras do grupo. Para os novatos, será a chance de descobrir um novo e promissor escritor. O livro estará à venda e o autor estará disponível para um bate-papo com o público.

Serviço
Violins, Câmera e lançamento do livro “Os Espetáculos das desrazões”, de Beto Cupertino
Sábado, 11 de maio, 22h
Granfinos (Avenida Brasil, nº 326, Santa Efigênia, BH)
Ingressos a R$20,00 (meia), R$25,00 (lista amiga), R$40,00 (inteira)

30 de abril de 2013

Utilidade pública: um site para fazer mapas de palco

ATUALIZAÇÃO: o site indicado aqui está fora do ar, mas fiz um novo post com dicas e exemplos de mapas de palco e rider técnico.

Agora não tem desculpa pra qualquer banda usar mapas de palco feitos à mão ou nem ter o seu: é só usar o Free Stage Plots, site super simples que permite a criação de mapas de palco online e os salva em arquivos de imagem, como o abaixo.


Ainda em versão alfa, o site possui interface intuitiva e é ótimo para preparar mapas de palco funcionais rapidamente.

14 de março de 2013

Mistureba

Viajando há semanas, difícil encontrar tempo para finalizar textos mais elaborados (apesar de ter vários deles aqui no rascunho). Enquanto isso, algumas pílulas aqui:



Dois shows do Iconili esta semana semana em São Paulo. Ótima dica pra quem está na cidade (apesar da minha opinião, nesse caso, ser muito tendenciosa, já que eles fazem parte da Quente, minha agência/produtora).


O rapper mineiro Flávio Renegado se uniu à Fernanda Takai e Gulherme Arantes pra lançar uma música nova. Potencial hit vindo aí, com lançamento marcado pro dia 19 de março.


21 de fevereiro de 2013

Quente, nova agência de bandas de BH, faz festa de lançamento

Novo empreendimento na área, release abaixo.


Agência de bandas e produtora cultural, a Quente faz seu lançamento oficial na sexta-feira, dia 22, no CCCP. A festa contará com DJs e show do Dibigode, uma das bandas que integram o elenco da produtora/agência. Formada por três produtores culturais e comunicadores mineiros (Luciano Viana, Marcelo Santiago e Roberta Henriques), a Quente atua no agenciamento, produção, comunicação, gestão de carreiras e elaboração/execução de projetos para o seu casting de artistas, atualmente formado pelo Iconili, Câmera, 4instrumental, Leonardo Marques, Julgamento e Dibigode. A Quente também fornece, sob consulta, os mesmos serviços para demais clientes do meio cultural. 

Com a proposta de oferecer serviços diferenciados e com foco em conceito e qualidade, a Quente faz uso da formação multidisciplinar de seus sócios para atuar de forma integrada ao atual cenário cultural e dialogar com suas constantes transformações: Luciano é músico e publicitário, Marcelo é jornalista e blogueiro (autor do blog meiodesligado.com) e Roberta é mestre em psicologia. Em comum, o trabalho com produção e gestão cultural há anos, participando de grandes eventos e projetos pelo país. 



A Quente iniciou suas atividades de agenciamento e assessoria no segundo semestre de 2012 e desde então levou seus artistas a se apresentarem em mais de 20 cidades, incluindo shows em importantes eventos e espaços culturais, como o Sesc Pompeia, Circo Voador, Leblon Jazz Festival, Feira da Música de Fortaleza, Mostra de Cinema de Tiradentes e Noite Branca. Paralelamente, o trabalho de assessoria resultou em matérias em alguns dos principais veículos do país e em publicações estrangeiras, além de grande repercussão online, um dos focos da Quente. Agora, a partir da festa no CCCP, a produtora/agência inicia nova etapa de produção e co-produção de eventos. 

Quente nas redes 
facebook.com/quentequente 
twitter.com/musicaquente 
youtube.com/musicaquente 
instagram.com/musicaquente 
soundcloud.com/musicaquente 
foursquare.com/musicaquente 



Sobre o Dibigode 
Banda instrumental belo-horizontina que mescla música experimental, rock alternativo e jazz. Lançou seu primeiro álbum em 2011, "Natural e Idênticos ao Natural de Pimentas da Jamaica e Preta", e em 2012 circulou por importantes palcos brasileiros como o Conexão Vivo (sendo a banda instrumental mais votada de todo o país), FIT-BH, Sesc Palladium, Leblon Jazz Festival, Feira da Música de Fortaleza e Inhotim Em Cena. 

Nessa sexta, no CCCP, fazem seu primeiro show do ano, com repertório formado por músicas do primeiro disco, composições inéditas e releituras instrumentais de outros projetos. 

Sobre os DJs 
A discotecagem da festa ficará por conta dos DJs Meio Desligado (pseudônimo de Marcelo Santiago, autor do blog de mesmo nome e um dos sócios da Quente), tocando música brasileira, latinidades e indie; Luciano Viana (outro sócio da Quente) tocando rock alternativo; Roger Deff (vocalista do Julgamento) tocando hip hop e música brasileira; e outros convidados-surpresa. 

Serviço 
Festa de lançamento da Quente 
Show do Dibigode, DJ Meio Desligado e convidados 
Dia 22.2, sexta-feira, a partir das 22h 
No CCCP (Rua Levindo Lopes, nº 358, Savassi, BH) 
Entrada: R$25 
Informações: contato@quente.org.br, (31) 3582.5638 (CCCP),

29 de novembro de 2012

Cobertura de uma longa viagem através das fotos que não fiz

15 de Novembro, Ana Rosa, São Paulo
Origamis coloridos, pendurados em barbantes, decoram o centro do bar. Ao fundo, camisetas de bebê com estampas de bandas de rock também estão penduradas e complementam a decoração improvisada. Enquanto um gordinho de óculos grita ao microfone (cantando Tim Maia, mas impossível saber isso através da foto não feita), um sorridente Jair Naves gira no chão em um movimento inesperado (porém aplaudido), com a mesma sagacidade com que se joga do palco ou sobe nas estruturas montadas em seus shows. À sua esquerda, Siba permanece sentado, olhar intelectual, concentrado na conversa com a bela mulher ao seu lado. Fernando Catatau estava do lado de fora e não sairia na foto (e provavelmente não se deu conta do que acontecia por ali).

1º de Novembro, Lapa, Rio de Janeiro
As duas dançarinas/acrobatas estão na linha dos meus olhos. Estou na parte de cima do Circo Voador e elas, há metros do chão, penduradas em tecidos presos ao teto do local. Apesar dos corpos definidos e dos muitos volumes, ressaltados pelas roupas justas, fica claro os poucos anos que cada uma carrega. Ao meu lado, encostado na barra de proteção (da qual esqueci o nome), um hippie universitário (que em Minas seria simplesmente chamado de "tilelê") as fotografa. Ao fundo da imagem, o Iconili se prepara para a passagem de som para o show que faria ali, horas mais tarde, para centenas de pessoas. Dos 11 integrantes da banda, seis estão olhando para a dança/acrobacia das garotas, três estão concentrados em seus instrumentos e dois não apareceriam na foto, pois saíram para fumar maconha.

10 de Novembro, Leblon, Rio de Janeiro
Um close em uma escada de madeira fina, com poucos degraus, aparentemente molhados. Ao fundo, percebe-se que a escada leva a um palco. Ao lado da escada, um dos integrantes do Dibigode aparece borrado pelo movimento, levando as últimas cervejas do camarim. Faço a foto antes que o Ed Motta suba essa mesma escada e aposto R$ 20 que ela quebrará com ele. 

14 de Novembro, Vila Madalena, São Paulo
Sentados na cozinha, ao redor de uma mesa circular coberta com plástico branco de detalhes azuis, sobre o qual estão um pacote de pão, uma embalagem de 1 litro de suco de uva e meio croissant que comprei no dia anterior (quando a atendente da padaria ria do meu sotaque mineiro e pedia, com uma mistura de prazer e dó, que eu repetisse cada palavra), estão Felipe Cordeiro e seu pai, Manoel Cordeiro, compondo. Manoel está de costas, pode-se ver apenas o braço do violão que carrega no colo. Felipe está de frente para ele, bigode e cabelos atrapalhados, sorrindo. Tocam uma música que compõem em parceria com um renomado artista de São Paulo e que ficaria na minha cabeça por longas horas.

13 de Novembro, Pompeia, São Paulo
Em frente à entrada do camarim da Choperia do Sesc Pompeia, acima da cozinha da unidade do Sesc, paro, de costas para a entrada, e faço uma foto de mim mesmo. Quatro anos antes, naquele mesmo lugar, registrei o momento da minha primeira viagem como produtor cultural. Não gosto da foto e a refaço três vezes. No fim, desisto e encho de efeitos no celular.

12 de Novembro, Rua Augusta, São Paulo
Parece cena de churrasco na casa de um bicheiro, mas estamos durante a madrugada em um "bar de acompanhantes". Apareço na foto com duas garotas seminuas me abraçando, uma de cada lado, fazendo V com os dedos para a foto e, ao fundo, o churrasqueiro oferece um espetinho (gratuito),  a um japonês de óculos, com seus trinta e poucos anos, todo sorridente.

16 de Novembro, Casa das Caldeiras, São Paulo
Estamos eu, o Emicida e a Renata, produtora dele, no camarim, de pé, enquanto o pessoal do Mãodeoito conversa sentado, ao lado. O Emicida sorri e lembra de quando nos encontramos em Londres, enquanto ele traficava Guaraná Antarctica no Barbican. Ele segura um adesivo do Iconili e a Renata, uma camisa da banda. O suor escorre na minha teste e cai no meu olho, fazendo com que ele saia fechado na foto.

23 de Novembro, Centro, Rio de Janeiro
A imagem é apenas um borrão em tons de ferrugem com um rastro de luz incandescente. A foto seria de um dos muitos vagões deteriorados da estação Leopoldina, com sua decadência transformada em atração durante a realização do festival Back2Black. No momento da foto, o baixista da banda ______ (melhor não contar o nome), me puxa pelo ombro e conta que Patrícia Pillar e Regina Casé estão por ali e, acredite, pretende abordar (com interesses sexuais) a primeira delas que encontrar. Finjo que vi a Nneka no meio da plateia, aponto a direção, e ele parte.

1 de outubro de 2012

Programação do Lollapalooza 2013

No Chile, a programação é essa abaixo, confirmadíssima no site do festival. A programação brasileira deve ser 80% igual e será anunciada hoje em coletiva de imprensa.

Lollapalooza Chile 2013
Pearl Jam
The Black Keys
Queens of the Stone Age
A Perfect Circle
Franz Ferdinand
Foals
The Hives
Crystal Castles
Tomahawk (uma das bandas do Mike Patton)
Puscifer (projeto paralelo do Maynard, do Tool e A Perfect Circle)
Passion Pit
Hot Chip
Kaiser Chiefs
Bad Brains
Alabama Shakes
Keane
Two Door Cinema Club
Toro Y Moi


Dois artistas brasileiros estão na programação chilena: Marcelo D2 e DJ Marky. Destaque também pra dupla de garage rock Perrosky, que há poucos anos fez alguns shows pelo Brasil e tocou no festival Escambo em noite que teve discotecagem do Meio Desligado!

Veja a programação completa no site oficial do Lollapalooza Chile.

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