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5 de abril de 2019

Meu radar de novidades do Spotify comentado superficialmente pra caber em tweets

LOS HERMANOS corre corre
Fiel ao estilo da banda mas com timbres de guitarra mais modernos, o famoso indie vintage. Poderia ser uma (boa) sobre de estúdio da fase do álbum 4.

MARCELO JENECI aí sim
Cada vez mais interessado na pesquisa de sons retrô (como seus shows sozinho no palco mostram), essa nova do Jeneci é um rocksteady lo-fi de sanfona safada e bateria eletrônica minimalista. Ótima novidade.

RAKTA ruína
"Ruína" é como um mantra caótico, a preparação para um transe que invoca tanto o tribal como o industrial. Das melhores bandas ao vivo em atividade no mundo.

ANITTA poquito
A única coisa boa nessa música é que parece que ela está chamando "porquito!", o que me faz imaginar um porquinho doméstico no colo da Anitta e essa é uma imagem bem fofa, convenhamos.

MC DAVI e JÚLIA NOGUEIRA começou a chover
Tirando a letra, o jeito que eles cantam, o violão brega na parte final e os 30 segundos de silêncio total antes de acabar, seria um bom trap.

EMA STONED, MAKOTO KAWABATA e YANTRA act iv
Foge da psicodelia de phaser e isso já é um ótimo sinal. Climática, são quase 9 minutos e é uma das menores do disco, que tem faixas de até 28 minutos.

ARTHUR NOGUEIRA como la cigarra
Em "Eu queria ter uma bomba" o Arthur atualizou bem a música do Cazuza, sem aqueles timbres horrorosos dos anos 80. Nessa, sua versão de Mercedes Sosa é só uma MPB padrão, sem muita identidade.

Apenas uma vinheta percussiva do disco novo do Deafkids. Tanta música boa no disco e o Spotify manda uma vinheta no radar de novidades (algoritmo sempre mostrando que precisa de melhorias).

NSC, REGULA e BISPO vício bandido 1
Única descoberta da lista. Rap alagoano na pegada dos melhores momentos dos Racionais. Não entendi a participação dos rappers portugueses Regula e Bispo, que não cantam na música (publicada no Youtube em 2015 e no Soundcloud em 2013, aparentemente na mesma versão).



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Para registro, entre os internacionais desta semana estavam Ty Segall, Sensible Soccers, The Coathangers, Mdou Moctar, Wednesday Campanella, Gost, Chon, The Budos Band, Big Brave, Windhand, Blitz the Ambassador e Idlewild (este, infelizmente com uma música bem ruim).

3 de dezembro de 2014

BH Music Station 2014 - como foi


A premissa do BH Music Station é ótima: um festival musical que acontece em estações de metrô e dentro dos próprios vagões, fora do seu horário de funcionamento. O ambiente diferenciado e a produção impecável proporcionam ótimas experiências, mas em 2014, na sétima edição do evento, faltou um elemento essencial: uma programação musical mais atraente.

Diferentemente dos últimos anos, quando a programação do festival geralmente se dividia por três ou mais dias com shows em três estações do metrô, em 2014 o festival concentrou seus palcos na chamada "Estação Oficina" (localizada após a estação final do metrô, onde é realizada a manutenção dos vagões), no dia 29 de novembro. Lá, se apresentaram Rodrigo Amarante, Orquestra Imperial, Mustache e Os Apaches e os DJs da festa Geleia Geral. Apesar da redução no número de dias em relação aos outros anos do festival, foi uma programação fraquíssima se comparada com os artistas que se apresentaram em 2008 (Arnaldo Antunes, Nação Zumbi, Tom Zé, Fino Coletivo, Móveis Coloniais de Acaju, entre outros), 2009 (Vanguart, Lenine, Cordel do Fogo Encantado, Zeca Baleiro, Mart'Nália e a própria Orquestra Imperial, entre outros) e 2011 (Paralamas do Sucesso, Marcelo Camelo, Céu, Nação Zumbi - de novo, Roberta Sá, Lobão e Tiê, entre outros).

Outros pontos pioraram a situação:
- Rodrigo Amarante e Orquestra Imperial atraem praticamente o mesmo público e, no dia da realização do Music Station, acontecia em BH a estreia da Banda do Mar na cidade, atingindo o mesmo público e com o peso de ser uma novidade, ao contrário de Amarante e da Orquestra (que realizaram bons shows, inclusive, apesar do trabalho do Amarante ser intimista demais para o formato do festival - por vezes a altura das conversas do público tornava difícil conseguir indentificar o que ele cantava);
- Quando foi lançar Cavalo, seu primeiro disco solo, em BH, Amarante teve duas noites agendadas na casa de shows Granfinos, onde a capacidade é de cerca de 600 pessoas. No entanto, a venda de ingressos foi tão ruim que uma das noites foi cancelada e a outra sequer teve os ingressos esgotados. Ou seja, o headliner do BH Music Station 2014 não encheu uma casa com capacidade para 600 pessoas e foi a principal atração de um festival que nos anos anteriores recebia milhares de pessoas. O resultado? A edição mais vazia do BH Music Station de que se tem notícia. Contribuiu também, é claro, o fato da entrada custar R$ 120 (inteira). Mesmo com os custos de se realizar um festival desse nível no metrô, envolvendo uma grande equipe, é um valor muito alto para o ingresso, ainda mais levando em consideração que o patrocínio do evento é de R$ 432.250,00 via Lei Estadual de Incentivo à Cultura e que os cachês dos artistas que se apresentam dentro dos vagões é baixo (me lembrei dessa piada sobre os cachês das bandas indie no Lollapalooza).

Mauro Lauro Paulo na entrada do BH Music Station. Foto de Renata Caldeira

E por falar nos shows que acontecem dentro dos vagões, vale destacar que, nesse sentido, a programação de 2014 foi a melhor de todos os tempos. Como a entrada no festival é centralizada na Estação Central, o público percorria um longo caminho até a estação na qual o palco principal havia sido montado. Por isso, shows alternativos, em sua maioria semi-acústicos, acontecem dentro dos vagões durante esse trajeto. E neste ano a programação contou com uma ótima e diversificada amostra da cena independente belorizontina, com Iconili, O Melda, Barulhista, Madame Rrose Sélavy e novidades promissoras como Minimalista, Pequeno Céu e Peluqueria (única banda esperta pra aproveitar o local inusitado e fazer um vídeo ao vivo), entre outros. Para melhorar, logo na entrada da Estação Central o público se deparou com as intervenções do palhaço-músico-onemanband Mauro Lauro Paulo e o barulho garageiro d'O Lendário Chucrobillyman. Se nos próximos anos o festival cuidar de sua programação principal com a mesma atenção que deu às atrações secundárias em 2014, tem tudo para se firmar como um dos eventos mais legais do país.

8 de abril de 2014

A relação entre Los Hermanos e o crescimento da cena de rock instrumental brasileira - uma tese

Ao menos no Facebook, 40% dos leitores do Meio Desligado tem entre 16 e 24 anos. Isso indica que, muito provavelmente, um bom número de pessoas que atualmente acompanham o blog e se interessam por música alternativa brasileira não tiveram contato direto com a cena indie nacional nos anos 90 (ou até mesmo no início dos anos 2000). Para essas pessoas é comum, hoje, ir a shows em bibocas alternativas e ver as pessoas no palco cantando no nosso idioma, mas esse acontecimento era raro há cerca de 15 anos. Pense nas bandas do underground nacional dos anos 90 e virada para os anos 2000 - quase todas cantavam em inglês.

Então, qual foi o ponto de virada?

Uma das respostas pode ser o Los Hermanos.

(aqui entra a pausa para alguns rirem)
























(aqui voltamos ao assunto)

Com o lançamento do CD de estreia da banda e o sucesso de "Anna Júlia" o grupo poderia ser apenas mais um hit temporário do pop rock mainstream. No entanto, os rumos tomados no Bloco do eu sozinho, lançado em 2001, tornaram tudo diferente. Com o sucesso comercial do disco de estreia (250 mil cópias vendidas) e o sucesso de crítica do Bloco, o Los Hermanos mostrou ao público e ao mercado que era possível construir uma carreira bem-sucedida sem ter que abrir grandes concessões e cantando em português. Ao mesmo tempo, apresentou uma maturidade musical e novas referências artísticas ao público conquistado através do primeiro disco e dos grandes esforços de jabá marketing executados pela gravadora Abril (os mesmos esforços que foram deixados de lado na época do Bloco pelo fato de a gravadora achar o álbum "não-comercial").

O Bloco do eu sozinho vendeu muito menos do que o álbum anterior (40 mil cópias), mas rendeu à banda uma base fiel indie-universitária de fãs que cresceria com o tempo. Na esteira do sucesso dos hermanos, uma nova leva de artistas viu que suas aspirações de conquistar o mercado internacional eram improváveis de se concretizar e que, para ter maiores chances no mercado nacional, era preciso cantar em português.


Nos anos seguintes ao lançamento do Bloco houve uma proliferação de novas bandas que assumiram desde o início o português em suas letras e grupos antigos que deixaram o inglês macarrônico de lado.

E onde entra a cena instrumental nisso tudo?

Enquanto as bandas cantando em inglês eram maioria no rock underground, a quantidade de bandas instrumentais nessa mesma cena era extremamente pequena. Pense além dos grupos de surf rock e dificilmente virão mais do que dois ou três nomes.

O que teria acontecido é o seguinte: enquanto muitos artistas viram no português uma solução para tentar se estabelecer no mercado, vários músicos não tinham identificação com a música cantada em português (ou com a música brasileira, em geral). As referências de quem fazia rock alternativo no Brasil eram majoritariamente estrangeiras, cantar em português, para muitos, não era sequer uma opção (me lembro claramente do vocalista da Diesel, talvez a maior promessa que o rock alternativo nacional já teve, dizer exatamente isso).

Focar em projetos instrumentais, então, teria sido uma forma de dar vazão à criação artística nesse cenário. De um lado, aqueles que haviam desistido de cantar em inglês (talvez percebendo o quão ridículos soavam) mas não se sentiam confortáveis compondo em português depois de anos alfabetizados musicalmente em outro idioma. Do outro, músicos que permaneciam com as influências estrangeiras (e com o passar do tempo, até inseriram elementos da música brasileira em suas sonoridades, no caso de alguns) mas abriram mão da voz, independente de em qual língua ela pudesse vir a ser.

O Brasil sempre teve grandes artistas na música instrumental, mas em se tratando do rock brasileiro, a quantidade de bandas surgidas a partir dos anos 2000 é um fenômeno sobre o qual poucos se debruçaram. Esta é uma breve contribuição para o tema.

Atualização: como bem lembrou a Kátia Abreu no Facebook, não por acaso, ao iniciar sua carreira solo pós-Los Hermanos o Camelo chamou o Hurtmold, a principal banda da cena de rock instrumental brasileira (e que iniciou suas atividades ainda nos anos 90).

Curiosidade: segundo dados do jornal O Globo, a turnê de retorno do Los Hermanos em 2012 teve 155 mil ingressos vendidos nos 23 shows realizados. Com a média de valor de ingresso a R$ 75, apenas com a venda das entradas a banda teria movimentado nada menos que R$ 11.625.000 (são tantos números que vou escrever por extenso: onze milhões seiscentos e vinte e cinco mil reais).


4 de março de 2012

Mistureba: festival Bananada 2012, downloads de Lucas Santtana, Walverdes, Los Hermanos e mais

Debate
Dia 30 de Março, eu (Marcelo Santiago) participarei de um debate sobre a cultura do grátis e gestão de carreiras musicais no Sesc Araraquara (SP). A conversa acontecerá a partir das 21h e também terá a presença do jornalista Alex Antunes. Mais informações em breve.

Festival Bananada 2012

Nos dias 5 e 6 de Maio acontece no Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia, mais uma edição do festival Bananada (que neste ano terá cobertura do Meio Desligado). Entre as atrações confirmadas estão Jards Macalé e a boa banda texana White Denim, pela primeira vez no Brasil.

Lucas Santtana
O baiano Lucas Santtana lançou recentemente seu novo álbum, O Deus que devasta mas também cura, disponível para download gratuito.

Walverdes
A banda punk/grunge gaúcha Walverdes colocou praticamente toda a sua discografia para download grátis na TramaVirtual. São faixas de quatro álbuns (Breakdance, Playback, Anticontrole e Walverdes), dois EPs (90 Graus e Demasiada Sequela) e três demo tapes (Ao Vivo no Japão, Demo Amarela e Vai, Criança, Faz a Tua Arte) que compreendem o período da carreira da banda entre 1994 e 2010.

Tributo ao Los Hermanos
Foi lançada a primeira parte da coletânea Re-Trato, que reúne artistas independentes fazendo releituras de músicas do Los Hermanos, supergrupo indie que retorna aos palcos no mês de Abril. O novo lançamento é um EP que serve de prévia da coletânea oficial (cujo lançamento acontecerá em Abril) e conta com as músicas "Todo Carnaval tem seu fim" (Do Amor), Sentimental (Phillip Long), "Adeus você" (Nuvens) e "Anna Júlia" (Velhas Virgens). Download gratuito no blog Musicoteca.

28 de fevereiro de 2012

Sorteio de ingressos para os shows da volta do Los Hermanos

A maioria dos ingressos para os shows da turnê de volta do Los Hermanos estão esgotados, mas os fãs que ainda não garantiram os seus ainda têm uma última chance. A gravadora Som Livre dará ingressos para os onze shows que o Los Hermanos fará (nas cidades de (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo) através de uma ação que acontecerá em sua página no Facebook na tarde de hoje, 28 de Fevereiro, durante o jogo amistoso da seleção brasileira de futebol, a partir das 16h. Segundo informações da gravadora, chamadas para o perfil da Som Livre no Facebook aparecerão nos paineis laterais do campo durante a transmissão.

Para os fãs sem ingresso, hora de ficar com TV e computador ligados e tentar a sorte.

22 de setembro de 2009

Los Hermanos lança novo CD este ano?


A banda estaria com um novo álbum praticamente pronto e que seria lançado ainda em 2009.

Essa informação é:
a) fruto de uma investigação minuciosa realizada por um esperto, sagaz, estupendo, bonito jornalista-blogueiro em ascenção
b) resultado de um sonho alcoolizado depois de um show do Mundo Livre S/A no Studio SP
c) um aviso para parar com aditivos ilegais em algumas partes do mundo
d) informação velha

14 de janeiro de 2009

Los Hermanos retorna abrindo show do Radiohead (e tem Vanguart também)

A MTV brasileira é uma piada, mas vez ou outra seu site dá algumas notícias em primeira mão. Dessa vez, coube ao veículo a confirmação do retorno do Los Hermanos aos palcos, em show no festival Just a Fest, o mesmo responsável pela vinda do Radiohead pela primeira vez ao Brasil.

Além do Radiohead, já havia sido anunciada a presença do Kraftwerk no festival. Agora, junto a confirmação dos Hermanos, surge o nome dos cuiabanos do Vanguart como quarta atração do festival, que acontece nos dias 20 (Rio de janeiro) 22 (São Paulo) de março. Ainda há ingressos para ambas as datas (R$ 100 a meia-entrada).
Foto: Gomezzz

17 de setembro de 2008

Little Joy, banda formada por Rodrigo Amarnte (Los Hermanos) e Fabrizio Moretti (The Strokes) divulga primeiras músicas

Little JoyTrês músicas estão disponíveis no MySpace da banda e mostram uma mistura retrô entre os rockinhos do Los Hermanos e uma versão mais lo-fi de Strokes. Resumindo: muito bom!

"Brand new start" já surge com pegada de futuro hit.

Dá pra fazer o download do Little Joy aqui, enquanto esperamos o CD de estréia, marcado para ser lançado no dia 4 de novembro pelo famoso selo inglês Rough Trade.

Comparada ao álbum solo de Marcelo Camelo, a nova investida de Amarante soa muito mais divertida e interessante.

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