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4 de março de 2012

Mistureba: festival Bananada 2012, downloads de Lucas Santtana, Walverdes, Los Hermanos e mais

Debate
Dia 30 de Março, eu (Marcelo Santiago) participarei de um debate sobre a cultura do grátis e gestão de carreiras musicais no Sesc Araraquara (SP). A conversa acontecerá a partir das 21h e também terá a presença do jornalista Alex Antunes. Mais informações em breve.

Festival Bananada 2012

Nos dias 5 e 6 de Maio acontece no Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia, mais uma edição do festival Bananada (que neste ano terá cobertura do Meio Desligado). Entre as atrações confirmadas estão Jards Macalé e a boa banda texana White Denim, pela primeira vez no Brasil.

Lucas Santtana
O baiano Lucas Santtana lançou recentemente seu novo álbum, O Deus que devasta mas também cura, disponível para download gratuito.

Walverdes
A banda punk/grunge gaúcha Walverdes colocou praticamente toda a sua discografia para download grátis na TramaVirtual. São faixas de quatro álbuns (Breakdance, Playback, Anticontrole e Walverdes), dois EPs (90 Graus e Demasiada Sequela) e três demo tapes (Ao Vivo no Japão, Demo Amarela e Vai, Criança, Faz a Tua Arte) que compreendem o período da carreira da banda entre 1994 e 2010.

Tributo ao Los Hermanos
Foi lançada a primeira parte da coletânea Re-Trato, que reúne artistas independentes fazendo releituras de músicas do Los Hermanos, supergrupo indie que retorna aos palcos no mês de Abril. O novo lançamento é um EP que serve de prévia da coletânea oficial (cujo lançamento acontecerá em Abril) e conta com as músicas "Todo Carnaval tem seu fim" (Do Amor), Sentimental (Phillip Long), "Adeus você" (Nuvens) e "Anna Júlia" (Velhas Virgens). Download gratuito no blog Musicoteca.

11 de março de 2011

Walverdes - Breakdance


Breakdance é punk. Não que os b-boys estejam de moicano agora - estou me referindo ao 3° álbum completo (além de uma série de demos e EP) do trio gaúcho Walverdes. Lançado em 2010 pela Monstro Discos, mesmo selo responsável por outros lançamentos da banda como o EP 90° e o álbum Anticontrole, o CD agradará quem já gosta da banda ao mesmo tempo em que não alterará opiniões divergentes em relação ao Walverdes.

A fórmula é a mesma dos trabalhos anteriores: bons e simples riffs cheios de distorção, bateria e baixos lineares, músicas curtas. Punk rock básico e com influências grunge e garage rock com grande potencial para funcionar muito bem ao vivo, mas que infelizmente peca pelas fracas letras. O que surpreende, afinal, o vocalista e principal letrista do Walverdes, Gustavo Mini, se destaca pelas palavras no interessante blog que mantém, além de ter uma coluna igualmente boa na Oi Fm.

O resultado final instiga a pogar e bater cabeça, não somente pela música pulsante gerada pela banda mas também como forma de deixar as letras em segundo plano e permitir que a massa sonora do Walverdes se sobressaia.

15 de janeiro de 2011

Coletânea de música alternativa: 1ª Music Alliance Pact de 2011

Todo dia 15 você já sabe: é hora de baixar a nova edição da Music Alliance Pact, coletânea global que reúne artistas independentes de destaque em cerca de 40 países de diferentes continentes. O Meio Desligado é o representante oficial do Brasil desde que o país foi incluído na lista. 

Faça o download da coletânea completa ou clique nos nomes das músicas da lista abaixo para ouví-las. 
 
ARGENTINA: Zonaindie  
Les Mentettes Orchestra is the augmented version of Les Mentettes, a psychedelic pop band from Buenos Aires that features more than 20 musicians live on stage. A couple of years ago we featured one of their early recordings, but now it's time to unveil a great song from their first and self-titled album. It was recorded live at ION, a legendary studio that still works with tape and analog equipment. The album is available on iTunes and there's also a video of Cosmic Sidewalks.

Spartak were one of many great bands I discovered on the recently released compilation, The Sound of Young Canberra, which is full of exciting music from the oft-forgotten titular city. Spartak's tune stands out amongst a very strong set that makes a solid case for reevaluating Australia's capital as something of an emerging cultural hub. Nightshift (Version) reminds me of a Spoon demo, bringing together Spoon's knack for effortless songs draped in subtle studio trickery. I look forward to more from these guys. 


BRASIL: Meio Desligado  
"Maria Augusta" é um semi-hit do Apanhador Só, banda do Rio Grande do Sul que no ano passado lançou um bom álbum, cujo download pode ser feito de graça no site da banda. Eles são parte de uma nova cena de bandas com boas canções em português, cena da qual são considerados uma das principais revelações. "Maria Augusta" mostra de forma singela uma banda que não escolhe os meios mais fáceis para se expressar musicalmente e experimenta alternativas na composição e execução de suas músicas, como demonstrado pelo uso de uma roda de bicicleta como instrumento musical.

CANADA: I(Heart)Music  
Think of The Strokes. Now think of The Strokes if they slowed things down considerably, but still managed to retain all their cool and catchiness. Got a picture/sound in your head? Then, as Laughing shows, you've got a good idea of what Hooded Fang sounds like.

CHILE: Super 45  
Génesis heralds the comeback of Elefante Mecánico after their celebrated Memorias De Un Elefante album, self-released in 2008. In this record, Bame, Jota and DJ Antioch pick up on old school hip-hop sounds, throwing inspired rhymes about cosmos, love and eternity.

CHINA: Wooozy  
Beijing-based Pet Conspiracy plays funky, danceable electronic music that takes influences from punk-rock, new wave and disco. The band consists of two female singers, a guitar/synthesizer player and a drummer. Lead guitarist Hu Zi is already an established artist in the Beijing underground scene as an electronic musician. Pet Conspiracy is known for their high-energy live performances and the array of toys and costumes they bring on stage. They have just returned from a successful tour of Europe.

COLOMBIA: Colombia Urbana
Two Colombians and one gringo make up The Colombian Party Cartel. The crew resides in the United States, where every weekend they mix the best Colombian music. Carey James is the lead vocalist and principal producer of CPC. La Murga De Colombia samples a Willie Colón song and creates a new fusion of Colombian cumbia and urban style.

DENMARK: All Scandinavian  
The vessel for frontman Kaspar Kaae's musical output, alternative country and Americana seven-piece CODY hit it big in Denmark in 2009 with their excellent debut album Songs, from which The Light is taken. Come March they'll play both Canadian Music Fest and SXSW, and around the same time the album will be out in the US on Thrill Jockey Records. They're a really great live band as well.

If you're only going to pay attention to one name on all those Tips For 2011 lists then let it be Anna Calvi. Her influences – from Morricone soundtracks to doomy goth and opera – suggest her music could be preposterously overblown, yet Calvi is clearly an expert when it comes to dynamics and restraint. Cavernous drums open proceedings on Suzanne And I, then ominous, twanging guitar lines ring out before Calvi steps up to the microphone. Each new addition ratchets up the tension a notch, drawing you in so that, by the time Calvi's wailing away on top of thundering riffs, crashing cymbals and a couple of spare kitchen sinks, you're too involved to notice. Her self-titled debut album is out on Domino on January 17.

ESTONIA: Popop
Galvanic Elephants hail from Tartu. They came together in August 2010 and have released only one single so far, but that one song has earned them praise from critics and music bloggers and created anticipation for new material that should be released soon. With no concerts announced so far either, Rum Rumble is the only chance to enjoy the rough sound of Galvanic Elephants right now, but it definitely makes you want more.

FINLAND: Glue  
On Volcano is one of the best underground bands in the Finnish indie scene. They play obscure post-rock songs with long instrumental movements and intense dynamics and atmospherics. Their latest EP is available for free on their website.

GERMANY: Blogpartei
Sizarr are lucky guys. Yet to finish school, they have already played big festivals in Germany such as the renowned Melt! without being signed to a label yet. These three guys from Landau have a very distinctive style, especially singer Fabian Altstötter, whose voice is very dark and uses a memorable stretching technique. Together they create modern electonica landscapes inspired by many other genres. They plan to record their debut album this year.

The movie Homeland, directed by Syllas Tzoumerkas, is an explosive parable of Greece coming apart at the seams, shown through the spectrum of a dysfunctional family, which decides to give up one of its members for adoption to a richer relative. The original music score, a compelling concoction of styles that continually surprises, reflects precisely those feelings. drog_A_tek, a band that records moments in real-time and produces temporary audiovisual environments, uses objects, analogue and digital musical instruments, typewriters, frequencies, recording archives/waste and technology landscapes to depict the film's mood. As a result of this, no moment of Homeland is left unfilled with sparkling music ideas. Listen to In_No_Sense, where their ingenuity shines.

Miri began at the LungA festival in the east fjords of Iceland in 2003. The debut EP, Fallegt Þorp, was recorded live one night during this festival in 2005, produced by Curver Thoroddsen. The band plays almost wordless, progressive noise mixed with beautiful guitar work. Góða Konan is featured on their 2010 full album Okkar.

INDIA: Indiecision  
Adam And The Fish Eyed Poets is the solo project of Kishore Krishna from Chennai. His music finds a place between the lush industrial sound of Nine Inch Nails and rootsy American rockabilly. Little Monkeys comes from his debut album, Snakeism. Featuring several clinky electronica bells and whistles, it is a resounding tune that is over almost as quickly as it starts. It's a builder in a hurry; a chorus-heavy singalong that's emphatic and imminently memorable.

INDONESIA: Deathrockstar
Auman means "animal's roar", and their music is wild, dirty and full of energy - like a tiger deep in the Sumatra jungle that is ready to eat its prey. ((Auman)) is the latest group worth hearing in the local headbanger scene.

IRELAND: Nialler9
Formerly of Dublin punk rockers Moutpiece, Gaz Le Rock has expanded his repertoire into an amazing 30-minute radio show called The Loving Room Floor and is now releasing tunes at a blistering pace as Retarded Cop, a project which has the catchiest pop-punk tunes you'll hear all year. A debut LP is forthcoming.

ISRAEL: Metal Israel  
Yerachmiel "Rocky" Ziegler is an international musician who owns Little Apple Studios in the trendy Jerusalem artists' enclave Nachlaot. He is an authentically indie artist, though his work is distributed worldwide and features on several albums. Yerachmiel's music spans several genres but this specific song, Yom Shekulo, is a trance-rock rendition of ancient Passover liturgy that speaks of Messianic times (and it really picks up quite nicely in the middle).

ITALY: Polaroid  
Alberto and Letizia come from the coastal town of Pesaro and there is definitely a breezy, summery shade in their jangly, noisy pop. Behind their C86 abrasive guitars and shining melodies you can hear a bright ode to adolescence and nostalgia, in the vein of The Pains Of Being Pure At Heart or Dum Dum Girls. Well, you can decide not to trust me because I am too involved and helped them release their debut 7'' (on We Were Never Being Boring), but just listen to this bittersweet bonus track and fall in love right now.

Although Disco Ruido! has made its name in Mexico City's hipster nightlife as a non-stop party combo, their debut album delves into a neon-blurred nostalgia from lost childhood afternoons watching pop stars miming on TV. Mercedes sings like a doll high on ephedrine (no doubt this song's title is translated as "amorphous"), while the band explores the enormous legacy of harmonies that dwell in the Mexican collective memory. I wish Thalía and Paulina Rubio (the glamour-pusses from seminal 80s teenybopper group Timbiriche) could be doing this kind of sophisti-pop.

NETHERLANDS: Unfold Amsterdam  
At times pop trio Lola Kite can't resist the playfulness of lo-fi, losing themselves to retro electro-pop tech and washes of hazy, melodic psychedelia - which undoubtedly reminds you of Animal Collective when combined. However, their debut album Lights, finally released this month following loads of gigging promise, shows they're more than a quirky and charming proposition, upping their game with upbeat and snappy dance-pop gems such as Everything's Better.

NEW ZEALAND: Einstein Music Journal  
There's nothing like the enthusiastic waveform tones of Golden Axe. Named after the Sega game, Chris Cudby and Daif Kent's keyboard-based band has been making party-friendly psychedelic music since late 2001. True to their fun and eccentric form, the July release party for their latest album, Fantasy Footwork, saw them play inside a giant paper mâché igloo that they made themselves. Download the Telephone EP and buy Fantasy Footwork from their Bandcamp.

The members of Aristillus are aged 17 and 18 but, in spite of their youth, they sound much more mature than many other hardcore bands. With heavy drums, sharp guitars and lyrics as dark as their sound, I believe they'll soon get a lot more attention. Their influences are Norwegian hardcore bands such as Snöras, JR Ewing, Kollwitz and Rumble In Rhodos, and they're releasing their debut album, Devoured Trees & Crystal Skies, on January 24 on the Norwegian indie label Fysisk Format. Aristillus is playing at by:Larm 2011 and I'm quite sure that won't be the last you'll hear from them this year.

PERU: SoTB  
With a career spanning more than 20 years, Voz Propia is still current, their sound having been renewed to the demands of each time. El Manifesto is their eighth production and it could be the definitive work of this mature band. Post-punk is the essence in their sound again so hold on, Voz Propia is back.

Armando Teixeira, who has been playing in bands and as a solo artist for more than 25 years, is one of the most talented contemporary musicians and producers of modern Portuguese music. He is a creative multi-instrumentist and sought-after producer for labels and studios. Balla is one of his solo projects and we wish to thank Armando for letting MAP make Equilíbrio? the first free, worldwide downloadable track from latest album Equilíbrio.

ROMANIA: Babylon Noise  
Nebulosa is the music space child of three people living on different continents: Noamme, Andrei and Vladimir. The sound is dreamy and sincere, using very simple chord structures and lyrics. Their debut EP, Chimes, can be downloaded from their website, a free ticket to the stars.

SCOTLAND: The Pop Cop
Aaron Wright and The Aprils' self-titled debut album, due out conveniently enough in April, features guest vocal contributions from Camera Obscura's Tracyanne Campbell and Teenage Fanclub's Norman Blake as well as instrumental ones from Belle & Sebastian duo Stevie Jackson and Mick Cooke. Those influences certainly makes themselves heard on Go On Yer Self, which mixes a classic Scottish folk-rock sound with a strong helping of Beatles-esque melody-making. The 24-year-old shaggy-haired Edinburgh singer and his band will be heading out on tour in March as support to The Charlatans. The ingenious video for their new single, Trampoline, is also worth a look.

Hip hop isn't something one associates with Singapore's music scene, but it exists, usually even more underground than rock, metal or hardcore. Ironically, it's in response to rampant commercial radio that the local music community, regardless of style, has become a close-knit family. In his debut, Kevin Lester brings out the collaborative and experimental strengths of hip hop, forging a sound with slashes of rock and soul, and working with some of the country's best singers to put out a record with incredible heart and talent.

SOUTH AFRICA: Musical Mover & Shaker!  
Thieve are a trio hailing from the hub of Cape Town, whose motto and reason for picking the band name comes from the fact that "nothing is original - everybody steals". While you can hear that sentiment heavily influences their song, Champion, they maintain a unique feel with their melding of swirling pop rhythms, a soft rock sound and a nostalgic lovestruck feel to their lyrics. With the experience of all the members being involved in previous well-known bands, they've turned Thieve into a tight-knit group that is set to take over the rock 'n' roll scene.

SOUTH KOREA: Indieful ROK
After a year in the making, experimental shoegaze band Swimmingdoll were finally ready to present their first album, 8wimmingdoll, in the last weeks of 2010. Last Take is a gorgeous layered production with a sound well suited for "the infinite world of the spacewalk" the band wish to portray.

SPAIN: Musikorner  
Oblique's music and aesthetic could remind us of 80s electro-industrial music (or even EBM) bands and, certainly, their biggest inspiration comes from dark synthpop acts such as The Human League or Ladytron. Without Making Noise, the second single taken from the eponymous album of this trio from Barcelona, features dark atmospherics and, of course, a catchy chorus. It's got what it takes to be a perfect futurepop track.

SWEDEN: Swedesplease
Klifton Filente is one of the underappreciated, unsigned and relatively unknown artists from Sweden that I am keeping my eye on. On the song It Takes A Thorn To Remove A Thorn, taken from their Common Ground album, you can hear echoes of Crosby, Stills and Nash as well as the lilting folk-pop of early Paul Simon.

SWITZERLAND: 78s  
Sonic Youth is the keyword when it comes to Aie ça Gicle's musical universe. But the band's debut album S.Y.R.U.P. offers more than just a blueprint. Their influences range from post-punk to grunge to post-rock. They pile guitar layer upon guitar layer, interlace some catchy refrains and try to be as laid-back as possible.

UNITED STATES: I Guess I'm Floating
Chicago's Smith Westerns break out of the relatively dull and dispassionate tunes of their first record and, in the upcoming Dye It Blonde LP, give us 2011's first truly great album. It's a wonderful construction upon the flashy glam rock that gave careers to David Bowie and T-Rex, endlessly listenable and replayable, particularly opening track Weekend.

VENEZUELA: Barquisimeto  
Greasy Grapes are a straight-ahead rock 'n' roll band formed in Caracas in early 2006. Their music is influenced by American traditional southern music, which also inspired legendary bands in the late 60s and 70s such as Led Zeppelin, The Rolling Stones, Faces, Lynyrd Skynyrd and the The Allman Brothers Band. Candles In The Rain is taken from Greasy Grapes' 2009 debut album At The Back Of The Hill, which blends a vintage vibe with rock, soul, blues and country sounds.

24 de dezembro de 2010

CineEsquemaNovo recebe inscrições até 17 de janeiro

O CineEsquemaNovo é um festival de cinema que acontece anualmente em Porto Alegre e que sempre faz recortes interessantes da produção audiovisual brasileira. Para sua edição de 2011, que acontecerá entre os dias 23 e 30 de abril, o festival recebe inscrições de filmes em diferentes formatos e gêneros até o dia 17 de janeiro. Dá pra saber que o pessoal tem bom gosto só de ver a vídeo-chamada de inscrições:


Pra não haver dúvidas, segue o texto explicativo sobre as inscrições e o CineEsquemaNovo 2011:

"O CineEsquemaNovo 2011 - Festival de Cinema de Porto Alegre (CEN 2011) terá a sua sétima edição entre os dias 23 e 30 de abril mantendo a proposta, estabelecida desde sua primeira edição, em 2003, de estimular o exercício da autoria e da pesquisa de linguagem na produção audiovisual independente contemporânea.

Nesta edição, há a novidade da premiação em dinheiro aos vencedores.

O CEN tem como principal meta para 2011 abrir ainda mais o cruzamento entre cinema e artes visuais na sala de projeção - um objetivo que vem sendo perseguido pelo encontro desde sempre e que, no próximo ano, receberá atenção especial inclusive em suas programações paralelas.

Como em todas as edições anteriores do festival, o CEN 2011 valoriza diferentes gêneros de filmes e técnicas de realização, sem distinção de formatos de captação ou finalização. Assim, são bem-vindas desde produções realizadas em mídias "domésticas" (celulares, câmeras fotográficas, video digital, por que não o VHS...) até as consagradas películas (Super-8, 16mm, 35mm). Para o CEN, elas são caminhos estéticos e exemplos de diversidade criativa na tela, e não limitadores impostos por questões externas à ideia e a sua produção.

O que importa são obras que estimulem a reflexão e a pesquisa de linguagens, dialogando com os princípios do festival: a surpresa, a experimentação, a criatividade e a inovação. Esta proposta, ao lado do convite à inscrição de trabalhos para seleção, é ressaltada este ano pelo vídeo realizado pelos artistas visuais Cristiano Lenhardt e Luiz Roque, já disponível no site do festival e nas redes sociais. Veja o video aqui ou aqui.

Podem ser inscritos até o dia 17 de janeiro de 2011 filmes de curta, média e longa-metragem produzidos em todos os gêneros e formatos, finalizados a partir de janeiro de 2009 e que não tenham participado das edições anteriores do CEN. Podem participar produções realizadas no Brasil por brasileiros ou estrangeiros, ou ainda no exterior por brasileiros.

Além da seleção para as mostras competitivas do festival, os filmes vão concorrer a prêmios em dinheiro, iniciativa inédita na história do CineEsquemaNovo. Os cinco convidados que vão compor o júri oficial escolherão o Melhor longa-metragem (prêmio de R$ 12.000,00, doze mil reais), Melhor curta ou média-metragem (R$ 5.000,00, cinco mil reais), além de outros filmes de curta, média e longa-metragem que receberão prêmios especiais. Também serão premiados os melhores filmes eleitos pelo público do CEN e pelos alunos da Oficina de Crítica que será realizada durante o encontro"

9 de novembro de 2010

Apanhador Só

Por Edwaldo Cabidelli

Em tempos de vertigem, acaba-se sempre apanhando sozinho

“Não é o prédio que está caindo / São as nuvens que estão passando”. E quem diria que uma das frases da música brasileira que melhor sintetiza a ruína e vertigem de nosso tempo não sairia da boca platinada de certos caetanos, mautners, chicos; ou tantos outros. Soltos por aí, com seus violões e suas versões dos fatos, julgados e condenados à condição de eternos dignatários de nossa triste verdade tropical.

Muito antes, mas não exatamente pelo contrário, estas aspas saem da boca, ainda com alguns notórios dentes de leite, de uma banda classificada pela chamada “imprensa especializada” como indie, quase hypada após ser um dos indicados na categoria Aposta MTV durante a última edição do Video Music Brasil (VMB): o Apanhador Só.

Formada por Alexandre Kumpinski (voz e guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria), a banda gaúcha apresentou seu primeiro álbum, homônimo, em meados de 2010. Na discografia da banda existem ainda dois EP’s, Embrulho pra Levar (2006) e Apanhador Só (2008). Ambos com competência suficiente para gerar certa expectativa em relação ao álbum completo. 


Em uma primeira audição, Apanhador Só pode causar certa desconfiança ou até preguiça em alguns devido à semelhança do timbre vocal de Kumpinski ao do eterno losermano, Marcelo Camelo. Somado a isso, temos ainda um riff de abertura do álbum chupado de "We’ve Been Had", dos americanos do The Walkmen, embalada por uma guitarra base no “melhor” estilo Albert Hammond Jr, dos Strokes. Ou seja, algo tão original quanto um chute nas bolas do saco.

Mas o que se segue após este primeiro e ingênuo deslize são ótimas melodias sustentadas por arranjos bastante originais. Capazes de conduzir o ouvinte, sem maiores sobressaltos, por marchinhas quase carnavalescas ("Maria Augusta", "Vila do meio-dia"), sons para fervilhar inferninhos ("Jesus, o Padeiro e o Coveiro") ou insóltos tangos estilizados ("Balão-de-vira-mundo"). Tudo isso em uma roupagem pop, extremamente consciente, conduzida por harmonias quase sempre exatas em seu tom burlesco. 

Na definição do escritor, também gaúcho, Diego Grando, Apanhador Só pode ser definida como um “coral de caipiras num picadeiro lamentando um amor perdido, ao som das trombetas plásticas que vêm de brinde nos sorvetes de maria-mole.”

Caipiras com guitarras estonteantes, conexão banda larga no curral e propostas estéticas bastante relevantes. Capazes de convidar para o mesmo picadeiro nomes tão díspares quanto Marcel Duchamp, Odair José, Astor Piazzola, Thom Yorke, Brian Wilson e muitos outros. Todos juntos em uma descompromissada tarde, maravilhosamente perdida no interior de um país imaginário.

Ps.: o álbum de estreia do Apanhador Só está disponível para download gratuito no site da banda.

21 de outubro de 2009

Diário Meio Desligado: Porto Alegre (dia 3)

>> Dei sorte de chegar a Porto Alegre na mesma época em que acontece o CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. O foco é a produção audiovisual independente contemporânea brasileira e internacional. Sempre recebo o material do festival por email e nunca imaginei que poderia participar de alguma de suas edições. Na segunda-feira assisti um filme colombiano e ainda pretendo ver Instrument, documentário sobre o Fugazi.

A programação tem muitos filmes que parecem ser interessantes e, além disso, o festival acontece em salas bem legais, como a do Santander Cultural, que é um antigo cofre de banco transformado em cinema.

Para entender a proposta do CEN 2009 leia o texto de apresentação do festival.

>> Em um primeiro momento imaginei que o CEN fosse uma espécie de versão gaúcha do Indie Festival que acontece anualmente em BH, mas, no quesito público, a situação é beeem diferente: enquanto no Indie as filas ocupam quarteirões inteiros e muita gente sequer consegue pegar ingressos para as sessões, no CEN havia poucas pessoas na sala (ao menos na sessão em que estive).

>> Disseram que a Rua Lima e Silva é a mais agitada da cidade. Depois de passar por ela e ficar em um dos seus vários botecos, me passou a impressão de ser uma mistura de Rua Augusta com o Leblon, rs.

>> Amanhã tem show do Tony Bennett aqui em Poa. Acho que vou abrir mão de ver o velhinho e ir ao show do L.A.B no Long Play Pub.

>> Se alguém souber de algum lugar bacana onde role samba (é, samba) em Porto Alegre, por favor me fale. Samba é o motivo da minha estadia na cidade. Ou melhor, Aline Calixto.

19 de outubro de 2009

Diário Meio Desligado: Porto Alegre (dia 1)

Rio Grande do Sul. Engenheiros do Havaí. Frio. Europa. Gente branca. Loiras. Narizes finos. Churrasco. Grêmio. O bigode do Olívio Dutra. Jorge Furtado. Daniel Galera. Cardosoonline. Bah. Superguidis. Bidê ou Balde. Edu K. Kleiton e Kledir.

39 horas acordado.

Para explicar, tenho que voltar à ultima sexta-feira.

16 de outubro.
Primeiros shows do Los Sebozos Postizos (Nação Zumbi tocando cover de Jorge Ben) e 3 na massa em BH, dentro da programação do festival Lixo e Cidadania. Quase 3 mil pessoas lotando a Serraria Souza Pinto e queimando quilos de cannabis.

17 de outubro.
Uma da tarde. Acordo (de ressaca, depois de ter ido dormir às sete da manhã) com conversas sobre a primeira edição da Garajada e o barulho das primeiras pessoas que chegam para o evento. Passo a tarde preparando pequenos detalhes para os shows do Cães do Cerrado e Defensores do Caos na garagem da minha casa, tomando tequila e dando entrevista sobre a cena independente para a galera de uma nova revista que foi cobrir o evento.

Nove e dez da noite. Estou na portaria do show do Seu Jorge e Renegado no Chevrolet Hall, recebendo convidados.

Onze e dez da noite. Chego à Serraria Souza Pinto para trabalhar no show da Velha Guarda da Portela com a Aline Calixto, novamente no festival Lixo e Cidadania.

18 de outubro.
Duas e trinta da madrugada. Doses e mais doses de uísque com energético depois, o segurança do camarim já é meu chegado e o show da Aline / Velha Guarda vai super bem.

Três e vinte da madrugada. Chego ao Lapa Multshow querendo assistir ao show de 25 anos de existência do Mundo Livre S/A, mas ainda faltam dois shows antes da banda subir ao palco. Treta para público e produção.

Seis da manhã. Depois de sair do Lapa sem ver o Mundo Livre S/A, passei no meu escritório para buscar minhas malas e pegar carona com o Lucas Avelar para o aeroporto de Confins. Destino: Porto Alegre.

Fim da manhã. Nosso voo fez escala em Campinas e ainda não tinha conseguido dormir, além de ter ficado puto porque a aeromoça da Azul esqueceu de levar um suquinho pra mim.

Dez minutos depois da entrada anterior. Vejo algumas pessoas olhando e tirando fotos com um gordão no aerorporto e não faço ideia de quem seja. Logo depois descubro que era o Fabiano, da dupla sertaneja César Menoti e Fabiano, que ia pegar o mesmo voo que a gente para Porto Alegre, e morro de medo do avião cair (viajar só com um membro de dupla sertaneja dá azar). Felizmente descubro que o César Menoti também está no avião e a probabilidade de todos nós morrermos por causa da maldição-da-viagem-separada-dos-membros-de-uma-dupla-sertaneja-para-que-o-outro-vire-astro-pop são pequenas.

Continua...
(com emu rolê pela cidade, o Santander Cultural, o clone de Chaves que é pseudo-ídolo do rock gaúcho atual e outras estripulias)

19 de junho de 2009

Uma banda no Parc

Danilo Schneider, da banda L.A.B, de Novo Hamburgo (RS), esteve no festival Coca-Cola Parc - Porto Alegre Rock City no início do mês e conta em breves palavras um pouco do que aconteceu por lá. É importante saber das experiências que as próprias bandas têm com eventos desse tipo.

Aproveite para ouvir a L.A.B, rock com sintetizadores e boas influências (Depeche Mode, LCD Soundsystem, New Order).

"Eu (Danilo) e Fernando (guita, L.A.B.) estivemos na sexta à tardinha em Porto Alegre participando de uma das palestras da série "Indústria Criativa", do festival Coca Cola Parc, com o produtor Carlos Eduardo Miranda, o músico Frank Jorge e o vice-presidente da Abrafin, Pablo Capilé.

Produtiva a palestra. Depoimentos e experiências compartilhadas muito interessantes de todas as partes. Poderia ter sido tão mais produtiva com maior duração da palestra. Muito curta. Os palestrantes só tiveram tempo de introduzir o assunto e a mediação interveio. Uma pena. Acabou sendo superficial. Poderia ter sido mais aprofundada. Enfim, participamos apenas desta.

Voltamos no sábado de noite à Porto para alguns shows. Escolhemos ver o Matt & Kim e Copacabana Club. Na real, ficamos sabendo depois que o No Age (considerado por muitos o melhor show do festival) tocara um pouco antes em outro lugar, teria dado tempo de ver e depois ir para o nosso show escolhido. Pra quem não sabe, na noite de sábado ocorreram shows em vários pontos da cidade. Quase tudo ao mesmo tempo!

De qualquer maneira, valeu muito ver o show da dupla novaiorquina, um show muito bem feito e animado. Uma aula mostrando o que é possível uma dupla fazer no palco, apenas com uma mina na bateria e um cara no synth e vocal.

Em seguida, entrou em cena o Copacabana Club, que nós também não tínhamos visto ainda. Excelente show. Alta qualidade, tanto da banda quanto a qualidade do som mesmo.

Então partimos para o Cabaret do Beco, onde ainda conseguimos pegar parte da discotecagem do Lucio Ribeiro (que encerrou com um Friendly Fires massa!), seguido do DJ set do trio Teenagers, que se apresentaria no domingo (mas apenas para o público de 12 a 18 anos permitidos no evento de sábado e domingo, uma lástima). Ainda vimos o Edu K, figuraça extremamante competente. Sonzera a discotecagem do cara. E fomos embora para Novo Hamburgo. Já era de manhã.

Como eu disse antes, nos dias seguintes ainda houveram vários shows, mas somente para menores. Então, ensaiamos no sábado até a madruga!"

3 de julho de 2008

Gig Rock 2008

Em meio à efervescente (termo clichê, mas são 3 da madrugada de uma quinta-feira, seria demais cobrar por adjetivos mais elaborados agora) cena musical independente brasileira, a região sul brasileira tem se mostrado estranhamente afastada do restante do país, com poucos festivais e bandas expressivas. Um dos poucos festivais alternativos da região a obter certa visibilidade fora de seu Estado de realização é o Gig Rock, realizado em Porto Alegre, e que este ano chega à sua quinta edição.

Um dos diferenciais do Gig Rock é que o festival se estende ao longo de mais de uma semana, promovendo cerca de cinco shows diários no Porão do Beco, reunindo e dando visibilidade à bandas gaúchas e de outros Estados de diferentes vertentes roqueiras.

Alguns nomes já "conhecidos" como Superguidis, Ecos Falsos, Tom Bloch, Walverdes e Frank Jorge estão na programação, mas um dos principais atrativos (e deveres) de uma iniciativa como essa é a revelação de novas bandas locais ao restante do país, o que o Gig Rock faz ao selecionar dezenas de bandas até então desconhecidas fora do Rio Grande do Sul (ou até mesmo fora de Porto Alegre!).

Além dos shows, o festival promove um debate sobre produção musical e outros dois encontros que abordam diferentes momentos da atuação de uma banda independente, como divulgação, relacionamento e uso de novas mídias e produção executiva. Esses encontros contam com profissionais como Pablo Miyazawa (revista Rolling Stone Brasil), Fabrício Nobre (Presidente da Abrafin e vocalista da MQN) e Frank Jorge (Graforréia Xilarmônica, ex-Cascavelletes, professor e coordenador da escola do rock brasileira).

Programação completa:

Sexta, 4 de julho
Cartolas, Valentinos, Planondas, Poliéster e Severo em Marcha

Sábado, 5 de julho
Frank Jorge, Tom Bloch, Locomotores, Supergatas e Apanhador Só

Domingo, 6 de julho
Morgan Le Femme, Yesomar, Redoma, Alcalóides e Los Vatos

Segunda, 7 de julho
FENX, Eu, Zé e os Caras, Gulivers, Alcaphones e Rockfort

Terça, 8 de julho
Grosseria, Xamorx, 6sicks6, Disrupted Inc. e Burning brain

Quarta, 9 de julho
M.I.P.V (Músicas Intermináveis Para Viagem), Chaka, No Rest, Chicken..s Call (França) e Bandinha Di Dá Dó

Quinta, 10 de julho
Lautmusik, Reverso Revolver, Space Rave, Subtropicais e Fruet e os Cozinheiros

Sexta, 11 de julho
Yanto Laitano, Andina, Identidade e Flutuantes

Sábado, 12 de julho
Walverdes, Móveis Coloniais de Acaju (Brasília), Império da Lã, Ecos Falsos (São Paulo) e Pública

Domingo, 13 de julho
A Red So Deep, Superguidis, Damn Laser Vampires e El Mato a Um Policia Motorizado (Argentina)

+ DJs Machuca e Schutz (residentes do Porão do Beco)


GIG ROCK DEBATE
Comprei uma guitarra. O que eu faço agora?
Horário: 17h
Curador: Marcelo Ferla

Convidados:

Sábado, 5/7/08
1.Pablo Miyazawa (Rolling Stone)
2.Mini Bittencourt (Walverdes)
3.Lelê Bortholacci (LB Produtora)
4. Jimi Joe (Unisinos FM)

Sábado, 12/7/08
5.Fabrício Nobre (Abrafin-Monstro Discos-MQN)
6.Tiago Carandina (MySpace)
7.Roger Lerina (Zero Hora)
8.Iuri Freiberger (Tom Bloch-Curador do Gig Rock)

Temas
1.jornalismo musical
2.alternativas independentes
3.produção executiva de bandas
4. o rock de ontem e o de hoje
5.festivais independentes
6.novas mídias
7.jornalismo local
8. produção musical

Domingo, 13 de julho, no Porão do Beco às 17 hs
Você transforma, o rock transforma você

"Dentro da programação da 5° edição do Festival GIG ROCK, o Rock’n’Talk UNISINOS – caminhos alternativos para a produção musical - irá unir elos não vistos claramente por quem está dentro do contexto da produção cultural de música do país.
O que tem em comum Casa Brasil, Pontos de Cultura, Software Livre, a internet, a Associação dos Festivais Independentes, a Secretaria de Economia Solidária - SENAES e um curso de produção em rock é o mote da nossa conversa.
Quais caminhos um aluno, ou alguém que busca trabalhar com música nas suas mais diversas formas, tomar em viéses diferentes daqueles talhados pela mídia e pelo mainstream, de difíceis acessos e com dificuldades impeditivas para as demandas que vivenciamos nos tempos atuais."

Convidados:
Luciano Canez, Secretaria de Economia Solidária - SENAES, do Ministério do Trabalho
Everton Rodrigues, da Casa Brasil
Fabrício Nobre, da Abrafin, Monstro Discos, vocalista da banda MQN
Ronaldo Zulke, deputado estadual
Moisés Lopes, do Forum Permanente de Música RS

Mediação: Frank Jorge, músico, compositor, Coordenador e Professor do Curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock / UNISINOS

Preço:
Sextas e Sábados: R$15
Domingos, Segunda e Quinta: R$ 10
Terça e Quarta: R$ 5
Palestras: 1kg de alimento
Passaporte para todos os dias: R$80

Onde: Porão do Beco, Av.Independência, 936 – Porto Alegre

Vídeo da TramaVirtual sobre o Gig Rock 4, realizado em 2006




6 de julho de 2007

Bidê ou Balde - Outubro ou Nada!

Poucas vezes se viu uma banda tão afinada para compor rock pop em português como a Bidê ou Balde. Basta ouvir canções como "Bromélias" ou "Matelassê" para se ter certeza disso.

Um chamado ao "terrorismo new wave" e ao "empirismo pop", envolto por cultura pop e diversão ativista, Outubro ou Nada! é a trilha sonora para que o "urbanismo fantástico" molde o concreto enquanto pessoas "fumam, bebem e trepam nas ruas" e "entram em greve pela indolência e a beleza espiritual", "exigindo o impossível", sendo observados por "xiitas fanáticos imaginários" e sua "pornografia tântrica".

Weezer, The Rentals, Andy Warhol, Luther Blissett, The Flaming Lips, Barbarella, Roy Lichtenstein e outros são convidados da festa regada à riffs grudentos e melodias assobiáveis ou riffs assobiáveis e melodias grudentas, dependendo do seu nível de absorção.

As sirenes cantam e as paredes estão coloridas, lembre de cada beijo dado ao som de "Microondas" e sinta a nostalgia amorosa com "Aeroporto". Você não irá vencer do jeito mais fácil, mas a música pode ajudar a suportar a dor.

"Façam as luzes piscar, aumentem o volume do som". O momento deles pode ter passado, mas não o seu.

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Houve uma época em que a Bidê ou Balde era uma das maiores promessas do rock brasileiro, senão "A" promessa, em grande parte graças ao fervor hypístico com o qual a revista Bizz tratava a banda. Se por um lado a exposição foi positiva, por outro gerou birra e repúdio em muitas pessoas.

O jabá pago pela gravadora Abril Music para promover o álbum de estréia da banda, Se Sexo é o que Importa, Só o Rock é Sobre Amor, não vingou, o público das FMs acabou não aceitando muito bem a banda e de pouco adiantaram participações em programas de tv como o do tio Fábio Júnior.

Outubro ou Nada!, lançado em 2002, dois anos após o debut, marcou o declínio do interesse da mídia na banda, apesar de ser um grande álbum, melhor trabalhado e bem mais profundo que o anterior. As expectativas superestimadas da Abril Music e da mídia sobre Se Sexo é o que Importa ... acabaram atrapalhando o futuro da BoB e deixando claro que algo não estava certo: a banda saiu da gravadora, a Abril Music fechou as portas, a Bizz parou de circular alguns anos depois e até o programa do Fábio Júnior foi cancelado ("coitado...").

Seja como for (ou como foi), a Bidê ou Balde acabou estigmatizada como "a banda queridinha que não deu certo" e isso, de certa forma, impediu que Outubro ou Nada! tivesse o devido reconhecimento. O chamado ao levante presente na faixa interativa, com textos sobre o coletivo Wu Ming, Luther Blissett e Guy Debord, além de outros textos da chamada literatura subversiva, não chegou até muitos mas, sem dúvida alguma, cumpriu sua função junto a algumas almas perdidas e, mais importante, mostrou (mais uma vez) que a música pop não precisa ser vazia.

Outubro ou Nada!, Bidê ou Balde
Ano: 2002
Gravadora: Antídoto
Produzido por Thomas Dheher e Bidê ou Balde
Faixas: 1. Hollywood #52 2. Cores Bonitas 3. Microondas 4. Bromélias 5. Adoro Quando Chove 6. A-há 7. Matelassê 8. Dulci 9. O Antipático 10. Soninho 11. Aeroporto 12. O Que Eu Não Vejo Não Existe 13. Não Adianta Chorar 14. Cores Bonitas
Site oficial: www.bideoubalde.com.br

Leia outra crítica do álbum.

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