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21 de agosto de 2012

Quanto vale a mú$ica?

Escrevi o texto que abre o nova edição da revista Overmundo, cuja temática era open business. A revista está disponível para download grátis em pdf e para iPad. Abaixo, minha matéria completa.


Festival de música independente em Goiânia adota modelo em que o público decide quanto pagar pelas apresentações das bandas – e faz sucesso!

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2007. Inglaterra, Marrocos, Rússia, Brasil, Bolívia. Pessoas nestes e em quaisquer outros países com acesso à internet faziam o download de In Rainbows, sétimo álbum da banda britânica Radiohead. Mais do que um trabalho que, meses depois, estaria na maioria das listas de melhores álbuns daquele ano, tratava-se de um divisor de águas no mercado musical. Pela primeira vez, uma das maiores bandas do mundo lançava um CD de forma independente e cujo preço de venda era definido pelo próprio público (com a possibilidade, inclusive, de optar por não pagar nada para se obter a obra).

Domingo, 6 de Maio de 2012. Goiânia, Brasil. Centenas de pessoas reunidas no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiânia para o último dia da 14ª edição do Festival Bananada, iniciado na semana anterior. Assim como no caso do Radiohead, o valor da entrada era definido pelo público. O diferencial é que, no caso do festival goiano, não contribuir com nenhum valor não era uma opção (e moedas não eram aceitas).

A evolução do modelo colaborativo na definição de preços para o acesso a bens culturais tem se dado de forma relevante nos últimos anos. No Festival Bananada, por exemplo, ela é resultado de um longo processo de mapeamento da cena, do trabalho pela formação de público e pela busca de formas funcionais de gestão de carreiras artísticas. Assim como o sistema de crowdfunding tem possibilitado a realização de ações colaborativas através do financiamento coletivo, o “pagamento 2.0” é outro elemento cada vez mais presente na lógica do mercado cultural contemporâneo. A nova geração de consumidores cresceu em meio às mídias digitais, com acesso fácil, rápido e, na maior parte dos casos, gratuito ao conteúdo que desejam. Entender as transformações nos hábitos de consumo do público e manter sustentável a cadeia produtiva é um dos desafios de produtores culturais em todo o mundo.

Fabrício Nobre é um desses produtores. Vocalista da banda de rock MQN, ex-presidente da Asso- ciação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e atual diretor da produtora A Construtora Música e Cultura, Fabrício é um dos responsáveis pelo projeto “Qto vale o show?”. A ideia é extremamente simples: a pessoa vai ao show, se diverte e, na hora de ir embora, dá uma nota para o que viu. Nota, no caso, literalmente. O julgamento da qualidade da apresentação presenciada é convertido em uma cédula de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$20 ou até mesmo R$50 e R$100. Ao sair, a pessoa também conta qual o show a levou ao evento, qual a sua apresentação favorita naquela noite. Do valor arrecadado, 80% é dividido entre as bandas que se apresentaram e o restante é destinado à gestão do projeto.


O procedimento de votação foi criado para descobrir quais bandas o público local tinha mais interesse em assistir e quais bandas precisavam investir mais na formação de público. Edimar Filho, produtor n’A Construtora, conta que, assim, descobriram que algumas bandas que afirmavam ter determinado número de pagantes garantidos em seus shows tinham, na verdade, público bem menor. “Entre 2,5 mil pagantes no Bananada, bandas que juravam ter muito público foram citadas por 50 pessoas. Descobrimos também, que, se a banda fizer o mínimo de esforço durante a semana nas redes sociais, isso resulta em um resultado melhor no bolso delas”, diz Edimar.

E o quando o assunto é cachê, a discussão é calorosa. Grande parte dos festivais de música independente no Brasil possui recursos escassos e os dedicam para custear despesas de estrutura. Muitas vezes, as bandas não recebem cachês e custeiam o próprio transporte investindo na repercussão que a apresentação no festival pode resultar. Até o surgimento do “Qto vale o show?”, as bandas que se apresentavam no Bananada tinham todas as despesas cobertas pela produção, exceto transporte e cachê. Agora, recebem de acordo com resultado efetivo de seus shows.

“A internet possibilitou pela primeira vez na história que o público taxasse o preço dos produtos culturais. Se a pessoa discorda do valor do ingresso ou do CD, não vai ao show, não compra o disco”, afirma Edimar. Além de trabalhar como produtor cultural, ele é guitar-rista da Black Drawing Chalks, banda que fez turnê por todas as regiões do Brasil e se apresentou em grandes festivais como SWU e Lollapalooza. Com a experiência obtida trabalhando em diferentes momentos da cadeia produtiva da música, Edimar é taxativo: “Se a banda não leva público em um show em que o ingresso pode ser R$ 2, a culpa é dela. É sinal de que a banda precisa rever seu modelo de trabalho, repertório e relacionamento com o público”.

O Bananada antes e depois da utilização do formato “Qto vale o show?”, segundo Edmar Filho, d’A Construtora Música e Cultura: 
ANTES 
# O Bananada tinha menos visibilidade.
# Cada banda tocava para cerca de 800 pessoas.
# 4 mil pessoas tinham acesso ao festival.
# As bandas não ganhavam um cachê. 
DEPOIS 
# O Bananada tem mais visibilidade, com público duas vezes maior do que em 2010.
# A banda que antes tocaria para 800 pessoas está tocando para 1.600.
# Em 2012, foram quase 10 mil pessoas ao longo da programação do festival.
# Todas as bandas receberam cachê em 2012, e em alguns dias receberam R$ 650, cada. Nenhum festival do país, nem com patrocínio de grandes empresas, paga isso para bandas novas, que tocam às 16h da tarde. Além disso, as bandas venderam mais materiais de merchandising do que nos outros anos. O cara pagou R$ 5 para ver o show e sobrou grana para comprar a camiseta da banda no fim. Uma das bandas que tocaram no festival conseguiu R$ 1,1 mil vendendo CDs e camisetas.
# O festival está mais democrático e atinge um público muito mais jovem, o que significa renovação e formação de plateias. A edição de 2012 teve o maior público, a melhor remuneração para as bandas e gerou o maior número de empregos diretos e indiretos da história do festival, que completou 14 anos este ano.

A experiência do “Qto vale o show?” no Bananada e em outros eventos em Goiânia tem sido tão positiva que passou a ser utilizada nos shows do projeto “Cedo e Sentado”, realizado no Studio SP (em São Paulo) e no Granfinos (em Belo Horizonte), a partir de Junho. Nesses casos, o valor arrecadado será revertido integralmente para os artistas.

13 de maio de 2012

Cobertura do festival Bananada 2012

White Denim no Festival Bananada
Procurando um lugar onde pudéssemos comprar cerveja às três da madrugada no centro de Goiânia, encontramos, próximo a um puteiro no qual alguns policiais acabavam de entrar, um boteco aberto. Na porta, junto a mendigos e crackeiros, sujeitos cabeludos com camisas de bandas de heavy metal. Dentro do bar, alguma banda de hard rock tocava alto. Em Goiânia, até os bares risca-faca são rock'n'roll.

Goiânia é uma cidade cheia de hipsters e roqueiros. Ao menos essa é a impressão ao ficar três dias por lá, acompanhando parte da programação do festival Bananada. Celeiro de bandas importantes na cena de rock alternativo nacional, como MQN e Black Drawing Chalks, a cidade parece ter uma vida noturna movimentada na qual a modernidade hipster se encontra com a tradição do rock. O visual das pessoas diz muito à respeito. Basta observar o público ou mesmo membros de bandas locais com som mais "ortodoxo", como o Black Drawing Chalks: complementando o tradicional visual rocker (muitas tatuagens, camisa preta de banda, jeans rasgado), o baterista da banda usa óculos coloridos e tênis verde-fluorescente. Os tênis, aliás, são um espetáculo à parte na cidade. Em cada boate, pub ou show, pin-ups e metaleiros estão calçados com tênis coloridos que parecem parte do figurino de algum filme ou clipe oitentista.

Isso se reflete na programação do Bananada. Ele não se rende às simples tendências musicais do momento, mas abrange diversas vertentes do rock, das mais pesadas às experimentais e psicodélicas. Feito no esquema "Quanto vale o show?", no qual cada pessoa paga o valor que quiser para entrar (contato que seja com uma nota), os dois dias principais do festival ficaram lotados e com um público atento aos shows. Realizado no bonito Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás, o Bananada é o exemplo de festival de médio porte bem feito: som excepcional, entrada com preço acessível (nesse caso, ao extremo), boas bandas na programação e sem excesso de atrações por dia.

Estive na cidade ao lado do Luciano Viana e da Carou Araújo, ambos artistas/produtores/agitadores-culturais com os quais tenho projetos em desenvolvimento. Combinamos uma cobertura coletiva do festival na qual não influenciássemos uns aos outros. Isso significou assistir a todos os shows sem comentarmos entre nós sobre nenhum aspecto musical de cada apresentação (o que se mostrou extremamente difícil, mas acabou sendo positivo para nos forçar a conversar com outras pessoas, rs).

Os dois não economizaram nas palavras, portanto, decidi abrir mão dos meus próprios comentários sobre os shows e fazer apenas esta (nem tão breve) introdução. As fotos que ilustram a publicação são do Luciano (as fotos boas e sem efeitos) e minhas (as fotos cheias de efeitos, feitas no celular).

Ok, não vou resistir e apenas listar meus cinco shows favoritos, em ordem, no Bananada 2012:
Black Drawing Chalks
White Denim
Macaco Bong
Forgotten Boys
Cambriana / Red Boots / Aeromoças e Tenistas Russas (empate técnico)

Ah, só alguns comentários (não resisti de novo):
1. Quanta mulher bonita em Goiânia!
2. Os caras do White Denim são super simpáticos e acharam o show de Goiânia o melhor que fizeram no Brasil. Eles foram alguns dos que estavam na festinha pós-festival que fizemos no nosso quarto no hotel e que também tinha membros do Macaco Bong, Aeromoças e Tenistas Russas, Talma & Gadelha, Calistoga, Forgotten Boys e o pessoal da revista Vice.



Carou Araújo

Sábado 5/5/2012 
Depois de vivenciarmos (eu e Luciano) Conexão Aeroporto às 4 da manhã; avião trash; hotel errado; cochilo de leve; ensaio de uma banda que não conhecíamos; o último dia de Movida; os shows de encerramento do evento com as bandas Gloom e Hellbenders; e uma noite de sexta-feira com muita guitarra distorcida, algumas cervejas numa das casas mais legais de Goiânia Rock City (o Diablo Pub), fomos dormir, nós, correspondentes, em nosso lindo quarto de hotel de 3 camas.

Marcelo Santiago (o dono deste blog que invadimos momentaneamente e ocupante da terceira cama) havia chegado em um vôo da madrugada e dormia profundamente na cama ao lado. Nada sabia dessas experiências malucas ou do que se passara comigo e Luciano para chegarmos até ali. Ri sozinha pensando nas peripércias do dia anterior.

Acordei os dois no limiar entre o atraso e a pontualidade. Partimos para o almoço e logo em seguida para o Centro Cultural da UFG para o primeiro dia de shows no palco principal do festival Bananada. Esperamos o início dos shows com uma certa ansiedade do que viria pela frente em dois dias com 14 bandas diferentes para assistir.

Iniciados os trabalhos - primeira cerveja, primeiro show.

16h23
Sobe a primeira banda ao palco: Coletivo Musical, uns garotinhos de vinte e poucos anos de Goiânia, bem talentosos. Letras bem feitas, apesar dos arranjos ainda necessitarem de um pouco de lapidação. Mas vale pelo risco da experimentação, meio samba, meio baião, meio rockinho, com umas programações eletrônicas. Destaque especial para a vocalista, Bruna Mendez. Consciente da voz que tem, desenvolveu formas interessantes de explorá-la. Fim do primeiro show, nos reunimos e não podíamos comentar pelo combinado de cada um escrever sua própria visão do festival, sem influências dos coleguinhas. Ok, falemos então da Carolina Dieckmann (nota do editor: delícia!).

17h22
Segunda cerveza, segunda banda.
Cambriana. Várias pessoas ao meu redor ansiosas e curiosas pelo show. Pois bem: indiezinho meloso, com aquelas influências clássicas que todo mundo vive citando - The National e companhia limitada. Show bom, muitos instrumentos, multiinstrumentistas, programações eletrônicas etc. Tudo o que a molecada anda experimentando no Brasil por esses dias, mas que já foi usados até a exaustão pelas tais  referências há alguns anos. Nada de novo, mas bem feito.

18h11
Já na terceira cerveja e alegre por finalmente assistir o show dos queridos Talma & Gadelha, de Natal (RN). No dia anterior, eu e Luciano fomos convidados a assistir um ensaio deles com a substituta da guitarrista (Cris Botarelli) que está em uma viagem pelo mundo afora. E veja bem quem seria a escolhida: Niela Moura, a presença feminina que ocupa as guitarras e voz no meio daqueles marmanjos da Gloom. Esbanjando uma simpatia que só o pessoal de Natal tem, Luiz Gadelha convidou todo mundo pra dançar e até indicou as músicas mais românticas pra garantir o clima de paquera dentre o público que se mostrava bem jovem e interessado no show.

19h08
Um churrasquinho de filé miau pra recarregar as energias e pronto, bora pro quarto show da noite: Riverbreeze, também de Goiânia. Uma banda que se parece um pouco mais com o peso tradicional das bandas da cidade, apesar de ter influências claras das bandas indie gringas que surgiram de 2000 pra frente. Animadinho. As garotas gostaram, mas também não me pareceu nada de mais.

20h10
Uma comoção coletiva se iniciou na frente do palco. Ia começar o show do Macaco Bong, o trio instrumental que faz o chão tremer por onde passa. Mas dessa vez com um diferencial, primeiro show na cidade com o novo baixista, Gabriel Murilo. O som continua visceral e pesado, as linhas de guitarra  hipnóticas levam o público ao delírio logo nos primeiros acordes. Taí um show preciso, denso, alucinante. Perdi minha quinta ficha de cerveja no meio da confusão toda, mas nem deu tempo de me chatear, já ia começar o próximo show.

21h37
O show mais esperado da noite pra mim: Diego de Moraes, goiano inquieto que deixa suas críticas poéticas por onde passa. Meio Raul Seixas, meio Arnaldo Baptista, meio Sérgio Sampaio, completamente Diego. Faz de tudo pra tentar fazer com que todos entendam o que diz e escutem o que tem a dizer, hora suave, hora aos berros, pula, cai no chão, deita e rola! Catarse!
Em seu show, fez uma participação de improviso o grande mestre Jards Macalé com a música "Soluços" (composta por Jards quando tinha 15 anos), ensaiada com a banda duas horas antes do show e executada com a emoção que só duas almas inquietas são capazes de ter. Emocionante.

22h44
Sobe ao palco com seu violão e um sorriso meio tímido, Jards Macalé. Depois das guitarras, contrabaixos, baterias e distorções das bandas anteriores, o público se aquietou em uma contemplação da beleza, delicadeza e sabedoria que só um verdadeiro mestre sabe proporcionar. Cantou grandes sucessos como "Mal secreto", "Anjo exterminado" e "Farinha do desprezo". Nos mandou para casa de almas lavadas e espírito tranqüilo.

Claro que não fomos exatamente pra casa, mas essa é outra história, pra mesas de bar.

Domingo 6/5/2012
Mais uma vez não acordamos muito cedo, mas foi tempo o suficiente pra tomar banho com calma e ir comer antes de pegar a van pra UFG. Já no restaurante, encontramos os amigos Aeromoças e Tenistas Russas junto com os Macaco Bong numa mesa de almoço que dava gosto de ver. Neste momento deu pra perceber que o dia prometia absurdos! Pois bem, comecemos.

16h33
Primeiro show do dia, ainda na água!

Sobe ao palco a banda instrumental Dom Casamata, power trio, com pouco efeito visual, porém com algumas peculiaridades sonoras interessantes. Suas músicas vão do groove mais suingado à psicodelia guitarrística marcada pelos vários pedais espaciais. Destaque para o trompetista misterioso e tatuado que fez participação na melhor música do show!

Trompetista (que também é um skatista elogiado na cidade) convidado do Dom Casamata
17h13
Hora de pegar a primeira cerveja do dia e rebater o que quer que tivesse me batendo.
Começa o show dos Red Boots, duplinha danada de Mossoró (RN) que saiu direto do projeto incubadora do DoSol (que também lançou o Talma&Gadellha ano passado) para o Bananada, com um single na mão e muita loucura na cabeça. Guitarra, guitarra e mais guitarra, e claro, MUITO drive! Pesado, sujo, barulhento. E só. Hora da segunda cerveja pra refrescar o dia quente.

18h07
Os grandes amigos e parceiros Aeromoças e Tenistas Russas começam o show, soltam o sample e…. cadê o baterista? De repente eis que surge subindo as escadinhas do palco Dudu, ainda ajeitando suas munhequeiras, o único da banda realmente tenista! Rs. Logo na segunda música, Juliano (contrabaixo) convida o público pra chegar mais perto pra dançar. Foi batata! Logo a multidão já estava completamente hipnotizada pelo som. Destaque sempre para o sax, com linhas deliciosas, e, claro, lembrando sempre de creditar os samples de Jovem Palerosi que disparados com destreza por Gustavo Hoolis dão um tom especial pra músicas. Show quente!

19h01
Começa o show do Violins, o verdadeiro indiezinho brasileiro. Show morninho, sem muita novidade. Agrada as meninas e os meninos. Há quem goste bastante, mas não faz muita coisa comigo. Porém há de se reconhecer que as letras são boas. Terceira cerveja pra preparar para o próximo show.

Forgotten Boys

20h07
Sobem ao palco os Forgotten Boys. Depois de uns três anos sem ver show da banda, com uma formação completamente diferente da que estava em minha memória, escuto embasbacada um Forgotten Boys bem mais pop, com teclados e sem ninguém dando muito pala em cima do palco por conta das drogas. Será que o rock'n'roll morreu? Piadas à parte, o show foi bem impressionante. Aliás, tirou a sensação ruim que eu tinha do último show que me lembrava da banda. Os caras estão bem fincados e cheios de vontade de tocar e realmente fazer um show de verdade. Bem quente! Não à toa, moshs e mais moshs se formaram tornando quase impossível (para quem não queria participar deles) ver o show de perto. Mas escutava-se muito bem.

Pausa para o banheiro, um engasga lobo rápido e uma cerveja porque já estavam subindo ao palco os Black Drawing Chalks (nessa hora, meus queridos, eu até esqueci que tinha que olhar no relógio). Os caras mostraram a que vieram fazendo um show matador em casa, deixando claro o orgulho de ser goiano e circular pelo Brasil carregando essa bandeira. O público foi ao delírio mais absoluto que poderia, compreensivamente. Me devolveram o rock'n'roll que eu achei que tinha perdido, com muita energia, cabelos balançando pra lá e pra cá, suor e alegria. Já anunciando o lançamento do próximo trabalho da banda, tocaram músicas novas e o público foi à loucura. Show PELANDO!

E quando eu pensava que não haveria de acontecer mais nada surpreendente naquela noite sobem ao palco os texanos do White Denim, nome nada sonoro ou atraente (ao meu ver), ao contrário do som que era arrebatador. Uma mistura dos idos 70's de Led Zeppelin, com a modernidade dos indiezinhos Arctic Monkeys. James Petralli, o vocalista e guitarrista de uma habilidade vocal única, brincando fazia o pátio da UFG tremer deixando todo mundo de queixo caído com a apresentação. O segundo guitarrista, Austin Jenkins, tocava como se não houvesse amanhã, com um sorriso gigante o tempo inteiro na cara, como se estivesse fazendo a melhor coisa do mundo - e de fato estava. O baixista de aparência hipster, Steven Terebecki, enganou todo mundo com sua carinha de menino tímido: suas linhas de baixo tinham uma presença insana naquela miscelânea maluca texana. Alucinante. No final dava pra perguntar se alguém anotou a placa do trator que atropelou todo mundo naquele pátio da Universidade Federal de Goiás.

E o resto? É história de bastidor. Acontece em Goiânia, fica em Goiânia. Rá!

Luciano Viana

Cheguei na sexta-feira na querida Goiânia para acompanhar mais uma edição do Bananada, festival comandado pela Construtora Música e Cultura. Sempre bom voltar aquela cidade, pois como disse o próprio amigo Marcelo Santiago, "Goiânia é uma cidade em que até os butecos risca-faca tocam rock", o que não deixa de ser uma verdade dessa que é realmente uma das cidades mais rock do país. E no meu primeiro dia de festival, isso já foi mostrado logo de cara, com uma apresentação incendiária do Hellbenders (GO) na UFG, local que pela primeira vez recebeu o festival. Deu pra entender porque eles já dividem pau a pau as estampas de camisas na cidade com o Black Drawing Chalks. Deu vontade de ter chegado antes e pegar a apresentação deles numa das casas de show que compunham a programação do festival pra ver esse show em um lugar mais fervido. Mas fui contemplado pela programação pós-UFG, na Diablo, uma casa de estrutura bem legal, com os shows do Dry e Overfuzz, que continuaram mantendo o decibelímetro nas alturas com muito drive. No meio desses tapas no ouvido, ainda na UFG, teve espaço pro show do Gloom (GO), que tirou um pouco dos drives dos ouvidos mas manteve o nível lá no alto. O Gloom é uma banda que vem dando passos largos rumo a sua maturidade musical, o que ficou evidente durante um show onde os ritmos e arranjos são cada vez mais plurais, mas com uma assinatura estética bem pessoal da banda. É som certeiro pra qualquer festa.

No sábado, já com a programação totalmente voltado pra UFG, o festival teve início com o Coletivo Musical (GO), que segundo pesquisa com alguns amigos locais, trata-se de uma novidade da cena. E não é rock garageiro. A vocalista Bruna comandou com bastante competência e uma bela voz um desfile de sons que passaram por samba, indie rock e pop, direcionados pelas melodias vocais de bastante bom gosto. Deu inclusive pra ver já alguns na plateia cantando algumas músicas timidamente. A pluralidade estética do festival já deu as caras logo no início.

Na sequência, os competentes e simpáticos Talma & Gadelha (RN), acompanhados pela guitarrista/vocalista Niela (Gloom), mostraram seu trabalho que vem irradiando boas repercussões Brasil afora. Música pop certeira, algumas com letras de assimilação imediata e uma boa presença de guitarras. As três primeiras músicas do show ficaram ressonando na minha cabeça por boa parte da noite. 


O público já era bom e a tarde ainda não tinha caído. O Cambriana (GO), uma das bandas que mais queria ver, sobe ao palco. Depois das boas críticas geradas pelas redes sociais sobre o álbum de estreia da banda, um disco de inspirações "deathcabianas", faltava ver uma apresentação ao vivo para meter um carimbo de "aprovado 100%". A banda já tem um público que vibra a cada introdução das músicas preferidas, e olha que tem pouco tempo que a banda despejou na internet seu álbum de estreia. 
O show foi total linkado com o que a banda apresenta em seu registro sonoro oficial, e uma versão de "All Apologies" do Nirvana, que bateu na trave. Se tivesse pouco menos drive nas guitarras, cairia melhor na identidade da banda. Carimbei então um "aprovado", porém, com um asterisco de "com ressalvas", pois acho que a banda ainda pode e deve ganhar mais desenvoltura com o palco, com o público e com o feeling de suas próprias músicas. Mas acho que é somente questão de tempo e estrada para a banda encaixar todas essas peças nos seus lugares e ganhar cada vez mais espaço. Merecidamente, pois fazem um belo trabalho.

O também de casa do Riverbreeze (GO), foi a próxima atração, e botaram pra funcionar os primeiros elementos de pegada mais rock da noite, na vibe indie-rock-Arctic-Monkeys-das-antigas, com alguns bons arranjos de guitarras. Eis aí o teaser pro que viria na sequência.

Público durante show do Macaco Bong
Macaco Bong (MT), estreando nova formação e novas músicas em Goiânia, fez a lotada UFG ir a baixo. O público em total sintonia com a banda, parecia já conhecer as novas músicas de longa data, se entregando totalmente em cada riff, cada acorde, aplaudindo entre algumas passagens espontaneamente e com olhos vidrados no palco. E essa energia parece ter sido transmitida totalmente aos 3 caras lá em cima, e o Macaco Bong fez um dos melhores shows que vi dos caras nesses últimos tempos, e olha que tenho visto muitos. O clássico "Amendoim" e o final apoteótico com a novata "Dedo de Zombie" foram momentos dignos de serem registrados. Espero que alguém o tenha feito. Acho que todo cartaz de show dos caras deveria vir agora como Macaco Bong (MT) (MG) (GO), pois Goiânia é definitivamente uma das casas da banda.

Infelizmente perdi parte do show do Diego de Moraes (GO) para poder comer algo e continuar parando em pé, mas consegui ver alguns momentos com sua tradicional presença de palco maluca, totalmente condizente com o seu trabalho, e o emocionante encontro com Jards Macalé, que teve direito a escorregão do Diego e da banda esquecendo a letra e tendo que recomeçar a música, mas que não tirou o sentimento de emoção da participação. Mas foi por pouco.

E encerrando a noite, o impagável Jards Macalé (RJ), fazendo um show de voz e violão, de clima totalmente descontraído, montando seu set list instantaneamente através de sugestões de uma plateia que mesclou gerações. E para conseguir fechar um festival numa cidade do rock como Goiânia, num formato banquinho e violão, com o público pedindo bis e interagindo total com o show, é realmente para figuras como Jards Macalé.

O último dia de festival já dá uma cara mais "Goiânia Rock City". Trabalhos iniciados pelo instrumental rock do Dom Casamata (GO), que às vezes também é funk, às vezes é blues, às vezes tem coloridos do jazz.

A primeira boa surpresa do dia veio com a dupla do Red Boots (RN), diretamente de Mossoró. Baterista e guitarrista/vocalista a serviço de stoner rock, de riffs lotados de distorção, versos em inglês embriagados de cerveja, com uma presença de palco visceral. Em algumas músicas ainda se sente falta de um preenchimento maior, o que em outras se tem de sobra, mas é uma banda que tem muito o que mostrar por aí. Identificação imediata do público goiano.

Aeromoças e Tenistas Russas
Outra banda instrumental vem na sequência (a terceira do festival), que é o Aeromoças e Tenistas Russas, que vem em uma ótima fase, e circulando com a tour do seu "Kadmirra" por boa parte do Brasil, o que claramente está os munindo com uma coesão musical das boas em cima do palco. É impressionante o quanto a banda evoluiu nesse último ano, passando de mais uma das promessas do bom momento da música instrumental brasileira, para já ser uma realidade e referência para outras que estão vindo por aí. E essa ótima fase foi recebida de braços abertos pelo público, que vibrava em algumas das notas soltadas pelo saxofone de Thiago Hard ou esboçava movimentos tímidos pré-dança em alguns grooves conduzidos na cozinha da banda.

Violins (GO) foi a próxima atração, e com o vocalista/guitarrista Beto Cupertino empunhando novamente uma Les Paul, a banda volta a ter mais peso. Abriram o show também com uma das músicas mais pesadas da banda, "Do Tempo", com boa parte do peso ganho no bom trabalho da sonorização do festival, que botou o PA com uma pressão das boas e um dos melhores sons do line desse dia. O restante do show foi conduzido basicamente no repertório do último disco "Direito de Ser Nada", com algumas pinceladas aqui e ali de outras lembranças da ampla discografia da banda, todas as fases tendo a voz de Beto acompanhada por um bom coro da plateia. Fiquei na expectativa de talvez ouvir alguma composição inédita da banda, pra ver pra qual caminho sonoro a banda está rumando atualmente, mas ficou pra próxima. Aguardemos.

Forgotten Boys (SP), que há pouco tempo atrás teria o show aberto pelo Black Drawing Chalks, teve que suar pra abrir o show dos goianos em casa e manter o bom nível roqueiro da noite, mas conseguiram manter o público pra cima, trabalhando principalmente em cima dos clichês que lhes são pertinentes. Uma banda que não tem muitos segredos, mas que faz bem o básico que se propõe.

Nada básico foi o rolo compressor do Black Drawing Chalks (GO), que veio na sequência, jogando em casa, exorcizando os demônios do público sedento pelos bons riffs sujos que a banda sabe fazer com extrema competência. Foi o segundo show que vi dos caras em Goiânia, e é massa perceber o quanto os caras vem crescendo e firmando cada vez mais o pé como uma das melhores bandas do rock do país, o que orgulha com certeza todo aquele público que acompanhou insanamente o show do começo ao fim. No meio do percurso do show, algumas músicas do novo disco que sai provavelmente no mês que vem, e mostra a banda trabalhando outros elementos em sua sonoridade, principalmente na rítmica. 


Pra fechar o Bananada 2012, os gringos do line up: White Denim (EUA). Não conhecia quase nada da banda até ver seu nome na escalação do festival e decidi não pesquisar muito e deixar para ter a surpresa na hora do show. E que surpresa. Quatro indivíduos no palco fazendo um som altamente competente, cravado, tecnicamente perfeito e com um feeling de te fazer arrepiar até o cabelo da sobrancelha. Uma mistura louca de math rock, indie, psicodélico, noise, que transitava pra mim entre referências como Faraquet, Medications e Battles. Estava acontecendo ali um dos melhores espetáculos musicais que já presenciei. Olhava ao lado e via o mesmo queixo caído entre vários presentes no público, enquanto alguns se conformavam em somente bater a cabeça e outros cutucavam o ouvido com o dedo, já que realmente o PA estava um pouco além do limite, estourando a cabeça. Já me imaginava com o ouvido zumbindo dois dias seguidos depois daquele show, mas preferi não me importar com isso no momento pra não perder nenhum detalhe do show. Um show memorável e pelo que andei colhendo de depoimentos logo após o encerramento, parece que não foi só pra mim.

O fim de festival ainda contou com as tradicionais ida no "Vai toma no Kuka" com o tradicional pastel A4 e cerveja gelada, e o quarto 30 do hotel Rio Vermelho recebendo mais cerveja, músicos amigos, músicos não-amigos e a gringaiada gente boa até o amanhecer.

Goiânia, até breve. Assim espero.

22 de abril de 2012

Bananada e Sonar: programações dos festivais


Dois festivais bastante distintos movimentam a cena musical alternativa no início de Maio. Em Goiânia, no Centro Cultural da Universidade Federal de Goiânia e casas noturnas da cidade, acontece mais uma edição do Festival Bananada, agora realizado pela A Construtora (nova empresa de Fabrício Nobre, ex-Monstro Discos). A programação começa no dia 28 de Abril e se estende até 6 de Maio, com shows da estrangeira White Denim, Macaco Bong, Diego de Moraes, Forgotten Boys, BLack Drawing Chalks, Jards Macalé e nomes da novíssima cena local, como Cabriana e Gloom, entre outros. Além de diversos shows, acontece a Movida, mostra de vídeoclipes e documentários musicais que integra a plataforma Conexão Vivo.

Um pouco depois do Bananada, nos dias 11 e 12 de Maio, é a vez do Sonar SP, edição paulistana do famoso festival espanhol dedicado à música de vanguarda. Na programação, alguns dos principais nomes da música eletrônica mundial, como Justice, Chromeo, Squarepusher e os experimentais Björk, Mogwai, Four Tet e Flying Lotus. Destacam-se também o astro pop Cee Lo Green, Little Dragon, o tecnobrega Gang do Eletro, o hip hop de Doom e dos brasileiros Emicida e Criolo e o experimentalismo do Psilosamples, Za! e M. Takara vs Akin.

Veja abaixo a programação completa dos dois festivais:

4 de março de 2012

Mistureba: festival Bananada 2012, downloads de Lucas Santtana, Walverdes, Los Hermanos e mais

Debate
Dia 30 de Março, eu (Marcelo Santiago) participarei de um debate sobre a cultura do grátis e gestão de carreiras musicais no Sesc Araraquara (SP). A conversa acontecerá a partir das 21h e também terá a presença do jornalista Alex Antunes. Mais informações em breve.

Festival Bananada 2012

Nos dias 5 e 6 de Maio acontece no Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia, mais uma edição do festival Bananada (que neste ano terá cobertura do Meio Desligado). Entre as atrações confirmadas estão Jards Macalé e a boa banda texana White Denim, pela primeira vez no Brasil.

Lucas Santtana
O baiano Lucas Santtana lançou recentemente seu novo álbum, O Deus que devasta mas também cura, disponível para download gratuito.

Walverdes
A banda punk/grunge gaúcha Walverdes colocou praticamente toda a sua discografia para download grátis na TramaVirtual. São faixas de quatro álbuns (Breakdance, Playback, Anticontrole e Walverdes), dois EPs (90 Graus e Demasiada Sequela) e três demo tapes (Ao Vivo no Japão, Demo Amarela e Vai, Criança, Faz a Tua Arte) que compreendem o período da carreira da banda entre 1994 e 2010.

Tributo ao Los Hermanos
Foi lançada a primeira parte da coletânea Re-Trato, que reúne artistas independentes fazendo releituras de músicas do Los Hermanos, supergrupo indie que retorna aos palcos no mês de Abril. O novo lançamento é um EP que serve de prévia da coletânea oficial (cujo lançamento acontecerá em Abril) e conta com as músicas "Todo Carnaval tem seu fim" (Do Amor), Sentimental (Phillip Long), "Adeus você" (Nuvens) e "Anna Júlia" (Velhas Virgens). Download gratuito no blog Musicoteca.

19 de maio de 2010

Festival Bananada 2010

Começa hoje a 12 edição do Bananada, festival musical realizado anualmente em Goiânia/GO. O diferencial do Bananada em relação ao outro festival realizado pela Monstro Discos (o Goiânia Noise) é o foco nas bandas locais e, no caso dos artistas de outros Estados, a preferência por aqueles que nunca fizeram shows em Goiânia.

QUARTA FEIRA 19 / MAIO - BOLSHOI PUB
01:00h Rinoceronte (Santa Maria – RS)
00:15h Mersaut e Máquinha de Escrever (Goiânia – GO)
23:30h Brown-Há (Brasília – DF)

QUINTA FEIRA 20 / MAIO - METROPOLIS
01:00h Plastique Noir (Fortaleza – CE)
00:15h Dawnfine (Goiânia – GO)
23:30h Trivoltz (Goiânia – GO)

QUINTA FEIRA 20 / MAIO - CAPIM PUB
21:30h Desastre (Goiânia – GO)
20:45h Fígado Killer (Goiânia – GO)
20:00h WxCxM (Goiânia – GO)
19:15h Chacina (Goiânia – GO)

SEXTA FEIRA 21 / MAIO – MARTIM CERERÊ
01:00h Violins (Goiânia – GO)
00:30h Gloom (Goiânia – GO)
00:00h Comunidade Ninjtsu (Porto Alegre – RJ)
23:30h Burro Morto (João Pessoa – PB)
23:00h Johnny Suxxx And The Fuckin’ Boys (Goiânia – GO)
22:30h Nevilton (Umuarama – PR)
22:00h Camarones Orquestra Guitarrística (Natal – RN)
21:30h Vida Seca (Goiânia – GO)
21:00h Nublado (João Pessoa – PB
20:30h Procura-se Quem Fez Isso? (Porto Alegre – RS)
20:00h Comma (São Paulo – SP)
19:30h Death From Above (Goiânia – GO)
19:00h Demosonic (Goiânia – GO)
18:40h Ultra Vespa (Goiânia – GO)
18:20h Coerência (Goiânia – GO)

SÁBADO 22 / MAIO – MARTIM CERERÊ
01:00h Black Drawing Chalks (Goiânia – GO)
00:30h La Hell Gang (Santiago – Chile)
00:00h Mechanics (Goiânia – GO)
23:30h Plástico Lunar (Aracaju – SE)
23:00h Caldo de Piaba (Rio Branco – AC)
22:30h Vícios da Era (Goiânia – GO)
22:00h Some Community (São Paulo – SP)
21:30h Motherfish (Goiânia – GO)
21:00h Vendo 147 (Salvador – BA)
20:30h Fadarobocoptubarão (Belo Horizonte – MG)
20:00h Bruto (Brasília – DF)
19:30h Necropsy Room (Goiânia – GO)
19:00h Moka (Goiânia – GO) 
18:40h Space Monkeys (Goiânia – GO)
18:20h ¡Oye! (Goiânia – GO) 


DOMINGO 23 / MAIO - AMBIENTE SKATE SHOP
18:30h Twinpines (São Paulo – SP)
17:30h Bang Bang Babies (Goiânia – GO)
16:30h Hellbenders (Goiânia – GO)
15:30h Waldi e Redson (Goiânia – GO)
13:30h Dedo Sem Osso (Goiânia – GO)

5 de maio de 2009

Programação do Bananada 2009

SEXTA FEIRA 22 / MAIO
02:00h Diego de Moraes e o Sindicato (Goiânia - GO)
01:20h Barfly (Goiânia – GO)
00:40h Rubinho Jacobina (Rio de Janeiro – RJ)
00:00h Filomedusa (Rio Branco - AC)
23:30h The Backbiters (Goiânia - GO)
23:00h Viana Moog (Porto Alegre – RS)
22:30h Perito Moreno (Goiânia - GO)
22:00h The Dead Lovers Twisted Hearts (Belo Horizonte - MG)
21:30h Arco Duo (São Paulo – SP)
21:00h Super Stereo Surf (Brasília - DF)
20:30h Shakemakers (Goiânia – GO)
20:00h The Pro (Brasília – DF)
19:40h Aircraft (Goiânia - GO)
19:20h Postfive (Goiânia – GO)

SÁBADO 23 / MAIO
02:00h Black Drawing Chalks (Goiânia - GO)
01:20h Johnny Suxxx & The Fuckin Boys (Goiânia - GO)
00:40h Damo Suzuki (ex - Can) (Alemanha)
00:00h Lenzi Brothers (Balneário Camburiú – SC)
23:30h MQN (Goiânia - GO)
23:00h Multiplex (São Paulo - SP)
22:30h Pop Armada (São Paulo - SP)
22:00h ZeroDoze (Porto Alegre – RS)
21:30h Nancy (Brasília - DF)
21:00h Technicolor (Goiânia – GO)
20:30h Hey Hey Hey (Porto Velho - RO)
20:00h Sangue Seco (Goiânia – GO)
19:40h T.S.A. (Jataí - GO)
19:20h Girlie Hell (Goiânia – GO)

DOMINGO 24 / MAIO
00:40h Mugo (Goiânia - GO)
00:10h Bang Bang Babies (Goiânia - GO)
23:40h The RiverRaid (Recife - PE)
23:00h Venus Volts (Campinas - SP)
22:30h The Brown Vampire Catz (Londrina - PR)
22:00h Mamelo Sound System (São Paulo - SP)
21:30h Spiritual Carnage (Goiânia – GO)
21:00h Projeto Manada (São Paulo - SP)
20:30h Fígado Killer (Goiânia - GO)
20:00h Versus AD (Goiânia – GO)
19:30h Grupo Porco de Grindcore Interpretativo (Belo Horizonte - MG)
19:00h Boddah Diciro (Palmas - TO)
18:40h Sattva (Goiânia – GO)
18:20h MC Dyskreto (Goiânia - GO)

Local: Centro Cultural Martim Cererê, Goiânia (GO)

14 de julho de 2008

Coberturas retardatárias: Bananada 2008, PMW 2008 e Casarão 2008

Uma das maiores vantagens da internet (senão, a maior) é a facilidade de acesso à informação. A possibilidade de retransmiti-la facilmente vem logo em seguida, como outra grande vantagem. Mesmo assim, muitas pessoas insistem em fechar seus conteúdos e/ou evitar citações ao que acontece no restante da rede, em blogs ou sites similares aos seus.

Aqui, a história é diferente. Como ativista do Creative Commons e da cultura livre, minha intenção é que a informação chegue até as pessoas, independente de onde ela foi publicada. Então, se outras pessoas conseguiram ir aos festivais que acontecem ao redor do país, enquanto eu não pude, por que não conferir o que elas escreveram e indicar aos meus leitores?

É por isso que a seguir você confere trechos e links para as coberturas dos festivais Bananada, Casarão e PMW, que aconteceram em maio e não foram comentados aqui após suas realizações.


Cobertura do festival Casarão 2008 (em Porto Velho, RO), por Bruno Dias, do Urbanaque
"Antes da grande atração da noite, os paulistas do Travecos Falsos (Ecos Falsos com Daniel Belleza) fizeram um show visceral e bem humorado. Tocaram músicas do último disco dos Ecos Falsos, Descartável Longa Vida. como 'A revolta da musa', 'O Bom Amigo Inibié' e 'Findo Milênio', e algumas do Daniel Belleza e Os Corações Em Fúria como 'Aonde estão as flores da sua cabeça'. Além de Belleza, o combo paulistano ainda contou com a participação do guitarrista da banda de Pitty, Martin. No final ainda rolou um cover de 'Bullet With Butterfly Wings', do Smashing Pumpkins".

Do Amor tocando "Isso é carimbó", no festival Casarão 2008


"No geral o festival mostrou potencial para crescer ainda mais. Assim como o Jambolada do ano passado, a aposta em headliners de peso + bandas locais, conseguiu atrair um bom público para o festival. Tirando algumas falhas estruturais como as do sábado e o excesso de bandas locais de hardcore e metal, o Casarão já figura como um dos maiores festivais da região norte".

Cobertura do festival Bananada 2008 (em Goiânia, GO), por Higor Coutinho, do Goiânia Rock News
"Pois é, e do Bananada, o que você me conta? Pra mim a “novidade” foi que, em três dias de shows num festival de rock, as duas melhores apresentações foram de grupos sem guitarras. A Mallu Magalhães, no auge daquele adorável e meigo constrangimento adolescente, teve a meia-hora mais concorrida do festival, com tumulto na abertura das portas do teatro e a mesma devoção digital histérica aprendida outro dia nas telinhas do Youtube. Já seus conterrâneos do Are You God? se valeram de uma selvageria barulhenta controlada entre recortes improváveis, numa espécie de grindcore matemático, em que o intenso deboche-autista do vocalista João (na única vez em que se dirigiu ao público, fitando o teto escuro, foi para dizer que o show não tinha valido as doze horas de viagem até Goiânia), deu um sentido ainda mais dramaticamente dantesco a uma das melhores apresentações do primeiro dia."

Banda da Eline, com umas 10 pessoas no palco (ou mais) tocando "Pussy Control", da extinta banda Hang The Superstars, na qual Eline era uma das vocalistas (repare no Fabrício Nobre, da MQN / Monstro Discos / Abrafin, distribuindo latas de cerveja para o público, rs)


Cobertura do festival PMW 2008 (em Palmas, TO), por Higor Coutinho, para o Urbanaque
"O PMW parece ser uma espécie de pai amoroso e paciente das bandas do Tocantins, e assim que surgir um grupo local com qualidade talentosa para marcar território no acirrado cenário nacional, o festival fatalmente será apontado como um dos culpados. Por enquanto a aposta da produção ainda é o fomento de bandas novas, e esse parece ser mesmo o melhor caminho para uma cidade tão jovem e que espera a hora de tirar dessa efervescência toda um cartão de visitas decente, que dialogue de igual para igual com os demais grupos espalhados pelos festivais tupiniquins. Enquanto isso, o jeito é ir exercitando a paciência!"

14 de junho de 2008

O fim do Meio Desligado

O Wagner, do Grito, costuma me perguntar como eu consigo fazer tantas coisas ao mesmo tempo. A Juliana, minha ex-namorada, falava que eu iria ficar com cara de computador. Meus pais dizem que eu tenho que parar um pouco ou vou ficar doente. Este semestre, quase terminando meu curso de jornalismo, estou correndo o risco de, pela primeira vez, repetir alguma(s) matéria(s)...

Por esses e outros motivos, uma mudança importantíssima será realizada. O Meio Desligado chega ao fim! Sim. É o fim do blog neste formato que vocês conhecem. A partir de agora ele vira o Meio Desligado... versão fotolog!!!. Hahaha. Já que não tenho mais tempo para escrever textos relevantes, prefiro acabar com tudo.

No entanto, antes da mudança, alguns acontecimentos das últimas semanas têm que ser comentados (brevemente, porque não estou com ânimo).

► O Seminário Prático da Música foi muito bom. Muitas pessoas participaram dos quatro dias e o principal tema dos debates foi alternativas e soluções para o desenvolvimento da cena musical independente mineira. Ficou claro que muitas pessoas estão interessadas em começar a se organizar e trabalhar de forma coletiva, apesar de, na maioria, ainda estarem um pouco perdidas ou despreparadas em relação às formas de ação. De qualquer forma, passos importantes estão sendo dados.

► Um desses passos foi a realização do festival OutroRock, que durante dois dias reuniu algumas das principais bandas de rock independente de Belo Horizonte em praça pública e também promoveu uma festa no Matriz com as bandas Nuda (PE) e Fusile e vários DJs. A cobertura do OutroRock você lê no Fora do Eixo e no Estado de Minas. Sobre a festa, leia no Movin' Up.

► Outra iniciativa importante para a cena belo horizontina é o festival BH Indie Music, que aconteceu ontem e hoje no Matriz, com 18 bandas que se inscreveram para participar e articular ações no underground da capital.

► Ainda sobre a cena mineira, aconteceu nesse final de semana a terceira edição do festival Udi Rock Scene, em Uberlândia, com Matanza, Krisiun, Caffeine e várias outras bandas mineiras.

► E em Montes Claros estão abertas as inscrições para outro festival, o Pequi Rock.

► E eu já contei que tem link no Globo para o Meio Desligado? Pois é.

► Voltando ao seminário, em seu segundo dia também teve show do monno no Stereoteca. E foi excelente. Sempre comentava que a banda era melhor em estúdio do que ao vivo, mas agora parece que esse problema foi resolvido. Também foi a primeira vez que os vi tocando com uma aparelhagem decente, em um teatro, e tanto as músicas novas como as antigas funcionaram muito bem.

► Já faz um tempinho que aconteceu o Bananada 2008, mas quem ainda quiser saber como foi, está aqui a cobertura super bem feita pelo Pop Up!.

►Mais sobre festivais? Muse confirmadaço no Porão do Rock (onde minha presença é garantida, ao lado da Alê), junto do Matanza, Cachorro Grande e Suicidal Tendencies (USA). Dias 2 e 3 de agosto.

► Uma semana depois começa a versão "mega" do festival Calango, com Hurtmold, Curumim, Supercordas, Pata de Elefante, Cabruera, Cascadura, Mamelo Sound System e os gringos Papier Tigre (França) e El Mato a un Policia Motorizado (Argentina). De 5 a 10 de agosto, em Cuiabá.

Vou ali cuidar da minha vida, me formar, tentar ganhar algum dinheiro, meditar em busca do nirvana e refletir sobre a existência humana. Depois, talvez eu volte. Enquanto isso, o idiota continua...

10 de maio de 2008

Festival Bananada 2008

Completando 10 anos, o Bananada 2008 terá 42 shows divididos entre dois palcos e três dias de programação. Serão 21 bandas goianas e 21 bandas de outros estados brasileiros, dos mais diversos estilos. No mesmo dia, por exemplo, se apresentam a banda de grindcore paulista Are You God? e o Curumim, com seu samba-rock-eletrônico. Em outro dia, o jazz eletrônico experimental do M. Takara 3 virá logo antes do rock'n'roll super distorcido do MQN. Graças aos dois palcos é possível abranger grupos tão diferentes e não descaracterizar o evento.

Com a proliferação de festivais independentes por todo o Brasil, um grande número de bandas acaba marcando presença em todos eles e, em alguns casos, sendo caracterizada de "banda de festival". Em resposta a essa situação e como forma de se diferenciar em meio aos outros festivais goianos, o Bananada dá mais espaço para a cena local e para as bandas que estão despontando no cenário independente. Outro diferencial é que as principais atrações dos três dias de programação são todas bandas locais, ícones da cena goiana como Violins e Mechanics e novos nomes como Johnny Suxxx & The Fuckin' Boys e A Banda da Eline, projeto inusitado que reúne Eline, uma das ex-vocalistas do Hang The Superstars, e membros das bandas Black Drawing Chalks, Valentina, Rollin’ Chamas, Bang Bang Babies, Motherfish e Trissônicos.

Na programação de 2008 algumas das bandas mais interessantes (e que engatinham no circuito independente) são a Sweet Fanny Adams (que fez um dos melhores shows do Abril Pro Rock 2008), Black Drawing Chalks (matador ao vivo!) e a super hypada Mallu Magalhães.

Programação completa

Sexta-feira - 23 de maio

01:30h Mandatory Suicide (GO)
01:00h Johnny Suxxx & The Fuckin' Boys (GO)
00:30h Mechanics (GO)
00:00h Are You God ? (SP)
23:30h SapoBanjo (SP)
23:00h Identidade (RS)
22:30h Curumim (SP)
22:00h Inbleeding (GO)
21:30h Jonas Sá (RJ)
21:00h Fim do Silêncio (SP)
20:30h Goldfish Memories (GO)
20:00h The Melt (MT)
19:40h Mugo (GO)
19:20h Bad Lucky Charmers (GO)

Sábado - 24 de maio

01:30h Violins (GO)
01:00h Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
00:30h Motherfish (GO)
00:00h Do Amor (RJ)
23:30h Mallu Magalhães (SP)
23:00h Cérebro Eletrônico (SP)
22:30h Sweet Fanny Adams (PE)
22:00h Black Drawing Chalks (GO)
21:30h Chimpanzé Club Trio (SP)
21:00h Bang Bang Babies (GO)
20:30h Abesta (SC)
20:00h Filhos de Empregada (PA)
19:40h Abluesados (GO)
19:20h Gloom (GO)

Domingo - 25 de maio

00:30h A Banda da Eline (GO)
00:00h Necropsy Room (GO)
23:30h MQN (GO)
23:00h M. Takara 3 (SP)
22:30h O lendário chucrobillyman (PR)
22:00h A grande trepada (RJ)
21:30h Amp (PE)
21:00h Shakemakers (GO)
20:30h Bad Folks (PR)
20:00h Orquestra Abstrata/Seven (GO)
19:30h Big Nitrons (Santos - SP)
19:00h Fire Friend (DF / SP)
18:40h The Backbiters (GO)
18:20h Sweet Racers (GO)

+ Programação do ano passado.
+ Vídeos de edições anteriores.
+ Matéria do Alto-Falante sobre o show do Matanza no Bananada 2002 (imagens do público durante o show).


Quadro "Visitando a Cena", do programa de TV da Trama Virtual, sobre o Bananada.

Parte 1 (aparecem as bandas Goldfish Memories, 2fuzz, Devotos, Mechanics, MQN, Coletivo Rádio Cipó, Born a Lion, Dimitri Pellz, Barfly, Del-o-max, Elma, Super Hi-fi)



Parte 2 (aparecem as bandas Valentina, Trissônicos, Johnny Suxxx N' The Fucking Boys, Sangue Seco, Black Drawing Chalks, Galinha Preta, Pública, Udora, Monno, Vamoz!, Slot, Daddy O Grande & The Dead Rocks, MQN, Rollin' Chamas)



Serviço
Datas: 23 a 25 de maio
Local: Centro Cultural Martim Cererê
Ingressos: R$ 30,00 (inteira por noite), R$ 15,00 (meia por noite) e R$ 30,00 (passaporte para os três dias)
Pontos-de-venda: Ambiente Skate Shop, Tribo do Açaí, Monstro Discos
Informações: (62) 3281-5358

7 de maio de 2007

Bananada 2007

Nos próximos dias 18, 19 e 20 de maio o pessoal da Monstro Discos realiza mais uma edição do festival Bananada, que reúne as melhores novidades do rock goiano e outros nomes em ascensão na cena alternativa nacional. A grande diferença em relação ao outro festival organizado pelo selo, o Goiânia Noise, é o maior espaço dado aos grupos locais, que são maioria na programação, inclusive fechando todas as noites.

Em sua nona edição este ano, o Bananada acontece mais uma vez no Centro Cultural Martim Cererê. A meia-entrada para cada dia custa R$ 15 reais e o passaporte para todo o festival sai por R$ 35.

Ao longo dos três dias de festival se apresentarão 42 bandas, sendo 21 delas goianas e duas internacionais: os portugueses do Born A Lion e o americano Daddy-O-Grande. Confira abaixo a programação completa:

18/05 (Sexta)

19h20 Diego de Morais (GO)
19h40 Goldfish Memories (GO)
20h00 Watson (DF)
20h30 Monno (MG)
21h00 Sangue Seco (GO)
21h30 Del-O-Max (SP)
22h00 Dimitri Pellz (MS)
22h30 Barfly (GO)
23h00 Super Hi-Fi (RJ)
23h30 Devotos (PE)
00h10 Coletivo Rádio Cipó (PA)
00h50 Shakemakers (GO)
01h30 Violins (GO)
02h10 Mechanics (GO)

19/05 (Sábado)
19h20 Chapéu, Cerveja e Frustrações (GO)
19h40 The Envy Hearts (GO)
20h00 Mezatrio (AM)
20h30 2 Fuzz (CE)
21h00 Black Drawing Chalks (GO)
21h30 Pública (RS)
22h00 Rockz (RJ)
22h30 Motherfish (GO)
23h00 Vamoz (PE)
23h30 Udora (MG)
00h10 Born a Lion (Portugal)
00h50 Trissônicos (GO)
01h30 MQN (GO)
02h10 Valentina (GO)

20/05 (Domingo)
18h00 Dom Casamata e A Comunidade (GO)
18h20 Woolloongabbas (GO)
18h40 RDPC (GO)
19h00 Slot (SP)
19h30 Galinha Pedra (DF)
20h00 Stereoscope (PA)
20h30 Banzé (SP)
21h00 Mersault e a Máquina de Escrever (GO)
21h30 Elma (SP)
22h00 Graforréia Xilarmônica (RS)
22h40 Daddy-O Grande & The Dead Rocks (USA e SP)
23h20 Johnny Suxxx & The Fuckin' Boys (GO)
00h00 Rollin’Chamas (GO)
00h40 Desastre (GO)

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