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25 de junho de 2019

Tendências globais de consumo em 2019

Fear of missing out, ou Fomo, é algo bastante presente nas nossas vidas atualmente e influencia nossas relações sociais e a forma como consumimos. Na Wikipedia, está definida como "uma apreensão generalizada de que os outros possam ter experiências gratificantes das quais se está ausente". É aquela ansiedade ao observar as redes sociais e ver que todos estão de divertindo, menos você. Na produção cultural, ambientes instagramáveis e o foco nas "experiências únicas" exploram esse sentimento para atrair público aos eventos. "Você não vai perder isso, não é mesmo?". Em contraponto, uma tendência em ascensão aponta para o caminho oposto. É a Joy of missing out, ou o prazer em estar de fora. Uma desconexão planejada que permite maior tempo de reflexão e liberdade de agir, com menor pressão em relação ao que os outros estão fazendo e mais focada no prazer pessoal. 



Essa é uma das tendências para 2019 apresentada no relatório "10 principais tendências globais de consumo 2019", desenvolvida pelas pesquisadoras Alison Angus e Gina Westbrook na Euromonitor International. Entre todas as tendências, destacam-se no espírito coletivo atual o desejo de autonomia sobre nossas vidas, maior conscientização do consumo, valorização da simplicidade e a vontade de contribuir para a transformação do ambiente ao seu redor, não apenas consumir o que lhe é oferecido. Um processo de tomada de controle e autoafirmação. "Precisamos nos sentir um pouco mais poderosos em meio ao caos", concluem. Em meio às rápidas transformações do mundo, cenários políticos instáveis, ascensão do fascismo e das teorias conspiratórias, ter controle sobre algo em nossas vidas é mais do que tentador e a adoção de estilos de vida mais minimalistas atenderiam a esse propósito. No livro "Todos os reis estão nus", o psicanalista Contardo Calligaris escreve que quanto menos controle temos de diferentes aspectos da nossa vida (social, profissional, amorosa e afins) mais nos preocupamos com fatores administráveis que dariam a sensação de controle. No exemplo de Caligaris, um fator controlável é nosso corpo (através de dietas, cosméticos e exercícios físicos). No contexto das tendências de consumo, a desconexão, a opção por itens básicos mas de status implícito (produtos artesanais que primem pela qualidade e que refletiriam a individualidade de seus consumidores, por exemplo).

As tendências do relatório, afinal, são:

- Agnósticos quanto a idade
Os mais velhos se comportam e querem ser tratados como os mais jovens. À medida que a expectativa de vida aumenta as pessoas continuam ativas por mais tempo e são o grupo historicamente de maior poder aquisitivo.

- De volta ao básico pelo status
As pessoas procuram produtos e experiências autênticas e diferenciadas que permitam que expressem sua individualidade. Produtos com ingredientes naturais, artesanais e que envolvam experiências personalizadas, longe da massificação, fazem parte desse cenário.

- Consumidor consciente
Transparência e ética no mercado. Decisões de compra que levam em conta o impacto negativo que produtos e serviços possam ter no mundo, seja em relação a exploração de trabalhadores e animais ou na poluição, por exemplo.

Eu quero agora!
Busca por serviços e aplicativos que liberem o tempo das pessoas para que se dediquem ao trabalho ou às relações sociais. Resultado do estilo de vida movido pela eficiência. Rappi e Uber Eats são exemplos de apps que se enquadram nesse contexto, além de superapps como o chinês Wechat, que reúne funções diversas como envio de mensagens, serviços bancários, entrega de produtos e jogos, entre outros, tudo dentro do mesmo aplicativo.

Vivendo em solitude
Mudança de paradigma sobre a vida sozinho, por opção. Pessoas mais novas estão adiando ou evitando o casamento para se concentrar em suas carreiras e desenvolvimento pessoal. Novos recursos digitais diminuem a negatividade vinculada a solitude.

- Juntos digitalmente
Ascensão da colaboração digital para outros setores além do lazer e produção de conteúdo. Maior acesso a internet banda larga na África e no Oriente Médio. Mundialmente, ampliação das experiências online em tempo real e troca de grandes arquivos, devido às melhores velocidades de conexão.

- Todos são especialistas
Em vez de serem conquistados pelo marketing, consumidores trocam informações entre si online para obter conselhos sobre produtos e serviços.

- Encontrando meu "jomo"
O medo de ficar de fora, de perder algo, deu lugar à apropriação do tempo. Para proteger seu bem-estar mental e definir limites entre vida pessoal e profissional, as pessoas buscam ser mais seletivas em suas ações e propositivas com seu tempo.

- Posso cuidar de mim mesmo
Corte de intermediários em busca da autosuficiência (mais uma tendência ligada ao controle e autonomia).

- Quero um mundo sem plástico
Maior preocupação ambiental, resultando na disposição de se pagar mais por produtos ou serviços que agridam menos o meio ambiente (algo em crescimento há anos).

19 de junho de 2012

Revista MI - Música independente em Pernambuco

Existe um tipo de literatura que chamo de “literatura de banheiro”. É aquela que é uma merda, hahaha não demanda muita atenção e cuja leitura pode ser fragmentada em várias partes sem prejuízo algum do resultado final. É o tipo de material que se lê para passar o tempo e que geralmente não tem muito a acrescentar ao leitor. A primeira edição da revista MI – Música independente em Pernambuco é  o contrário de tudo isso.

São longas entrevistas com artistas contemporâneos pernambucanos, acompanhadas de um CD com músicas dos entrevistados, compondo um importante registro histórico da cena musical alternativa do Estado. Lá estão o elogiado Siba e nomes desconhecidos no cenário nacional, como Caçapa, Marditu Soundz, Pajé Limpeza e Ex-Exus.

Para os realizadores da publicação, a revista "valoriza o apelo atemporal e menos emergente do veículo impresso, se preocupando em trabalhar os temas com mais profundidade apostando em uma leitura mais prolongada, rica em referências e que diminui a descartabilidade da informação tão em voga atualmente com os conteúdos para web".

Visualmente, utiliza a estética dos fanzines. Uma mistura de colagens, manuscritos e fotocópias apresentada de forma moderna e que representa esteticamente certo ativismo necessário para se produzir uma revista de forma independente (ainda mais quando dedicada exclusivamente à música alternativa de uma região).

Iniciativa dos recifenses Diego Albuquerque (do blog Hominis Canidae), Raul Luna e Rodrigo Édipo em parceria com a Nuvem Produções e a SBP Editora, a MI - Música Independente em Pernambuco pretende ter publicação bimestral com circulação nacional, sempre com 10 artistas pernambucanos em cada nova edição. A revista pode ser comprada pela internet, por R$ 20, e seu segundo número acaba de ser lançado.

Além das entrevistas, várias coletâneas virtuais estão sendo publicadas pela equipe do projeto no Soundcloud. A primeira delas você escuta abaixo.

6 de junho de 2012

Revista Noize

Um blog indie em versão impressa. Essa é a uma boa descrição da Noize, revista gaúcha distribuída gratuitamente por todo o país e atualmente em sua 53ª edição. Com tiragem de 30 mil exemplares, a Noize traz textos curtos e muitas fotos com novidades da música indie mundial e boas indicações de artistas da cena independente brasileira.

Sua versão online (noize.virgula.uol.com.br) acaba sendo mais relevante pela agilidade e maior abrangência do conteúdo, enquanto a versão impressa tem o diferencial de atingir também um público “não-iniciado” na música alternativa (através dos pontos de distribuição da revista).


Entre as seções fixas da Noize, como “Música para ouvir” (resenhas), “Discoteca básica” e “Direto ao ponto” (na qual convidados indicam obras artísticas favoritas no momento), destaca-se a “Bandas que você não conhece - mas deveria” (cujo nome é auto-explicativo).

Quem quiser receber a revista em casa tem a opção de assiná-la por R$ 45 (pelos custos de envio pelo correio).

6 de abril de 2012

Leitura indicada: Ronaldo Lemos e "Código aberto"

"Existe um segredo bem guardado que grande parte dos músicos brasileiros ainda não descobriu. Em setembro de 2010, o Ecad fechou um acordo com o YouTube e o Google para recolher direitos autorais....
Resultado: a partir de novembro de 2010 um bom dinheiro adicional passou a entrar nos cofres do Ecad em nome de toda e qualquer pessoa que posta um vídeo musical no YouTube. A notícia do acordo (divulgada de forma bastante discreta) diz que ele abrange 'todo o repertório musical que estiver disponível na plataforma do YouTube' (veja em bit.ly/f1FFbw). Como se isso não bastasse, o Google comprometeu-se a pagar valores retroativos desde 2001! Ou seja, uma dinheirama.
Com isso, o Google faz a sua parte: paga aos músicos os valores devidos. A questão é se o Ecad vai pagar todos os que têm direito a receber. Na prática, se você colocou uma música que tem qualquer participação sua no YouTube, tem direito a receber – mesmo que não seja associado ao Ecad ou às associações que o constituem. Afinal, sua parte já está sendo cobrada por você".

Estes são trechos do artigo "O mistério do E-cad", publicado por Ronaldo Lemos em sua coluna "Código Aberto" na revista Trip de Março de 2011. Longos 12 meses depois, o Ecad virou manchete ao cobrar ilegalmente de blogs que veiculavam vídeos do YouTube com músicas e que serviu de estopim para que seu nebuloso funcionamento fosse alvo de muitas matérias, com destaque para as publicadas no Farofafá.

Referência em direito autoral na internet, Ronaldo Lemos é figura essencial na divulgação do Creative Commons e pesquisador da cultura digital. Além de sua coluna na Trip, apresenta o programa Mod na MTV e foi um dos fundadores do Overmundo.  Na "Cógido Aberto", Lemos demonstra como a cultura digital é parte cada vez mais essencial da cultura contemporânea e afeta aspectos distintos de nossas vidas, desde nossas relações interpessoais à economia das nações.

Atento às transformações culturais, os textos mensais de Lemos abordam vanguardismo, tecnologia, mudanças sociais e registram  pontos importantes da cultura contemporânea que poderiam facilmente passar despercebidos. A música tem destaque em suas colunas e serve como base para se (tentar) entender uma série de mudanças comportamentais e do mercadológicas, como as destacadas nos textos "Radinho de pilha 2.0" ("Nas periferias da América Latina, as músicas mais populares circulam hoje em celulares"), "Chupa chups musical", "A mensagem é o meio" (de 2009, quando fazia sentido escrever "Quem faz rock independente utiliza o MySpace, já a música de periferia prefere o Youtube", hoje pode-se trocar o MySpace pelo Facebook) e "Os números erram" ("dinheiro público x combate à pirataria").

* Ilustração de Luba Lukova publicada junto a uma das colunas de Lemos na revista Trip.

5 de abril de 2012

Todas as edições da revista [] Zero para download

Publicação fundamental do jornalismo musical produzido no Brasil no início dos anos 2000, a revista [] Zero teve vida curta (14 edições), porém marcante. Cobriu a lacuna deixada pela Bizz durante um período, contribuiu na formação musical de muitas pessoas e estimulou outros a se aventurarem no jornalismo cultural. No início de 2002, o Leo Santiago (meu irmão), fez uma matéria sobre o lançamento da revista - publicada aqui no Meio Desligado em 2007. Agora, todas as edições da revista estão disponíveis no site do Luiz César Pimentel, um de seus criadores.

A qualidade da digitalização é ruim mas permite a leitura de algumas matérias. Mesmo com esse problema, vale para se ter noção das pautas e das bandas abordadas na publicação (principalmente as brasileiras independentes que, em sua maioria, já acabaram).

É até estranho pensar que houve uma época em que boas revistas eram vendidas por R$ 4,90.

27 de fevereiro de 2012

Revista Marimbondo: cultura, arte e espaço público em BH

São 96 páginas sobre o espaço público, a relação entre a população e a cidade, questões políticas e artísticas ligadas ao espaço urbano. A primeira edição da revista  Marimbondo  amplia o debate e registra um momento importante de reflexão e ação da sociedade civil em relação à cultura urbana e políticas públicas que promovam a interação entre arte e o espaço público.

Distribuída gratuitamente em Belo Horizonte (no Tambor Mineiro e nas livrarias Quixote e Mineiriana), a Marimbondo é uma revista cujo objetivo é falar de "arte e de cultura para além da agenda cultural e da crítica especializada", com foco exclusivo na cidade de Belo Horizonte. O projeto gráfico minimalista e elegante é um dos diferenciais e ajuda a absorver o conteúdo complexo de alguns artigos (marcados pelo viés acadêmico), fundamentais para o aprofundamento no tema desta primeira edição. 


A Marimbondo estreia registrando iniciativas culturais importantes para a resignificação de espaços públicos em BH, como a transformação da área debaixo do viaduto de Santa Tereza a partir da realização do Duelo de MC's na região e da Praia da Estação, movimento/manifestação responsável por aproximar um significativo número de pessoas para repensar a ocupação artística da cidade. Paralelamente, a revista traz entrevista com pesquisadores e acadêmicos e faz um histórico do posicionamento do poder público sobre a questão da utilização do espaço público para manifestações artísticas.

A revista pode ser solicitada gratuitamente por quem residir fora de Belo Horizonte e o download de sua versão em PDF pode ser feito no site oficial, revistamarimbondo.com.br. Uma versão online da revista também está disponível, tendo como pontos negativos o fato de apresentar seu conteúdo através de arquivos de imagem, o que impossibilita a seleção do texto, e de não ser registrada em Creative Commons (o que permitiria a livre circulação de seus textos). Assim como a Bequadro, outra revista comentada no Meio Desligado recentemente, a Marimbondo é patrocinada pelo Conexão Vivo, programa de incentivos culturais da Vivo.

24 de fevereiro de 2012

Revista Bequadro apresenta diversidade da música baiana


Uma revista sobre música baiana pode parecer desinteressante para muitos, mas isso apenas reflete a necessidade de se divulgar outras facetas da cena local, principalmente sua produção contemporânea alheia ao mercado de axé. Isso é o que se encontra na revista  Bequadro , atualmente em seu primeiro número. Distribuída gratuitamente e produzida com patrocínio do Conexão Vivo através da lei de incentivo à cultura do Governo da Bahia, a primeira edição da Bequadro faz um apanhado da atual cena musical de Salvador sem se restringir a gêneros específicos, o que resulta em uma espécie de catálogo da diversidade da música produzida na capital baiana.

Estão presentes nomes mais conhecidos, como Pitty (com seu projeto Agridoce) e Luiz Caldas, mas abordados de forma diferente. Caldas, por exemplo, dá entrevista ao lado de Vandex, ex-Úteros em Fúria, e resgatam o passado recente do mercado musical baiano e sua transformação ao longo das últimas décadas. Um dos diferenciais da revista é a integração entre elementos típicos da cultura afro-brasileira (muito forte na Bahia) e a música moderna. Poder ler sobre a história dos blocos afro de Salvador sob uma perspectiva histórica, conhecer novos expoentes do hip hop e do dub e ainda descobrir mais sobre um dos maiores nomes do arrocha em uma mesma revista é um fato louvável.

Sem preconceito, a Bequadro mistura o brega (sem intenções pejorativas, apenas como marcação de estilo) Pablo - A voz romântica, o rock instrumental do Retrofoguetes, a erudição da Orquestra Sinfônica da Bahia e o experimentalismo da OCA - Oficina de Composição Agora e cria um interessante panorama da diversidade musical presente em uma região estigmatizada pelo axé e o pagode.

A versão em PDF está disponível para download no site da revista, assim como versões digitais dos textos. Para quem quiser um atalho para o que há de melhor na revista, segue abaixo indicações de três textos da Bequadro.

Aos 11 anos, Pablo disse ao pai que não queria mais a vida de vendedor de picolé que levava em Sergipe. Conseguiu uma carona com um motorista de ônibus e voltou para a terra natal, Candeias (BA), para fazer o que mais gostava: cantar. Foi com ele, inclusive, que o menino havia começado anos antes, aos 6 de idade, nas serestas da cidade. Hoje, já com uma década de carreira nas costas, Pablo, conhecido como A Voz Romântica, é um dos maiores nomes do arrocha na Bahia. Vaidoso, sempre bem vestido, com cuidadosos cortes de cabelo, aos 25 anos, ultrapassou o conceito de mero cantor. Pablo mantém uma empresa de produção, carrega uma equipe com mais de 30 profissionais em seus shows, faz diversas apresentações semanais e ainda cria dois filhos pequenos.
Casado desde os 14 anos, Pablo é precoce em quase tudo. Decidiu os rumos da vida cedo, começou a cantar, assumiu o vocal da banda Asas Livres, vendeu muitos discos, saiu de casa, casou, comprou apartamento, tudo com menos de 16 anos de idade. “Meu primeiro dinheiro foi para comprar um apartamento para minha mãe, o segundo um pra mim”, explica, revelando que tudo o que possui na vida deve ao arrocha, estilo que ele ajudou a criar e a tornar popular. Há versões diferentes e outros que cobram a paternidade do gênero, mas Pablo é tido pelo público como o pai do arrocha. Ele diz que inventou o nome arrocha vendo os casais dançando de forma, digamos, mais quente, na plateia. 

O maestro Letieres Leite, 51 anos, concebeu o que parecia impossível. Uma orkestra, assim mesmo, com k, como no original grego, que mescla a força seminal da música de matriz africana com a tradição do jazz e do erudito contemporâneos. Numa composição de sopro e percussão, misturou Bahia com New Orleans, candomblé com big band, orixás com ícones do jazz. O resultado é único, intenso, refinado e talvez o que há de mais inovador na música instrumental do país.
Duvida? Experimente se deixar levar pelo poder dos atabaques, surdos, timbaus, caixa, agogô, pandeiro e caxixi, que se unem a trompetes, trombones, saxes (alto, tenor e barítono, uma família completa) e tuba. Impossível não ser tragado pela vibração que emana da Orkestra Rumpilezz, especialmente se for em apresentação ao vivo. Aí, a conversa é outra, o público vibra em uníssono numa espécie de transe de euforia, difícil de ser contido. “Sinto nos shows que as pessoas percebem sua ancestralidade. Em todos os lugares em que a gente toca, as pessoas ficam curiosas”, confirma Letieres.
A década de 70 foi época de grandes transformações culturais, políticas e comportamentais em várias partes do mundo. A população negra de Salvador, influenciada pelo movimento Black Power, reinventava novas formas de afirmar sua negritude. Os terreiros de candomblé, embora perseguidos pela intolerância religiosa vigente, eram uma dessas fontes. Traço fortemente característico nos blocos afros.
Salvador já tinha uma grande participação negra em escolas de samba, afoxés e blocos de índio. Mas foi em 1974 que surgiu o primeiro bloco afro fundado na Bahia, o Ilê Aiyê, nascido no Curuzu, Liberdade. Pela primeira vez, uma agremiação carnavalesca expressava claramente nas letras de suas músicas o protesto contra a discriminação racial, ao mesmo tempo em que valorizava enfaticamente a estética, a cultura e a história africana. Assim como o Ilê Aiyê, emergem na mesma década outros blocos afros, tais como o Mutuê (1975), o Olodum e o Malê Debalê (1979), todos formados por moradores de bairros populares como Liberdade, Itapuã e Pelourinho.

13 de janeiro de 2012

A volta da Blemish

Quando comecei a me interessar mais pelo rock alternativo produzido no Brasil, uma das bandas que eu acreditava ter potencial para alcançar sucesso no exterior era a paulista Blemish. "King Kong", minha favorita da banda, foi uma das músicas que mais ouvi no início dos anos 2000. Após um longo hiato (período em que alguns de seus integrantes moraram no exterior), a Blemish volta à ativa e relança o EP Silver Box Song, originalmente lançado em 2000, e divulga seu primeiro álbum, Transatlantic Broken Dreams, cujo show de lançamento acontece dia 18 de Janeiro no Sesc Vila Mariana, em SP. 



Ouvindo agora, a Blemish ressalta a diferença entre o indie nacional dos anos 90 e o atual. Acredito que haja uma diversidade muito maior agora, assim como muito mais bandas alternativas compondo em português, enquanto o indie brasileiro dos anos 90 tinha uma proximidade maior com o guitar rock e o inglês dominava as composições.

Mesmo sem ouvir as novas músicas da Blemish, a julgar pelos trabalhos anteriores da banda, tem tudo para ser um retorno digno de acompanhar e assistir ao vivo.

17 de junho de 2010

Áudio de Pegada

Uma das colunas mais legais do blog do coletivo Pegada é a destinada à produção musical, editada pelo Eduardo Curi e intitulada Áudio de Pegada. Nela, são publicadas, constantemente, informações sobre diferentes etapas e processos relacionados à parte mais técnica da música, como dicas de produção musical em estúdios caseiros, pré-produção, equipamentos, técnicas de produção e afins.

Para facilitar a vida de todo mundo que não tem tempo de visitar o blog constantemente e quer ter acesso ao conteúdo produzido pela coluna de forma organizada, o Pegada publicou já há algum tempo a compilação dos textos publicados nos anos de 2009 e início de 2010 no livro virtual Áudio de Pegada – Ano 1.

Disponível para download gratuito, o material apresenta textos bons para que iniciantes construam uma base de conhecimento na área e lidem melhor com a música que produzem (ou com a qual têm contato, de diferentes formas – como ouvintes ou profissionais da área), assim como também pode contribuir para que aqueles que já tenham maior intimidade com o tema descubram novas informações.

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