De 14 a 19 de setembro a agenda cultural de BH terá dois importantes eventos acontecendo simultaneamente: o Música Mundo - Encontro Internacional de Negócios e Música e o Festival Transborda. São eventos parceiros e complementares. Enquanto o Transborda oferece as apresentações musicais, o Música Mundo é direcionado a outros momentos da cadeia produtiva com rodadas de negócios entre produtores e artistas e paineis com profissionais envolvidos no mercado musical. Ao todo, são mais de 40 convidados nas rodadas e paineis do Música Mundo, boa parte deles de outros países. A programação do Transborda é gratuita e as inscrições para as atividades de negócios do Música Mundo custam entre R$ 20 e R$ 60.
Pesquisar nos arquivos
Mostrando postagens com marcador cena musical independente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cena musical independente. Mostrar todas as postagens
10 de setembro de 2016
18 de novembro de 2014
Sobre música independente, festivais, Transborda e sentir-se falando como um tio ("naquela época...")
Primeiramente, uma foto estilosa. Porque texto longo sem foto estilosa assusta a garotada.
Pronto. Agora começamos.
Em 2000, naquele que provavelmente foi o primeiro show alternativo ao qual fui, havia exatamente uma pessoa parada no meio do local assistindo à banda com atenção. O local em questão era um campo de futebol em Sabará e quem estava no palco era a Moan, banda belorizontina de indie rock depressivo (ou emotional hardcore, como diziam anos atrás). Quase dez anos depois, na mesma Sabará, à poucos quarteirões daquele campo de futebol, cerca de 10 mil pessoas compareceram aos shows, também alternativos, do festival Escambo (catorze anos depois daquele primeiro show eu encontraria o mesmo espectador solitário, agora já um velho amigo, em Nantes, onde veríamos juntos um show histórico do Black Rebel Motorcycle Club - banda conhecida durante o período descrito nos próximos parágrafos).
Os indies não se reproduziram como gremlins nesse período, mas a ampliação do público envolvido com a cena musical alternativa na última década me veio à mente durante o festival Transborda, cuja terceira edição aconteceu entre o fim de outubro e o início de novembro de 2014. Assim como o Escambo, o Transborda está diretamente ligado à experiência de quem viveu o início da popularização da internet e da troca de arquivos. Aqueles anos de internet discada, Napster e Soulseek, que resultaram em uma aproximação até então inédita com um enorme volume de novos artistas, culminando, alguns anos depois, na criação da TramaVirtual - a meca do indie brasileiro (ao menos por algum período).
Pela primeira vez se podia ouvir com facilidade (e de graça) gravações de bandas independentes nacionais. O passo seguinte era vê-las ao vivo. Afinal, eram artistas brasileiros, alguns deles residentes em cidades próximas. Então, durante algum show do Garage Fuzz, Mukeka di Rato ou algo do tipo, você poderia pensar "caralho, como é bom ouvir ao vivo o que escuto em casa". E assim por diante, semana após semana.
Desde então, a cena cresceu e foi perdendo a inocência. Foi se profissionalizando e, dependendo do ponto de vista, encaretando, ficando formatada demais. Em meio a isso tudo, um debate do Transborda com os produtores culturais Fabrício Nobre e Anderson Foca chamou atenção para um ponto: por mais que existam problemas, o mercado musical independente está dando certo. Nobre fez a provocação. Em uma sala com cerca de 20 pessoas, pediu que todos aqueles que tivessem a cultura como principal ou exclusiva fonte de renda levantassem a mão. Quase toda a plateia estava de braços erguidos. Segundo ele, 10 anos atrás essa situação seria impossível. Concordo.
E onde entra o Transborda nessa história? Ele é exemplo da transformação e do desenvolvimento da cena como um todo. Suas edições refletem os momentos do mercado, suas dificuldades e mudanças. Se na década passada a grande maioria dos festivais de música independente buscava headliners que atraíssem um maior número de pessoas para os shows (e para isso precisavam de patrocínios cada vez maiores), atualmente a formação de público é mais orgânica e em menor escala. As duas primeiras edições do Transborda levaram milhares de pessoas às ruas e ocuparam diversos espaços de BH. Mesmo assim, houve um hiato de três anos em sua realização e foram necessários alguns passos atrás para que o festival retornasse mais conciso e próximo do seu público alvo. O resultado? Casa lotada, artistas e público satisfeitos e sustentabilidade (podem esperar mais shows produzidos pela mesma galera em 2015).
Patrocínios e mecanismos públicos de incentivo à cultura continuem extremamente importantes, mas, além disso, transformações como a do Transborda 2014 apontam um caminho promissor. Principalmente quando se tem uma programação com algumas das bandas de rock mais interessantes da nova cena brasileira (Apanhador Só e Boogarins), um representante digno do "indie clássico" como há muito tempo não se ouvia (Câmera) e novidades promissoras (Hotel Catete, Red Boots, Mahmundi - os últimos, nem tão novidade assim, mas nem por isso menos promissores).
Pronto. Agora começamos.
Em 2000, naquele que provavelmente foi o primeiro show alternativo ao qual fui, havia exatamente uma pessoa parada no meio do local assistindo à banda com atenção. O local em questão era um campo de futebol em Sabará e quem estava no palco era a Moan, banda belorizontina de indie rock depressivo (ou emotional hardcore, como diziam anos atrás). Quase dez anos depois, na mesma Sabará, à poucos quarteirões daquele campo de futebol, cerca de 10 mil pessoas compareceram aos shows, também alternativos, do festival Escambo (catorze anos depois daquele primeiro show eu encontraria o mesmo espectador solitário, agora já um velho amigo, em Nantes, onde veríamos juntos um show histórico do Black Rebel Motorcycle Club - banda conhecida durante o período descrito nos próximos parágrafos).
Os indies não se reproduziram como gremlins nesse período, mas a ampliação do público envolvido com a cena musical alternativa na última década me veio à mente durante o festival Transborda, cuja terceira edição aconteceu entre o fim de outubro e o início de novembro de 2014. Assim como o Escambo, o Transborda está diretamente ligado à experiência de quem viveu o início da popularização da internet e da troca de arquivos. Aqueles anos de internet discada, Napster e Soulseek, que resultaram em uma aproximação até então inédita com um enorme volume de novos artistas, culminando, alguns anos depois, na criação da TramaVirtual - a meca do indie brasileiro (ao menos por algum período).
Pela primeira vez se podia ouvir com facilidade (e de graça) gravações de bandas independentes nacionais. O passo seguinte era vê-las ao vivo. Afinal, eram artistas brasileiros, alguns deles residentes em cidades próximas. Então, durante algum show do Garage Fuzz, Mukeka di Rato ou algo do tipo, você poderia pensar "caralho, como é bom ouvir ao vivo o que escuto em casa". E assim por diante, semana após semana.
Desde então, a cena cresceu e foi perdendo a inocência. Foi se profissionalizando e, dependendo do ponto de vista, encaretando, ficando formatada demais. Em meio a isso tudo, um debate do Transborda com os produtores culturais Fabrício Nobre e Anderson Foca chamou atenção para um ponto: por mais que existam problemas, o mercado musical independente está dando certo. Nobre fez a provocação. Em uma sala com cerca de 20 pessoas, pediu que todos aqueles que tivessem a cultura como principal ou exclusiva fonte de renda levantassem a mão. Quase toda a plateia estava de braços erguidos. Segundo ele, 10 anos atrás essa situação seria impossível. Concordo.
E onde entra o Transborda nessa história? Ele é exemplo da transformação e do desenvolvimento da cena como um todo. Suas edições refletem os momentos do mercado, suas dificuldades e mudanças. Se na década passada a grande maioria dos festivais de música independente buscava headliners que atraíssem um maior número de pessoas para os shows (e para isso precisavam de patrocínios cada vez maiores), atualmente a formação de público é mais orgânica e em menor escala. As duas primeiras edições do Transborda levaram milhares de pessoas às ruas e ocuparam diversos espaços de BH. Mesmo assim, houve um hiato de três anos em sua realização e foram necessários alguns passos atrás para que o festival retornasse mais conciso e próximo do seu público alvo. O resultado? Casa lotada, artistas e público satisfeitos e sustentabilidade (podem esperar mais shows produzidos pela mesma galera em 2015).
Patrocínios e mecanismos públicos de incentivo à cultura continuem extremamente importantes, mas, além disso, transformações como a do Transborda 2014 apontam um caminho promissor. Principalmente quando se tem uma programação com algumas das bandas de rock mais interessantes da nova cena brasileira (Apanhador Só e Boogarins), um representante digno do "indie clássico" como há muito tempo não se ouvia (Câmera) e novidades promissoras (Hotel Catete, Red Boots, Mahmundi - os últimos, nem tão novidade assim, mas nem por isso menos promissores).
26 de setembro de 2013
A cena musical de BH em 2013: Young Lights
Para começar uma série especial de entrevistas com artistas da cena musical alternativa/independente de BH, um desvio de percurso. Jairo Horsth, criador do projeto Young Lights, faz a conexão BH / Boston / Sabará e tem apenas uma música lançada no momento em que este texto é publicado. Assim como seu trabalho, muita coisa vem por aí.
Afinal, você é brasileiro ou norte-americano? Como foi parar justamente em Sabará?
Eu nasci em BH e, lá pelos 3 anos, me mudei pra Boston, Massachusetts. Fiquei lá por um período de 17 anos. Então, pra responder sua pergunta, sou brasileiro de sangue, mas americano de coração. Meus pais voltaram pro Brasil há mais ou menos 5 anos e tiveram a oportunidade de se mudarem pra Sabará há mais ou menos 3. E isso foi na época em que eu estava voltando pro Brasil, por isso que agora eu estou aqui.
Você já tinha projetos musicais nos EUA? Quais as maiores diferenças que sente entre a recepção das suas músicas aqui e lá?
Eu tinha uma banda, assim como todo adolescente de 15 anos tinha, nos Estados Unidos. Eu não chamaria isso de nada muito sério; era mais pra me divertir e fazer shows. Eu acho que é meio relativo dizer a diferença entre a recepção lá e aqui, porque acho que depende um pouco do tipo de propaganda que você faz. Eu não expus de fato minhas canções nos Estados Unidos; eram mais pros meus amigos, na verdade. E aqui eu acho que comecei a usar as redes sociais com mais frequência, mais como uma forma de me envolver com as pessoas, e comecei a fazer contatos. E, quando lancei minha música aqui, tive mais exposição. A recepção que eu tive aqui foi sempre muito gentil. Acho que, na verdade, aqui as pessoas ficam muito curiosas por eu cantar em inglês como um americano, e não só como um brasileiro cantando em inglês. Acredito que chame mais atenção pro meu projeto.
Uma série de pessoas se envolveu com o Young Lights para que o projeto se tornasse possível, certo? Quem são essas pessoas e como você chegou até elas?
Sim, muita gente bacana e talentosa se envolveu e tenho certeza absoluta de que sem essas pessoas eu não teria conseguido terminar o que tinha começado. Primeiro, eu conheci o Pedro “Cido” Cambraia; acho que o conheci – é uma história engraçada – quando estávamos do lado de fora de uma boite e ele estava fazendo um dueto a capella com uma menina. Eu achei muito bizarro, mas bem legal. Então me aproximei e a gente começou a conversar. Ele me disse que tinha um estúdio e que me gravaria se eu quisesse. Então, ele e o resto da banda dele, Lúmen, me ajudaram muito – o Daniel Coelho me ajudou nas bateras; Pedrinho Muller, no solo de “Alaska”; Raphael Salazar, no baixo; e o Cido, na guitarra, bateria e na produção – o cara é um monstro. Eu também convidei o Vítor Brauer, um dos meus grandes amigos, da banda Lupe de Lupe, que é parte do mesmo coletivo/movimento que o Young Lights, chamado Geração Perdida. Ele tocou guitarra em uma das faixas. Também chamei o J. P. Cardoso, que é um grande amigo do Cido e sempre estava lá no estúdio, então eu joguei o baixo pra ele em uma das canções. Eu realmente agradeço demais a esses caras.
Como foi o processo de gravação desse primeiro trabalho e quando ele será lançado? É um álbum ou um EP?
O processo! Hahaha! Eu não quero falar nisso, porque me estressa muito só de pensar. Mas eu vou falar, sim. Levamos mais ou menos 2 anos pra terminar. Teve muitas tentativas e falhas. Eu não sinto que sou uma pessoa que fica satisfeita facilmente, então teve muita gravação, regravação e ainda assim muita coisa foi deletada. Não quero nem pensar em todas as canções, digamos, abortadas. Hahahaha. Muitas coisas aconteceram nesses dois anos e duas pelas quais sou grato são ter terminado esse EP e os relacionamentos – que se tornaram amizades – que fiz ao longo dessa jornada, apesar de todos os momentos estressantes pelos quais todos os músicos passam quando estão gravando. É engraçado como você entra no estúdio com uma ideia definida pra uma música e ela sai completamente diferente no final das contas. É meio que isso que me fez sofrer, me parecia difícil de aceitar. Mas acabamos gravando 6 faixas, que serão parte do An Early Winter EP. Ele vai ser lançado algumas semanas antes do show de lançamento, só Deus sabe quando isso vai ser, porque a gente tem tido problema em achar um lugar. Será que você pode me ajudar com isso? Hahahah.
Qual o seu envolvimento com o movimento Geração Perdida? Qual a proposta/conceito envolvido?
Somos parte do mesmo grupo de amigos – a banda Lupe de Lupe, a Quase Coadjuvante e muitas outras pessoas que compartilham de algumas ideias sobre a vida. É meio pessoal demais te responder qual é a nossa proposta. Acho que não é questão de proposta, é questão de mostrar o que a gente sente, de alguma forma, e o que a gente tem em comum. Somos uma geração em andamento que precisa e quer se expressar – e às vezes não sabemos como, inclusive. Mas a gente continua tentando.
Em termos de cena, como você compara a que vivenciou nos EUA e a que percebe no Brasil, mais especificamente em BH?
Bom, nos Estados Unidos, acho que a cena musical vai estar sempre viva – é onde as coisas começam, é onde elas acontecem. Então, todo fim de semana – todo dia, se eu quisesse – eu podia ir a um tipo diferente de show, fazer parte de cenas musicais diferenciadas, estar em contato constante com bandas que eu amava escutar e coisas do tipo. Agora, aqui, o cenário é diferente. Não sou muito familiar a ele, devido ao período de tempo que estou aqui. Mas o que vi dele é que é meio inacessível em alguns momentos.
Antes de mudar para Sabará, qual era sua relação com a música brasileira? O que conhecia da produção independente brasileira e o que mais te chama a atenção agora?
Eu não conhecia quase nada. Como fui criado na igreja, o único contato que tinha com música brasileira era pra “louvar a deus”. E eu não conhecia nada realmente sobre os coletivos independentes do Brasil. Agora, de perto, eu vejo que é uma coisa bonita: as pessoas estão se unindo e tentando fazer a diferença na cena musical, assim como o lindo Coletivo Fórceps – especialmente João Rafael, de Sabará, que tem me ajudado bastante a promover meu trabalho desde o início.
Seu primeiro single tem um romantismo melancólico carregado de folk e indie. É por essa linha que seguem as outras músicas do Young Lights? Aliás, qual a origem desse nome?
É uma perspectiva legal, essa sua. As canções realmente seguem o mesmo caminho, mas cada uma é diferente de seu próprio jeito. Quanto ao nome, eu estava vendo um filme um dia e teve uma cena em que um casal de jovens chega numa festa e alguém diz “There they are, the bright young lights” ou alguma coisa do tipo. Aquilo ficou na minha cabeça.
Como será a formação ao vivo? É mais um projeto solo seu com músicos convidados ou uma banda?
Neste momento, são só músicos convidados, mas estou à procura de músicos devotados que queiram fazer isso comigo e estar em shows, se divertir com isso. Então, temos a mim no violão e nos vocais, o Cido e o Pedrinho nas guitarras, o Raphael no baixo, meu amigo Felipe Monteiro – da Quase Coadjuvante – na bateria, e o “Preah” – do Dibigode, cujo nome verdadeiro eu não sei de verdade, haha, no trompete e na gaita. Estou muito animado pra tocar com esses caras gente-boa.
Para fechar, queria que indicasse vídeos, filmes, livros, locais e/ou sites que ajudem a entender um pouco mais a proposta do Young Lights. Podem ser coisas que tenham te influenciado ou que você simplesmente gosta, não necessariamente refletindo na sua produção artística.
Determinar influência musical é bem simples, na verdade: eu amo muito os vocais angelicais do Bon Iver, os acordes cativantes de Tallest Man On Earth e, como vocês vão ver, várias influências de bandas estrangeiras muito conhecidas, como Coldplay e Radiohead, que eu amo desde criança. Acho que criei o Young Lights só pelo sentimento nostálgico da época em que eu tinha 15 anos e nenhuma preocupação com o mundo. Eu só queria beber, fazer shows com bandas boas, gente boa e só me divertir no geral. Eu realmente levo isso a sério, mas, ao mesmo tempo, eu só quero me expressar assim, por agora. No movimento Geração Perdida tem muitas coisas artísticas pelas quais eu sou inspirado e esses caras realmente me mantêm são. Nós temos bandas – como a Lupe de Lupe e a Quase Coadjuvante, que já citei, e acabaram de lançar álbuns; eu realmente os indico pra quem gosta de música verdadeira. A maioria dos meus amigos é feita de escritores, como o Bernardo Lopes, que é na verdade um dos meus melhores amigos de Sabará e que logo vai lançar o romance dele, “Trens Descarrilados”. Temos Damy, Lucas, Luiz, Negão, Paola, Pedro Ordep, Mailton, Larah, Cícero, Carol, Renan, Gustavo, Ana, Túlio, Marina, Sussu, Vini, Marcelo, Polly, Jonathan, Felipe, Vítor, que são todos talentosos em seu jeito individual. Meus amigos e a música que eles escutam, como por exemplo Kendrick Lamar, Mac Demarco, The Smiths, Beach House, A$AP Rocky, Jair Naves, Polara, são todos grandes influências na minha vida, não necessariamente na minha carreira musical.
____________________________________________________________
Outras publicações do especial sobre a cena musical de Belo Horizonte em 2013.
____________________________________________________________
Outras publicações do especial sobre a cena musical de Belo Horizonte em 2013.
26 de março de 2013
Entrevista sobre a cena independente e mídias digitais
Alguns estudantes do curso de Especialização em Mídias Digitais do SENAC/SP estão fazendo uma pesquisa sobre "novas formas de produção e divulgação de música através das mídias digitais" e entraram em contato para conversarmos sobre o assunto. Respondi algumas perguntas para eles, conforme você pode ler abaixo.
Como você situa a produção musical independente nos dias de hoje?
Ela é a maior parte do que se produz mundialmente. Antigamente as grandes empresas de música estavam focadas em vender muito mas de poucos artistas (a lógica inversa da cauda longa, criando poucos grandes astros mas que rendem muito), mas até mesmo elas estão cada vez mais ligadas no que acontece no meio independente agora, pois é a cena mais efervescente, com mais novidades (e, por isso também, com potencial de lucratividade).
O que está dando certo?
As bandas estão alcançando um público maior e com menos custo pra que isso aconteça.
O que não funcionou?
A sustentabilidade na cena independente ainda é muito difícil e o mercado precisa se desenvolver. É preciso formar mais público e profissionais que atuam nesse mercado, assim como se aproximar mais da iniciativa privada para captar recursos para a cena independente.
No seu blog você compilou um manual para a divulgação de bandas independentes, utilizando as plataformas digitais e as mídias sociais. O quão importante hoje é o ambiente digital no sucesso de uma banda/músico?
É através dessas plataformas que a maioria dos artistas chega ao público. Se dependessem exclusivamente de gravadoras e veículos tradicionais de mídia, a difusão de suas obras seria extremamente limitada. A divulgação online é essencial. Mesmo que o próprio artista não disponibilize seu material online, à medida que ele atingir um público interessado sua transposição pro ambiente virtual é quase que natural atualmente.
No contraponto com a estrutura de produção tradicional das gravadoras, o que as iniciativas digitais trazem de diferencial? E o que não funciona?
No ambiente digital são todos produzindo para todos, em vez de alguns detentores dos meios de produção e distribuição definirem o material a ser difundido. Aumenta a produção e, consequentemente, a competitividade e a dificuldade em se destacar em meio ao grande volume disponível.
As plataformas digitais podem ser importantes em outros aspectos? Quais?
O meio digital influencia toda a cadeia produtiva da música. Do empresário que se organiza e fecha shows através da internet às ferramentas de produção e pós-produção acessíveis via web, passando aí pelo cara que aprende a tocar algum novo instrumento pela web (ou cujo próprio "instrumento" tocado é virtual) ao público que compra os produtos da banda e o ingresso do show virtualmente. As possibilidades são inúmeras.
Você apontaria tendências nesse cenário?
O fim do download. As conexões estão cada vez mais rápidas e o volume de músicas disponíveis para audição online não para de crescer. Os números de celulares conectados 24 horas à internet também cresce sem parar. Nesse contexto, se a música está disponível online à qualquer momento, em qualquer lugar, não faz sentido o armazenamento de arquivos da forma como estávamos (ou estamos) acostumados.
Você acha que é possível viver de música hoje? Como?
Claro! É dificil, mas claro que é possível. O que eu percebo trabalhando nesse mercado é que a maioria dos músicos, para sobreviver somente da música, é obrigada a tocar com mais de um artista. Eles geralmente possuem seus trabalhos autorais mas para ter uma renda melhor precisavam trabalhar como músicos de apoio de outros grupos e em gravações de estúdio.
Com tantas ferramentas de produção, onde se situa a figura tradicional do produtor musical? Acredita que esta função tende a desaparecer?
O produtor vai muito além de saber utilizar as ferramentas, é um cara que geralmente tem um grande conhecimento musical, muitas referências e ideias a aplicar ao som da banda. Varia de acordo com a proposta de cada banda, mas não vejo risco para essa função. Uma coisa é se ter alguém que saiba operar tudo, um bom engenheiro de áudio, outra coisa é ter um produtor que entenda a proposta da banda e capte o que ela tem de melhor, que explore seu potencial.
27 de junho de 2011
O La Blogoteque de Portugal
Os Capitães da Areia e DIDGenBASS, bandas que você assiste nos vídeos acima, são algumas das atrações do A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, o "La Blogoteque" (em sua série "Les Concerts A Emporter") de Portugal. A execução é um pouco diferente, mas a proposta é a mesma em ambos os blogs: captar bandas alternativas/independentes em espaços inusitados em apresentações acústicas improvisadas. No caso do projeto português não há o movimento característico das produções dos franceses da Blogoteque, o que acaba causando certa monotonia em alguns vídeos. Mais interessante do que a própria execução ou técnica utilizada é conferir parte do que está sendo feito na cena musical independente de Portugal (e ainda contar com belas paisagens como cenário).
Pode ser um pouco de "bairrismo" (ou nacionalismo, no caso), mas assisti a vários dos vídeos do blog e, no fim das contas, não consegui tirar da cabeça a comparação com a cena indie brasileira atual - que, na minha opinião, vence com folga em termos de qualidade artística e criatividade.
Ps.: Por falar em La Blogoteque, sou obrigado a publicar abaixo um dos vídeos do Battles no projeto. Fenomenal.
Veja também: Petites Planètes e o vídeo documental musical indie
16 de fevereiro de 2011
A emergente música independente
Karina Francis, do site Rockazine, publicou um artigo interessante sobre música independente e seu histórico no Brasil. Sucinto e didático, pode servir como introdução ao tema ou como fonte adicional de informações sobre música independente.
Segue um trecho:
Underground x Mainstream
O ambiente onde circulam as bandas independentes é conhecido como underground, que segundo o dicionário Aurélio, significa “subterrâneo”, expressão usada para designar algo que foge dos padrões comerciais, dos modismos, que está fora da grande mídia.A expressão “deixou o underground”, ou “saiu do underground”, refere-se a artistas ou movimentos que se tornaram populares e adquiriram notoriedade para conquistar o grande público, passando a fazer parte do mainstream. Este último termo é disseminado principalmente pelos meios de comunicação de massa e muitas vezes é usado de forma pejorativa para artistas que apelam para fórmulas tradicionais para conquistar público e dinheiro com sua arte.Entende-se que o conjunto de práticas que as bandas independentes estão configurando no mercado alternativo está formando um conceito de cultura fora do eixo, termo utilizado para aqueles que divulgam seu trabalho atráves de mídias alternativas.
20 de dezembro de 2010
A MPB entre a arte e o trono do mercado
Publicado na edição de outubro da revista Cult como parte do dossiê intitulado "Os rumos da cultura no Brasil", esse artigo do Tárik de Souza faz uma análise do atual momento da música brasileira a partir de um resgate histórico dos genêros musicais brasileiros e suas respectivas relações com o mercado. É interessante perceber (indo além do que está no texto) como movimentos tidos como à margem do mercado de massa em um primeiro momento se destacaram ao longo dos tempos e acabaram sendo apropriados pelo mainstream, constituindo-se como verdadeiros marcos da música popular brasileira contemporânea (como nos casos citados do pagode de raiz e do tecnobrega).
Abaixo você lê a primeira parte do artigo, que está disponível, na íntegra, no site da Cult.
Como o Brasil é muito extenso – fragmentado por regionalismos e absurdas discrepâncias de renda, escolarização e capacidade de geração e apreensão cultural –, não há como definir um rumo linear para a música popular. De forte apelo nacional, ela não possui uma voz única. Ao mesmo tempo, os cada vez mais abrangentes meios de comunicação também não a disseminam de forma democrática, com igualdade de oportunidades para os mais diversos gêneros sonoros que povoam nosso território. Tais limitações são regidas pela engrenagem financeira imediatista do mercado. Ou seja, é fácil encontrar música populista brasileira (geralmente classificada de brega) nos horários mais nobres dos meios de comunicação de massa, muitas vezes turbinada por uma divulgação artificial, financiada (o assim chamado “jabá”). E não a resultante da que deveria ser uma demanda popular de oferta ampla. É um circuito que se autoalimenta, já que ele condiciona o ouvido da maioria da população a um único tipo de música e abordagem.
Ainda que essa música possa vestir formatos como sertanejo, pagode romântico, forró pop ou axé music, muda-se a embalagem, mas o conteúdo vem recheado dos mesmos clichês poéticos de paixão exacerbada ou revanche amorosa, enquanto as linhas melódicas reprisam sequências surradas, incapazes de tirar a audiência da zona de conforto do já conhecido. “O povo sabe o que quer / mas o povo também quer o que não sabe”, já cantava com sagacidade o compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, em “Rep”, faixa de seu disco O Sol de Oslo, de 1998.
Mas, dentro desse cenário viciado, há curiosas exceções, sob certos aspectos. Como o assumido “tecnobrega” paraense e suas variações, cujo lastro musical-poético não difere muito dos congêneres do mercado de massa, exceto pelo fato de ser um produto independente cedido à promoção pela divulgação pirata dos camelôs locais. Some-se a isso alta tecnologia, utilizada em iluminação, cenários, aparelhagem e efeitos sonoros. Da mesma forma, independentes (difundidos ou não por gravadoras) e virais, espalharam-se o rap, em geral de forte conteúdo contestatório, como o dos pioneiros Thaíde e DJ Hum, mais Racionais MC’s, Sabotage (que morreu assassinado), Mzuri Sana, O Rappa, Nega Gizza, Xis, MV Bill, Negra Li, e também uma perna associada ao samba, via Rappin’ Hood e Marcelo D2. E ainda o funk carioca, de alto apelo sexual, não raro pornográfico, junto aos “proibidões”, que exaltam os bandidos e a vida marginal. Inicialmente uma mera cópia dos batidões de baixo estertorado do estilo norte-americano miami bass, esse funk – dentro da espontânea antropofagia cultural brasuca – ganhou a adesão do tambor de candomblé, acelerou a batida e sofisticou-se na direção de um eletroclash nativo, com repercussões internacionais.
Após uma década de ouro – os anos 1980 –, quando implantou no país um modelo pós iê-iê-iê com tinturas punk e pop em variadas colorações (Blitz, Legião Urbana, Paralamas, Titãs, Kid Abelha, Engenheiros do Hawaii, Lobão, Lulu Santos, Marina Lima, Cazuza, Angela Ro Ro, Barão Vermelho, Ira!, RPM, Capital Inicial, Camisa de Vênus), o BRock, que conseguiu exportar até heavy metal via os mineiros do Sepultura, diminuiu sua influência e poder. Passou por uma geração que incorporou elementos étnicos como os do “mangue bit” pernambucano, viveu a imolação da rascante antidiva Cássia Eller, a meteórica passagem da híbrida banda Los Hermanos, e desaguou em tribos pop de calibres variados. Dos tristonhos de rímel do emocore aos jeans de cores ácidas do happy rock. Num nicho à parte, bandas como a cearense Cidadão Instigado (do guitarrista Fernando Catatau, o mais influente da nova fornada), Móveis Coloniais de Acaju, de Brasília, e a mato-grossense Vanguart oferecem dissonâncias ao discurso dominante no setor.
18 de outubro de 2010
Um recado deixado nos comentários: Documentário sobre música independente
Atenção MÚSICOS INDEPENDENTES, PRODUTORES e PÚBLICO EM GERAL:Estamos produzindo um documentário de longa metragem sobre a música independente no Rio de Janeiro e no Brasil durante a primeira década do século XXI (2000-2010). Até mesmo por causa do tema do documentário, mas também pelo nosso baixo orçamento (o filme também é independente), resolvemos colher depoimentos pela internet, assim podendo ter contato com pessoas que estão a grandes distâncias e enriquecendo nosso produto final. Sendo assim, quem quiser participar do filme, seja uma banda, seja um apreciador da música independente, parentes e amigos de músicos independentes, qualquer um que quiser aparecer no filme e tiver boas músicas e/ou boas histórias pra contar será bem vindo. Para isso, eu só peço que mandem um e-mail para filosofiadeviola@gmail.com, manifestando o desejo de participar do filme. Até aí, só precisamos saber o nome das pessoas/bandas interessadas. Entramos em contato pra conversarmos mais.Um abraço!O Vazio
13 de outubro de 2010
Documentário Música.BR
Realizado na Bahia e lançado em 2009, o documentário Música.BR, dirigido por Fabiano Passos, é curto e simples, mas realiza um interessante registro de um momento de transformação no mercado musical, no qual o download (legal ou ilegal) perde cada vez mais espaço para o streaming de músicas. O assunto é abordado superficialmente no documentário, mas trata-se de uma das principais tendências para o futuro da música, uma vez que as conexões à internet estão ficando mais rápidas e potentes e conexões sem fio e em telefones celulares estão tornando-se mais comuns, permitindo que as pessoas possam ter acesso às músicas à qualquer momento sem a necessidade de baixá-las.
Opiniões divergentes são apresentadas em Música.BR através de entrevistas com pessoas como o jornalista Bruno Nogueira, Carlinhos Brown, a banda Vivendo do Ócio e profissionais do meio musical baiano ao longo dos 15 minutos do curta-metragem. Não apresenta grandes novidades ou reflexões mais aprofundadas, mas é um bom registro.
1 de outubro de 2010
Loja de produtos alternativos
Está no ar desde o último final de semana a loja virtual do Coletivo Fórceps, do qual sou um dos fundadores. O Fórceps é o primeiro coletivo integrante da rede Fora do Eixo a organizar um espaço virtual para venda de produtos relacionados à cena independente e por isso resolvi escrever um pouco sobre como criei e funciona esse blog da loja.
Montando uma loja online
Primeiro passo: escolher qual serviço de publicação utilizar. Como optamos por usar somente serviços gratuitos escolhemos o Blogger, pela sua facilidade de utilização, possibilidades de personalização, integração com outras ferramentas e familiaridade dos colaboradores do blog.
As principais alterações estéticas e de layout são bastante intuitivas e simples no novo Blogger, então não vou me ater a elas. Apenas em casos muito específicos há necessidade de alterações no código, mas explicar todas as que fiz não vêm ao caso. Na realidade, montar uma loja virtual desse tipo é extremamente simples, você pode simplesmente montar um blog comum no qual seu conteúdo seja formado pelos produtos que você tem para vender.
O que acho importante ressaltar é o método de organização das informações, pra facilitar a navegação e permitir que as pessoas possam encontrar e conhecer os produtos.
No caso da loja do Fórceps, usamos o SoundCloud para criar listas com músicas dos artistas com produtos à venda. Basta criar um perfil gratuito no site e fazer o upload de alguma música. Depois disso você cria um set, que é nada mais que uma playlist, e coloca o embed desse set no blog, para que ele mostre um player com todas as músicas do set. A partir daí, todas as músicas que você colocar nesse set serão automaticamente apresentadas no player no blog. E para dar mais dinâmica você pode alterar a ordem das músicas no player de tempos em tempos. Para produtos como camisas, bottons e outros, a sugestão é usar um slideshow com imagens dos produtos. Na página de "design" do blog é só clicar em "adicionar um gadget" e procurar pela "apresentação de slides".
Na hora de publicar os produtos, seguimos o padrão de que os títulos contenham o nome do artista seguido do produto. Isso facilita a identificação do material apresentado e ajuda as ferramentas de pesquisa a mostrar seu blog em buscas referentes a esses produtos e artistas. Em cada post, a ideia é publicar alguma música para que o público possa conhecer o artista (a TramaVirtual agora permite que você agrege players com as músicas disponíveis no site, o que facilita em muito o trabalho) e, de preferência, seu release (ou do CD, se for o caso). Desse modo poupamos tempo e apresentamos ao público informações que o próprio artista usa para "se vender".
Para organizar o conteúdo, as tags são a melhor opção. Optamos pelo seguinte padrão: nome do artista, tipo de produto, preço, cidade de origem do artista, Estado (abreviado) do artista, estilos musicais. Exemplo: Transmissor, CD, R$ 10, Belo Horizonte, MG, mpb, indie, pop, rock.
Assim o visitante do blog tem várias opções para navegar pelo produto, escolhendo por faixa de preço, gêneros musicais que lhe interessam ou origem geográfica das bandas, entre outras opções. E, claro, caso ele queira algo específico, pode utilizar a barra de pesquisa.
Para que todos os colaboradores que forem atualizar o blog não esqueçam de utilizar as tags certas, mantendo a organização (crucial) do blog, você pode inserir um lembrete/guia de publicação na página de atualização dos membros do blog. Basta que o administrador do blog vá até a página de "configurações", selecione "formatação" e vá até o campo "modelo de postagem". No blog da loja do Fórceps, toda vez que alguém for inserir um novo produto, verá o seguinte texto:
Sugestão de formato:
Release do CD ou artista + algum vídeo ou música para escutar (a TramaVirtual agora permite embed das músicas)
Tags: nome da banda, tipo de produto, preço (R$ X), cidade, estado abreviado, estilos musicais
Exemplo: 4instrumental, SMD, R$ 5, Sabará, MG, instrumental, rock, progressivo
Preço: R$
Exemplo: 4instrumental, SMD, R$ 5, Sabará, MG, instrumental, rock, progressivo
Preço: R$
Para comprar algo, a pessoa pode entrar em contato através de email (distribuicao@forceps.com.br) ou deixar comentário no produto de interesse. No Blogger existe a opção de enviar cada comentário recebido para um endereço de email pré-definido, então cadastramos o email distribuicao@... lá, permitindo que ele receba todos os comentários.
Essa é apenas uma base para iniciantes, o ideal é sempre que você adapte seu conteúdo de acordo com sua proposta.
9 de agosto de 2010
Cena musical contemporânea de São Paulo se fortalece e é alvo de documentário
Matéria no jornal O Globo de hoje sobre novos artistas da cena independente de São Paulo.
Trecho:
Alguma coisa acontece no coração da nova música popular brasileira quando cruza certas esquinas paulistanas neste início de século XXI. Aos poucos, nos últimos anos, uma geração de artistas baseados em São Paulo, de diferentes motivações e origens (Paraná, Recife, Ceará, Rio e mesmo a capital paulista), vem trocando ideias, e-mails, arquivos MP3, mensagens no Facebook, links do MySpace - produzindo muito e alimentando uma cena que agora, madura, se configura como a mais consistente do país, apesar do pequeno alcance comercial. Pode ser cedo para afirmar, mas talvez pela primeira vez desde a década de 60, quando foram realizados os festivais e os programas da paulista TV Record (como "Jovem Guarda" e "O fino da bossa"), São Paulo concentre os olhares de quem está interessado nos rumos da futura MPB - antes, desde os tempos da Rádio Nacional, passando pela bossa nova e pelo Rock Brasil dos anos 80, o epicentro era o Rio.
26 de julho de 2010
Mais do que palavras (texto vencedor do 1° Prêmio Letras de Jornalismo Cultural e Literário)
Fiz este artigo para o 1° Prêmio Letras de Jornalismo Cultural e Literário, do qual fui um dos 5 vencedores. Apesar de gostar bastante do resultado final, tinha pouca esperança de vencer pois comecei o texto quando faltavam 4 horas para o fim das inscrições e ainda dei uma paradinha para tocar um riff de guitarra que me veio à mente enquanto digitava, fiquei receoso.
A entrevista com o Guizado foi feita durante a participação dele no festival Eletronika, em 2008, quando o conheci e tive a oportunidade de bater um breve e interessante papo com ele, sujeito boníssimo e grande artista. A fala do pessoal do Constantina foi captada enquanto comíamos algumas pizzas no Pomodori, também em BH, na ocasião em que os conheci pessoalmente, em 2007. Aproveitei que ainda não havia utilizado esse material e o inseri no artigo abaixo, que também está impresso na nova e especial edição do jornal Letras, do Café Com Letras, distribuído gratuitamente em BH. Essa edição do jornal é focada no Savassi Festival, que começa nesta semana.
Feita a introdução, segue abaixo o artigo, "Mais do que palavras".
Música
política para Maradona cantar. Treinando pra ser chuva.
Receita de pudim de leite condensado. As frases que você acaba
de ler não são frutos de uma dislexia não
tratada, mas sim títulos de músicas de artistas da
efervescente cena instrumental brasileira. Apesar de uma visível
disparidade, todas têm em comum o fato de serem os únicos
pontos de indicação para possíveis
interpretações do ouvinte.
Dentro
de um ambiente tão abstrato quanto a música
instrumental, são poucas as “dicas” que direcionam o
ouvinte em um determinado rumo na construção de
sentido. Essa é uma das principais características da
música instrumental: a liberdade, tanto de quem a produz como
de quem a escuta. O que dizer, então, do jazz, marcado pela
improvisação e caminhos não-lineares?
“São
emoções, sensações, imagens mentais que
se transformam em música como forma de expressão.
Realmente, tem um forte caráter sinestésico”, me
responde o trumpetista paulista Guilherme Mendonça, mais
conhecido como Guizado, ao tentar explicar o processo de nomenclatura
de suas canções (no caso, da faixa intitulada
“Vermelho”). Utilizando o nome Guizado em seu projeto musical (no
qual, além do trumpete, também é responsável
pelas programações eletrônicas e sintetizadores),
Guilherme lançou, em 2008, o álbum Punx,
presença constante na lista de melhores lançamentos
daquele ano mesclando eletrônica de vanguarda, jazz e rock
experimental. Agora, acaba de lançar seu segundo trabalho,
Calavera,
liberado para download no projeto Álbum Virtual, da gravadora
Trama, que remunera os artistas para que disponibilizem suas músicas
gratuitamente ao público.
Em
Calavera,
Guizado não abriu mão das palavras e inseriu vocais em
algumas canções. O diferencial é que não
se tratam de letras que esclarecem, mas que criam novas
possibilidades de interpretação, além de
permitir que os vocais atuem como importantes instrumentos melódicos
responsáveis por novas camadas na diversificada massa sonora
do artista (que dessa vez inclui, além dos já citados
jazz, rock e eletrônica, ritmos como afrobeat, soul e até
frevo).
Tida
como uma das principais expoentes do pós-rock no Brasil, a
mítica e mutante banda belorizontina Constantina mantém
relação semelhante a de Guizado com suas obras. “(Nosso
trabalho) é apenas o ponto de partida, cada pessoa que ouve a
música constrói uma história própria”,
conta o guitarrista Bruno Nunes, que ao lado dos irmãos Daniel
e Leonardo, fundou o Constantina em 2003 junto de outros amigos.
Bruno, Daniel e o multiinstrumentista André Veloso, aliás,
são os únicos membros que se mantiveram em todas as
formações da banda, que já foi quarteto,
quinteto, sexteto e agora é um septeto, contando, pela
primeira vez, com trumpete e percussão como elementos
constantes em suas obras.
Apesar
de criar títulos inspirados para suas melancólicas e
detalhadas canções instrumentais, como “Treinando pra
ser chuva” e “Ela já atravessou todos os oceanos do
mundo”, a banda às vezes opta por sequer nomear suas
músicas. A pessoa que se arrisca a entrar em contato com essas
obras é apresentada sem instruções ou
introduções diretamente a um material altamente
inspirado e que dependerá do próprio ouvinte e suas
referências, gostos e, porque não, estado de espírito,
para se transformar mentalmente em uma experiência única.
Da
mesma forma age o multiinstrumentista paulista Maurício
Takara, que responde por M. Takara em seu projeto solo e é
baterista das bandas Hurtmold e São Paulo Underground, nomes
cruciais da música experimental/instrumental brasileira. Assim
como Takara, músicos e grupos instrumentais contemporâneos
como Ruído/mm (de Curitiba/PR), Burro Morto (de João
Pessoa/PB), A Banda de Joseph Tourton (de Recife/PE), Fóssil
(de Fortaleza/Ceará), 4instrumental (Sabará/MG),
Iconili (BH/MG) e Macaco Bong (Cuiabá/MT), atuantes na chamada
“cena musical independente”, têm em comum o desejo pela
experimentação, pela extrapolação de
limites entre orgânico e eletrônico e pela influência
jazzística que, se em alguns momentos não é
manifestada sonoramente, permanece nas intricadas estruturas de
composição e na liberdade de execução de
suas obras.
O
que tem se percebido ao longo dos últimos anos é a
consolidação e ampliação de uma cena
instrumental formada essencialmente por jovens músicos
influenciados por diferentes estilos e que optaram por se expressar
além das palavras. É interessante perceber que na
década de 90 a grande maioria das bandas alternativas
brasileiras compunha em inglês, consequência das bandas
estrangeiras que as influenciavam, uma língua não
dominada pela população brasileira. Nos anos 2000,
tendo como marco histórico o lançamento do álbum
O
Bloco do Eu Sozinho,
do Los Hermanos (um dos primeiros CDs a romper com as barreiras entre
indie e mainstream no Brasil e permitir que seus autores seguissem
uma carreira de sucesso, respeitada tanto pela crítica como
pelo público), uma nova safra de bandas cantando em português
surgiu, resultando em boas propostas como as dos pernambucanos do
Mombojó, dos gaúchos da Bidê ou Balde e dos
mineiros Monno e Transmissor. Em 20 anos, o inglês perdeu sua
hegemonia na música independente, composições de
bandas alternativas em português passaram a ganhar maior
destaque e agora, pela primeira vez na história, jovens bandas
instrumentais com forte ligação com o rock formam um
grupo sólido, de qualidade estética e conceitual,
expressando-se com todas as suas idiossincrasias e fazendo uso de uma
linguagem universal: a música.
Olhos
e ouvidos mais atentos já perceberam isso, não apenas
no Brasil como também no exterior. A banda cuiabana Macaco
Bong já se apresentou em importantes festivais no Canadá
e na Espanha, ao lado de artistas renomados internacionalmente;
Maurício Takara se apresentou no hypado festival
norte-americano SXSW - South by Southwest; A Banda de Joseph Tourton
teve uma de suas músicas utilizada em uma campanha
publicitária internacional (em um momento em que todas as
músicas da banda haviam sido gravadas em um quarto, com um
único microfone!); selos internacionais se interessam cada vez
mais por esses grupos... são vários os indícios
de que este, realmente, é um momento especial para a música
instrumental nacional.
O
caso de Thomas Liech, do blog alemão blogpartei.de, é
elucidativo. Nascido no Brasil e criado na Alemanha, toda a produção
cultural brasileira com a qual Thomas tem contato, com exceção
de Cidade de Deus e Cansei de Ser Sexy, é antiga. Não
há presença das manifestações artísticas
brasileiras contemporâneas em sua vida. Essa situação
se alterou justamente através de novas bandas instrumentais
brasileiras (no caso, Constantina, Guizado, Macaco Bong e Hurtmold)
que ele conheceu pela internet e cuja identificação foi
instantânea. São bandas de diferentes Estados
brasileiros e que, sem recorrer a cacoetes regionalistas ou sequer ao
idioma, tiveram o poder de fazer com que Thomas se sentisse mais
próximo do Brasil do que nunca.
Para
entender (parte d´) o atual momento da música
independente instrumental brasileira e seus novos artistas, escute:
Mestro
(2006),
do Hurtmold
Artista
Igual Pedreiro (2008),
do Macaco Bong
Calavera
(2010) e Punx
(2008), de Guizado
¡Hola
amigos...! (2008),
do Constantina
Varadouro
(2008),
do Burro Morto
Praia
(2008),
do Ruído/mm
Foto 1: Guizado em foto de minha autoria / Foto 2: M. Takara 3 por Caroline Bittencourt
10 de junho de 2009
Mapa Musical
"Qual o tamanho da cena musical independente? Como o público conhece novas bandas? De onde vem esse público? O que as bandas pensam da cena e dos locais em que tocam?". Essas são as perguntas que norteiam a pesquisa Mapa Musical, realizada pela Agência Alavanca e a Identidade Musical.
A primeira parte da pesquisa é dedicada às pessoas que produzem conteúdo sobre a cena musical em sites, blogs e outros meios na internet e estará online até o dia 15 de junho.
Para quem mora em BH e região hoje é o último dia para se inscrever para a palestra com Tiago Barizon, da Identidade Musical, sobre produção musical. A palestra acontecerá na quinta-feira, dia 11, das 15 às 19 horas no Minueto centro musical (Rua Paulo Simoni, 54, Santo Antônio). O evento é gratuito e realizado pelo coletivo Pegada. Para se inscrever, envie email para coletivopegada@yahoo.com.br.
A primeira parte da pesquisa é dedicada às pessoas que produzem conteúdo sobre a cena musical em sites, blogs e outros meios na internet e estará online até o dia 15 de junho.
Para quem mora em BH e região hoje é o último dia para se inscrever para a palestra com Tiago Barizon, da Identidade Musical, sobre produção musical. A palestra acontecerá na quinta-feira, dia 11, das 15 às 19 horas no Minueto centro musical (Rua Paulo Simoni, 54, Santo Antônio). O evento é gratuito e realizado pelo coletivo Pegada. Para se inscrever, envie email para coletivopegada@yahoo.com.br.
26 de maio de 2009
Seus CDs à venda na Amazon
Do Miguel Caetano, de Portugal, no Remixtures:
"'Quem é que precisa de uma editora discográfica quando qualquer artista pode colocar à venda os seus próprios CDs na Internet?' Eis em poucas palavras a nova proposta da distribuidora digital TuneCore. Mas infelizmente parece que mesmo no novo ecossistema da música os intermediários continuam a ficar com o grosso do dinheiro.
"'Quem é que precisa de uma editora discográfica quando qualquer artista pode colocar à venda os seus próprios CDs na Internet?' Eis em poucas palavras a nova proposta da distribuidora digital TuneCore. Mas infelizmente parece que mesmo no novo ecossistema da música os intermediários continuam a ficar com o grosso do dinheiro.
A Amazon aliou-se à TuneCore para disponibilizar aos seus artistas e bandas um serviço de impressão de CDs a pedido através da plataforma CreateSpace lançada em Setembro de 2008 pela empresa de comércio electrónico.
Graças a esta parceria que entrará em vigor a partir de 1 de Junho os clientes da TuneCore terão que pagar apenas 31 dólares (cerca de 22 euros) para colocarem à venda no site da Amazon um CD composto por dez faixas durante um período de um ano.
Este montante engloba o custo de manutenção e alojamento dos CDs físicos (20 dólares), uma tarifa de 99 cêntimos por cada música mais outros 99 cêntimos para alojar o álbum online. O preço já inclui tanto a impressão, como a imagem de capa e os custos de envio postal do disco aos utilizadores.
O negócio parece atraente mas o problema é que apenas 40 por cento das receitas geradas com as vendas dos CDs vão para o bolso dos artistas, como aliás poderão aqui comprovar. Os restantes 60 por cento acabam na mão da Amazon.
A única vantagem é que o artista detém alguma margem de manobra em relação ao preço a cobrar por cada CD aos consumidores que pode ir desde os 8,98 dólares aos 19,98 dólares (6.40 e 14,30 euros, respectivamente). Se por um lado o artista apenas precisa de vender nove CDs ao ano para obter lucro, por outro há que ver que por cada CD vendido pelo menos cerca de 5,59 dólares (quatro euros) vão sempre para a Amazon. Ora, tendo em conta que um CD pode ser impresso por menos de um euro e meio, a margem de lucro da Amazon não será demasiado elevada? Por outro lado, a proposta da TuneCore e da Amazon não é lá muito vantajosa para quem quiser distribuir CDs a estações de rádio ou vendê-los à entrada dos concertos.
De qualquer forma, actualmente qualquer artista que esteja interessado em vender CDs no site da Amazon já pode fazê-lo por conta própria a troco de 4,95 dólares (3,50 euros) A este valor somam-se uma percentagem de 15 por cento das vendas numa loja eStore ou de 45 por cento das vendas no próprio site da Amazon."
(Foto: stonehouse segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
5 de março de 2009
Três metas para a sustentabilidade (musical)
Bruno Nogueira, do Pop Up!, aproveitou o material que apresentou em um dos debates do Grito Rock Porto de Galinhas para apresentar em seu blog algumas dicas para se buscar formas sustentáveis no mercado musical. A abordagem de Bruno permeia toda a cadeia produtiva da música, com destaque para os processos de comunicação e a postura dos próprios envolvidos nesse mercado.O texto completo está no Pop Up! e abaixo você confere o terceiro elemento abordado no texto:
"A terceira coisa é ter uma compreensão do que você tem para oferecer. Eu vejo o tempo inteiro bandas surgindo na cidade e, com menos de um ano, já aprovando projeto em lei de incentivo para lançar um disco. Caso alguém ainda não tenha percebido, a indústria do disco está mesmo em crise. Mas a música não. Disco é feito para quem conhece sua música possa ouvi-la. Por hora, se preocupe em fazer que sua música seja conhecida. A maioria das suas bandas favoritas levaram anos para lançar o primeiro disco. Cannibal, aqui na mesa, levou 10 anos para lançar o primeiro do Devotos. Não é só porque é fácil, que você vai fazer.
Eu tive a oportunidade, ano passado, de entrevistar o diretor criativo do maior festival de música no mundo hoje, o South by Southwest. E ele falou uma das maiores verdades que já ouvi. Ele disse que “a melhor coisa que você pode ter é alguém que ame sua música”. E é nisso que vocês precisam trabalhar. Não é apenas sonoridade, mas é um conceito. Pense nas bandas que você NÃO gosta e tente explicar porque vocês não gostam delas. A primeira coisa que vem a mente é o conceito. Isso também funciona ao contrário. Hoje, uma banda como o Devotos, consegue ser respeita e venerada sem nem precisar ser ouvida, de tão forte que é o conceito que eles construiram naturalmente.
Quando você tem alguém que ama sua música, você desenvolve algo chamdo “relacionamento criativo”. As pessoas multiplicam aquilo que você criou, aumentando naturalmente seus ouvintes. Seja gravando seu show com o celular e publicando no Youtube, seja tirando fotos e disponibilizando pela internet. Coisas que, em outra época, você precisaria pagar caro para conseguir. E, para encerrar, isso se reforça com algo que falei no começo: é um processo de comunicação."
26 de dezembro de 2008
Cena Musical Independente – 1ª mostra de bandas paulistas
Por Flávia Amorim
Entre os dias 28 e 30 de novembro, rolou em Piracicaba uma das quatro edições do evento Cena Musical Independente, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. As outras aconteceram em Araçatuba, Bauru e São Sebastião. Em cada edição, 10 artistas foram selecionados e receberam R$ 4 mil, alimentação, transporte e hospedagem durante os quatro dias do evento, além de terem uma de suas músicas inserida no CD de coletânea do evento. Benefícios muito importantes para grupos que muitas vezes pagam para tocar em festivais e casas pelo Brasil.
Esse tipo de evento pode estabelecer o acesso de grupos independentes a uma estrutura muito boa de palco e equipamentos, salvo alguns erros e problemas técnicos. Se você fizesse parte de um grupo de Santos, no litoral paulista, e quisesse tocar em Araçatuba, caso selecionado, teria seu transporte até o local do evento. Para ser selecionado os artistas não poderiam ter nenhum tipo de trabalho como CD ou DVD produzido e distribuído por qualquer gravadora ou selo. O grupo Forgotten Boys, por exemplo, foi desclassificado de uma das etapas por já ter seu trabalho distribuído pela Tratore. Aí começam minhas críticas à organização do evento. É de suma importância que o Estado fomente ações como essa, mas é preciso entender e administrar melhor a verba pública, para que essas ações não vão por ralo abaixo...
O Estado fazendo sua vez de incentivador da cultura “independente” no país
Entre os dias 28 e 30 de novembro, rolou em Piracicaba uma das quatro edições do evento Cena Musical Independente, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. As outras aconteceram em Araçatuba, Bauru e São Sebastião. Em cada edição, 10 artistas foram selecionados e receberam R$ 4 mil, alimentação, transporte e hospedagem durante os quatro dias do evento, além de terem uma de suas músicas inserida no CD de coletânea do evento. Benefícios muito importantes para grupos que muitas vezes pagam para tocar em festivais e casas pelo Brasil.Esse tipo de evento pode estabelecer o acesso de grupos independentes a uma estrutura muito boa de palco e equipamentos, salvo alguns erros e problemas técnicos. Se você fizesse parte de um grupo de Santos, no litoral paulista, e quisesse tocar em Araçatuba, caso selecionado, teria seu transporte até o local do evento. Para ser selecionado os artistas não poderiam ter nenhum tipo de trabalho como CD ou DVD produzido e distribuído por qualquer gravadora ou selo. O grupo Forgotten Boys, por exemplo, foi desclassificado de uma das etapas por já ter seu trabalho distribuído pela Tratore. Aí começam minhas críticas à organização do evento. É de suma importância que o Estado fomente ações como essa, mas é preciso entender e administrar melhor a verba pública, para que essas ações não vão por ralo abaixo...
- Inscrições: ter seu trabalho distribuído por um selo significa que você não é independente? Qual o significado do termo “independente”? Se você tira o dinheiro do próprio bolso para que uma empresa distribua seu trabalho em lojas ou na internet, significa que você já faz parte do mainstream? Outro ponto foi que alguns grupos não tinham trabalho autoral, fazendo no máximo uma releitura de músicas já conhecidas, humm...
- Locais do evento: a idéia do evento ocorrer em cidades distribuídas no Estado (de leste a oeste) saindo da grande São Paulo, está de parabéns, com foco em cidades universitárias, mas... por que, em sua grande maioria, os eventos não tiveram o acesso do público? Chegando a ter de 50 a 100 pessoas assistindo as apresentações, aí também caímos no quesito DIVULGAÇÃO.
- Divulgação: os eventos em geral não tiveram muita adesão de público, por mais que as “vantagens” de participar do evento sejam muito positivas, artistas independentes querem e precisam divulgar seu trabalho, e aí nesse caso, pra quem estão divulgando? Para as próprias bandas que participam dos eventos? Faltou uma boa ação de divulgação, muita gente não fazia idéia do que estava acontecendo na cidade, os universitários (que poderiam ser um público importante para o festival) não participaram em grande número, salvo nos shows de destaque como Cachorro Grande e Móveis Coloniais de Acaju.
Obs: os eventos tinham sempre dois artistas que já foram destaques da cena alternativa, como Autoramas, Cachorro Grande, Móveis Coloniais de Acaju, Lobão (?)...
Quem tocou em dias sem “grandes” artistas de destaque acabou perdendo público. No site da SEC (Secretaria de Estado da Cultura) não havia um link permanente sobre o evento, apenas poucos dias antes do evento acontecer, em cada cidade.
Quem tocou em dias sem “grandes” artistas de destaque acabou perdendo público. No site da SEC (Secretaria de Estado da Cultura) não havia um link permanente sobre o evento, apenas poucos dias antes do evento acontecer, em cada cidade.
Ações que também aconteceram no evento foram:
Bate-papo com artistas convidados (Móveis... em Piracicaba) e apresentação de documentário (que infelizmente destacou a cena independente como puramente de “indie rock” e que inclusive tinha o Forgotten Boys dando entrevista, lembra que eles foram excluídos da seleção? Mas eles não estão no documentário como uma banda independente?)
O evento acabou sendo muito mais aproveitado pelos grupos selecionados do que pelo público leigo, que poderia ter tido acesso à informações sobre a cena independente e acabou não participando ativamente (se nem nos shows foram, nas outras atividades então, que o diga). Acho que atividades para os grupos seriam importantes também, talvez workshops sobre produção, sustentabilidade dos grupos, áudio, mercado fonográfico, isso sim viria a calhar.
Os palcos eram gigantes, a estrutura similar a palcos como da Virada Cultural paulista, outro evento promovido pela Secretaria. Será que se a coisa toda fosse em um espaço menor, mais intimista, não teria funcionado melhor? Ainda mais por ser a primeira edição do evento?
Sobre as bandas selecionadas, muitos trabalhos não tinham qualidade e maturidade, fico na dúvida sobre os critérios de seleção, visto que hoje um home-studio facilita muito que se grave uma demo em casa e se abra uma página no MySpace.
Não concordo que festival independente, por exemplo, não pode beber de fontes como a Petrobras para se sustentar, e desse ponto de vista também apoio que Secretarias de Cultura criem iniciativas como a do Cena Independente (inclusive há cidade no interior paulista que promove festival de banda de rock!). Acredito que são ações válidas, desde que não sejam temporárias, sem critérios e conhecimento sobre o que se está sendo organizado e divulgado.
Espero que o Cena Musical Independente volte em 2009, mas reveja suas ações.




