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1 de setembro de 2019

Festival Sonâncias apresenta novos nomes da música independente


Frente a um Brasil que caminha cada vez mais na contramão da autonomia criativa, a nova música brasileira segue tonificando a pluralidade de ideias e sonoridades. Essa diversidade de linguagens e narrativas artísticas fica clara na programação do festival Sonâncias, evento que será realizado em BH no dia 7 de setembro (sábado), a partir das 17h, com artistas de múltiplos gêneros musicais, estados e expressões culturais dos vários “Brasis” que existem. O festival é parte de uma plataforma que também envolve um processo de residência artística, gravações de discos e debates.

Com três palcos, o Sonâncias ocupa o CentoeQuatro (uma antiga fábrica de tecidos na região central da capital mineira), inclusive o cinema, que abriga uma das pistas. Por lá, passarão MC Tha - artista paulista que dialoga com o funk e MPB e teve um dos discos mais comentados do ano com seu trabalho de estreia, Rito de Passá (2019); o pop oitentista da carioca Mahmundi; e Vanguart, provavelmente o maior nome do folk rock no Brasil.



Além de dialogar com a nova cena da música a nível nacional, o festival impulsiona - e, de certa forma, apadrinha - artistas ainda em início de carreira. É o caso dos uberabenses do trio Azul Flamingo, da carioca Bel Baroni e da dupla goiana de dark techno Høstil - atrações que foram tuteladas, respectivamente, pelos times de produtores Pupillo (Gal Costa, Erasmo Carlos, Céu) e Leonardo Marques (Maglore, Transmissor), Maria Beraldo e Thiago Correa/Henrique Matheus (Lô Borges, Transmissor) e Paula Rebellato (Rakta) e Daniel Nunes (Constantina, Lise). Os encontros aconteceram durante o Sonâncias Lab, laboratório de experimentação musical e residências artística que antecedeu o evento e promoveu a gravação dos primeiros EPs dos grupos, compilações que serão lançadas durante os shows desses artistas no festival.

A pluralidade musical ainda é intensificada pelo Babadan Banda de Rua, grupo que começou como bloco e que flui pela estética das bandas de metais e congado, e a Radio Exodus, que traz o encontro entre ritmos jamaicanos e brasileiros. Os shows não são a única forma pela qual o festival busca refletir sobre música. No dia 6 de setembro (sexta-feira), o Sonâncias realiza um bate-papo com personalidades do mercado artístico: a produtora Monique Dardenne (do Women's Music Event), o rapper FBC, a dupla Belle de Melo e Vito (diretores de todos os clipes do grupo Rosa Neon) e a jornalista Laura Damasceno.


As atrações não se limitam ao palco. Durante o festival haverá uma edição da feira Canga - iniciativa que reúne marcas de roupas e acessórios, artistas plásticos e pequenos produtores de BH. Enquanto isso, a alimentação ficará por conta do coletivo de mulheres imigrantes Cio da Terra, responsáveis pela venda de comidas típicas de seus países (Peru, Haiti, Venezuela, entre outros), e as bebidas serão todas locais, com a cerveja Sátira e os drinks Xeque Mate e Gin Gibre.

Debate de abertura do Sonâncias 
6 de setembro, sexta, às 18h
Espaço Corda: Avenida Olegário Maciel, 742, 2⁰ andar, centro, BH
Entrada franca

Festival Sonâncias 
7 de setembro, sábado, a partir das 17h
Centoequatro: Praça Rui Barbosa, 104, centro, BH
Ingressos à venda por R$ 20 (meia) e R$ 40 (inteira) em sympla.com.br/quente

18 de novembro de 2014

Sobre música independente, festivais, Transborda e sentir-se falando como um tio ("naquela época...")

Primeiramente, uma foto estilosa. Porque texto longo sem foto estilosa assusta a garotada.

Foto estilosa pq texto sem foto estilosa assusta a garotada

Pronto. Agora começamos.


Em 2000, naquele que provavelmente foi o primeiro show alternativo ao qual fui, havia exatamente uma pessoa parada no meio do local assistindo à banda com atenção. O local em questão era um campo de futebol em Sabará e quem estava no palco era a Moan, banda belorizontina de indie rock depressivo (ou emotional hardcore, como diziam anos atrás). Quase dez anos depois, na mesma Sabará, à poucos quarteirões daquele campo de futebol, cerca de 10 mil pessoas compareceram aos shows, também alternativos, do festival Escambo (catorze anos depois daquele primeiro show eu encontraria o mesmo espectador solitário, agora já um velho amigo, em Nantes, onde veríamos juntos um show histórico do Black Rebel Motorcycle Club - banda conhecida durante o período descrito nos próximos parágrafos).

Os indies não se reproduziram como gremlins nesse período, mas a ampliação do público envolvido com a cena musical alternativa na última década me veio à mente durante o festival Transborda, cuja terceira edição aconteceu entre o fim de outubro e o início de novembro de 2014. Assim como o Escambo, o Transborda está diretamente ligado à experiência de quem viveu o início da popularização da internet e da troca de arquivos. Aqueles anos de internet discada, Napster e Soulseek, que resultaram em uma aproximação até então inédita com um enorme volume de novos artistas, culminando, alguns anos depois, na criação da TramaVirtual - a meca do indie brasileiro (ao menos por algum período).

Pela primeira vez se podia ouvir com facilidade (e de graça) gravações de bandas independentes nacionais. O passo seguinte era vê-las ao vivo. Afinal, eram artistas brasileiros, alguns deles residentes em cidades próximas. Então, durante algum show do Garage Fuzz, Mukeka di Rato ou algo do tipo, você poderia pensar "caralho, como é bom ouvir ao vivo o que escuto em casa". E assim por diante, semana após semana.

Desde então, a cena cresceu e foi perdendo a inocência. Foi se profissionalizando e, dependendo do ponto de vista, encaretando, ficando formatada demais. Em meio a isso tudo, um debate do Transborda com os produtores culturais Fabrício Nobre e Anderson Foca chamou atenção para um ponto: por mais que existam problemas, o mercado musical independente está dando certo. Nobre fez a provocação. Em uma sala com cerca de 20 pessoas, pediu que todos aqueles que tivessem a cultura como principal ou exclusiva fonte de renda levantassem a mão. Quase toda a plateia estava de braços erguidos. Segundo ele, 10 anos atrás essa situação seria impossível. Concordo.

E onde entra o Transborda nessa história? Ele é exemplo da transformação e do desenvolvimento da cena como um todo. Suas edições refletem os momentos do mercado, suas dificuldades e mudanças. Se na década passada a grande maioria dos festivais de música independente buscava headliners que atraíssem um maior número de pessoas para os shows (e para isso precisavam de patrocínios cada vez maiores), atualmente a formação de público é mais orgânica e em menor escala. As duas primeiras edições do Transborda levaram milhares de pessoas às ruas e ocuparam diversos espaços de BH. Mesmo assim, houve um hiato de três anos em sua realização e foram necessários alguns passos atrás para que o festival retornasse mais conciso e próximo do seu público alvo. O resultado? Casa lotada, artistas e público satisfeitos e sustentabilidade (podem esperar mais shows produzidos pela mesma galera em 2015).



Patrocínios e mecanismos públicos de incentivo à cultura continuem extremamente importantes, mas, além disso, transformações como a do Transborda 2014 apontam um caminho promissor. Principalmente quando se tem uma programação com algumas das bandas de rock mais interessantes da nova cena brasileira (Apanhador Só e Boogarins), um representante digno do "indie clássico" como há muito tempo não se ouvia (Câmera) e novidades promissoras (Hotel Catete, Red Boots, Mahmundi - os últimos, nem tão novidade assim, mas nem por isso menos promissores).

1 de abril de 2012

Coletânea Cena Independente #3

Cena Independente é um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma coletânea mensal, publicada sempre no último dia de cada mês. 

Nesta edição a capa ficou por minha conta. Fiz todo o trabalho no celular, tentando aprofundar no conceito de mídias digitais e mobilidade que abordo cada vez mais no Meio Desligado.

O download da coletânea com todas as músicas pode ser feito no Mediafire.


MINAS GERAIS: Meio Desligado
Psilosamples – Olho de Cabra
eletrônica experimental/IDM
Por vezes soando como uma "IDM tropical", as músicas do Psilosamples utilizam samples, timbres vintage e ritmos quebrados de forma lo-fi e experimental. Oriundo do interior de MG, o Psilosamples tem crescido no circuito eletrônico alternativo, como sua presença no importante festival Sonar (em suas edições brasileira e espanhola) prova.
Para quem gosta de: Daedelus, Girl Talk, Squarepusher


RIO DE JANEIRO: RockinPress
Mahmundi – Desaguar 
chillwave/indie 
Mahmundi é o projeto onde Marcela Vale se descreve em cores variadas, deixando aflorar seus sentimentos e de forma bonita, quase juvenil. Ouvir letras tão afogadas no amor e ao mesmo tempo destoadas por um instrumental dançante, com um timbre próprio e envolvente, fazem a música de Mahmundi ser ainda mais plural, mais contagiante. É fácil se encontrar dentro das canções do seu primeiro EP, Efeito das Cores – seja dentro de uma pista de dança ou feliz ao encontrar um amor. Afinal, a música nasceu para demonstrar sentimentos e com essa magia, Marcela sabe se expor.
Para quem gosta de: Toro Y Moi, El Guincho, Tulipa Ruiz 

PARANÁ: Defenestrando
Naked Girls and Aeroplanes – K.A.C.C. (Rough Love)
folk/fofura
Formado por Rodrigo Lemos (d’A Banda Mais Bonita da Cidade e Lemoskine), Artur Roman e Wonder Bettin (ambos do Sabonetes), o Naked Girls and Aeroplanes é um desses grupos que combinam fofura e acordes que soem da melhor forma possível para chegar em algum ponto profundo e sentimental. Na música “K.A.C.C. (Rough Love)”, o trio parece misturar inocência e sensualidade a partir de arranjos vocais cuidadosamente planejados. A faixa está no EP de estreia da banda, lançado em fevereiro deste ano.
Para quem gosta de: Florence + The Machine, Cícero, Rosie and Me 

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Some Community – Head and Tail
indie/dream/pop
A bateria quase marcial marca os primeiros segundos do novo single dos paulistanos do Some Community. O baixo e o backing vocal do ex-Volantes Bernard Simon também são destaques nessa nova fase da banda - que volta em 2012 com EP novinho e shows recentes no Sxsw no currículo. “Head and Tail”, que já ganhou até um belíssimo vídeo, é cheia de climas etéreos, guitarras agudas e oníricas e teclados vibrantes com melodias singelas. A doce voz de Juliana Vacaro é a cereja do bolo. E em 5 minutos, o Some Community mostra que muita coisa mudou – pra melhor – desde RinoRino, EP debut da banda, de 2010.
Para quem gosta de: Warpaint, Cambriana, Local Natives

PERNAMBUCO: AltNewspapper
Daniel Araújo – Estero Bla
ambient/experimental/instrumental/lo-fi
Daniel Araújo, artista responsável pela “cara” da Cena Independente #2, retorna nesta edição agradando desta vez aos ouvidos. Neste mês o músico lançou seu primeiro registro solo, todo feito em casa e seguindo a verve instrumental característica dele em suas bandas. O álbum se chama “De Dentro do Ser” e a faixa escolhida é a bela “Estero Bla”, uma sobreposição de camadas dançantes bem agradáveis. O jogo de letras que dá nome a música deixa claro a principal influência da mesma, decifre o mistério ouvindo...
Para quem gosta de: Hurtmold, Tortoise, Monodecks

BAHIA: El Cabong
Opanijé – Se Diz 
rap/hip hop
O rap baiano poucas vezes ultrapassou as fronteiras do estado. Quem promete mudar isso é o Opanijé, grupo formado em 2005 e com o primeiro disco prestes a ser lançado. Dois MCs e um DJ unindo elementos clássicos do rap - samples bem sacados, batidas e crítica social - com ritmos afro-baianos, cânticos do candomblé, percussão e uma criatividade que às vezes entorta o ideal rapper. 
Para quem gosta de: Racionais MC's, Beastie Boys, Tincoãs

MATO GROSSO: Factóide
Macaco Bong – Japabugre
rock instrumental
O EP Verdão e Verdinho possui uma grande simbologia, já que foi o primeiro material gravado depois que o Macaco Bong se mudou de Cuiabá, mas tem a influência forte da viola pantaneira. Eles não sabiam, mas também foi o último registro de estúdio com Ney Hugo, da formação clássica do Macaco, que deixou a banda recentemente para dar lugar ao mineiro Gabriel Murilo.
Para quem gosta de: Mogwai e Slint

ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
Manfredines – Silêncio
rock
Manfredines é uma das mais interessantes bandas capixabas que fazem parte desse novo rock nacional, liderado por bandas como Los Hermanos e Móveis Coloniais de Acaju. Porém, a banda não toma suas influencias diretamente desses nomes, e sim de nomes dos anos 80 como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso. Conclusão: temos uma sonoridade nova e moderna, mas com a mesma qualidade e profundidade das bandas do passado. Eu diria que influencias inclusive da música internacional como Radiohead figuram evidentes na sonoridade da banda, especialmente no single "Silêncio", lançado em 2011, que é um excelente exemplo do som dos caras. A banda está pra lançar novo material em 2012, e como são uma banda totalmente independente, não tem muitas datas fixas, mas acredito eu que podemos aguardar um novo trabalho para este ano. Excelente banda mesmo, recomendadíssima!
Para quem gosta de: Radiohead, Los Hermanos, Titãs

RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground
The Red Boots – Suicide
rock alternativo/thrash metal/desert rock
Os Red Boots lançaram seu álbum de estreia, “Aracnophilia”, no final de fevereiro pelo Projeto Incubadora do DoSol Netlabel. Com uma sonoridade densa que contrasta com a formação simples de um duo de guitarra e bateria, e usando de forma inteligente referências das mais diversas dentro do rock e do metal, a banda mossoroense criou um disco cheio de personalidade. Ecos de Metallica, Sonic Youth e Motörhead podem ser sentidos em “Suicide”, uma das faixas que dão a tônica do álbum.
Para quem gosta de: Metallica, Sonic Youth, Motörhead

PARAÍBA: Atividade FM
Johnny – BLEFE
indie rock/garage rock
JOHNNY é uma banda estreante no rock paraibano que começou a ganhar certa fama divulgando alguns singles avulsamente com qualidade. A banda é formada apenas por Gabriel Romio e Leon Guimarães que gravam as músicas sozinhas num estúdio, mas, que nas suas apresentações contam com músicos de apoio. É perceptível uma grande influências de bandas britânicas de indie rock, como aquele Arctic Monkeys no início, principalmente nas letras que falam sobre relacionamentos e suas guitarras rápidas e dançantes.
Para quem gosta de: Vivendo do Ócio e Selvagens à Procura da Lei

Godzilla – Insolação
punk
A banda Godzilla vem do Estado do Amapá - especificamente do município de Santana. Suas conexões psíquicas suprem essa distância com uma leitura atualíssima, sexy, desolada, sagaz e urgente do rock e das relações humanas, como se vivessem em uma Megalópole destruída pelo monstro japonês que lhes empresta o nome.
Para quem gosta de: Ramones, Misfits, Sex Pistols

ALAGOAS: Sirva-se
Interrompidos - Igual à Minha Vida
rock/MPB/blues
Após uma série de mudanças, a Interrompidos se fortalece entre as bandas alternativas de Alagoas. Com o lançamento recente do EP “Interrompidos” e do clipe “Igual a minha vida” a banda que mistura Rock and Roll, Blues e MPB, vai se inserindo em um novo cenário onde já conseguiu o seu destaque. Com nove faixas, o EP simboliza bem a transformação e evolução musical do quarteto. Letras mais introspectivas e reflexivas junto a um instrumental equilibrado são o ponto alto da banda. O destaque da vez vai pra música que dá nome ao primeiro clipe da banda.Para quem gosta de: Made In Brazil / Secos e Molhados / Mutantes

ADVERTÊNCIA: Este material não deve ser comercializado. Ele foi produzido com fins estritamente promocionais.

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