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2 de agosto de 2012

Blogagem retardada (parte 2)

O título é diferente, mas esta é a continuação da limpeza dos arquivos do blog. Logo abaixo, o rascunho mais antigo do Meio Desligado, escrito há cinco anos, e outros textos incompletos.


Ludovic: agressividade e emoção (2007)

Ele estende os braços e se apóia sobre a grade enquanto seu suor escorre, colaborando para piorar um pouco mais os já nada agradáveis odores do local. Seus pulmões parecem estar prestes a explodir diante do esforço para expressar palavras doloridas com extrema força, quando, enfim, consegue tocar a cabeça do homem à sua frente e, em um gesto abrupto, retira um pouco do suor de sua testa com a mão. Poderia ser parte de uma estranha celebração religiosa, mas trata-se de um show do Ludovic.

As reações provocadas pela banda nas pessoas são cada vez mais extremas, para o bem ou para o mal, e mesmo que "adoração" esteja longe de constar nos planos dos integrantes, seus shows provocam manifestações dignas do termo. A cena descrita acima, na qual um sujeito luta para conseguir tocar a cabeça suada do guitarrista Ezekiel Underwood durante uma apresentação da banda na Matriz, em BH, é apenas um dos diversos exemplos possíveis.

Ser aclamada pela crítica e pelo público que freqüenta o circuito alternativo é privilégio para poucas bandas. Circular entre as cenas hardcore e indie rock, com igual prestígio, é ainda mais raro, mas é exatamente o que o Ludovic conseguiu. O vocalista Jair Naves atribui a aproximação junto ao cenário hardcore à própria estrutura da cena. "É a mais organizada e a única na qual algumas bandas conseguem viver da música", diz. Segundo ele, o Ludovic tenta ultrapassar os limites de gêneros e cenas.

São duas da madrugada e você está em um buraco sujo e fedorento, apenas com algumas moedas no bolso, insuficiente para pagar até a infame consumação mínima de R$ 2,00 e relembrando do ótimo mo momento no qual você pediu demissão. Mentira.


Experiências e conexões (2009)

Em 2009, resolvi fazer a cobertura do Conexão Vivo BH participando do evento com o a maior parte do público fazia: bebendo, conversando com os amigos, paquerando. Depois, escreveria sobre a experiência. Dá pra perceber que não deu muito certo.


Rotina de blogueiro suburbano (Março de 2009)

Desde que meu affair com uma suposta boneca russa chegou ao fim, fui expulso de meu abrigo na zona sul belorizontina e tive retornar ao meu lar suburbano. Nada mais de voltar da Obra para o apartamento em 10 minutos ou de ir para a faculdade de carona em um Audi. Hora de acordar às 5:20, sair de casa às 6:10, pegar ônibus e depois o metrô e, invariavelmente, chegar atrasado à aula.

Felizmente essa época terminou (apesar de ter rendido excelentes momentos).

Se tenho uma rotina atualmente, ela é mínima e recusa a estabilidade....

Na sequência, acredito que escreveria sobre cidades-dormitório, ler no metrô, juntar carteiras de sala de aula para dormir como se fosse uma cama improvisada, ter alucinações por ficar acordado tempo demais, fazer duas faculdades e estágio ao mesmo tempo... essas coisas divertidas pós-adolescência.


Produção cultural no Brasil: a experiência





Coquetel Molotov 2011: parte 2

Diferentemente de Salvador, onde consegui assistir a todos os shows da edição local do Coquetel Molotov, no Recife perdi alguns, vi pedaços de vários e assisti alguns poucos por inteiro. Mesmo assim, nessa experiência dividida entre o trabalho nos bastidores de produção e o acesso aos shows como parte do público, pude acompanhar a festa alternativa que durante dois dias movimentou o Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco. 

HEALTH - "USA boys"


Guillemots com o baterista do HEALTH (última música do show em Salvador) 

Mundo Livre S/A - "Free world"

HEALTH - "Die slow"


HEALTH - "We are water"

HEALTH - "Crimewave"


Abril Pro Rock 2008: noite indie (12.04)

Desde a abertura dos portões, a segunda noite do Abril Pro Rock já aparentava ser ainda melhor que o início do festival: enquanto o público entrava, Lobão e banda ainda passavam o som para o show que fecharia o evento. De certa forma, Lobão fez o primeiro e o último show da segunda noite do APR.

Terminado o mini-show improvisado de Lobão, a programação oficial começou no palco 3 com a Madalena Moog (PB), banda selecionada para se apresentar através do Link Musical. Para ser sincero, tudo que lembro da banda é que a tecladista/backing vocal é uma gatinha (também é produtora do festival Mundo) e que achei o show "ok", segundo minhas anotações no bloquinho de papel distribuído pela Petrobras em seu estande no festival (onde divulgavam o filme de Speed Racer, patrocinado pela empresa).

O pior show de todo o evento foi o do Erro de Transmissão (PE), espécie de grupo sub-Pitty formado por adolescentes e cujas poucas qualidades se resumem aos aspectos físicos das suas integrantes femininas. Funcionaria em um festival de bandas de escola, mas nunca em um festival do porte do APR.

Para compensar, na seqüência aconteceu um dos mais animados shows de todo o festival: Sweet Fanny Adams, banda de Recife que lançou seu primeiro EP, Fanny, You're No Fun, este mês. Emulando pós-punk e new wave barulhenta, a banda inevitavelmente se aproxima bastante de nomes da onda "novo rock", como The Strokes, The Subways e Editors, sendo que em diversos momentos do show o nome The Jesus and Mary Chain também me vinha à mente. Com músicas dançantes, baixo vibrante, boas melodias e letras em inglês, o Sweet Fanny Adams abriu o palco 2 com louvor e obteve resposta à altura por parte do público.

O momento new rock/new rave do APR teve continuidade no palco 3, com o semi-hype Barbiekill, chamado por algumas pessoas de "Cansei de Ser Sexy do nordeste.

14 de março de 2012

Programação do Abril Pro Rock 2012 (em vídeos)

20 anos de Abril Pro Rock, talvez o mais importante festival musical contemporâneo do país. Uma noite indie, uma dedicada ao metal e suas vertentes, outra noite, digamos, com a legítima world music. Do exterior, Antibalas (EUA), Buraka Som Sistema (Portugal / Angola), Nada Surf (EUA), Cripple Bastards (ITA), Brujeria (MEX) e Exodus (EUA). Nacionais, destaque para o show de retorno do Los Hermanos, Ratos de Porão começando turnê em comemoração aos 30 anos da banda, os pesados Test, Hellbenders e Lepstopirose, os novatos Strobo (PA) e Leo Cavalcanti (SP) e os locais Otto e Mundo Livre S/A que, veja só, agora "abre" o show de seu antigo percussionista (Otto foi membro da banda, com a qual gravou os CDs Samba Esquema Noise e Guentando a Ôia).



20 de Abril, sexta-feira
Los Hermanos (RJ)
A Banda Mais Bonita da Cidade (PR)
Tibério Azul (PE)
Banda Bis Pro Rock

21 de Abril, sábado
Exodus (EUA)
Brujeria (MEX)
Cripple Bastards (ITA)
Ratos de Porão (SP)
Hellbenders (GO)
Firetomb (PE)
Pandemmy (PE)
Leptospirose (SP)
Test (SP)

22 de Abril, domingo
Antibalas (EUA)
Buraka Som Sistema (Portugal / Angola)
Nada Surf (EUA)
Otto (PE)
Mundo Livre SA (PE)
Leo Cavalcanti (SP)
Ska Maria Pastora (PE)
Bande Dessineé (PE)
Strobo (PA)

Os shows acontecem no Chevrolet Hall, na divisa entre Recife e Olinda.

8 de abril de 2011

Abril Pro Rock 2011 promove 19ª edição


Misfits, The Skatalities, Eddie, Zé Cafofinho & As Correntes, Matanza, Holger, Tulipa Ruiz, Karina Buhr... interessante e diversificada, a programação do Abril Pro Rock 2011, que acontece em Recife entre os dias 8 e 30 de abril e tem ingressos entre R$ 15 e R$ 25 (meia-entrada).

08.04 - APR Club
Zé Cafofinho & as Correntes (PE)
Sacal (PB)


09.04 – APR Club

Cerebro Eletrônico (SP)

Volver (PE)

15.04 – Chevrolet Hall
The Misftis (EUA)
D.R.I. (EUA)
Musica Diablo (SP)
Violator (DF)
Facada (CE)
Torture Squad (SP)
Cangaço
Desalma

16.04 – APR Club
Boss in Drama (SP)
MiM (SP)
Voyeur (PE)

17.04 – Chevrolet Hall
The Skatalites (Jam)
Arnaldo Antunes (SP)
Eddie (PE)
Tulipa Ruiz (SP)
Holger (SP)
Karina Buhr (PE)
Chicha Libre (EUA)
Mamelungos (PE)
Banda vencedora da promoção Bis Pro Rock

20.04 – APR Club
O Bloco do Eu Sozinho (RJ)

29.04 – APR Club
Wander Wildner (RS) e Caravana do Delírio (PE)
Ave Sangria (PE) e Anjo Gabriel (PE)

30.04 – APR Club
Matanza (RJ)
Diablo Motor (PE)

26 de abril de 2009

Cobertura do Abril Pro Rock 2009

Quem quiser saber como foram os shows do Abril Pro Rock deste ano pode conferir a cobertura coletiva realizada pelo Lumo, publicada no blog do coletivo. São diversas fotos, comentários e vídeos sobre os shows de bandas como Mundo Livre SA, Marcelo Camelo, Volver, Retrofoguetes e Black Drawing Chalks.

Primeira noite do Abril Pro Rock 2009


Segunda noite do Abril Pro Rock 2009


Volver
Os shows foram transmitidos via internet e o áudio das gravações também está disponível nos links abaixo:

5 de março de 2009

Programação do Abril Pro Rock 2009

Sem o patrocínio da gigante Petrobras como nos anos anteriores, o Abril Pro Rock, um dos principais festivais de música do país, realiza em 2009 uma edição reduzida. Serão 15 shows em dois dias de festival e não haverá o ciclo de palestras, como no ano passado. As principais bandas da programação são Motorhead, Marcelo Camelo + Hurtmold, Mundo Livre S/A, Móveis Coloniais de Acaju e Heavy Trash, banda super desconhecida no Brasil mas que se trata do projeto rockabilly de Jon Spencer (do Blues Explosion).

Uma grande quantidade de atrações nunca foi, por si só, sinônimo de um bom evento. Por isso, uma edição menor pode até mesmo contribuir para que as próximas edições do APR sejam mais concisas e bem conceituadas, como acontece na primeira noite do festival deste ano, com bandas claramente reunidas pela proximidade sonora: rock and roll pesado, sujo e rápido.

Semanas atrás a banda francesa Stereolab havia sido anunciada no festival, mas a informação não foi confirmada na coletiva de imprensa realizada hoje em Recife.

O festival acontece mais uma vez no enorme Chevrolet Hall e terá ingressos entre R$ 100 e R$ 25.

17 de Abril (sexta)
Motörhead (UK)
AMP (PE)
Decomposed God (PE)
Black Drawing Chalks (GO)
Banda não-confirmada

18 de Abril (sábado)
Marcelo Camelo (RJ)
Heavy Trash (EUA)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)
Mundo Livre S/A (PE)
Retrofoguetes (BA)
Volver (PE)
Vivendo do Ócio (BA)
The Keith (PE)
Candeias Rock City (PE)
Banda não-confirmada


Trechos do terceiro dia do festival em 2008, com shows de Helloween e Gamma Ray

Abril Pro Rock 2009
17 de Abril, sexta-feira
R$ 100 inteira / R$ 50 meia / Ingressos social: R$ 70 + 1kg de alimento não-perecível
18 de Abril, sábado
R$ 50 inteira / R$ 25 meia / Ingressos social: R$ 30 + 1kg de alimento não-perecível
Local: Chevrolet Hall (Rua Hagamenon Magalhães s/n, Olinda, Pernambuco)
Telefone: (81) 3427.7500

28 de dezembro de 2008

Mistureba # 4: Humaitá Pra Peixe 2009, Abril Pro Rock 2009, mapa de casas de show e lojas

Abril Pro Rock 2009
A 17ª edição do Abril Pro Rock, um dos mais famosos e maiores festivais do Brasil, está confirmada para os dias 17 e 18 de abril, mais uma vez no Chevrolet Hall, em Recife. A primeira grande atração confirmada é o Motorhead, clássica banda de metal, do hit "Ace of Spades". Outra confirmação é a banda Candeia Rock City, selecionada através do concurso "Microfonia", realizado entre a produção do festival e as Faculdades Integradas Barros Melo.


Humaitá Pra Peixe
Outro festival que divulgou novidades foi o carioca Humaitá Pra Peixe, que liberou sua programação completa, não muito empolgante. Confira:

sala BADEN POWELL (sexta, sábado e domingo) às 19hs
09 – 3namassa
10 – Luisa Mandou um Beijo / Supercordas
11 – Catch Side / Supergalo
16 – Paraphernalia / Vitor Araujo
17 – Comadre Fulozinha / Junio Barreto
18 – Doces Cariocas / Mané Sagaz
23 – João Ferraz Grupo / MOMO
24 – Anna Luisa / Luis Carlinhos
25 – Bebeto Castilho / Wilson das Neves
30 – Aline Duran / El Niño
31 – Show Surpresa

OI NOVO SOM – ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO (terças – 19hs)
13 – Oi Novo som: Fuzzcas / Daniel Lopes
20 – Oi Novo som: Nayah / Stereo Maracanã + Tonho Crocco
27 – Oi Novo som: Madame Machado / Escambo

MATTE LEÃO APRESENTA – PALCO VIRTUAL (quartas – 20hs)
14 – Artistas que enviarem vídeos
21 – Artistas que enviarem vídeos
28 – Artistas que enviarem vídeos

TALK SHOW – OI FUTURO (quintas – 19hs)
15 – Leoni
22 – Tico Santa Cruz
29 – Frejat

Mapeando a música
No início do mês o António Torres, de Portugal, me deu o toque de que estava catalogando os espaços existentes para shows e concertos em seu país e reunindo tudo no Vai Uma Gasosa?. Agora, com o apoio de mais dois veículos digitais portugueses (A Trompa e Rascunho), o mapa português já conta com 230 salas catalogadas. Excelente para a cena musical portuguesa como para os artistas de outros países que planejarem turnês pelo país.


A idéia é tão boa que acabou por incentivar iniciativa semelhante no Brasil. Senhor F e sua trupe já anunciaram que criarão um mapa de casas de show da América do Sul e outro com as principais lojas (físicas) de discos do Brasil. Até o momento, a ação mais próxima disto realizada no Brasil é a Casas Associadas, mas que ainda não realizou nenhuma ação relevante e vem se mantendo praticamente como uma associação fantasma.

20 de abril de 2008

Abril Pro Rock 2008: pontos de vista

O que publicaram sobre o Abril Pro Rock 2008 na internet:

El Cabong:
"Convocar bandas gringas foi um acerto, qualifica o evento e possibilita fãs de todo Nordeste a ver nomes históricos fazendo seus shows por aqui. Bad Brains e New York Dolls deram conta do recado, fizeram excelentes shows na primeira noite. Não tanto para quem não conhecia muito ou não curtia o som das bandas, mas perfeito para os fãs que viram as duas desfilarem seus sucessos com a competência que as colocaram na história."

O Grito:
"O buxixo que pairava no ar era de que o Abril pro Rock tinha mudado. Que precisava transformar para ganhar mais platéia e voltar a ser a velha plataforma nacional de lançamentos. De fato o Abril mudou. Saiu do aconchegante Pavilhão para abraçar o escorregadio chão do Chevrolett Hall, casa mais bem equipada e que, a priori, funcionaria muito bem para maquiar a constante queda de público dos últimos 10 anos. Até que na funcionalidade make up o espaço funcionou."

Recife Rock:
"Em sua primeira perna (os dois primeiros dias) a grande atenção do festival, quem diria, acabou se voltando toda para Céu. Boa parte do público de cerca de quatro mil pessoas (tinha pelo menos o dobro de gente do dia anterior) foi ao APR naquela noite apenas para vê-la. E saiu bem satisfeita com o que viu. Mas, tecnicamente falando, quem mais chamou os holofotes para si foi o surpreendente show do Superguidis no palco dois e a inacreditável apresentação da banda neozelandesa The Datsuns, que infelizmente pegou um público já massacrado pela maratona imposta pelas 12 atrações anteriores."



sobremúsica:
"A décima-sexta edição do Abril Pro Rock mostrou um certo saturamento da cena independente brasileira. Em dois dias, muita gente subiu ao palco e pouca coisa surpreendeu. Em um festival com tantas atrações, essa é a tendência natural, sim, mas cabe uma reflexão sobre a falta de novidade. Há algumas bandas boas, mas quase nada interessante e a distância entre uma coisa e outra é a principal lição que se leva."

Abril Pro Rock 2008: noite metal (11.04)

Se no final da década de 90 o Abril Pro Rock reunia cerca de 15 mil pessoas, em 2008 o público não chegou a metade desse número. Talvez pelo fato do Chevrolet Hall, local onde o evento foi realizado, ser muito grande, grandes buracos entre o público podiam ser vistos pela casa de shows. Essa foi a primeira vez que o APR foi realizado no Chevrolet, localizado na divisa entre Recife e Olinda, logo ao lado do Centro de Convenções de Pernambuco, sede do evento entre 1997 e 2007.

Público do Abril Pro RockA primeira noite do festival foi marcada por atrações mais pesadas, como Bad Brains e Mukeka di Rato, e algum espaço para bandas mais distantes do metal/hardcore, mas nem por isso menos barulhentas, como Vamoz!, New York Dolls e The Sinks.

A abertura da noite ficou por conta da novata AMP (PE), vencedora do concurso Link Musical, que escolheu uma banda para cada noite do APR 2008. Não vi o show, mas segundo relatos, agradaram bastante ao público com sua mistura de grunge/stoner rock.

Na sequência veio a Project 666 (PE), que também não vi, mas que, a julgar pelas músicas em seu MySpace, deve ter feito um grande show de metal.

The SinksO APR começou de verdade para mim a partir do show do The Sinks (RN), no palco 3, agradando com canções simples e diretas. Às vezes lembrando uma banda de pop punk, outras, um sobrevivente grunge, foi uma apresentação sem grandes surpresas, porém divertida.

As atividades do palco principal tiveram início com mais uma apresentação explosiva do Mukeka di Rato (ES). A formação de uma enorme roda de pogo logo em seguida aos primeiros acordes foi incrível. O cinegrafista da TramaVirtual filmando em meio ao mosh foi uma das melhores cenas da noite: dezenas de pessoas insandecidas, dando socos e chutes para todos os lados e o sujeito no meio, com sua câmera em riste, filmando tudo. Devem ter ficado ótimas as imagens.
Independente do quão boa seja qualquer apresentação do Mukeka, é um som que definitivamente funciona melhor em locais menores. E um show da banda sem "Visual é tudo" ou "Primeira Comunhão Com Satanás" é de dar um dor no peito...

Após a destruição provocada pelo Mukeka, o Zumbis do Espaço (SP) subiu ao palco 2 e me mandei para dar uma volta pelo Chevrolet Hall, flertar com pernambucanas e ver os estandes (Petrobras, Monstro, Hellcife, Criolina, Link Musical e outros).

O flerte avançou e com isso apenas ouvi (fiquei de costas para o palco) o show do Bad Brains (EUA), com rápidas espiadas sobre os ombros. Para quem esperava um show de hardcore com uma pegada metal e certa influência reggae, me surpreendi com a banda ao vivo. Extremamente pesado, o Bad Brains praticamente fez um show de metal com intervenções reggae, no qual ambas as passagens se completavam e fluíam normalmente. Um dos poucos problemas foi a longa duração do show, que acabou o tornando cansativo e repetitivo para quem não é fã de carteirinha da banda.

Vamoz!Terminada a sessão metal da noite, o Vamoz! (PE) subiu ao palco 2 para fazer um dos melhores shows da noite. Tocando em casa, a banda já tinha o público na mão desde o início e pôde desfilar com segurança seu barulhento e energético repertório, mostrando mais uma vez a razão pela qual é considerada uma das melhores bandas nordestinas (ou brasileiras) da atualidade. Para as viúvas indie presentes, provalvelmente tratou-se do ponto alto da primeira noite do APR.

Fechando a noite e tocando para uma platéia extremamente cansada após a maratona de shows e distorção, os lendários New York Dolls (EUA) subiram ao palco com apenas dois membros de sua formação original e fizeram uma apresentação razoável. Valeu mais pelo valor histórico da banda do que pelo show em si. Detalhe: inevitável a associação entre o vocalista David Johansen e Mick Jagger, sendo que o primeiro parece uma versão ralé/destruída do primeiro. Talvez a imagem de Johansen reflita o atual estado do New York Dolls...

16 de abril de 2008

Abril Pro Rock 2008: debates

Assim que cheguei a Recife teve início a 16ª edição do Abril Pro Rock. Não que minha presença fosse ansiosamente aguardada pelos produtores, mas porque, na tarde daquela quinta-feira, 10 de abril, simultaneamente ao meu desembarque tinham início as primeiras atividades do Abril Pro Rock 2008.

Público no auditório da Livraria CulturaCiclo de Debates

As atividades em questão faziam parte do primeiro ciclo de palestras realizado pelo festival na luxuosa Livraria Cultura. Desenvolvido em parceria com a Abrafin e as Faculdades Integradas Barros Melo, as palestras reuniram alguns dos principais nomes envolvidos com a música independente brasileira, abordando desde aspectos relativos à produção musical à realização de festivais e turnês com baixos orçamentos. Apesar de ser um excelente momento para se conhecer melhor os bastidores do efervescente cenário musical independente, o mais interessante era que ali estavam reunidos os produtores de alguns dos principais festivais brasileiros, jornalistas, músicos e aspirantes às três categorias anteriores (ha!). Bastava virar para o lado e conversar com a pessoa ao lado para fazer contatos importantíssimos, conhecer boas histórias ou se informar diretamente na fonte sobre o que está surgindo no underground tupiniquim.

Perdi as palestras de Fabrício Nobre (Monstro Discos, Abrafin) e Iuri Freiberger (produtor musical), que juntos falariam de produção executiva e musical, mas ambos eram figurinhas carimbadas por todas as outras atividades do APR (desde a reunião da Abrafin aos shows).

Primeiro dia de palestrasA logística de realização de uma turnê pelo nordeste foi abordada por Anderson Foca (Centro Cultural DoSol Rockbar e The Sinks) e Rafael Bandeira (HeyHo Rockbar), que utilizaram suas experiências pessoais como (bons) exemplos do assunto. Tema semelhante foi objeto da palestra de Gustavo Sá (Porão do Rock) e dos produtores do Demo Sul, que comentaram as trajetórias dos festivais que realizam, as dificuldades, etc.

Na sexta-feira os debates começaram pelo tema "Mídia Independente", tendo como convidados Paulo Terron (que edita o blog With Lasers, trabalha para a revista Rolling Stone e e escreveu para a Capricho, Bizz e IG) e Bruno Maia (que edita o blog Sobremúsica, tem um programa na Multishow FM e é executivo da gravadora EMI).... Será apenas uma impressão minha, talvez culpa de minha tenra idade, mas o termo "independente" não costumava significar algo como NÃO estar vinculado a grandes corporações"? Tsc tsc.
Tanto Terron como Maia possuem bons blogs, principalmente Maia, mas foi o tipo de debate que pouco teve a acrescentar e ficou perdido na mesmice cliché de dizer "você pode ter um blog! você pode ter poder! o mundo vai te ouvir! blá blá blá". Talvez, para o público leigo, seja proveitoso. Porém, para aqueles que têm um mínimo conhecimento de internet, blogs e ferramentas 2.0, foi muito pouco proveitoso (ou, como disse, a famosa hora de conversar com as pessoas na platéia ou do lado de fora do auditório e conhecer gente nova e interessante).

Espaço ao lado do auditório, onde aconteceram as melhores conversasUm dos temas mais interessantes de todo o ciclo de palestras, "Divulgação de bandas na internet", também poderia ter sido melhor explorado. O problema, em grande parte, se deu pela total falta de jeito do mediador Guilherme Moura em exercer sua função e às perguntas óbvias e egocêntricas do público (o conhecido "eu tenho uma banda que..."). Em meio a este cenário, Luiz César Pimentel (gerente de conteúdo do MySpace Brasil e um dos criadores da antiga revista Zero) e Fernanda Cardoso (Trama Virtual) puderam apenas apresentar um pouco das empresas em que trabalham, comentar casos de sucesso e esclarecer parte do funcionamento dos dois serviços que representam, principais ferramentas de divulgação da música independente / alternativa brasileira.

A bem-sucedida experiência do Espaço Cubo, de Cuiabá, com seu sistema de crédito alternativo (Cubo Card) e as associações de produtores independentes foram tema das palestras de Pablo Capilé (Espaço Cubo, Circuito Fora do Eixo) e Claudão Pilha (Casas Associadas, A Obra). Minha abstinência de internet bateu e corri para uma lan house, não por falta de interesse no assunto, mas por já conhecê-lo o suficiente, principalmente por causa de minha atuação com o Fórceps (e a crise abstinência de internet, claro).

14 de abril de 2008

Recife #4: noite indie do Abril Pro Rock 2008

Breves considerações:

* Para mim, Superguidis e Sweet Fanny Adams fizeram os melhores shows do Abril Pro Rock 2008.

* Violins é metal emotivo!!!! E isso é bom!

* Barbiekill = Vergonha alheia? Piada sem graça? Hype que some daqui a dois meses? Talvez tudo isso e mais um pouco? Sim, talvez. Mas que o som anima, anima.

* Autoramas é sempre bom. Ponto.

* CéU é trilha pra maconheiro que faz pose de cult. Ou cult que faz pose de maconheiro (?).

* The Datsuns funciona muito bem ao vivo, mas pegou um público cansado. Fizeram um show longo demais, mesmo problema do Bad Brains na noite anterior: não saber o momento certo para terminar uma apresentação.

* Júpiter Maçã não deu chilique nem derrame no palco.

* Lobão acústico? Rio de Janeiro? Década de 80? Tsc tsc. Não é a minha, definitivamente.

* Pata de Elefante agradou bastante ao público e funcionou muito melhor ao vivo do que em estúdio.

* Madalena Moog foi uma grata surpresa.

12 de abril de 2008

Recife #3: "50% da cidade é de artista"

Pessoa 1: "Eu não vou levar o minino lá! Aquele lugar só dá artísta, eu náum gosto dí artísta!"
Pessoa 2: "Então você náum gosta da maioria do povo daqui. 50% da cidade é dí artísta!"
Sentiu como é Recife?

*

From Twitter:
#abrilprorock New York Dolls foi fraco, apesar da galera saudosista (Claudão, Fabrício Nobre, Wander Wildner, etc) ter amado. 03:13 PM April 12, 2008

#abrilprorock Bad Brains foi muuuuito metal! Quase não senti a pegada hardcore. Um dos shows mais animados da noite. 03:12 PM April 12, 2008

#abrilprorock Vamoz! foi muito bom, animou bastante o povo em sua terra natal. 03:13 PM April 12, 2008

*

Mukeka Di Rato, como sempre, deixou o público ensandecido, mas foi o show mais "fraco" (aspas porque um show do Mukeka nunca é "fraco" de verdade) que vi da banda até hoje. Só de não tocarem "Primeira Comunhão com Satanás" e "Visual É Tudo", já é um show aquém do potencial da banda.

The Sinks foi melhor do que eu esperava. Mas eu não esperava muito.

Cansei de bandas com propostas (tanto conceituais como sonoras) do tipo do Zumbis do Espaço. O show deles foi hora de fazer outras coisas pelo Chevrolet Hall pernambucano.

11 de abril de 2008

Recife #2: reuniões, contatos e muito suor

Os principais conselhos que recebi antes de vir a Recife foram: "tome cuidado com tubarão. E com os bandidos nas ruas". Logo que cheguei no aeroporto, ouvi um caso de assalto. E a cada hora que saio sozinho alguém me diz "tóme cuidádo, Marcélo". Some a isso o fato de que, apesar de a cidade ser linda, o centro histórico ser bem decadente, com prédios caindo aos pedaços e abandonados, sinto como se tivesse participando de uma versão brasileira de Trilogia Suja de Havana sem as partes de putaria (por enquanto).

Ainda não dei uma volta por Olinda, mas já conheci muita coisa em Recife. O pessoal do Grito está sendo ótimo anfitrião. Daqui a pouco começo a falar acentuando tudo, igual ao povo local. Tipo, "ólinda", "ménino", etc.

Ontem eu queria ver os shows do Nuda e do Amps e Lina, mas estava acordado há 22 horas e cansado da maratona que foram os últimos dias, então desistimos. Mesmo assim, beber em frente ao Burburinho (local dos shows) foi muito bacana.

A reunião da Abrafin merece um texto exclusivo, mas posso dizer que foi tudo bem, apesar da desorganização.

Mal vi os debates do Abril Pro Rock ontem porque tinha outras coisas a fazer. Mesmo assim, o tempo que fiquei lá foi bem aproveitado, principalmente pelas pessoas que estavam por ali. Os debates de hoje foram mais interessantes, com certeza, e agora estou voltando pra lá, participar do último debate do dia.

Daqui a algumas horas estarei fazendo alongamento para o show do Mukeka di Rato...

10 de abril de 2008

Recife #1: sem títulos bacanas

Aqui começa meu diário de viagem para Recife, onde fico nos próximos dias devido ao Abril Pro Rock 2008. Na realidade, onde fico por causa da reunião da Abrafin, intuito primordial de minha viagem.

Se os textos estiverem ridículos, caducos ou simplesmente toscos, é porque estou:
a) super cansado por causa dos trampos dos últimos dias (semanas?)
b) estou com 124,2 coisas para fazer, então escrevo tudo correndo
c) estou tristinho e sozinho, chorando pelos cantos e desanimado para escrever
d) existem coisas mais interessantes na vida do que blogar

Independente da razão, ainda não consigo parar e pensar em como serão os próximos dias. Ter acabado de fazer 21 anos e ser o representante de um festival na primeira reunião nacional da Abrafin, ainda por cima em Recife, durante o Abril Pro Rock, é meio desnorteante.

"Ai, que loucura!", diria Narcisa. Concordo.

31 de março de 2008

Abril Pro Rock 2008

Em 2008, o festival Abril Pro Rock completa 16 anos e estréia nova fase, com melhor estrutura, mais atrações internacionais e maior integração com a Abrafin - Associação Brasileira dos Festivais Independentes, da qual será sede da primeira reunião nacional.

Este texto será completado logo, logo. Não fique sentado esperando. Faça algo útil e volte depois. Se quiser, clique nas propagandas nesse meio tempo e me dê alguns centavos. Já viu as horas? Tenho mais o que fazer agora, tipo dormir.

Programação de shows

11.04 - Sexta-feira, 21h
Banda do Link Musical - Palco 3
The Sinks (RN) - Palco 3
Project 666 (PE) - Palco 2
Mukeka di Rato (ES) - Palco 1
Zumbis do Espaço (SP) - Palco 2
The New York Dolls (EUA) - Palco 1
Vamoz (PE) - Palco 2
Bad Brains (EUA) - Palco 1

12.04 - Sábado, 17 h
Banda do Link Musical - Palco 3
Erro de Transmissão (PE) - Palco 3
Sweet Fanny Adams (PE) - Palco 2
Barbiekill (RN) - Palco 3
Autoramas (RJ) - Palco 1
Violins (GO) - Palco 2
Céu (SP) - Palco 1
Vítor Araújo (PE) - Palco 2
Wander Wildner (RS) - Palco 1
Rockassetes (SE) - Palco 2
Júpiter Maçã (RS) - Palco 1
Superguidis (RS) - Palco 2
The Datsuns (Nova Zelândia) - Palco 1
Pata de Elefante (RS) - Palco 2
Lobão (RJ) - Palco 1

27.04 - Domingo, 20h
Gamma Ray - Palco 1
Helloween - Palco 1

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