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17 de março de 2017

Uma trilha pra viajar


Aproveitando que agora rola de usar o Spotify dentro do Waze (e vice-versa), uma playlist especial pra ≈viajar≈ ouvindo (ou ouvir ≈viajando≈). São 101 músicas, quase 10 horas de psicodelícia (tentando fugir de obviedades). Gringos e brasileiros misturados, daquele jeito.

5 de março de 2015

Japão Meio Desligado

Faith No More, Swans, Antemasque, St Vincent, Chet Faker, Tycho, James Murphy, Ok Go, alt-j, além das locais Toe e Guitar Wolf, foram algumas das bandas que tocaram em Tóquio em um intervalo de mais ou menos 30 dias, agora no início do ano (sem contar o show de Björk em Nagoya, não muito longe). Isso, na baixa temporada. O grande e constante fluxo de artistas de renome se apresentando no Japão reflete alguns aspectos da cultura local que me chamaram a atenção na minha primeira vez ao país: o Japão (e os japoneses) não para(m). É difícil saber em que dia da semana se está. As ruas estão sempre cheias, as escolas têm aulas as sábados, as lojas fecham aos domingos no mesmo horário que nos outros dias da semana, shows acontecem às segundas-feiras. As pessoas estão sempre ocupadas: no metrô, apesar de não conversarem ao telefone (é proibido), estão sempre com seus celulares à mão, enviando mensagens, assistindo a vídeos ou jogando; nos cafés, estão novamente com os celulares ou computadores à postos. Estão sempre em rede, mas, aparentemente, falta aquela outra rede, a de se deitar, descansar e relaxar.

Essa voracidade (aliada à educação da população), no entanto, é parte da construção da experiência única que é o país. O japonês parece dar sempre o melhor de si em qualquer que seja a função a ser executada, seja te ajudar a encontrar um lugar, dirigir um ônibus ou montar uma casa de shows (para manter o foco deste blog, né?).



Como o espaço é escasso e a população é grande, a verticalização é parte essencial na cultura japonesa. As casas de show que conheci lá estão entre as mais incríveis que já vi e estão no alto de prédios. Não bastasse a qualidade de som e de luz ser excelente, assistir a um show do 10º andar reforça a experiência. E o mais louco é que não há seguranças nas portas dos prédios: você entra, pega o elevador e desce em qualquer andar que quiser. Mesmo dentro das casas de show, não me lembro de ter visto um segurança sequer. E os shows começam cedo, às 19h ou antes.

Outro ponto interessante é que artistas de destaque, como St. Vincent e alt-j, tocam em espaços pequenos, para até 600 pessoas (para comparar, em Belo Horizonte St Vincent tocará em um ginásio com capacidade para 6 mil pessoas). Só que os ingressos são caros (em torno de U$ 70) e, mesmo em um país pequeno como o Japão, artistas desse tipo costumam fazer três ou mais shows por lá. Outro diferencial é que a venda de CDs continua um negócio atrativo. A Tower Records mantém, até hoje, um prédio de oito andares, cada um deles dedicado a um gênero musical (com exceção dos dois primeiros, onde também há uma livraria e um café). Vale destacar que o preço médio de um CD gira em torno de U$ 20, nada barato.



Ao contrário dos CDs, instrumentos musicais podem ser encontrados a ótimos preços no Japão. Além da facilidade de se ter uma fábrica local da Fender, existem muitas de lojas de instrumentos usados em Tóquio cheias de raridades. E no caso dos eletrônicos, grandes lojas como a Yodobashi possuem grande variedade de produtos a bons preços (além do tax free para estrangeiros, lojas como a Yodobashi também dão desconto de 5% para pagamentos usando cartões Visa).

Foram as primeiras férias de verdade que tirei e tenho a certeza de que dificilmente poderia ter escolhido um lugar melhor.

Ps: ter uma rede de fast food que só toca Beatles (a Mos Burger) já entrega que o país é sensacional, não?

Quem quiser ver algumas fotos que fiz durante as semanas que fiquei no Japão é só me seguir no instagram.com/meiodesligado.

Os vídeos que acompanham o texto são de duas bandas japonesas atuais: Lite e Sukippara Ni Sake (do impagável refrão "imagination geneLation" - muitos japoneses trocam o R pelo L na hora de falar inglês).

6 de dezembro de 2008

Diário de viagem

No final de novembro passei alguns dias entre o Rio de Janeiro e São Paulo, trabalhando e conhecendo um pouco mais essas duas metrópoles que já havia visitado algumas vezes porém ainda conhecia pouco.

No Rio, minha permanência dividiu-se entre o Leblon, Copacabana e a Lapa. De certa forma, um circuito burguês, inserido no meio artístico, que não permite uma visão ampla do contexto sócio-cultural da cidade. Mesmo assim (ou, provavelmente, justamente por isso), gostei muito do que vi. Principalmente da Lapa.

Que cara é essa meu filho?Não tinha noção do que era a Lapa, com suas construções antigas, as diversas casas dedicadas ao samba e a shows, o clima, o movimento. Se já fiquei espantado ao conhecer o Circo Voador (finalmente, depois de ouvir dezenas de histórias sobre o lugar), meu queixo simplesmente caiu enquanto eu percorria as instalações da gigante Fundição Progresso ao lado do Adilson Pereira (ex-editor da revista OutraCoisa, atualmente escrevendo no blog Samba Punk) e da Danusa Carvalho (minha chefe, mais conhecida por seu trabalho com a Cássia Eller e Seu Jorge e que em breve passará a ser citada como “a produtora da Aline Calixto e do Renegado!”).

Terraço da Fundição ProgressoApós uma breve passagem pelo Claro Cine, no dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, trabalhei na Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UEE/RJ, no Circo Voador, com shows do B Negão e os Seletores de Frequência, Marcelinho da Lua e Renegado. Foram bons e animados shows mas que acabaram suprimidos pela profusão de novos estímulos a que minha mente estava submetida. Some-se a isso as presenças desconcertantes da Júlia Ribas e Aline Calixto e um camarim bem servido em termos de álcool (frequentemente visitado por um videasta louco e bebum em busca de cerveja e que mais tarde naquela noite faria uma performance hilária na área de exibição de curta-metragens no evento) e você tem um Marcelo bastante ligado e disperso, na ânsia de conhecer, experimentar e observar um pouco de tudo você acaba não se fixando em nada.

Show no SESC PompéiaSabe o sentimento descrito acima? Multiplique-o por 32, divida por 3, adiciones 8 e você terá a minha sensação em São Paulo. Um microcosmo a ser explorado em tão pouco tempo. Cortesia da Mostra Contemporânea de Arte Mineira, evento que reuniu diferentes manifestações artísticas de Minas Gerais no SESC Pompéia, com idealização da Débora Falabella, Yara de Novaes e Gabriel Paiva.

SESC PompéiaEm São Paulo, o SESC Pompéia provocou em mim o mesmo que a Fundição Progresso no Rio. Não imaginava que o local fosse tão amplo e diversificado, com toda aquela beleza ao mesmo tempo rústica e cult.

Na sexta, após os shows na Mostra Mineira, acompanhei Daniel “Indiada Magneto” Saavedra no show do Forgotten Boys no CB e em seguida parti para a Eazy, onde pretendia conferir alguns shows do SP Noise, principalmente o do Black Mountain. Para minha surpresa, estava acontecendo uma festa de música eletrônica (“psytrance”, segundo um dos promoters me informou) no local. O SP Noise havia acabado mais cedo, por volta das dez da noite. “Caralho!”. É nisso que dá não conferir o que você mesmo escreveu antes de ir a um evento. De qualquer forma, como já estava ali e havia informado ao sujeito da porta que eu era jornalista, ele liberou meu acesso à sua querida festa de psytrance (estilo que adoooooro, claro) e ainda liberou que eu chamasse alguns amigos, se quisesse. Em BH, eu até conheceria várias pessoas que sairiam da cama com animação diante de um convite desses, porém, em São Paulo, o resultado foi uma fugaz e solitária visitada a uma típica balada de playboy paulistana (ou seja, música ruim, menos mulheres bonitas do que em BH e preços altos). “Tsc tsc, hora de voltar pra Augusta”.

Hospedado ao lado do Inferno, meu acesso às opções de entretenimento (curtiu o eufemismo?) da Augusta foi facilitado, assim como a locais como o Itaú Cultural (onde visitei uma exposição excelente, chamada Cinema Sim – Narrativas e Projeções) e o MASP (prefiro o MAM). Apesar de não ter nenhum compromisso inadiável no sábado, exceto aqueles estabelecidos entre eu e a cidade, atrasei novamente para chegar ao SP Noise em sua segunda e última noite, o que resultou na perda da maioria dos shows. Cheguei por volta das oito da noite e tudo o que ouvi foram os últimos ruídos do Black Lips no palco, o show que eu mais queria assistir, Helmet e Vaselines.

Inevitável ficar um pouco pasmo com a velhice de Page Hamilton, vocalista, guitarrista e dono do Helmet, que, agora, me pareceu apenas uma banda de new metal, longe da imagem de monstro do metal alternativo que eu tinha quando assistia aos clipes da banda no Alto-Falante, 10 anos atrás.

Vaselines no SP NoiseImaginei que fosse extremamente estranho assistir ao The Vaselines logo em seguida ao show pesado e distorcido do Helmet, mas levou-se tanto tempo para preparação do palco que o indie rock selecionado pelo DJ conseguiu preparar bem o ambiente e dispersar o clima metal anos 90.

Tudo que conhecia da banda se limitava às covers feitas pelo Nirvana e uma ou outra música da banda, nenhuma delas geradora de muito interesse da minha parte. Acabei dando mais atenção à nostalgia do momento e pensamentos como “Putz, quando eu poderia imaginar que veria ao vivo a versão original de `Molly´s Lips´?” do que ao show em si, que me pareceu o de uma banda de indie rock qualquer. De que adianta o fator histórico se a música em si (que é o que importa em um SHOW) não lhe significa nada?

10 de abril de 2008

Recife #1: sem títulos bacanas

Aqui começa meu diário de viagem para Recife, onde fico nos próximos dias devido ao Abril Pro Rock 2008. Na realidade, onde fico por causa da reunião da Abrafin, intuito primordial de minha viagem.

Se os textos estiverem ridículos, caducos ou simplesmente toscos, é porque estou:
a) super cansado por causa dos trampos dos últimos dias (semanas?)
b) estou com 124,2 coisas para fazer, então escrevo tudo correndo
c) estou tristinho e sozinho, chorando pelos cantos e desanimado para escrever
d) existem coisas mais interessantes na vida do que blogar

Independente da razão, ainda não consigo parar e pensar em como serão os próximos dias. Ter acabado de fazer 21 anos e ser o representante de um festival na primeira reunião nacional da Abrafin, ainda por cima em Recife, durante o Abril Pro Rock, é meio desnorteante.

"Ai, que loucura!", diria Narcisa. Concordo.

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