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6 de março de 2018

Como tornar eventos musicais mais acessíveis para deficientes auditivos

Quem trabalha com produção cultural já se deparou com os itens de "acessibilidade" em editais públicos. É uma forma de estimular projetos culturais realizados com verba pública a serem mais inclusivos e que desenvolvam estratégias para atender melhor o público portador de necessidades especiais. Itens básicos, por exemplo, seriam rampas de acesso, banheiros adaptados e espaço reservado para cadeirantes. Nesse caso, todos dependentes do espaço físico onde a atividade será realizada.

Outras ações dependem dos responsáveis pela produção do evento. O Auditório Ibirapuera tem um tradutor de libras, posicionado na lateral do palco durante todo o show, para interpretar as letras das músicas para os deficientes auditivos. O Itaú Cultural disponibiliza tradução em libras em seus vídeos. Colocar a opção de legenda nos vídeos publicados no Youtube já tornaria o material muito mais inclusivo e é algo relativamente simples e menos custoso do que a contratação de tradução.

Parece estranho se pensar na importância da tradução em libras em shows, uma vez que a música em si não será ouvida. Mas é uma forma de estimular a inclusão e a socialização. Com esse tipo de tradução, um portador de deficiência auditiva pode ter acesso ao que o artista está expressando e fazer parte da experiência coletiva que ocorre ao redor. Pequenas ações que podem representar muito para quem vive em um mundo construído para quem escuta, como pode ser entendido no vídeo que encerra esta publicação, "Como a arquitetura muda para os surdos", e na matéria original em que foi publicado.

 

2 de agosto de 2012

Blogagem retardada (parte 2)

O título é diferente, mas esta é a continuação da limpeza dos arquivos do blog. Logo abaixo, o rascunho mais antigo do Meio Desligado, escrito há cinco anos, e outros textos incompletos.


Ludovic: agressividade e emoção (2007)

Ele estende os braços e se apóia sobre a grade enquanto seu suor escorre, colaborando para piorar um pouco mais os já nada agradáveis odores do local. Seus pulmões parecem estar prestes a explodir diante do esforço para expressar palavras doloridas com extrema força, quando, enfim, consegue tocar a cabeça do homem à sua frente e, em um gesto abrupto, retira um pouco do suor de sua testa com a mão. Poderia ser parte de uma estranha celebração religiosa, mas trata-se de um show do Ludovic.

As reações provocadas pela banda nas pessoas são cada vez mais extremas, para o bem ou para o mal, e mesmo que "adoração" esteja longe de constar nos planos dos integrantes, seus shows provocam manifestações dignas do termo. A cena descrita acima, na qual um sujeito luta para conseguir tocar a cabeça suada do guitarrista Ezekiel Underwood durante uma apresentação da banda na Matriz, em BH, é apenas um dos diversos exemplos possíveis.

Ser aclamada pela crítica e pelo público que freqüenta o circuito alternativo é privilégio para poucas bandas. Circular entre as cenas hardcore e indie rock, com igual prestígio, é ainda mais raro, mas é exatamente o que o Ludovic conseguiu. O vocalista Jair Naves atribui a aproximação junto ao cenário hardcore à própria estrutura da cena. "É a mais organizada e a única na qual algumas bandas conseguem viver da música", diz. Segundo ele, o Ludovic tenta ultrapassar os limites de gêneros e cenas.

São duas da madrugada e você está em um buraco sujo e fedorento, apenas com algumas moedas no bolso, insuficiente para pagar até a infame consumação mínima de R$ 2,00 e relembrando do ótimo mo momento no qual você pediu demissão. Mentira.


Experiências e conexões (2009)

Em 2009, resolvi fazer a cobertura do Conexão Vivo BH participando do evento com o a maior parte do público fazia: bebendo, conversando com os amigos, paquerando. Depois, escreveria sobre a experiência. Dá pra perceber que não deu muito certo.


Rotina de blogueiro suburbano (Março de 2009)

Desde que meu affair com uma suposta boneca russa chegou ao fim, fui expulso de meu abrigo na zona sul belorizontina e tive retornar ao meu lar suburbano. Nada mais de voltar da Obra para o apartamento em 10 minutos ou de ir para a faculdade de carona em um Audi. Hora de acordar às 5:20, sair de casa às 6:10, pegar ônibus e depois o metrô e, invariavelmente, chegar atrasado à aula.

Felizmente essa época terminou (apesar de ter rendido excelentes momentos).

Se tenho uma rotina atualmente, ela é mínima e recusa a estabilidade....

Na sequência, acredito que escreveria sobre cidades-dormitório, ler no metrô, juntar carteiras de sala de aula para dormir como se fosse uma cama improvisada, ter alucinações por ficar acordado tempo demais, fazer duas faculdades e estágio ao mesmo tempo... essas coisas divertidas pós-adolescência.


Produção cultural no Brasil: a experiência





Coquetel Molotov 2011: parte 2

Diferentemente de Salvador, onde consegui assistir a todos os shows da edição local do Coquetel Molotov, no Recife perdi alguns, vi pedaços de vários e assisti alguns poucos por inteiro. Mesmo assim, nessa experiência dividida entre o trabalho nos bastidores de produção e o acesso aos shows como parte do público, pude acompanhar a festa alternativa que durante dois dias movimentou o Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco. 

HEALTH - "USA boys"


Guillemots com o baterista do HEALTH (última música do show em Salvador) 

Mundo Livre S/A - "Free world"

HEALTH - "Die slow"


HEALTH - "We are water"

HEALTH - "Crimewave"


Abril Pro Rock 2008: noite indie (12.04)

Desde a abertura dos portões, a segunda noite do Abril Pro Rock já aparentava ser ainda melhor que o início do festival: enquanto o público entrava, Lobão e banda ainda passavam o som para o show que fecharia o evento. De certa forma, Lobão fez o primeiro e o último show da segunda noite do APR.

Terminado o mini-show improvisado de Lobão, a programação oficial começou no palco 3 com a Madalena Moog (PB), banda selecionada para se apresentar através do Link Musical. Para ser sincero, tudo que lembro da banda é que a tecladista/backing vocal é uma gatinha (também é produtora do festival Mundo) e que achei o show "ok", segundo minhas anotações no bloquinho de papel distribuído pela Petrobras em seu estande no festival (onde divulgavam o filme de Speed Racer, patrocinado pela empresa).

O pior show de todo o evento foi o do Erro de Transmissão (PE), espécie de grupo sub-Pitty formado por adolescentes e cujas poucas qualidades se resumem aos aspectos físicos das suas integrantes femininas. Funcionaria em um festival de bandas de escola, mas nunca em um festival do porte do APR.

Para compensar, na seqüência aconteceu um dos mais animados shows de todo o festival: Sweet Fanny Adams, banda de Recife que lançou seu primeiro EP, Fanny, You're No Fun, este mês. Emulando pós-punk e new wave barulhenta, a banda inevitavelmente se aproxima bastante de nomes da onda "novo rock", como The Strokes, The Subways e Editors, sendo que em diversos momentos do show o nome The Jesus and Mary Chain também me vinha à mente. Com músicas dançantes, baixo vibrante, boas melodias e letras em inglês, o Sweet Fanny Adams abriu o palco 2 com louvor e obteve resposta à altura por parte do público.

O momento new rock/new rave do APR teve continuidade no palco 3, com o semi-hype Barbiekill, chamado por algumas pessoas de "Cansei de Ser Sexy do nordeste.

30 de janeiro de 2012

Colaborativismo é motor da inteligência coletiva

(Artigo que publiquei na Revista Eletronika)


Com apoio de ferramentas gratuitas e uma gestão compartilhada e transparente, células culturais se alastram pelo país e fortalecem produção independente


Base da chamada web 2.0, a criação colaborativa encontrou na internet ferramentas propícias para sua expansão. Sem se deter a limitações temporais, geográficas ou de matéria-prima, o meio digital permite diferentes formas de interação e de produção intelectual de forma coletiva. Iniciativas como Wikipedia, blogs coletivos, softwares (e até mesmo hardwares) de código livre são resultados de ações executadas a partir da interação entre diversas pessoas na internet.

As possibilidades de produção de conteúdo de forma colaborativa através da internet dividem-se pelas mais diversas áreas, das pesquisas científicas ao entretenimento, porém comungam um mesmo elemento, crucial para a existência de qualquer ação colaborativa no ambiente digital: a utilização de ferramentas de produção e compartilhamento de conteúdo na web.

Essas ferramentas dividem-se em grupos de acordo com suas funções primordiais (como publicação de blogs, armazenamento de arquivos, trocas de mensagens instantâneas, transmissão de vídeos, publicação de fotos e vídeos etc), tendo em comum o fato de permitirem a interação de grupos geograficamente dispersos de forma não-linear e atemporal (uma vez que não é necessário que todos os interagentes estejam conectados simultaneamente para que a produção ocorra).


Projetos colaborativos são cada vez mais comuns nas artes e rompem com as tradicionais divisões entre autor e público. Em alguns casos, mantêm um estado constante de co-autoria como parte do processo de existência da própria obra.

Através de uma visão mais ampla do setor cultural, focada não apenas na criação artística mas em outras etapas da cadeia produtiva, a produção colaborativa na internet tem permitido maior fluxo de conhecimento e potencialização de atividades na produção cultural.

Ferramentas gratuitas e de uso cotidiano, como Google Docs, Wordpress e Youtube, transformam-se em instrumentos de construção coletiva de conhecimentos aplicados à produção cultural e integram grandes processos abertos à participação.

Diferentemente dos nichos tecnológicos das comunidades de usuários de softwares livres, a familiaridade do público com as ferramentas de acesso livre mobiliza as pessoas e fomenta a continuidade da ação cultural.

Na opinião de Décio Coutinho, diretor da AGEPEL (correspondente à Secretaria de Cultura do Estado de Goiás) e ex-coordenador nacional de cultura do Sebrae, elas são responsáveis por "facilitar e estimular a participação social, sendo potencializadoras de fruição, acesso e, por consequência, de processos de construção de inteligência coletiva".

Inteligência coletiva que, por exemplo, é a base de projetos como a Produtora Cultural Colaborativa e o Circuito Fora do Eixo. Formada em 2009, a Produtora Cultural Colaborativa mistura cultura, tecnologia e sustentabilidade em uma espécie de escola de livre troca de conhecimento envolvendo artistas, ativistas, comunicadores e demais interessados em tecnologia, arte e comunicação.


Já o Fora do Eixo talvez seja o melhor e mais consistente exemplo do uso de novas tecnologias para a produção cultural no Brasil. Constituído por mais de 80 coletivos em todo o Brasil, define-se como "uma rede colaborativa e descentralizada de trabalho, constituída por coletivos de cultura espalhados pelo Brasil, pautados nos princípios da economia solidária, do associativismo e do cooperativismo, da formação e intercâmbio entre redes sociais, da democratização quanto ao desenvolvimento, uso e compartilhamento de tecnologias livres aplicadas às expressões culturais e da sustentabilidade pautada no uso de tecnologias sociais". 

Algo que, resumidamente, pode ser descrito como um enorme grupo de pessoas trocando informações através de plataformas gratuitas na internet visando a transformação social através da cultura.

Um dos grandes diferenciais da experiência de produção do Fora do Eixo é o compartilhamento de todo o conhecimento e informações geradas durante o processo de produção (que acontece coletivamente e, majoritariamente, através da internet), permitindo que novos projetos se apropriem desses materiais em busca do desenvolvimento de ações mais elaboradas e com resultados potencializados.

Transparência nas ações e facilidade de acesso são pontos cruciais no desenvolvimento das atividades da rede, possíveis de serem realizadas nas mais distintas condições e dimensões graças à utilização de ferramentas que permitem a produção colaborativa de informações na internet de forma gratuita.

Enquanto no exterior parte das iniciativas colaborativas de produção cultural mais contundentes se basearam no esquema de finaciamento coletivo, tendo a participação externa executada na figura do investidor, experiências brasileiras como a do Fora do Eixo e da Produtora Cultural Colaborativa apostam em outros métodos. 

Como afirma Pablo Capilé, um dos gestores do Fora do Eixo, "não tem grana da iniciativa privada, não tem um mercado e o poder público não nos visualiza. A gente tem que empreender”.

O modelo de trabalho do Fora do Eixo inclui a sistematização online de todo o processo de produção de suas ações --que incluem milhares de shows anualmente, dezenas de festivais por todo o país e iniciativas de comunicação que se utilizam de diversas mídias, a maior parte através de ferramentas gratuitas e softwares livres.

O processo de planejamento é realizado coletivamente através de serviços online de bate-papo (como Gtalk, Skype e MSN, além do software livre Freenode) e posteriormente registrado em atas (publicadas via Wordpress, Blogger ou Google Docs) que podem ser acessadas por qualquer pessoa.

Até mesmo as planilhas dos projetos, com as informações financeiras de cada ação dos coletivos, são compartilhadas e disponibilizadas publicamente.

Nessa linha de atuação, o conhecimento construído de forma coletiva deve estar acessível a outras pessoas. A proposta se adequa às linhas de ação de ativistas digitais e do movimento de software livre, unindo vertentes técnicas e filosóficas a favor da produção cultural.

A partir do foco na colaboração entre indivíduos, demonstra-se o potencial de construção de conhecimento através da internet e de ferramentas gratuitas que possibilitem a interação, tornando a rede diversificada e com maiores possibilidades de construção de conhecimento de forma colaborativa, de acesso livre.

Algumas ferramentas da produção cultural 2.0
Google Apps Plataforma de aplicativos do Google, une ferramentas de trocas de mensagens como Gmail e Google Agenda e opções pensadas para viabilizar a criação colaborativa, como o Google Docs, Google Sites e Grupos do Google. Possui versão gratuita, educacional e para negócios. 
Viber Aplicativo para fazer chamadas e enviar mensagens de texto gratuitas através do celular. Não é preciso fazer login: o aplicativo usa o próprio número de telefone do usuário e identifica, a partir dos contatos salvos no telefone, as pessoas que também utilizam o Viber. É gratuito e possui versões para os sistemas operacionais Android e iOS.  
Wunderlist Para organizar e gerir tarefas a serem realizadas individual ou coletivamente, o Wunderlist é uma ótima opção. Disponivel para as plataformas iOS e Android, também poder ser instalado em desktops (Windows, Linux, Ubuntu e Mac). 
Hootsuite Ideal para a atualização de múltiplos perfis em redes sociais como Twitter, Facebook e Foursquare. Tem entre seus principais pontos positivos a possibilidade de agendar atualizações. 
Wetransfer A troca de arquivos é crucial para a criação colaborativa e existem dezenas de serviços para essa tarefa, mas provavelmente nenhum deles é tão bonito e prático quanto o Wetransfer, ideal para envio de arquivos grandes (de até 2GB) e que não precisam (ou não devem) ficar disponíveis por muito tempo - todos os arquivos são apagados dos servidores do Wetransfer duas semanas após seu envio. Não é necessário cadastro para sua utilização. 
Dropbox Ao contrário do imediatismo proposto pelo Wetransfer, o Dropbox é indicado para o compartilhamento de arquivos cujo uso será recorrente durante longos períodos. Compatível com Windows, Mac, Linux e plataformas móveis, o Dropbox salva automaticamente as alterações realizadas nos arquivos enviados às pastas do usuário, permitindo que todos que tenham acesso ao material utilizem os arquivos em suas versões mais recentes. Sua versão gratuita permite o envio de até 2GB de arquivos.

Referências na net

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