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2 de novembro de 2008

Vanguart assina contrato com gravadora multinacional

Antes, os boatos eram que a Vanguart iria assinar contrato com a Som Livre e relançar seu álbum de estréia, lançado em 2007 na revista Outracoisa. Até que na última sexta-feira foi divulgado que a banda acaba de assinar com a Universal Music e em dezembro já grava CD e DVD ao vivo em São Paulo, numa parceria com o canal de TV Multishow.

A banda passa a contar com uma super estrutura para gravar e divulgar seu trabalho, sendo que mesmo atuando de forma independente, a Vanguart vinha alcançando excelente resultado de crítica e público (indie, basicamente). Com o suporte de uma grande gravadora espera-se que o alcance do grande público seja apenas uma questão de tempo (e de algumas participações em programas da Globo, né?).

Entre as contratações realizadas pela Universal nos últimos anos buscando revitalizar seu elenco no gênero rock/pop estão MopTop, Fresno, NX Zero e Majorie Estiano.

Ps.: na semana passada a Universal lançou sua loja virtual, na qual está disponível parte do catálogo da gravadora com músicas vendidas à R$ 1,99. Quer uma dica? Use o Soulseek.

Ps. 2: Encontrei uma música da Ivete Sangalo à venda que se chama "Berimbau metalizado" e fiquei pensando: "Será que é tipo o que o Soulfly fazia?".

Foto: 2iuiu

13 de outubro de 2007

Manual para divulgação de bandas independentes na internet

Nos últimos anos, a evolução tecnológica provocou grandes alterações em nossas vidas. A internet, fruto dessa evolução, passou a ter papel crucial no modo como vemos e interagimos com o mundo. Um dos maiores benefícios dessa evolução foi o desenvolvimento de novas formas, mais eficientes e rápidas, de acesso à cultura e troca de informações. Transpondo esta situação para o cenário musical, temos uma verdadeira revolução, inimaginável no início dos anos 90, por exemplo, na qual nunca foi tão fácil conhecer novos artistas e, no caso dos músicos, mostrar seu trabalho para o mundo e atingir milhares (até milhões) de pessoas.

evoluçãoAssim como a difusão de tecnologia provocou uma considerável democratização das ferramentas de produção (softwares de edição e criação de áudio, teclados controladores, etc), resultando em saltos gigantescos no volume da produção musical, a internet passou a exercer a função crucial de armazenar, organizar e distribuir todo este conteúdo, fazendo com que o processo de divulgação e distribuição da música independente (e também da música pop) se alterasse, deixando para trás rádio e tv.


Apesar da crise das grandes gravadoras, nunca se consumiu tanta música quanto atualmente. Basta pensar na quantidade de músicas que circulam pelos milhões de tocadores de mp3 por todo o mundo e enchem HD's de computadores em casas e nos escritórios. A música está em todos os lugares e as bandas alcançaram um nível de independência até então inédito. Uma ótima divulgação pode ser feita pela internet utilizando ferramentas gratuitas e até mesmo custos de gravação das músicas podem ser reduzidos, graças aos estúdios caseiros e seus softwares de produção e edição.

Exemplificando o parágrafo acima, temos aquela já batida história sobre o Arctic Monkeys, primeiro famosos no MySpace, depois em todo o mundo; Cansei de Ser Sexy, de hype no TramaVirtual para os palcos americanos e europeus; e também o Bonde do Rolê seguindo o mesmo caminho do CSS. São fenômenos impensáveis sem a internet. No caso do Bonde, servem também como exemplo da produção caseira. Até mesmo em seu álbum de estréia, With Lasers, as guitarras foram gravadas no apartamento do produtor Chernobyl, como o mesmo revelou em seu blog. O recente lançamento do álbum In Rainbows, do Radiohead, um dos maiores grupos do mundo, acaba com as dúvidas quanto a eficácia da internet como um meio de distribuição e divulgação: permitindo que os próprios fãs escolhessem quanto pagariam pelo álbum e disponibilizando-o primeiro na internet, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham feito o download nos dois primeiros dias após seu lançamento, resultando em cerca de £5 milhões para a banda (quase R$ 20 milhões).

Tendo em vista esse panorama, o "Manual para divulgação de bandas independentes na internet" é uma tentativa de contribuir para o desenvolvimento dos artistas independentes, através de uma melhor divulgação de suas obras, de modo que seja mais fácil para o público encontrá-las e que as próprias bandas possam crescer e se tornar auto-sustentáveis através da música (sendo beeeeem otimista).

Afinal, se a internet passa a ser a principal ponte entre artistas e público, é importante que este meio seja bem utilizado, explorando todas as suas possibilidades.

É justamente por isso que abaixo você encontra sites/serviços web que possibilitam o armazenamento e divulgação de todo o material produzido pelas bandas, sejam músicas, vídeos, fotos ou qualquer outro arquivo digital, diminuindo o hiato entre o momento de criação e a apreciação por parte do público. Outro elemento importante proporcionado por estes serviços é a interatividade, tornando banda e ouvintes muito mais próximos, em alguns casos, até mesmo eliminando essas barreiras (como nas produções coletivas e abertas).

E como não poderia deixar de ser, é tudo de graça.

Mas o mais importante, e muitas vezes esquecido, é a própria música. Ela é o que importa. Pense na música. Pense na música.

Não diga que não avisei: não adianta ter uma bandinha medíocre.


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Músicas
Criar sua página no MySpace e no TramaVirtual, para as bandas nacionais, é praticamente o básico. MySpace é a maior comunidade mundial, já consolidada, através da qual é possível entrar em contato com pessoas e bandas de todo o mundo (inclusive com as próprias bandas que servem de influência). O TramaVirtual é o maior e melhor site do estilo no Brasil e também o que dá maior visibilidade. É nele que você encontra as melhores bandas da música alternativa brasileira atualmente.

Ambos os sites possibilitam que as bandas adicionem fotos e mantenham blog, sendo que no MySpace há maior abertura para personalização da página e adição de vídeos. Por outro lado, o MySpace permite o upload de apenas quatro músicas, enquanto na TramaVirtual o limite é tão grande que eu simplesmente não sei qual é (sério) e existe o sistema de "download remunerado", através do qual as bandas ganham dinheiro de acordo com a quantidade de downloads feitos das suas músicas.

A menos que esteja sendo irônico, manere o egocentrismo e a megalomania na hora de escrever os releases da banda. Apenas a prepotência irônica conta pontos a favor de uma banda. A reles prepotência imbecil simplesmente deixa claro que você tenta compensar com palavras o que não consegue fazer musicalmente. O mesmo cuidado e atenção vale para o momento de escolher o estilo a ser cadastro. Não escolha aquilo que você QUER tocar, mas sim aquilo que você REALMENTE toca. É incrível o enorme número de bobagens que se encontra (no meu trabalho como organizador de conteúdo de um grande portal de música, vejo isso o dia inteiro e portanto tenho propriedade para falar sobre o assunto). As besteiras vão de bandas emo que acham que tocam grindcore (no mínimo, sem ter a mínima noção do que é isso); bandas de pop rock chulé que acham que fazem indie rock; punk de butique cadastrado como rock de garagem; mais emo cadastrado como punk; e o pior de todos: centenas de grupos banais, cópias do que há de mais sem graça no mainstream, que se dizem "experimentais". Então tá.

Pode parecer reclamação gratuita, mas não é. Pense bem. Se você está atrás de uma banda shoegazer, bem depressiva, para servir de trilha sonora enquanto você "tenta" suicídio cortando os pulsos com a colherzinha de plástico com a qual acabou de tomar Danoninho (delícia!), e encontra uma banda de indie pop, as probabilidades de considerar esta mesma banda um lixo são enormes. Em conseqüência disto, essa banda poderá ir (talvez inconscientemente) para sua "lista mental de bandas de merda da internet" e esta mesma opinião poderá ser transmitida aos seus amigos, leitores do seu blog, etc. Ou talvez você simplesmente aperte stop e continue sua vidinha sem graça.

São muitos os serviços nos quais você pode disponibilizar suas músicas e o ideal é que você utilize todos, aumentando a chance de que seu trabalho seja encontrado. Entretanto, é importante que você defina um ou dois sites para os quais linkar e indicar para as pessoas (normalmente MySpace e TramaVirtual). Desta maneira, os sites escolhidos servirão como vitrine e exibirão melhores resultados do que se você fragmentar sua divulgação entre 10 sites diferentes.

Cada serviço possui suas particularidades e alguns possuem claramente afinidades com determinados estilos (caso do PureVolume com as vertentes mais pesadas do rock e o emo/screamo), então é preciso levar estes elementos em consideração na hora de escolher qual site atualizar com mais frequência e interesse.

Entre os similares do MySpace temos o Virb, PureVolume e imeem. No Brasil, também temos as opções do Fiberonline (voltado para a música eletrônica), Palco MP3, Bandas de Garagem e Busca MP3. Outras boas opções são o iJigg, espécie de YouTube para músicas, e a gravadora aberta Jamendo, na qual as bandas disponibilizam álbuns inteiros para download sobre licenças Creative Commons. Você pode ler mais sobre estes serviços na série "independência 2.0", publicada aqui mesmo no Meio Desligado.

O Overmundo, site dedicado à cultura brasileira, também é uma ótima opção. O banco de cultura do site possibilita o envio de áudio, vídeo, fotos e textos, sendo que, para ser publicado no site, o conteúdo precisa receber um número mínimo de votos dos membros da comunidade. Todo o conteúdo do Overmundo também fica sob licenças Creative Commons.

E fechando a lista de opções para as músicas, temos os serviços de podcast. Como a maioria dos sites determina as taxas de kbps e bit rate (referentes à qualidade do áudio) das músicas a serem disponibilizadas, os podcasts acabam sendo outra alternativa, ideal para publicar versões alternativas, lados-b ou demos. Entre os mais utilizados estão o Odeo (cujos players são bastante utilizados neste blog, incluindo o grande player vermelho disponível na barra lateral) e o Podomatic (feio, mas útil).

Tchauzinho, tv!Vídeos
YouTube, básico. Não é todo mundo que sabe, mas existe a opção de cadastro especial para bandas e de customização da página. O MetaCafe também é bastante utilizado e possui programas de remuneração do usuário, assim como o Revver. Não tão utilizados para a música, mas também interessantes, são o Daily Motion e o iFilm. Um serviço em ascensão em bastante elogiado é o Brightcove.

Grupo para fotos de bandas alternativas brasileirasFotos
A maioria das bandas prefere fazer um Fotolog e divulgar suas imagens por lá, mas o serviço é extremamente limitado e chato. Alternativas muito mais interessantes são o Flickr, no qual a banda pode criar um álbum próprio, um grupo para si ou enviar suas fotos para grupos relacionados (como o indie BR, que reúne fotografias de bandas alternativas brasileiras) e o 8P, que foi devidamente analisado neste texto.

Mas se você precisa de fotos que irá reutilizar em diversas outras páginas, nada como usar um serviço de armazenamento de imagens como o Photobucket. Você faz o upload da imagem e o site já te dá um código "embed", assim como os do YouTube, para você reutilizá-la onde quiser. É uma prática muito comum para fazer propaganda nos comentários do MySpace, por exemplo (e que às vezes enche o saco).

Comunidades
Orkut é bem fútil, mas pode ser bem útil, dependendo de como é usado. As comunidades virtuais podem ser utilizadas para reunir fãs de uma determinada banda e trocar informações sobre a mesma. É sempre mais legal quando alguém que gosta da banda cria uma comunidade, mas não irão lhe crucificar por criar uma para a sua banda. MySpace, Virb e imeem também são formam comunidades virtuais, mas de maneira bem diferente.

Uma comunidade tida como bem mais útil e ampla é a Facebook, que vem crescendo bastante. A Last.Fm também pode ajudar na divulgação, já que possui espaço para cadastramento de shows, músicas, vídeos, fotos e descrições das bandas. Gravadoras também podem se cadastrar na Last.Fm e editar informações de seus artistas.

Blogs
Se você chegou até este ponto, responda a pergunta: para que fazer um site? Resposta: por nada! É muito mais prático simplesmente comprar um domínio .com ou .com.br para sua banda e redirecioná-lo para seu MySpace ou seu blog, onde você pode juntar todo o material relacionado ao grupo. Para isso, serviços como Blogger e Wordpress são os mais populares. Interessados em experimentar também podem tentar o Vox, o tiozinho Live Journal (fraco), entre outros.

Armazenamento
De certa forma, todos os links acima estão relacionados ao armazenamento de conteúdo. Mesmo assim, esta categoria diz respeito aos serviços que funcionam exclusivamente como HD's digitais, nos quais qualquer material digital pode ser guardado. Muitas bandas os utilizam para disponibilizar álbuns inteiros em arquivos .zip ou .rar, poupando o trabalho do download faixa-à-faixa.

O 4shared é interessante por oferecer realmente uma espécie de HD virtual, no qual você pode criar pastas e escolher o que deseja compartilhar ou não. Outros serviços de armazenamento são o Rapidshare, Zshare, Sharebee e Mediafire, todos bem fáceis de serem utilizados.

Outro site que deve ser mencionado é o Archive, que reúne um enorme arquivo de shows, músicas e filmes.

Indefinidos
Mugg. "...o Mugg é um agregador de notícias sobre música, criando assim um canal de informações no qual os próprios usuários definem o conteúdo. Funciona assim: você encontra uma notícia interessante sobre música em qualquer site e, se quiser, a envia para o Mugg, clicando em um link específíco fornecido pelo serviço (e que você pode salvar nos seus favoritos, para facilitar) ou vai até o site e posta o link da notícia. Depois, é só escrever uma chamada para o texto com suas próprias palavras (por causa dos direitos autorais) e pronto. A partir daí sua notícia tem uma semana para receber no mínimo quatro votos e ser publicada no site.

Caso você tenha interesse em publicar um texto de sua própria autoria, também há espaço para isso. Como os próprios criadores do Mugg escreveram no site, essa é uma ferramenta que pode ser utilizada para 'falar sobre sua banda, colocar links para vídeos e downloads, fazer resenhas de shows a que foi, Cds que ouviu', etc."


Twitter. Hype do microblogging. Serviço que permite a publicação de pequenos textos de até 140 caracteres e que podem ser exibidos em outros sites e até recebidos por celular.

Del.icio.us. Exemplo mais conhecido daquilo que é conhecido como "social bookmarking", algo como "socialização de sites favoritos". Serviço através do qual você pode gravar seus sites favoritos, organizá-los através de tags, acessá-los de qualquer computador e dividi-los com o mundo. Pode ser usado para agrupar tudo que sai na internet sobre sua banda, por exemplo. Serviços similares: Furl, Blinklist, Reddit, StumbleUpon e Ma.gnolia.

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É isso. Não é uma panacéia (e nem era a intenção), mas espero que este texto possa ajudar na disseminação da cultura.

Sugestões são bem-vindas!

Foto da TV quebrada: theunionforever
Foto do zé-mané sendo estrangulado: kalebdf


Mugg esta noticia

28 de agosto de 2007

falácia

Na quarta-feira passada fui a uma palestra intitulada "Música e tecnologia - produção, veiculação e escuta musical na era da cibercultura", comandada pelo Frederico Pessoa, em mais uma edição do Oi Cabeça, evento quinzenal organizado pela Oi Futuro no Museu das Telecomunicações em Belo Horizonte. Os encontros sempre abordam temas relacionados a arte e tecnologia e têm entrada franca, começando às 19:00. Bem interessante.

O parágrafo acima é apenas para uma breve contextualização, já que o tema deste texto foi suscitado pelas discussões daquela noite: a atual situação da música e seu passado/futuro, o modo como a ouvimos e sua distribuição.

Em uma postura de certa forma retrógrada e conservadora, Pessoa criticou o fato de na atualidade as pessoas não "apreciarem" a música como antigamente, separando o devido tempo para ouvi-la sem interferências externas, utilizando-a mais como uma forma de "fundo sonoro" ou uma "trilha sonora urbana".

Oras, há algum problema nisso? Segundo ele, sim. As pessoas já não analisariam a música à fundo, dando a entender que por isso a mesma fosse desvalorizada. Mas a questão que me vem à mente é: a música precisa ser estudada durante todo o tempo? Sua função não é divertir e dar prazer? Se eu (e a grande maioria das outras pessoas) simplesmente gosto de ouvir música e não tenho interesse em me tornar um estudioso da teoria (analisando escalas, tons, harmonia, etc) estou desmerecendo-a ao sair pela cidade com meu mp3 player, fazendo com que meu dia seja extremamente mais agradável?

A postura assumida durante a palestra em relação a esse assunto me pareceu tão absurda que me fez lembrar do mundo paralelo em que boa parte dos teóricos e acadêmicos vive (no caso, os músicos graduados, ressuscitando o clichê de amantes da forma e da técnica e não da sensação provocada). E, quando coloquei se o enorme volume de música consumida atualmente não seria extremamente benéfico tanto para o público como para os artistas, sua resposta foi mais ou menos essa: "...o problema é que, como você mesmo diz, a música é muito CONSUMIDA hoje, as pessoas a tem como um produto...".

Para dizer a verdade, talvez tenha sido justamente essa questão que tenha feito com que eu viesse até aqui escrever sobre a palestra. Porque,
colocada de tal forma, considero essa afirmação uma grande estupidez, de um saudosismo inexistente. A seu ver, antigamente a música não era consumida? Seriam os grandes concertos de música clássica, gratuitos, abertos ao grande público? Os compositores e músicos dos séculos passados não lucravam com sua arte?

A música, assim como a arte em geral, é consumida, nossa sociedade é capitalista e por isso é inevitável que ela se torne um produto. O ponto crucial é que à medida em que as intenções mercadológicas passam a interferir na criação intelectual, aí sim temos um (grande) problema, resultando em superficialidade e estratégias de divulgação para se lucrar mais e mais.

E, se pensarmos bem, talvez este seja o momento na história em que mais se teve (temos) acesso à música de graça, o que derruba as afirmações de Pessoa. Afinal, são milhões e milhões de downloads por mês e tecnologia barata para cópias de CDs e DVDs, permitindo que a música circule cada vez mais livre. O modo como nos relacionamos com a música pode sim ser "consumidor / produto", mas à medida que não pagamos e continuamos a ter acesso a essa mercadoria, trata-se de uma relação nova e instigante que preocupa mais aos desinformados e saudosistas.

28 de julho de 2007

ainda sobre os downloads

Três participações muito interessantes foram feitas no texto anterior, sobre download, e merecem ser publicadas aqui, já que ajudam a ter uma visão melhor do atual panorama do mercado musical (inclusive o independente).

Nego Zé disse...
Cara, isso é uma verdade. Acho que muitas bandas - mesmo independentes - ainda estão apegadas a velhos arquétipos da música. Mesmo a galera se ferrando literalmente, com cachês irrisórios, turnês deficitárias e pouco incentivo da mídia generalista e do poder público, muita gente ainda age como se tivesse muita coisa a perder com os downloads. Sinceramente, acho que essa era de mp3 e internet contribui para desglamourizar a música, e principalmente o rock. Talvez isso seja uma coisa muito boa. Ao invés de meia dúzia de mega-bandas com cachês milionários e vendas de disco estratosféricas, você tem um espaço mais democrático, com muitas bandas podendo divulgar a sua música. Não sei se a era dos rockeiros temperamentais e destruidores de quartos de hotel está com os dias contados. Mas, de fato, hoje o apadrinhamento de uma gravadora não é mais tão essencial para quem quer viver de música. Excelente post, vamos liberar os downloads gratuitos, levar a música para além das fronteiras do quarto e fazer muitos shows!
25 de Julho de 2007 23:30

Mi, de Camila disse...
Eu sempre compro CDs de bandas independentes, tanto faz se antes ou depois de ter ouvido o álbum. Eu gosto de TER CD. Gosto de ver e ler encarte. Gosto de pensar que um dia meus descendentes vão descobrí-los assim como eu descobri a coleção de vinil dos meus tios. Acho essencial CD.
Mas, então, eu compro. E aí eu digitalizo e deixo compartilhando. Inclusive, eu compartilho o que é lançamento muito fresco internacional e o que é nacional. Já recebi puxões de orelha pela prática e já recebi agradecimentos.
É controverso, mas quem sobreviver verá que compartilhar é o que há! :D E (imho) quem compartilhar vai continuar vendendo CDs.
27 de Julho de 2007 02:27

gáston disse...
Concordo em relação ao fato de quanto mais música for compartilhada, mais cds serão vendidos.
Mas só compra cd hoje em dia quem realmente quer e tem grana sobrando pra isso, porq é muito mais prático e viável baixar tudo. E assim vc pode conhecer muito mais bandas e ir aos shows de todas que agradarem.
27 de Julho de 2007 15:01

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Alguns textos sobre o assunto:
Gravadoras processam 8 mil por download de músicas, sendo 20 no Brasil
Cd,usb, mp3: qual será o novo formato?

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E se você está interessado em baixar muita música mas nem sabe muito bem o que quer ou tem preguiça, duas comunidades do Orkut podem ser úteis (sim, ele serve para alguma coisa além de fuxicar a vida dos outros): a RCD, que reúne centenas de links para download de álbuns de todo mundo, além de ser bem organizada, com bandas organizadas por índice e um tópico com os lançamentos de 2007 que já conta com mais de 680 postagens; e a Comunidade de Rock Brasileiro, com bem menos links, mas que às vezes ajuda.

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Fechando, tem a lista de "disco blogues" publicada no URBe. Muito boa.

25 de julho de 2007

downloads, downloads e mais downloads

Já não é novidade alguma as bandas disponibilizarem álbuns completos para download gratuito, mas nos últimos tempos as pessoas estão cada vez mais abertas às possibilidades da prática e fica mais fácil conseguir boa música, inclusive nacional.
Enquanto alguns grupos e gravadoras esperneiam contra a troca de arquivos digitais, a cena independente é uma das que mais se beneficia com os downloads e o utiliza como uma das principais formas de se aproximar do público.

Para se ter uma idéia, há cerca de quatro anos não compro um cds, mas nunca ouvi tanta música como nesse período. Na verdade, acredito que um dos fatores que dificulta o crescimento da cena alternativa brasileira é pequeno volume de obras nacionais disponíveis para download, seja ele legal ou não. Enquanto álbuns internacionais vazam e podem ser baixados meses antes de seus lançamentos oficiais, álbuns de artistas brasileiros independentes caem na rede com dificuldade e muitas vezes são extremamente difíceis de ser encontrados.
Pense: se o público brasileiro não está comprando sequer os cds dos grandes nomes da música internacional, por que iria gastar seu dinheiro com bandas que mal conhece?

É uma questão de conhecimento e bom senso, mas o receio e atitudes anacrônicas de indivíduos envolvidos com a música feita por aqui impedem que a situação melhore de modo muito mais rápido, resultando em problemas de divulgação e cds encalhados.

Por outro lado, felizmente algumas bandas brasileiras não apenas disponibilizam como também incentivam o download de suas músicas, colocando-as em seus sites oficiais e em serviços como Rapidshare, 4Shared e diversos outros. Abaixo você confere uma lista com algumas dessas bandas e os links para download. Aproveite.

Mombojó. Nadadenovo [2004] e Homem-Espuma [2006]
MQN. todos os álbuns e singles
Superguidis. Superguidis
Macaco Bong. Objeto Perdida
UDR. todas as músicas e lados-b
Esquadrão Atari. tudo
Vamoz. To the Gig on the Road
Ludovic. Servil [2004]

11 de março de 2007

Os tempos mudaram. As respostas também.

Muito se comenta sobre as grandes mudanças ocorridas nos últimos tempos no mercado musical, mas são poucas as discussões que se aprofundam no assunto. Desta forma, faltam debates sobre os efeitos da chamada "revolução digital" na vida daqueles que vivem (de) ou se interessam por música.

Para ajudar a mudar este cenário, eis que surge o Chappa - nova música, novas oportunidades, uma espécie de coletivo que visa promover o "desenvolvimento sustentável da indústria da música", através de ações de integração dos produtores e trabalhadores da indústria musical em meio às alterações provocadas pela internet e o desenvolvimento tecnológico.

Focado apenas na produção carioca, o Chappa se define como "o canal carioca da nova música" e trabalha pela "transformação social e a geração de riquezas e empregos em torno de um arranjo produtivo mais eficiente para os agentes locais", como está disponível em seu site, chappa.com.br.

É uma iniciativa que chama bastante atenção não apenas pelo fato de relacionar nova música, internet e avanços tecnológicos, mas também por tratar a música como uma forma de desenvolvimento e geradora de empregos e riqueza. Esta discussão mercadológica-administrativa é ainda mais rara em meio à cena independente.

Os responsáveis por tudo isso são quatro empresas cariocas, todas relacionadas à internet e/ou cultura: Tecnopop, agência de design e desenvolvedora de sites; Rinoceronte, produtora cultural; sobremusica, blog carioca sobre música (dãããã); e a Lunuz, empresa de gestão de projetos culturais.

Para alcançar seus objetivos o Chappa realiza durante todo o mês de março, e início de abril, o Música Chappa Quente, uma série de debates sobre "indústria da música pós-revolução digital", sempre às quartas-feiras, em algumas faculdades do Rio de Janeiro. Serão mais de 40 convidados, entre jornalistas (Alexandre Matias, André Barcinski, Lúcio Ribeiro, etc), produtores musicais e culturais (Fabrício Nobre, Rodrigo Lariú, etc) e gente envolvida em projetos como Creative Commons e C.E.S.A.R, discutindo oito temas relacionados à música nos tempos atuais.

Confira abaixo as datas dos debates, com seus respectivos temas, convidados e locais de realização:

14 de março
9h - A CADEIA PRODUTIVA DA MÚSICA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Convidados já confirmados: Sérgio Sá Leitão (BNDES), Arthur Bezerra (SEBRAE-RJ), Sydney Sanches (advogado, um dos responsáveis pelo estudo Cadeia Produtiva da Economia da Música no estado do RJ), Bruno Levinson (Humaitá Pra Peixe) e Rodrigo Lariú
14h - PÓS-JORNALISMO: BLOGS E INTERNET 2.0
Convidados já confirmados: Diego Assis (G1), Felipe Vaz (Overmundo), Celso Fonseca (Terra) e Berna Ceppas
Local: PUC-Rio, Auditório Pe. José Anchieta. Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea

21 de março
9h - RÁDIOS ON-LINE E PODCASTS: DE OUVINTE A PROGRAMADOR
Convidados já confirmados: Maestro Billy (ABPod), Giuliano Djadjah (Rádio Janela) e Paulo Daudt (Multishow)
14h - YOUTUBE, MYSPACE, NAPSTER, ITUNES: AS NOVAS PLATAFORMAS ON-LINE
Convidados já confirmados: Alexandre Matias, Gisela Castro (ESPM), André do Valle (FGV), Marcelo Ferla e Silvio Meira (C.E.S.A.R)
Local: UFRJ, Salão Dourado do FCC. Av. Pasteur, 250 – 2º andar – Urca

28 de março
9h - ARTISTAS S/A: O TRABALHO ALÉM DOS PALCOS
Convidados já confirmados: André Barcinski, Mauro Benzaquem e Luciano Marsiglia (Revista BIZZ)
14h - NOVOS CONSUMIDORES E NOVAS FORMAS DE MARKETING
Convidados já confirmados: Lúcio Ribeiro, Jerome Vonk, Léo Feijó e André Eppinghaus
Local: ESPM, Auditório. Rua do Rosário, 90 – 12º andar – Centro

04 de abril
9h - MERCADO INDEPENDENTE: EXPERIÊNCIAS E VIABILIZAÇÕES
Convidados já confirmados: Fabrício Nobre (pres. ABRAFIN), Paulo André (Abril Pro Rock), Gabriel Moptop, Gabriel Autoramas e Ricardo Cruz (Rolling Stone)
14h - DIREITO AUTORAL NA NOVA MÚSICA
Convidados já confirmados: Paulo Rosa (pres. ABPD), Creative Commons, Felippe Llerena (iMúsica/ABMI), Bruno Natal e Antonio Carlos Miguel
Local: UERJ, Teatro Noel Rosa. Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã


Obs.: (Impressão pessoal) A única coisa que incomoda é o "todos direitos reservados" no fim da página do Chappa. Uma iniciativa como esta poderia muito bem (e deveria) estar sob uma licença Creative Commons.

31 de dezembro de 2006

Entrevista: Bruno Nogueira

Entrevista realizada com o jornalista Bruno Nogueira no dia 15 de novembro de 2006, sobre o controle das gravadoras sobre a música pop.

Bruno escreve para o caderno de cultura da Folha de Pernambuco, é representante do Estado de Pernambuco no Overmundo, atualmente faz pesquisa sobre indústria fonográfica e internet para seu mestrado na Universidade Federal de Pernambuco, onde também da aula, e mantém o site Pop Up!, sobre cultura pop.

Fala-se muito nas possibilidades geradas pela internet para que os artistas independentes divulguem seus trabalhos e na "morte das gravadoras". Porém, ao se analisar a programação das rádios, é possível perceber que a maioria dos artistas veiculados são contratados de grandes gravadoras. Na sua opinião, é correto afirmar que no Brasil as gravadoras ainda controlam a música pop?

A música - e o mercado de música - no Brasil é tradicionalmente atrasado. Para ter uma idéia, a produção efetiva de música só chegou aqui no século XVII, com a vinda da família real. Quando o Brasil começou a desenvolver suas próprias características, a ditadura militar fez um grande bloqueio no acesso a informação.

O que a gente vive é um reflexo disso. É correto afirmar que as gravadoras controlam a música pop sim, porque é um formato antigo e o Brasil não se adaptou ainda.


Os últimos anos na Europa foram marcados pelo movimento das bandas que primeiro se tornam famosas na internet, de forma independente, para então assinarem com uma grande gravadora. No Brasil, o movimento contrário ocorre já há alguns anos, com artistas consagrados abandonando as majors. Qual seria o fator (ou fatores) determinante(s) para essas realidades díspares?

Lá fora, os artistas se lançam independentes, mas assinam com uma major sim. Lilly Alen foi assim, Franz Ferdinand e Interpol também foram assim.

O que não existe ainda, no Brasil, é esse olhar para a Internet. Exceto recentemente, quando o Moptop foi contratado pela Universal. Tirando esse novo caso, historicamente nenhum artista se deu realmente bem por ter se lançado online. O Cansei de Ser Sexy entrou na Trama, mas a Trama ainda é uma gravadora muito pequena.


Sites como Trama Virtual e Fiberonline, apesar dos milhares de artistas cadastrados, ainda não catapultaram nenhum nome para o sucesso junto ao grande público. Isto pode ser considerado um reflexo dos veículos de massa e da mídia do entretenimento, viciados e preguiçosos? Ou falta qualidade à produção independente nacional?

É um reflexo dessa mediações sim. Dizer que é porque são viciados e preguiçosos, no entanto, é arriscado demais. A questão é que o processo natural da música é bem lento, enquanto esse suporte digital é rápido demais. Ficamos querendo olhar para a esquina e ver o novo Chico Science. Lendo atentamente o que é publicado sobre música nos jornais e revistas, todos têm tendência de escrever como se tal artista fosse o novo definitivo. Quando não é assim.

Demorou para Chico Buarque chegar onde está. Demorou para Chico Science também. Nenhuma banda vai atingir o mesmo status com cinco anos de estrada, um disco e uma demo gravados. Precisa mais. Esses artistas que aparecem lá fora por causa da Internet, aparecem porque vivem num contexto social e econômico totalmente diferente do Brasil. Se olhar com calma, os veículos de mídia lá fora são tão "preguiçosos e viciados" quanto os nacionais.
foto: flickr do bruno nogueira

As gravadoras ainda comandam o mercado fonográfico?

Por Marcelo Santiago, Juliana Rocha, Carlos Andrei, Clara Isabel, Clara Guimarães e Carolina Rausch


Mercado musical comercial, mercado musical alternativo. Quem ganha a disputa?


Reflexo da popularização da internet e do avanço das novas tecnologias, a troca de arquivos através da internet acarretou nos últimos anos em uma enorme queda na venda das gravadoras. No Brasil não é diferente, ainda mais tratando-se do país que encontra-se na terceira posição dos países nos quais mais se comercializa CDs falsificados. As vendas que antes ultrapassavam um bilhão, agora estão a R$ 600 milhões de reais.

As grandes gravadoras (majors), estáticas a mais de 20 anos, estão repensando suas estruturas. As pequenas empresas do setor (indies) experimentam um período de crescimento, mesmo em meio à crise. Elas, mais novas no mercado, parecem saber enxergar a sua mudança. Segundo a jornalista Maria Luiza Kfouri, no ano passado, gravadoras independentes, como a Biscoito Fino, a Acari, a Revivendo, a Fina Flor, a Bizarre, a Delira Música, a Dubas, a YB, a Maritaca, a CPC-Umes, a Trama, a Tratore, a Lua Discos, a Visom, a Velas, a Palavra Cantada e o Núcleo Contemporâneo foram responsáveis pelo lançamento de mais de 100 títulos de excelente qualidade de música instrumental e vocal. Segundo dados apresentados pelo Ministro da Cultura Gilberto Gil, as gravadoras indies já representam cerca de 40% do mercado fonográfico brasileiro. Além delas, outros tantos lançamentos foram produzidos independentemente, pelo próprio músico.

Uma das origens da pirataria, o MP3, vem ensinando a indústria que a velocidade da mudança tende a ser mais rápida e que os seus impulsionadores, os consumidores, têm que ser ouvidos.

Em setembro deste ano, a Universal, maior gravadora do mundo, anunciou que disponibilizará todo o seu catálogo para download gratuito, ainda este ano. A atitude foi seguida pela EMI, outra das maiores gravadoras do mundo. Perceber que as maiores gravadoras do mundo estão se rendendo a internet deixa claro que chegamos a um ponto do qual não há volta, e, para conseguirem sobreviver em meio aos novos tempos, terão de mudar.



As marcas da revolução digital

Voltar-se contra a troca de arquivos na internet atualmente, para as gravadoras, é como mover-se em areia movediça. Já não há um grande site para se responsabilizar pela distribuição das músicas, como o Napster ou o MP3.com, no fim da década de 90. Programas de peer-to-peer (pessoa-para-pessoa), como Emule, Kazaa, Shareaza e os diversos controladores de torrent tornam impossível o controle, já que os usuários fazem o download diretamente do computador de outros usuários, em redes criadas em torno destes programas.


Uma alternativa utilizada pelas gravadoras, na tentativa de se desestimular o download ilegal de músicas, é processar o usuário final, a pessoa que faz o download. Mas, como afirma Túlio Borges, sócio do clube Mary In Hell em Belo Horizonte e membro das bandas Esquadrão Atari e Millicents, "esta é apenas uma forma de tentar amedrontar as pessoas". Túlio e seu companheiro de banda, Daniel Werneck, acreditam que as gravadoras podem alterar seus métodos ou falirem. "O compartilhamento de arquivos na internet não deixará de existir, não importa se você acabará com este ou aquele software, sempre aparecerão novos programas, porque a internet é um meio vivo", diz Túlio.


Daniel relembra que "quando surgiram os vídeos cassetes, os grandes estúdios de cinema queriam processar as empresas que produziam estes equipamentos. Só depois é que perceberam que ali se criava um novo nicho a ser explorado". Para os dois, a situação atual é a mesma: as gravadoras brigam, ao invés de se adaptarem à situação. (Assista ao vídeo da entrevista aqui).



A banda americana Clap Your Hands Say Yeah!. A foto só está aqui porque o rapaz que a tirou, Justin Cox, liberou-a pelo Creative Commons

No exterior, a situação é mais extrema. Alguns dos maiores fenômenos do rock e pop da Inglaterra nos últimos tempos surgiram na internet, sem participação alguma de grandes gravadoras. Foi assim com o grupo Arctic Monkeys, que conquistou uma enorme legião de fãs apenas com sua página no site MySpace e fez diversos shows pela Europa sem ter lançado nenhum disco. Ao lançar seu primeiro álbum, por uma gravadora independente, vendeu 150 mil cópias na primeira semana. Com a banda americana Clap Yor Hands Say Yeah aconteceu caso semelhante. De forma independente, apenas com sua a divulgação em sites como o MySpace, conseguiu vender 50 mil cópias de seu álbum de estréia.

Esse mercado alternativo de produção e consumo de música, seduziu também o ministro da cultura Gilberto Gil. Em um fórum realizado na cidade de São Paulo, com o objetivo de discutir o futuro da indústria da cultura em função da convergência digital, o ministro não cansou de ressaltar que é primordial que as grandes gravadoras se adequem aos novos modelos viabilizados pela democratização da internet. Para ele, a internet já se transformou em objeto imprescindível para aqueles que fazem música. Além disso, se instituída de maneira positiva, a venda de músicas na rede pode servir como antídoto contra a pirataria. Porém, o dado mais relevante e gerador de controvérsias foi aquele relacionado ao crescimento de gravadoras independentes no Brasil. De acordo com os dados apresentados por Gil, as indies representam cerca de 40% do mercado fonográfico do país.


Rick Bonadio contesta a estatística afirmando que as gravadoras alternativas não devem representar mais que 5%. "Não sei de onde ele tirou esse número. Basta você ir até uma loja de CD ou escutar uma emissora de rádio para perceber que a informação não confere", diz o dono da Arsenal Music alguns dias antes de negociar seu selo com a Universal. Já Leo Bigode, do selo goiano Monstro Discos, acredita no Ministro da Cultura, mas é mais realista: "Concordo, mas aí entra tudo: gospel, Calcinha Preta...Tudo o que não está nas majors. Se considerarmos isso, concordo com o patrão Gil", afirma Bigode.

Esclarecendo a confusão de Gil

Segundo a pesquisa realizada pela jornalista Andréa Thompson, “As Gravadoras Independentes e o Futuro da Indústria Fonográfica no Brasil”, disponível no site Overmundo, não existe um consenso a respeito do termo “independente”.

Nesse trabalho, a jornalista revela algumas opiniões acerca disso. Para Jerome Vonk, diretor executivo da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), “Independentes são aquelas [gravadoras] que não fazem parte do oligopólio, daquelas quatro empresas históricas que detém 72% do mercado mundial. Pela leitura IFPI (International Federation of the Phonographic Industry52), 72% estaria na mão das multis e 28% na mão das independentes”

As quatro empresas históricas que o diretor executivo da ABMI menciona são a Warner, a EMI, a Sony-BMG e a Universal Music. Estas seriam “as poderosas majors, fruto de um conglomerado internacional que desde os primórdios da indústria fonográfica foi abocanhando o mercado mundo a fora. Do outro lado, estariam os independentes, historicamente mais fracos do ponto de vista econômico”, afirma Andréa Thompson.

Para outros, a palavra independente foi perdendo a sua representatividade original a partir do momento que ocorreu sua popularização e ela passou a designar também artistas (indies) que estão fora da grande mídia e da tendência predominante (mainstream).

O maestro Antonio Adolfo, que em 1977 lançou um disco independente, chamado Feito em Casa, com uma primeira tiragem de 500 cópias, em entrevista à Andréa Thompson, fala sobre o que pensa a respeito disso: “No início, a palavra era utilizada por aqueles selos pequenininhos e por quem se auto-produzia, como eu fiz e como vários outros fazem até hoje. Hoje em dia passou-se a utilizá-lo o termo independente para qualquer gravadora que não faça parte desse conglomerado internacional. (...) Usam o termo porque dá prestígio.”


Majors e Indies

Conhecidas como empresas que produzem e distribuem músicas, as gravadoras são divididas em dois modelos de negócio: major e indie. A expressão major é utilizada para identificar todas as gravadoras transnacionais, grandes conglomerados internacionais que atuam em múltiplos setores e diversificam seus negócios, investindo em cultura e entretenimento. As indies, ou independentes, são as pequenas gravadoras nacionais. Os selos e gravadoras independentes são as empresas que se propõem a tarefa de descobrir os talentos musicais e promovê-los, investindo nisso seus próprios recursos, sem financiamentos ou mecanismos de incentivos específicos.

O Brasil abriga cerca de 80 gravadoras e selos independentes, segundo dados da ABMI ( Associação Brasileira de Música Independente) de 2003. A maior dificuldade enfrentada pelas indies no mercado é a distribuição. Apesar de poder produzir o CD com a mesma qualidade de uma gravadora major, a divulgação e distribuição não é tão fácil como é para uma major, que possui uma média de 20 representantes espalhados pelo país, os quais divulgam e vendem seus CDs para os lojistas, um número impensável para os indies.

O caso de maior sucesso entre as gravadoras independentes é a Trama. Fundada no ano de 1998, a gravadora tem como objetivo lançar e divulgar a música brasileira de qualidade no país e no mundo, buscando a constante renovação, além de apostar na disponibilização gratuita de alguns de seus lançamentos à título de promoção e na distribuição on-line, uma demonstração de utilização da ferramenta que deu origem a pirataria como estratégia de marketing.

Na contramão do crescimento do mercado alternativo tem-se o exemplo da gravadora Arsenal Records. A major Universal Records de propriedade do produtor Rick Bonadio adquiriu o selo Arsenal. Com a aquisição, bandas e artistas como CPM 22, IRA!, NXZero, Hateen, Tihuana, Leela e Supla não pertencem mais ao mundo da música independente. Rick Bonadio porém, segue nas funções artísticas e de marketing.



A pirataria atrapalha o mercado fonográfico?

O Brasil ocupa desde 1999 o 3º lugar no ranking mundial da pirataria, perdendo apenas para a Rússia e a China.

A pirataria não passa apenas pela questão econômica. Se assim fosse as pessoas de baixa renda tenderiam a comprar mais CDs e não é o que acontece, segundo a pesquisa de Romana D'Angelis Ramos dos Santos Leal. A questão também se relaciona ao valor percebido do produto em detrimento de seu valor real.

A compra do CD pirata ocorre em sua maioria devido aos altos preços praticados no mercado. Um outro fator para a compra destes tipos de CDs é a não existência do mesmo lançados por gravadoras oficiais. O não conhecimento do produto ou interesse pelo todo também é apontado como motivo para a compra do CD pirata.

Com o crescimento do mercado ilegal, foram fechados dois mil pontos de venda de discos, houve redução de 30% do número de funcionários das gravadoras e 7% nos lançamentos e diminuição de 18% dos artistas contratados.

A pirataria ocorre através de diversos programas e/ou sites que permitem o download de arquivos musicais. Exemplo disso é o Napster, um sistema de trocas de arquivos musicais, criado em 1999, que avançou quando possibilitou a instalação de uma rede de distribuição musical, até então de exclusividade das majors.

O MP3 e o Napster deram início a um novo formato de negócios: a venda de músicas pela Internet. Segundo Alexandre Agra, diretor de marketing do site iMusica, o Napster determinou uma mudança não controlada pela indústria fonográfica, contribuindo basicamente ao saber dominar a tecnologia disponível e inventando um novo modelo de venda de música.

Criado em 2003, o iTunes da Apple, é um dos modelos mais avançados de venda de música pela Internet. Através de seu cartão de crédito qualquer pessoa pode comprar um arquivo musical, tanto das indies quanto das majors, por 99 centavos de dólar.

Assim, percebe-se que a pirataria é uma das grandes inimigas do mercado fonográfico. Ela se torna um grande obstáculo para as gravadoras, que se preocupam em combatê-la ao invés de pensar no porque de tamanho sucesso e alcance. Um novo modelo de negócio surgiu e cabe às empresas da indústria fonográfica, daqui pra frente, saber explorá-lo para não só recuperar os clientes perdidos como também conquistar novos.


Estratégias para vender

O crescimento e desenvolvimento do mercado alternativo musical obriga as bandas pop que ainda dependem de uma gravadora a adotar estratégias de lançamento de discos. Com a banda mineira, Skank, não foi diferente. Uma das estratégias encontradas pelo grupo para promover seu novo disco, Carrossel, é uma ação voltada para usuários da operadora de telefonia celular Tim. Aqueles consumidores que adquirirem o celular Walkman RW300i levam para casa o novo CD e mais três faixas bônus. As versões ao vivo de "As Noites" e "Amores Imperfeitos", além do videoclipe do single "Uma canção é prá isso". É a primeira vez que um CD completo é lançado em versão para celular no Brasil.

"Para que CD se artistas e fãs já estão conectados"?

As grandes gravadoras exercem ainda grande influência na produção musical, determinam o que será lançado e até aquilo que será tocado nas rádios. Porém, esse fenômeno está relacionado principalmente à música pop, pois, bandas bandas independentes como Cansei de Ser Sexy, Mombojó e Cordel do Fogo Encantado se firmaram como grandes sensações de 2006 sem a ajuda de uma gravadora ou de uma estratégia de marketing eficiente para impulsionar a venda de discos.
Todas elas representam produtos dessa nova cultura musical, baseada no uso da ferramenta internet e até mesmo do antigo "boca-a-boca". Utilizando a mesma estratégia de bandas estrangeiras como a inglesa Arctic Monkeys ou a americana Clap Your Hands Say Yeah!, esses grupos nacionais também lançaram todas as suas músicas na rede, e o melhor sem a ajuda de ninguém.

O único homem do CSS, Adriano Cintra, em show no Lapa Multishow em BH (foto: Marcelo A. Santiago)


O exemplo que melhor comprova a eficácia dessa nova tendência é o da banda paulista Cansei de Ser Sexy. Composta por cinco mulheres e apenas um homem, o grupo fez a mesma coisa que muitas bandas em busca de sucesso fazem atualmente. Colocaram as músicas no TramaVirtual, que é hoje o site de referência da música alternativa, pois acreditavam que era a melhor forma de fazer com que as pessoas as escutassem. A tática deu certo, o grupo começou a fazer shows e em pouco tempo foi convidado pela gravadora alternativa Trama para gravarem um CD. O pessoal da banda nem esperava por isso, argumenta a guitarrista da banda Ana. "Na época não pensávamos em lançar disco, mas depois quando ficou sério, começamos a gravá-lo com versões diferentes das que estão online". O sucesso das meninas (ops, tem um cara também), foi tamanho que eles foram contratados em pela SubPop, gravadora que revelou grandes nomes do grunge como Nirvana e Mudhoney e seguem hoje em turnê nos Estados Unidos e Europa. A banda ganhou mais destaque em diversos jornais e revistas americanos especializados em música do que a também brasileira Mutantes que voltou com uma nova formação e se apresentou nos EUA no mesmo período que o Cansei de Ser Sexy. Indagadas se elas acreditam que estamos hoje caminhando para uma época na qual as bandas viverão apenas de shows, elas respondem que sim, e que isso é muito positivo.

"Achamos que há uma nova ordem, mais democrática na indústria, e que isso é muito bom, porque o mundo da música não é mais dominado por meia dúzia de grandes gravadoras", afirmam. Além disso elas reconhecem que o sucesso que elas têm hoje é fruto dessa nova alternativa de divulgação de música.

Outra banda que se privilegiou com a estratégia, foi a pernambucana Mombojó. Formada em abril de 2001, a banda já em 2002 se apresentou na décima edição do Abril Pro Rock ganhando diversos elogios da crítica local. Em 2003 eles gravaram seu primeiro CD "NadadeNovo" após serem contemplados com recursos do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Recife.



Mombojó no Conexão Telemig Celular, em Belo Horizonte. O público adorou (foto: Marcelo A. Santiago)

Eles disponibilizaram o CD na íntegra no site da banda: www.mombojo.com.br. E caíram no gosto da galera da cena alternativa nacional. Esse ano eles lançaram seu segundo disco "Homem-Espuma" e já são conhecidos do público mineiro. Só em 2006 eles se apresentaram em Belo Horizonte três vezes. Esgotaram os ingressos para as três apresentações. O Mombojó é hoje a banda que melhor representa a nova MPB.

Para especialistas no assunto como o advogado e um dos fundadores do site Overmundo, Ronaldo Lemos, essa nova tendência não favorece apenas o artista, mas também seu fã. Segundo ele, a internet começou como um ótimo lugar para distribuir música, porém, hoje ela se torna também um canal perfeito para o marketing feito pelos próprios fãs. Pode ser encaixado como exemplo disso a banda Cordel do Fogo Encantado. O grupo pernambucano só fez sucesso graças aos fãs que passavam e trocavam as músicas através de mp3. Sem uma grande gravadora, a banda conseguiu vender 15 mil cds.

Na mesma onda, está o website MySpace, uma espécie de Orkut que permite que seus amigos sejam suas bandas preferidas.

Ronaldo Lemos é enfático, "Para que CD se artistas é fãs já estão conectados"?


Jabá e gravações independentes

O músico Mário Moura acredita que viver de música depende da entrega. “Tem muito artista bom, que faz um trabalho ótimo que não está na mídia. Dá para sobreviver - sem muito luxo, é verdade”, comenta. Sambista mineiro, com veia carioca, Moura vive e acompanha as transformações que a música – e os músicos – têm sofrido.

A facilidade com que se grava hoje em dia faz com que artistas desconhecidos possam divulgar o trabalho de maneira mais eficiente do que se fazia há algum tempo. O problema, de acordo com Moura, não é gravar e, sim, distribuir o produto. “Hoje a tecnologia permite o acesso fácil à gravação, mas aí depois que a pessoa grava não tem como distribuir. Tinha-se que pensar em uma solução, um subsídio cultural, correios com taxas mais baratas. O governo tem que ajudar”, diz o músico.

Para a cantora e estudante de psicologia Luciana Bekerman, no entanto, é fácil gravar, mas em geral as gravações não são de boa qualidade. “Fica tudo muito caseiro, amador. E a gravação profissional requer um investimento inicial maior, que é uma quantia alta para muita gente”, reflete.

Luciana considera também ser difícil “viver de música”. “É difícil porque não tem mercado e dependendo do estilo de música é mais difícil ainda! O que se pode fazer é tocar em barzinho, que paga pouco. Além disso tem que estudar e trabalhar com outra coisa, para poder investir em uma formação, que é cara”, observa.

Independente das dificuldades encontradas para gravar, distribuir e viver bem através da música, a paixão acaba sempre imperando entre os músicos. Tanto é que o tom muda quando se fala em jabá, ou o dinheiro que as grandes gravadoras pagam às rádios para tocar músicas de artistas específicos. Moura acredita que tem que haver punição para este tipo de ação. “É um absurdo! Funciona como um caixa dois, é corrupção como qualquer outra. As gravadoras já têm um público grande, se não quer investir nos independentes, tudo bem, mas invadir o espaço do rádio dessa forma é crime”, critica.

As rádios deveriam funcionar como um espaço democrático de comunicação, que toca músicas de todos os tipos, permitindo ao ouvinte conhecer novos talentos, produções desconhecidas, assim como tudo que está freqüentemente na mídia. “O cara bom que não tem gravadora não é ouvido, isso é uma palhaçada”, reclama Luciana. A cantora completa: “A manipulação que ocorre com o jabá é terrível, as gravadoras não podem decidir o que o público vai ouvir”.


A situação dos artistas, Mário Moura e Luciana Bekerman, são exemplos de um grande número de músicos brasileiros que ainda aguardam uma oportunidade maior para deslanchar suas carreiras. Um dado revelado por Ronaldo Lemos, em palestra realizada em Belo Horizonte, no Palácio das Artes, dia 24 de Outubro, dá o tom da realidade para os artistas nacionais. Segundo Ronaldo, atualmente, a gravadora Sony-BMG possui apenas 52 músicos brasileiros contratados.



O "Udora"

O caso da banda mineira, Udora, que já se chamou Diesel é um pouco curioso. O grupo ganhou o festival Escalada do Rock o que culminou com a apresentação no palco principal do Rock in Rio 3 e na promessa de gravação de um CD pela gravadora Trama. Porém, o lançamento do CD nunca se concretizou, porque a banda nunca aceitou cantar em português. "Não assinamos com ninguém no Brasil porque nunca abrimos mão de cantar em inglês", afirma Gustavo Drummond, vocalista e guitarrista da banda.

No mesmo ano o grupo decidiu sair do Brasil e voar para Los Angeles a fim de tentarem uma carreira internacional. A banda conseguiu contrato com a gravadora J Records, porém o disco foi arquivado por "não ter viabilidade comercial". Lançaram então, em 2005, um disco independente intitulado Liberty Square. O CD vendeu dez mil cópias e eles se apresentaram mais de 150 vezes em território americano. Porém, ironia do destino ou não, o Udora, está de volta ao Brasil e - pasmem!- cantando em português. Algumas músicas em português já podem ser ouvidas no site do Trama Virtual.



Lobão versus Skank

Dois artistas de peso no cenário musical defendem opiniões opostas na mídia. Por um lado, Lobão, cantor, compositor e criador da revista Outracoisa, acredita que a as gravadoras estão com os dias contados. Do outro lado, Skank, umas das maiores bandas do rock / pop do país, com milhares de discos vendidos, diz que o poder ainda é deles.

Por mais polêmico que possa parecer aos olhos dos desatentos, Lobão é sim, uma das figuras mais importantes da música no Brasil. Não por sua obra especificamente, mas por sua briga contra as gravadoras e pelo seu trabalho frente à Revista Outracoisa.

A Revista Outracoisa foi criada em 2003 tendo como mote a cultura alternativa e com um grande truque na manga: em cada edição é lançado um CD inédito de um artista independente. Já foi distribuído CDs de artistas como BNegão (ex Planet Hemp), Cachorro Grande, Arnaldo Baptista (ex Mutantes), Plebe Rude, Bidê ou Balde, do próprio Lobão, entre outros. Além da revista, Lobão ainda conseguiu através de articulação política aprovar a lei da numeração dos discos e encabeça a campanha a favor da criminalização do jabá.

Em entrevista ao site Rock em Geral Lobão diz que é uma questão de tempo para os independentes dominarem o mercado e diz que as gravadoras estão falidas e que ainda as mantém em pé é a pratica do jabá: “E você vê bem, o que hoje em dia essas majors são? Não têm dinheiro, estão falimentares e qual é o trunfo que elas têm? Elas são um monopólio de agenciamento para as rádios. Então é uma formação de quadrilhas, aqueles caras, meia dúzia de três ou quatro que estão ali. Tem que acabar com esses caras.”

Do outro lado da moeda, está o Skank. Completamente inserido no mainstream o quarteto mineiro é um fenômeno de vendas de discos no meio dessa suposta crise. As rádios tocam suas músicas em exaustão, seus novos clipes são exibidos diariamente nos programas musicais e suas músicas são hits de novelas. São autores de grandes sucessos e músicos talentosos. E, por essas e por outras, defenderam as majors em entrevista ao site do Programa Alto Falante: “A gente tá vendo que eles estão meio moribundos, mas ainda tem muito poder. (...) Pros profetinhas de plantão, se eles estão anunciando que as gravadoras morreram, então venham tirar o morto da porta, porque eles não estão deixando ninguém tirar o morto da porta, não estão deixando ninguém passar (risos). Os caras ainda detém um poder mesmo. Tem uma ordem nova que não se estabeleceu por completo e tem uma velha que não morreu ainda.”

Claro que essa discussão vai durar muito. As gravadoras ainda têm uma relevância dentro do cena musical, no entanto a cena independente lança mais artistas e seus discos que as majors. Há uma carência sentida tanto pelo público quanto pelos artistas de novos nomes no mainstream. A impressão que dá é de um eterno déjà vu. Os velhos conhecidos em novas embalagens e os recém-chegados com suas velhas fórmulas. A época é transição e ninguém perde por esperar para ver (e ouvir) o que vai acontecer.

(você pode perceber algumas variações na formatação desta matéria, mas estas são devidas ao fato de ter sido escrita de forma colaborativa através do Google Docs, para a disciplina Cibercultura e Jornalismo Digital. A formatação original dos autores de cada trecho foi mantida, corrigindo-se apenas os eventuais erros ortográficos. A matéria também foi publicada, com destaque na capa, no site da PUC Minas.)

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