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8 de março de 2008

Natura e Oi divulgam projetos a serem patrocinados em 2008

(Com um certo atraso, mas aí vai)

A lista de projetos patrocinados pela empresa de telefonia Oi em 2008 inclui os festivais Eletronika, DoSol e Indie Rock, enquanto a Natura, em seu edital para Minas Gerais, irá patrocinar os festivais Stereoteca (cujo projeto foi escrito por mim, assim como o do rapper Renegado, que também foi selecionado), Jambolada e o FAD - Festival de Arte Digital.

A linha de patrocínio da Oi é voltada para a área de tecnologia e há predominância de projetos do audiovisual (tendência entre as empresas de telefonia?), enquanto o edital de música da Natura buscou selecionar projetos que envolvem a produção coletiva e a diversidade cultural brasileira.

Confira abaixo a lista completa dos projetos beneficiados com o patrocínio da Natura. Os projetos com os quais tenho alguma ligação estão em negrito e alguns possuem comentários.

Stereoteca – diversidade musical em Belo Horizonte
Terceira edição do festival que leva música para o teatro da Biblioteca Luiz de Bessa, projetada por Oscar Niemeyer. O festival se estende por vários meses do ano, com shows toda quarta-feira e apresenta apenas artistas mineiros, de diferentes estilos, com certo destaque para os ritmos regionais e MPB. Em 2008, o festival apresentará exclusivamente shows de lançamento de CD's, indo do indie rock às cantigas de roda e à bossa eletrônica pop. Como sei disso tudo? Além de ter escrito o projeto para o edital da Natura, também trabalho na produção do Stereoteca (eis o jabá).
Uakti – formação musical e reciclagem de multiplicadores
Sabia que o grupo Uakti é também o responsável pela trilha sonora de Blindness (ou Cegueira, como o filme deverá ser lançado no Brasil), adaptação do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, dirigido por Fernando Meirelles?
Sabará Musical – música instrumental no Teatro Municipal de Sabará
Minha cidade natal e onde atualmente vou apenas para dormir enquanto não arrumo um novo lugar bom, bem localizado e barato (hahaha) em BH.
Luthier – formação de jovens na arte de construir instrumentos
BH Choro – música popular em praça pública

Música no Museu – música no Museu de Arte da Pampulha

Marku – show de Marku Ribas pelo interior de Minas
Manutenção da Companhia Burlantins – turnê de espetáculo musical infanto-juvenil

2º FAD – Festival de Arte Digital
Do Oiapoque a Nova York – shows do rapper Renegado
Também escrevi esse. O pessoal da Natura esqueceu de escrever que não são apenas os shows que acontecerão, mas também uma série de oficinas pelo interior de Minas Gerais, nas quais o Renegado (que mistura hip hop com bossa e MPB) irá ensinar ao público jovem como utilizar celulares, tocadores de mp3 e internet para produzir conteúdo artístico.
Jambolada – música independente em Uberlândia
IV Festival Internacional do Violão – tradicional encontro de violonistas renomados

Rosas para João – música inspirada em Guimarães Rosa

A lista da Oi é enorme, já que inclui projetos de todo o Brasil (apesar da maioria ser do Rio de Janeiro), então selecionei apenas alguns. A lista completa está no site do Instituto Oi Futuro.

Indie 2008 - Mostra de Cinema Mundial | Minas Gerais | Cinema
O Indie é uma mostra de cinema nacional e internacional realizado em Belo Horizonte, focado, principalmente, na exibição de longas e médias-metragens. Sua meta principal é formar um público espectador para o cinema autoral e independente*.
Feliz Natal | Rio de Janeiro | Cinema
Primeiro longa dirigido pelo ator Selton Mello (assista isso!) Feliz Natal é um filme urbano, contemporâneo e pautado nas relações humanas, em que as grandes reviravoltas estão não em fatos externos, mas no interior das próprias personagens*.
O Fim e os Meios | Rio de Janeiro | Cinema
Novo projeto de longa-metragem de Murilo Salles. Nele, o diretor retoma o caminho do thriller psicológico. O filme acompanha a vertiginosa aventura de Paulo Martins, que, prisioneiro de sua fuga e por causa dela, acaba tendo que reavaliar sua vida e as coisas que o cercam*.
Música para Todos | Piauí | Música
Projeto de Arte-Educação que atende crianças e jovens oferecendo gratuitamente cursos nas modalidades de: Piano, Teclado, Percussão, Violão, Contra-baixo, Flauta-Doce e Canto*.

* resumos disponíveis no próprio site do Oi Futuro.

28 de agosto de 2007

falácia

Na quarta-feira passada fui a uma palestra intitulada "Música e tecnologia - produção, veiculação e escuta musical na era da cibercultura", comandada pelo Frederico Pessoa, em mais uma edição do Oi Cabeça, evento quinzenal organizado pela Oi Futuro no Museu das Telecomunicações em Belo Horizonte. Os encontros sempre abordam temas relacionados a arte e tecnologia e têm entrada franca, começando às 19:00. Bem interessante.

O parágrafo acima é apenas para uma breve contextualização, já que o tema deste texto foi suscitado pelas discussões daquela noite: a atual situação da música e seu passado/futuro, o modo como a ouvimos e sua distribuição.

Em uma postura de certa forma retrógrada e conservadora, Pessoa criticou o fato de na atualidade as pessoas não "apreciarem" a música como antigamente, separando o devido tempo para ouvi-la sem interferências externas, utilizando-a mais como uma forma de "fundo sonoro" ou uma "trilha sonora urbana".

Oras, há algum problema nisso? Segundo ele, sim. As pessoas já não analisariam a música à fundo, dando a entender que por isso a mesma fosse desvalorizada. Mas a questão que me vem à mente é: a música precisa ser estudada durante todo o tempo? Sua função não é divertir e dar prazer? Se eu (e a grande maioria das outras pessoas) simplesmente gosto de ouvir música e não tenho interesse em me tornar um estudioso da teoria (analisando escalas, tons, harmonia, etc) estou desmerecendo-a ao sair pela cidade com meu mp3 player, fazendo com que meu dia seja extremamente mais agradável?

A postura assumida durante a palestra em relação a esse assunto me pareceu tão absurda que me fez lembrar do mundo paralelo em que boa parte dos teóricos e acadêmicos vive (no caso, os músicos graduados, ressuscitando o clichê de amantes da forma e da técnica e não da sensação provocada). E, quando coloquei se o enorme volume de música consumida atualmente não seria extremamente benéfico tanto para o público como para os artistas, sua resposta foi mais ou menos essa: "...o problema é que, como você mesmo diz, a música é muito CONSUMIDA hoje, as pessoas a tem como um produto...".

Para dizer a verdade, talvez tenha sido justamente essa questão que tenha feito com que eu viesse até aqui escrever sobre a palestra. Porque,
colocada de tal forma, considero essa afirmação uma grande estupidez, de um saudosismo inexistente. A seu ver, antigamente a música não era consumida? Seriam os grandes concertos de música clássica, gratuitos, abertos ao grande público? Os compositores e músicos dos séculos passados não lucravam com sua arte?

A música, assim como a arte em geral, é consumida, nossa sociedade é capitalista e por isso é inevitável que ela se torne um produto. O ponto crucial é que à medida em que as intenções mercadológicas passam a interferir na criação intelectual, aí sim temos um (grande) problema, resultando em superficialidade e estratégias de divulgação para se lucrar mais e mais.

E, se pensarmos bem, talvez este seja o momento na história em que mais se teve (temos) acesso à música de graça, o que derruba as afirmações de Pessoa. Afinal, são milhões e milhões de downloads por mês e tecnologia barata para cópias de CDs e DVDs, permitindo que a música circule cada vez mais livre. O modo como nos relacionamos com a música pode sim ser "consumidor / produto", mas à medida que não pagamos e continuamos a ter acesso a essa mercadoria, trata-se de uma relação nova e instigante que preocupa mais aos desinformados e saudosistas.

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