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20 de março de 2012

Leonardo Marques e a esquina indie do clube

Não estávamos preparados. De repente, sem aviso, Leonardo Marques fez sua estreia solo com um dos melhores lançamentos de 2012 até o momento. Dia e noite no mesmo céu tem pouco menos de 30 minutos, mas o suficiente para viciar e emocionar intensamente. Leo cita uma nostalgia melódica que perpassa o álbum. Suas canções remetem a cenários bucólicos, românticos e solitários. Não por acaso, trilhas sonoras são algumas das inspirações. Mas, neste caso, cabe ao ouvinte uma investida solitária pelos caminhos indicados por Leo.

Dia e noite no mesmo céu é o encontro de uma Minas Gerais de tempos passados e Los Angeles. Lô Borges e Elliott Smith tocando juntos no quarto, afastados do mundo, descarregando emoções. Uma surpresa para quem conheceu Leo como guitarrista da Diesel, uma das melhores bandas de rock que já existiram em Belo Horizonte e que teve relativa projeção no Brasil no início dos anos 2000 e no exterior, quando trocou de nome para Udora, e também para quem o conhece como membro do combo criativo Transmissor, que em 2011 lançou o 2º CD da carreira, Nacional.

Isolamento e introspecção estão presentes não apenas nas letras, mas também no processo de criação do álbum. Leo gravou todos os instrumentos, exceto bateria e sopros (este, em apenas uma música). Das nove faixas, duas são em inglês e uma instrumental, reflexos de suas influências e trajetória.

No ano de comemoração de 40 anos do clássico Clube da Esquina, é sintomático que uma nova leva de artistas se destaque com trabalhos que não se limitam em homenagens ou fiquem perdidos em elucubrações. No caso de Leonardo Marques, o trabalho vai além, acentuado pela sua sensibilidade e apuro estético. Nunca o termo "pop barroco" fez tanto sentido pra mim.



Entrevista com Leonardo Marques

O Transmissor parece ser uma banda na qual os integrantes têm bastante liberdade criativa (o que se reforça com a alternância de vocalistas). Por que fazer um álbum solo? Desde quando trabalha nesse CD e quanto tempo durou o processo de gravação?
O Transmissor foi criado por essa necessidade criativa de cada um se expressar, temos liberdade total pra fazer o que quiser na banda. Começei a fazer um disco solo porque queria fechar um ciclo de canções que ainda não tinha gravado e dessa forma começar outro ciclo nos próximos discos do Transmissor. Venho trabalhando nesse disco ao poucos nos últimos 2 anos.


As músicas me passam uma sensação de isolamento, criam imagens que remetem ao interior (minha visão pessoal). O título do CD, as referências a elementos domésticos em algumas faixas, o fato de você tocar quase todos os instrumentos na gravação e colocar Casa Branca como sua cidade no Facebook sugerem uma espécie de afastamento. De que forma essa aparente introspecção apresenta suas intenções com esse CD?
Começei a fazer o disco ainda no meu apartamento em BH, e terminei ele depois que me mudei pra Casa Branca. Talvez mesmo antes de estar mais afastado da cidade já projetava essa ideia de isolamento na minha cabeça e isso pode ter ido parar nas composições.
Foi um processo muito prazeroso gravar o disco, descobrir as possibilidades sonoras que queria, gravar quase tudo sozinho, tinha momentos que me era como estar lendo um bom livro onde você não vê o tempo passar.
Na gravação de bateria, o Transmissor inteiro foi pra Casa Branca e passamos um fim de semana inteiro gravando.

Clube da Esquina, Elliott Smith e Jon Brion são algumas das referências possíveis ao se ouvir "Dia e noite no mesmo céu". Até que ponto isso reflete suas reais influências?
Acho que vc acertou na mosca. 
O último bairro que morei em Los Angeles antes de voltar pro Brasil era Echo Park, o mesmo que o Elliott Smith morava, passava na porta do Solutions Speakers todos os dias, lugar onde ele fez a famosa capa de um de seus discos, o Figure 8. Nessa época fiquei muito encantado com sua música e desde então me identifico muito e com seu jeito de cantar, compor, gravar e se expressar. O Jon Brion tive o privilégio de conhecer e trocar muita ideia, ele era cliente cativo da loja de instrumentos musicais vintage que trabalhei em Hollywood por vários anos. Estive várias vezes em seu lendário show semanal no Largo em L.A onde ele toca todos instrumentos, atende a pedidos, cria versões e bebe Guiness e café a exaustão até criar uma alucinação musical maravilhosa e realmente inspiradora, saía dos shows completamente obstinado a escrever canções, gravar sons e texturas diferentes. A trilha sonora do Eternal Sunshine of a Spotless Mind talvez seja uma das grandes influências estéticas do meu disco, além de ter escutado muito essa trilha sonora, uso muitos elementos parecidos como o Mellotron, optigan, piano de armário, glokenspiel. 
Acho que em momentos alguma coisa no disco remete a nostalgia melódica do Clube da Esquina, gosto muito das canções do Lô Borges, acho ele um modelo de artista pra mim, ele está na ativa até hoje fazendo exatamente o que ele quer musicalmente sem comprometer sua visão artística com nenhum outro aspecto que não seu anceio de compor e gravar suas músicas da sua maneira.

Quando e como o álbum estará disponível para download? Haverá uma versão em CD ou outro formato?
Semana que vem estará disponível pra download no meu site www.leonardomarques.com e os CDs estarão à venda provavelmente na semana seguinte. Quero fazer o vinil também, mas ainda não tenho data definida.

Haverão shows desse trabalho? Qual a formação ao vivo?
Penso em fazer um lançamento em breve. O Pedro Handam e o Henrique Matheus do Transmissor estarão nessa formação, mas o resto do pessoal ainda não está definido.

Esse trabalho também é a estreia do selo La Femme Qui Roule, certo? Quem está envolvido e qual a proposta desse novo selo?
O selo é uma ideia minha e do Yannick Falisse, um artista gráfico e músico belga radicado em BH. A proposta é juntar pessoas com propostas musicas e estéticas interessantes e trabalhar desde a gravação até a elaboração da capa e trabalho gráfico do artista, criar uma identidade forte para o selo.

30 de novembro de 2010

Festa com destaques do indie mineiro nesta quarta e quinta-feira

Com curadoria do Meio Desligado, festa do projeto Stereoteca traz pela primeira vez a Belo Horizonte show do Momo, ex-membro do Fino Coletivo, e reúne algumas das principais bandas do rock independente mineiro: Dead Lover´s Twisted Heart, Fusile e Transmissor


Parte do ciclo de festas promovidas pelo projeto Stereoteca, a StereoRock reune nos dias 1 e 2 de dezembro, no Nelson Bordello, alguns dos principais nomes da cena de rock independente de Minas Gerais: Dead Lover´s Twisted Heart, Fusile, Transmissor e Momo.

Um dos principais destaques é o Momo, projeto de Marcelo Frota, mineiro radicado no Rio de Janeiro que se apresentará pela primeira vez em BH. Depois de lançar dois álbuns aclamados pela crítica no Brasil e no exterior, Momo finaliza seu terceiro CD, do qual apresentará em primeira mão algumas canções. Na sequência do show no Stereorock, Momo toca na cidade histórica de Sabará no sábado (4.12), na sede do Coletivo Fórceps, em evento de lançamento do festival Stereoteca 2011, do qual o coletivo sabarense será gestor.


O StereoRock começa no dia 1° com as bandas Fusile e Dead Lover´s Twisted Heart e discotecagem do DJ Meio Desligado, autor do blog homônimo especializado na música independente brasileira. O Fusile vem na esteira do lançamento de seu EP de estreia, The Coconut Revolution, com o qual se apresentou em festivais de destaque na cena independente como Vaca Amarela (Goiânia/GO), Goma (Uberlândia/MG) e Transborda (BH/MG). Já o Dead Lover´s Twisted Heart é atualmente a maior banda de indie rock de BH, elogiada por publicações como Rolling Stone e Billboard. A banda lançou seu primeiro CD em 2010 e coleciona no currículo shows em importantes festivais como o Calango (Cuiabá-MT), Jambolada (Uberlândia-MG), Conexão Vivo (BH-MG), Coquetel Molotov (Recife-PE), Eletronika (BH-MG), Bananada (Goiânia-GO) e Se Rasgun (Belém-PA).



No dia 2 de dezembro, quinta-feira, as atrações são Momo e a banda mineira Transmissor. Prestes a lançar seu segundo CD, Nacional, o Transmissor realiza no Bordello seu último show no ano, após uma série de shows com convidados especiais promovidos ao longo do segundo semestre de 2010. A discotecagem da noite ficará por conta do jornalista e cineasta Bruno Natal, autor do blog Urbe e diretor do documentário Dub Echoes.


SERVIÇO
Circuito Skol Facul apresenta
StereoRock

Dia 1° de dezembro, quarta-feira, 21h
Fusile e Dead Lover´s Twisted Heart
DJ Meio Desligado

Dia 2 de dezembro, quinta-feira, 21h
Momo (RJ) e Transmissor
DJ Bruno Natal

Preço: R$ 10 (cada dia)
Local: Nelson Bordello (Rua Aarão Reis n°554, centro, Belo Horizonte, ao lado da Serraria Souza Pinto)
Informações: (31) 8491.3479 / 3564.332

11 de fevereiro de 2010

Centro cultural de gente burra (wannabe Lúcio Ribeiro parte 2: reloaded*)

* É sério, tô me divertindo.

Se tudo der certo, este blog será atualizado nos próximos dias direto do Rio de Janeiro, ao lado de uma jovem cantora gatíssima e de uma promissora banda mineira... procurem por um bigodudo com um X tatuado no peito pelas praias!

¬¬¬ Transmissor ¬¬¬

Por falar em promissora banda mineira, ontem encontrei com o Thiago Corrêa, vocalista/baixista do Transmissor, uma das favoritas deste blog. Atualmente estão gravando o segundo CD e transmitindo as sessões em estúdio através do site da banda, transmissor.tv. O CD, sucessor do ótimo Sociedade do Crivo Mútuo, de 2008, deve ser lançado no início do segundo semestre.

Enquanto isso o Transmissor lança um novo vídeoclipe, desta vez para a música "Eu e você", exemplo da faceta mais pop da banda.


Para quem não sabe, o Transmissor é formado por membros e ex-membros do saudoso Diesel (talvez a melhor banda da história do rock alternativo mineiro), Udora e Cinza, sendo que a primeira formação da banda ainda contava com o baterista Pedro Hamdan, ex-Mordeorabo, outra banda belorizontina fundamental para a história recente da cena alternativa local e que terminou.

E pra terminar bonito com o "momento EGO": o guitarrista/vocalista Leo Marques, que canta o refrão na música acima, é o namorado da gatenha Pat, baterista do Dead Lover´s Twisted Heart, outra banda com CD (ou CD´s...) programado para os próximos meses.

* Ps.: se eu fosse você clicava nesse link aí em cima do EGO e passava a valorizar muito mais o Meio Desligado. =D

¬¬¬ Fanfarra com churrasco e mosh ¬¬¬

Há mais ou menos duas semanas rolou o segundo show da Fanfarra dos Funcionários da Embaixada Colombiana e a estreia da minha outra e nova banda, Churrasco!, descrita (generosamente) por um conhecido como "uma mistura de The Blood Brothers com Pelican". Talvez...

A festa foi o lançamento do festival Grito Rock, edição Black Sabarath, e as fotos abaixo dão uma ideia do clima (essa aí, em sépia, soy yo, churrasqueando).

 
 
  

Uma frase? "Moshs mais selvagens da história recente da Obra"

¬¬¬ Music Hall fecha as portas ¬¬¬

Melhor espaço para shows de médio porte em Belo Horizonte, com capacidade para cerca de 2 mil pessoas e boa estrutura, o Music Hall anunciou publicamente que está prestes a fechar por falta de patrocínio.

Eis o comunicado oficial:

Informamos à imprensa e ao público em geral que, depois de 3 anos de atividades, a Casa de Shows Music Hall passa por um momento de definição havendo possibilidade concreta de não continuidade em 2010.
É sabido que a nenhuma Casa de Espetáculos do Brasil é possível sobreviver sem patrocinadores  e o mercado de Minas não tem nos contemplado com o apoio necessário. Nestes 3 anos de funcionamento, nos tornamos referência e parte importante da agenda de cultura e entretenimento da cidade, no entanto, não tivemos a reciprocidade financeira que nos motive a continuar .
As empresas empreendedoras, ArtBhz e DM Promoções, têm outros focos de negócios, mas o Music Hall, mais que uma ação de mercado, é um projeto estruturante, um espaço importante como cidadania e qualidade de vida que desejamos para Belo Horizonte, e é neste sentido que não foram medidos esforços para manter a Casa durante estes 3 anos, com mais de 100 espetáculos por ano e um público de cerca de 350 mil pessoas .
No entanto, se não houver mudança de conjuntura e o apoio efetivo, não haverá outro caminho senão o fechamento da Casa o que significa um retrocesso no panorama cultural e de entretenimento da cidade.
Estamos fechados a partir de janeiro de 2010 até o carnaval, período onde se pretende somar esforços para a permanência da Casa.
Atenciosamente,
Diretoria Music Hall.

¬¬¬ A banda mais punk da cidade ¬¬¬

Membro do The Neeze dá um hadouken em um desavisado
Eles são quase uma mistura de Cansei de Ser Sexy e Chico Buarque,  mas mesmo assim são mais punk e sinceros do que qualquer outra banda de Belo Horizonte. The Neeze chega ao extremo da tosquice, com os integrantes errando as próprias letras durante a gravação e às vezes não conseguindo tocar porque estão rindo demais de si mesmos.

Mais do que uma banda, é uma resposta niilista ao establishment, a transformação e solidificação do ideal punk na era digital. "Cultura", música que dá título a esse post, é o melhor exemplo disso. Vanguarda.


Uma gata me chamou pra tomar um café
Mas não me avisou que o negócio não era pra ralé
Caro, o mixto quente era 5 real
Eu disse
Peraí companheiro, isso nenhum cristão atura
Como assim tanto dinheiro
Você tá abusando da usura
"É que aqui você também paga pela cultura"
Centro cultural de gente burra!

Hoje eu acordei e fui comprar uma cama
Tava cansado de dormir no sisal
Tinha uma de madeira meio torta
Essa deve tá com um preço legal
A cama custava era 10 mil conto
Eu disse
Peraí companheiro, isso já é desfeito
Como assim tanto dinheiro? Isso tá meio suspeito
"É que não é só a cama é também o conceito"
Essa porra tá é com defeito!

Um velho amigo me chamou pra encher a cara
Eu disse
Beleza, vou melhorar
Ele disse que tem um lugar que é coisa rara
Só tinha long neck e era 4 conto
Eu disse
Peraí companheiro, esse mundo tá todo errado
Como assim, tanto dinheiro? Como é que eu vou sair daqui embebedado?
"É que aqui é um lugar selecionado"
Seleção de velho derrotado!
Seleção de velho e de viado!

Lágrimas nos olhos depois de ouvir uma canção tão bonita como essa.

19 de agosto de 2009

Transmissor - Primeiro de Agosto

Há cerca de um mês o Transmissor lançou seu primeiro vídeo-clipe, feito para a música "Primeiro de Agosto", presente no ótimo álbum de estreia da banda, Sociedade do Crivo Mútuo (lançado ano passado durante o Stereoteca).

O belo vídeo segue o clima melancólico-gostoso da música e é um dos mais bem-feitos que vi nos últimos tempos.



Direção: Marinho Antunes
Assistente de Direção: Fiel Marques
Direção de Fotográfia: Paulo Polônio
Produção de Arte: Raquel Versieux
Animação: Yannick Falisse e Raquel Versieux
Música: Thiago Corrêa

14 de agosto de 2009

Móveis Coloniais de Acaju, Canastra, Radiotape e Transmissor na Flaming Night

A festa periódica Flaming Night já se tornou uma das melhores opções em Belo Horizonte para quem gosta de rock alternativo e/ou pesado e agora, em sua 10ª edição, apresenta uma de suas melhores e mais dançantes programações com shows do Móveis Coloniais de Acaju, Canastra, Transmissor, Radiotape e Ricardo Koctus neste sábado, 15 de agosto, no Lapa Multshow.

Produzida pela 53 HC, loja / produtora / selo (também responsável por um festival de mesmo nome) focada no hardcore, punk e vertentes mais pesadas do rock, a Flaming Night inicialmente abria mais espaço esses estilos e aos poucos foi diversificando a sonoridade de suas atrações. Essa mistura fica evidente no sábado, com sons que vão do power pop do Radiotape e da MPB indie do Transmissor até o rockabilly com um pé na Jovem Guarda do Canastra.

Outra característica importante da Flaming Night é a opção de investir em determinadas bandas, repetindo-a em várias edições da festa. Por um lado, é bom por trabalhar pela formação de público das bandas, mas, por outro, pode ser irritante e até mesmo afastar quem não gostou de algumas das bandas escolhidas para tocar mais de uma vez (eu, por exemplo, odeio o Gramofocas, bandinha do Distrito Federal bem chata e que não tem nenhum diferencial que justifique sua presença em várias Flaming Night).

Para quem não conhece as bandas, segue abaixo uma mini-apresentação de cada uma, baseada em seus respectivos materiais de divulgação:

MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU
De Brasília, capital federal, surgiu um dos conjuntos mais aclamados do país atualmente. O noneto (são nove integrantes) Móveis Coloniais de Acaju, apesar de intitular-se banda de rock, alcançou o sucesso pela aproximação com o ska, a música latina, a polca e ritmos musicais do leste europeu, definindo seu estilo também como “feijoada búlgara”. Com forte presença do naipe de metais, flautas, gaita, clarinete e uma bagagem de shows arrebatadores por quase todos estados brasileiros, a banda tornou-se objeto de desejo dos principais festivais de música do país nos últimos anos. A banda apresentará em BH pela primeira vez as músicas do recém-lançado (via Álbum Virtual) C_mpl_te, desde já um dos melhores lançamentos da música brasileira em 2009.

TRANSMISSOR
Transmissor reúne rock contemporâneo, bossa nova e influências do Clube da Esquina, sendo um novo velho conhecido da música belo-horizontina. Lançado em 2008, o disco de estreia da banda, Sociedade do crivo mútuo, coleciona críticas positivas da imprensa especializada como o Jornal do Brasil, que classificou parte do trabalho da banda como “uma pérola da nova música brasileira".

CANASTRA
O Canastra decidiu apoiar um pé no jazz swing e outro nos sambinhas elegantes dos mais tradicionais compositores brasileiros para colorir seu estilo rockabilly. Liderado por Renatinho (ex-Acabou La Tequila), o grupo resgata o humor maroto dos tempos de cariocas ilustres como Noel Rosa e Ari Barroso, com um toque de tempero “cajun” do dixieland de New Orleans, capaz de contaminar os quadris mais enferrujados. Atual banda do baterista do Los Hermanos, Rodrigo Barba.

RICARDO KOCTUS
Baixista do Pato Fu.

RADIOTAPE
O Radiotape busca sua inspiração melódica no som dos Beatles, Beach Boys, Teenage Fanclub, Lemonheads e encontra a sua pegada em bandas como The Who, Oasis, Jet e Mando Diao. Desde que lançou seu primeiro disco, “Pequenas coisas me fazem feliz" em 2008, a banda mineira de powerpop Radiotape tem feito apresentações de destaque no estado como na abertura do show da banda inglesa Keane, no início de 2009.

Ordem dos shows:
Radiotape
Ricardo Koctus
Transmissor
Canastra
Móveis Coloniais de Acaju

INFO
Data: 15 de agosto, sábado
Horário: 20h
Local: Lapa Multshow (Rua Álvares Maciel, 312 Santa Efigênia)
Ingressos Antecipados: R$ 25,00 No dia: R$ 30
Venda de ingressos: 53HC (Rua Rio de Janeiro, 630, Loja 53 – Centro - 3271 7237 / Smoke (Rua Paraíba, 1378, Loja 02 – Savassi - 3227 5296
Informações: (31) 3271 7237

11 de abril de 2009

Programação completa do festival Conexão Vivo em BH

Ao todo serão nove dias com muitos shows distribuídos em dois palcos montados no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no centro de Belo Horizonte, misturando rock, pop, MPB, samba e outros estilos, com destaque para os artistas mineiros.

Em negrito estão as bandas/artistas que indico no Conexão Vivo 2009, com breves comentários.

Dia 17, sexta
18:30 Rocknova (MG)
19:30 The Hell´s Kitchen Project (MG) >> Uma das bandas mais legais da nova geração indie de BH. Rock´n´roll dançante feito só com baixo e bateria (e vocais, claro)
20:30 Vanguart (MT)
21:30 Renegado (MG) convida Marku Ribas e Cubanito (MG) >> Hip hop multicultural feito por este que é um dos principais novos artistas do gênero no Brasil.
22:30 Gilvan de Oliveira (MG) convida Renato Borghetti (RS)

Dia 18, sábado
18:30 Julgamento (MG) >> Hip hop com forte pegada rock. Dizem que é bom ao vivo, ainda não conferi.
19:30 Zé da Guiomar (MG)
20:30 Juarez Moreira (MG) convida Wagner Tiso (MG) >> Dois ícones da música instrumental mineira.
21:30 Macaco Bong (MT) >> Uma das melhores bandas da década. Rock instrumental pesado e experimental.
22:30 Celso Moretti (MG) convida Alexandre Massau (Cidade Negra - RJ)

Dia 19, domingo
18:30 Bleffe (RJ)
19:30 Ito Moreno (SP)
20:30 Lavadeiras de Almenara e Carlos Farias (MG) convidam Socorro Lira (PB)
21:30 Sandália de Prata (SP)
22:30 Babilak Bah (MG) convida Chico Correa (PB) >> Sons de enxadas misturados com eletrônica e regionalismos. "Só" isso já vale a presença no show.

Dia 20, segunda
18:30 PROA (MG) >> Fique bêbado e curta o surf-punk circense.
19:30 Black Sonora (MG)
20:30 Fabiana Lima e Bruno Andrade convidam Tambolelê (MG)
21:30 Maurício Ribeiro convida Prucutrutá (MG)
22:30 Aline Calixto (MG) convida Edu Krieger (RJ) >> Ela é uma das principais promessas do samba / mpb e em breve lançará seu primeiro CD. Eu já ouvi e digo que está bem legal.

Dia 21, terça
18:30 Burro Morto (PB) >> Afrobeat, psicodelia e rock experimental da melhor qualidade.
19:30 Cidadão Instigado (CE) >> Doidera da porra!
20:30 Kiko Klaus (MG/PE) e Naná Vasconcelos (PE) >> O som é variado, ideal pra quem gosta de Lenine com uma pegada mais experimental.
21:30 Falcatrua convida John Ulhoa (Pato Fu) (MG)
22:30 Chico Amaral convida Samuel Rosa e Marina Machado (MG)

Dia 23, quinta
18:30 Transmissor (MG) >> Se tivesse que apostar todas as minhas fichas na banda que acredito ter o maior potencial para ser uma das principais do país, sem ter de se vender aos critérios assimiláveis e fáceis do mundo pop, Transmissor seria a minha escolha.
19:30 Serginho Silva convida Paulinho Pedra Azul (MG)
20:30 Otto (PE) >> Quem ainda não ouviu o pequeno clássico Samba Pra Burro, de 1998, não imagina o que está perdendo. Pós-mangue beat eletrônico e viajante, pra resumir porcamente.
21:30 Makely Ka (MG) convida Catatau (Cidadão Instigado - CE) e Alexandre Lima (Manimal - ES) >> Outro dia o Makely abriu um show do Tom Zé em BH e algumas pessoas disseram que depois do Makely já podiam ter ido embora porque o show dele era o melhor da noite. Sentiu a onda?
2:30 Porcas Borboletas (MG) convida Arrigo Barnabé, Paulo Barnabé e Bocatto (SP)

Dia 24, sexta
18:30 Soatá (DF)
19:30 Enéias Xavier convida Flávio Venturini (MG)
20:30 Patricia Ahmaral convida Vander Lee (MG)
21:30 Pedro Morais (MG) convida Moska (RJ) >> O Pedro acaba de gravar seu novo CD com o Chico Neves (que, entre outros, produziu o Bloco do Eu Sozinho, do Los Hermanos) e esta será uma das primeiras oportunidades do público mineiro conferir como está seu som, uma mistura de samba-rock, mpb e pop.
22:30 Curumin (SP) >> O sujeito já virou cult e suas canções suingadas funcionam super bem ao vivo.

Dia 25, sábado
18:30 Madame Saatan (PA)
19:30 Elisa Paraiso (MG) convida Toninho Ferragutti (SP)
20:30 Anthonio convida Telo Borges (MG)
21:30 Filomedusa (AC) >> O que falta em tamanho ao guitarrista sobre em peso e pegada setentista. O estilo do vocal incomoda algumas pessoas (como eu), mas no geral o resultado é bom ao vivo.
22:30 Mauricio Tizumba (MG) convida Marcos Suzano (RJ)

Dia 26, domingo
18:30 Thiago Delegado (MG)
19:30 Caminhos do Jequitinhonha: Wilson Dias, Déa Trancoso e Carlos Farias convidam Pereira da Viola (MG)
20:30 Flávio Henrique convida Artur Andrés (Uakti) (MG)
21:30 Vitor Santana (MG) convida Fabiana Cozza (RJ)
22:30 Samba do Compositor (MG) - Miguel dos Anjos, Dudu Nicácio & Mestre Jonas convidam Riachão (BA) >> Se eu estiver bêbado eu canto e danço junto nesse show. Sambinha fino e mais tradicional.

8 de abril de 2009

Festival Conexão Vivo em Belo Horizonte

Após realizar shows e oficinas pelo interior de Minas Gerais durante o mês de março, o festival Conexão Vivo chega a Belo Horizonte no dia 17 de abril e estende sua programação, com pequenas interrupções, até o dia 26 com vários shows no Parque Municipal, bem no centro da cidade.

A programação completa do festival ainda não foi divulgada, mas o Meio Desligado já descobriu que o grande Macaco Bong fará show no dia 18 e o também cuiabano Vanguart se apresenta no dia 17. Otto e Curumin (dia 24) também estarão presentes, mas ainda não sei se farão apenas participações em outros shows.

A curadoria do Conexão Vivo também escolheu 10 bandas entre as que se inscreveram com interesse em participar do festival, entre elas as excelentes Transmissor, Burro Morto e os chapas da Hell´s Kitchen Project. Outras duas bandas foram escolhidas através do voto popular.

13 de outubro de 2008

Festival Stereoteca em São Paulo

Você não tem idéia do trabalho que esse festival deu. Foram noites de trabalho até a madrugada, centenas de ligações e ainda mais emails trocados, negociações, problemas, parcerias, equipamentos queimando e outras mil coisas, boas e ruins (predominando as coisas boas, felizmente). Tudo isso para que o público de Belo Horizonte tivesse acesso, ao longo de sete meses, a 24 shows que reúnem um dos melhores recortes da diversidade cultural de Minas Gerais. Conforme está registrado no material de divulgação do festival, em texto escrito por mim, trata-se de um projeto que abrange “do regional ao indie rock, do hip hop à MPB, promovendo uma cena musical em constante movimento e abrindo espaço para o que há de novo e estimulante na cena mineira” (levemente adaptado em relação ao texto original, mas como fui eu mesmo que escrevi ambos os textos, faço o que quiser com eles!).

Agora, o Stereoteca sai de Belo Horizonte pela primeira vez e realiza sua edição paulistana nos dias 13 e 14 de outubro, em um local que não poderia ser melhor: o Teatro Oficina. Sim, sim. Oficina. Zé Celso, intelectualismo, sacou?

Na segunda-feira, dia 13, a noite é das mulheres, sob o comando de Érika Machado e Natalia Mallo (que farão um show especial juntas) e Letícia Coura e Adriana Capparelli (que também dividirão o palco). É o encontro da música mineira (representada por Érika e Letícia) com a paulista (de Adriana e Natalia, que, apesar de ser argentina, vive em SP há mais de uma década). Uma fusão de rock, pop, samba e MPB em um palco propício para experimentações e inovações.

No dia seguinte, terça-feira, o indie rock (em uma classificação bem genérica) belo-horizontino é representado por Monno e Transmissor, duas das mais promissoras e expressivas bandas de Minas Gerais na atualidade. Ambas as bandas lançaram seus novos trabalhos no Stereoteca 2008, em BH, e chegam a São Paulo para dar continuidade ao trabalho. Altamente indicado para quem se interessa pelo bom rock em português feito por bandas contemporâneas como Los Hermanos, Gram e Terminal Guadalupe.

Data: 13 e 14 de outubro, segunda-feira e terça-feira
Local: Teatro Oficina - Rua Jaceguai, 520, Bexiga, São Paulo/SP
Horário: 21h
Ingressos: R$ 5,00
Contato: (11) 3104.0678 / (31) 3222.3242

29 de setembro de 2008

Transmissor semi-acústico

O Transmissor fez um excelente show semi-acústico na última sexta, na Minueto, em BH. Aproveitando as características do local (junção de escola de música, estúdio e café em um ambiente relativamente pequeno e bonito), fizeram um show intimista e que, mesmo com a chuva pesada que caiu durante a noite, teve ótima presença do público. O baterista Pedro Hamdan não estava presente (ele mora em São Paulo e o restante da banda, em BH), porém a carência de um instrumento percurssivo foi suprida pela presença de um vibrafone, tocado por Daniel Nunes, do Constantina e do Lise, em diversas músicas.

Várias canções novas foram apresentadas e reforçam a sensação de que o Transmissor é uma das maiores promessas da cena independente brasileira da atualidade. A julgar pelas novas músicas, a banda vem se distanciando do posicionamento de "banda de rock" para explorar uma aproximação junto a MPB não-careta, o que traz à mente os áureos tempos do Los Hermanos fase Bloco do Eu Sozinho e Ventura.



Além do já citado vibrafone, o show ainda teve sanfona, ukelelê e um teclado Rhodes em quase todas as músicas, colaborando ainda mais para que a sonoridade da banda se afastasse do convencional rock alternativo em português.

No dia 14 de outubro a banda se apresenta em São Paulo, dentro da programação do Stereoteca SP (braço paulistano do festival belorizontino no qual trabalho na produção), que acontecerá no famoso Teatro Oficina, dando continuidade aos shows de lançamento do primeiro CD da banda, Sociedade do Crivo Mútuo.

Foto e vídeo: Bella Radichi

25 de setembro de 2008

Para o final de semana em BH

Amanhã espero terminar de colocar as coisas em dia, após minha breve enfermidade, e o ritmo do blog voltará ao normal. Tenho muita coisa na cabeça esperando ser publicada.

Enquanto isso, seguem abaixo duas boas opções pro sábado em BH.



E um pouco antes, na sexta-feira, tem show acústico do Transmissor na Minueto.

26 de agosto de 2008

Diesel + Udora + Mordeorabo + Cinza

O resultado da soma é o Transmissor, grupo em ascensão na cena musical belorizontina e que lança seu primeiro álbum, Sociedade do Crivo Mútuo, nesta quarta-feira, 27 de agosto, no projeto Stereoteca.

A banda apresenta canções elaboradas, mistura de rock alternativo com influências de bossa nova, jazz, Clube da Esquina e MPB, resultando em uma sonoridade diferenciada e que se destaca pela singularidade. Seu álbum de estréia esteve disponível na íntegra para audição no MySpace, assim como o EP lançado em 2007, Primeiro de Agosto.


O show de lançamento do CD acontece amanhã às 20:30, no Teatro da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, em BH, com ingressos por R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada).

Confira abaixo a breve entrevista que fiz com a banda para o site do Stereoteca.

Agora que a banda também foi a vencedora das seletivas do festival Jambolada vocês pretendem iniciar o circuito de festivais independentes? Há planos para uma turnê?
Thiago: Nossa vontade é tocar bastante. Nos divertimos nos shows, gostamos do contato com o público. Queremos mostrar o disco para o maior número de pessoas e festivais são uma grande oportunidade de fazer exatamente isso. Para uma banda nova e independente, turnês são um tanto complicadas, dependem de muita coisa que só se alcança com o tempo, mas estamos fazendo contatos com festivais e aceitando convites para tocar fora de BH.

Como funciona o projeto Combo Mineiro e qual a importância dele, na opinião de vocês?
Thiago: O Combo é um desejo antigo que a gente conseguiu colocar em prática com muito trabalho. Muito se fala da organização da cena independente, união de forças entre as bandas e coisas do tipo. Nós acreditamos que tudo isso é importante de verdade mas antes de tudo, precisa haver uma afinidade entre as pessoas envolvidas. Tem a ver com admiração e respeito pelo trabalho uns dos outros. O Combo reúne isso tudo. São três bandas formando um grupão de amigos que se gostam e querem rodar o Brasil mostrando um pouco do que acontece aqui. Tivemos uma boa aceitação em São Paulo, acabamos de promover um ótimo evento em BH e temos planos pra Vitória e Rio em breve.
A parte boa na minha opinião é que as bandas são responsáveis por tudo, desde a portaria e montagem do palco até a divulgação, confecção de material gráfico, etc. É um pouco daquele discurso de parar de reclamar e fazer com as próprias mãos.

Apesar das diversas influências presentes no álbum, existem algumas que se sobressaem? Quais seriam elas?
Thiago: Eu acredito que esse álbum começou de um jeito e terminou de outro. No começo ouvíamos umas coisas diferentes do que ouvíamos no final, já que o disco foi feito ao longo de um ano. Hoje, acho que tem muita coisa melódica do clube da esquina que a gente ouve, além de bandas como Wilco e Radiohead.

Atualmente há um crescente movimento na cena musical independente, através do qual as próprias bandas cada vez mais estão envolvidas em todos as etapas do processo de produção. Como o Transmissor se posiciona nesse panorama?
Henrique: Com a gente não é diferente. Fizemos a produção do disco, a arte do CD, a maior parte da gravação foi feita em nosso estúdio.
Mas isso não foi uma opção e sim uma necessidade. Acho perigoso se afundar na parte burocrática e esquecer do principal, as composições, a parte artística que é o que realmente deveria caber à banda.
De qualquer forma achamos que tem que ser assim mesmo, as bandas têm que botar a mão na massa, delegar funções a cada integrante e correr atrás porque no começo ninguém fará isso por nós.

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