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27 de maio de 2014
11 de julho de 2013
Sobre fotos de divulgação
Foto de divulgação. Algo básico, mas por vezes pouco explorado e mal utilizado. Como jornalista, produtor, designer (puf...) e assessor de imprensa (ui!), acabo me envolvendo em diferentes processos relacionados às imagens das bandas e achei relevante comentar sobre o assunto. Na produção e agenciamento das bandas com as quais trabalho, ajudo a pensar o conceito e estética a serem utilizados; como jornalista, recebo várias imagens promocionais diariamente; como assessor de imprensa, repasso as fotos aos veículos de mídia e tento dar destaque a elas nas publicações; e como designer muitas vezes tenho que trabalhar a imagem dos artistas junto à identidade visual do evento em questão.
Pausa: esse parágrafo tem como inspiração este vídeo.
Retornando...
Na hora de preparar as fotos de divulgação de uma banda, um ponto crucial é alinhar estética e conceito. A imagem deve dialogar com a proposta da banda. Não é preciso tentar representar sua sonoridade em apenas uma imagem, mas ambas devem dialogar de forma a colaborar para a construção de sentido que envolve a sua criação artística. Dentro disso, vale tanto uma super produção fotográfica como um registro feito em celular (mas com boa resolução), dependendo do conceito por trás.
Pensando nisso, listo abaixo algumas dicas e exemplos de fotos de divulgação:
- Fundamental ter as fotos na maior resolução possível. Você não vai enviar fotos de 13 MB para os jornalistas mas, caso solicitado, é importante ter os arquivos que permitam impressões em formatos maiores;
- Tenha opções de foto verticais e horizontais, isso facilita a adaptação ao layout das publicações;
- Você pode achar um ensaio fotográfico preto e branco lindo, mas alguns veículos não. Algumas publicações publicam somente fotos coloridas, então é bom ter opções para esses casos;
- Coloque o nome do fotógrafo diretamente nos nomes dos arquivos das imagens, como "Cidadão Instigado - fotor por Fulano". Assim você agiliza o processo e garante o crédito ao fotógrafo que trabalha com você. É recorrente, até mesmo nas equipes de grandes artistas, o envio de fotos sem crédito (o que, em muitos casos, inviabiliza a publicação das imagens);
- Dar o crédito ao fotógrafo é essencial, mas escrever o nome do mesmo sobre a imagem, não. O mesmo vale para colocar a logo da banda sobre as fotos: nunca faça isso para as imagens que serão enviadas para imprensa;
- Mesmo que seu ensaio fotográfico em estúdio ou em locação seja muito bom, certifique-se de ter ao menos algumas boas fotos (em alta resolução) feitas ao vivo, tanto para eventuais usos em peças promocionais como para publicação na imprensa;
- Ao enviar fotos para sites e blogs, não anexe os arquivos em alta resolução. Prepare versões das imagens em resoluções mais baixas, próprias para a internet. Ao receber fotos pesadas no email do Meio Desligado, por exemplo, eu geralmente apago os emails para liberar espaço e só tenho o trabalho de redimensionar a foto se for algo no qual realmente tenha interesse.
Exemplos de boas fotos de divulgação de artistas, no sentido de serem esteticamente interessantes e estarem conectadas aos trabalhos dos artistas representados:
Fotos, em ordem: Dibigode, Laura Lopes (por Augusto Barros), Jair Naves, Iconili (por Chá Gelado), Siba (por Talita Miranda), Bona Fortuna (por Bárbara Magalhães) e Karina Buhr (por Priscila Buhr).
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2 de janeiro de 2013
Melhores músicas de 2012 na escolha do Meio Desligado
Lista feita a pedido do ótimo blog Hominis Canidae para uma parceria deles com o pessoal do Coquetel Molotov (responsáveis pelo festival de mesmo nome, um dos eventos musicais mais interessantes do Brasil), para o programa de rádio destes. Assim como todas as listas, é uma seleção limitada da grande produção nacional de 2012, mas que segue um recorte estético de acordo com o Meio Desligado e que reúne alguns dos principais "hits pessoais" (as músicas que mais ouvi) desse ano.
Abaixo, a lista completa enviada para eles, com nome do artista, "nome da música" e (nome do álbum).
- Gui Amabis - "Menino horrível" (Trabalhos carnívoros)
- Metá metá - "Man feriman" (MetaL MetaL)
- Jair Naves - "Pronto pra morrer (o poder de uma mentira dita mil vezes)" (E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas)
- Sexy Fi - "Pequeno dicionário das ruas" (Nunca te vi de boa)
- Leonardo Marques - "Linha do trem" (Dia e noite no mesmo céu)
- Siba - "Brisa" (Avante)
- Tulipa Ruiz - "Quando eu achar" (Tudo tanto)
- Thiago Pethit - "Moon" (Estrela decadente)
- Iconili - "O rei de tupanga" (single)
- Abayomy Afrobeat Orquestra - "Afrodisíaco" (Abayomy)
4 de novembro de 2012
Pós-rádio #6
Amabis - "Menino horrível"
Jair Naves - "Pronto para morrer (o poder de uma mentira dita mil vezes)"
Flaming Lips - "Do you realize?"
Scarlett Johansson - "Falling down"
Matéria Prima - "Paraísos artificiais"
Helmet - "Unsung"
Black Drawing Chalks - "Disco ghost"
Meat Puppets - "Plateau"
Imagem: obra de Sarah Lucas.
24 de março de 2012
Jair Naves - Araguari
Como eu me defendo desse sentimento de inadequação
Que me destrói por dentro, pro qual eu não vejo explicação?
Algumas obras demandam tempo para serem exploradas e absorvidas. Araguari, estreia solo de Jair Naves, tem apenas quatro músicas, 20 minutos, mas se enquadra nessa categoria. Com o passar do tempo, é como se as canções de Jair criassem raízes que crescem e se tornam visíveis em um processo de beleza e dor. Diferentemente da época de seu lançamento, quando o fantasma do Ludovic tornava turva a visão do trabalho solo de Jair, o tempo contribuiu para diminuir imagens pré-concebidas e saudosistas.
Bandeira a meio mastro, um afago áspero, a voz do cantor
Eu criei um certo faro para esse tipo de enganador
Eu criei um certo faro para esse tipo de enganador
Nos primeiros instantes de "Araguari I (meus amores inconfessos" a lógica do EP é exposta: o dedilhado na guitarra é uma breve e suave introdução imersiva, na sequência tomada pelo baixo vívido e a batida do bumbo como um soco. Cada trecho calmo, cada belo acorde, são carregados de uma fragilidade exposta com vigor em uma mistura de sofrimento e libertação.
Ladeira abaixo, assim foi dito
uma obra-prima de eufemismo
para as dores da inaptidão,
para o sufocante calor da afobação
uma obra-prima de eufemismo
para as dores da inaptidão,
para o sufocante calor da afobação
Não importa o quão autobiográficas ou não são as letras, Jair cria/conta histórias/estórias sobre arrependimentos, descobertas, busca pelo autoconhecimento, amor... temas presentes em momentos de tristeza e felicidade reforçados em períodos específicos da vida, como a adolescência e o início da vida adulta. Não por acaso, as duas partes de "Araguari" ("meus amores inconfessos" e "meus dias de vândalo"), que abrem e fecham o EP, abordam tal momento.
Ninguém imagina o que eu enfrentei
o quanto doeu, o quanto eu rezei
minha reza de ateu
num desespero que eu nunca me atrevo a demonstrar
o quanto doeu, o quanto eu rezei
minha reza de ateu
num desespero que eu nunca me atrevo a demonstrar
O amor é tema da melancólica e lamentosa "Silenciosa" e da (mais animada do EP) "De branquidão hospitalar". A dualidade do sentimento é expressa nas letras e nas músicas: a primeira, minimalista e devagar, é uma crônica do amor acabado, da falta de esperança; a segunda, pós-punk enérgico sobre um amor difícil de se explicar e a expectativa criada pela paixão.
Agora, convenhamos: eu nunca me expus tanto, você nem pra impedir
Com todo esse alvoroço, eu só engoli meu almoço, não senti gosto algum
A torneira que eu esqueci aberta não tardou a inundar todo o prédio
mas eu sobrevivi, eu sobrevivi
Com todo esse alvoroço, eu só engoli meu almoço, não senti gosto algum
A torneira que eu esqueci aberta não tardou a inundar todo o prédio
mas eu sobrevivi, eu sobrevivi
Em "Araguari II (meus dias de vândalo)", última faixa, a carga emocional aflora carregada pelas (muitas) nuances da música. É o tipo de letra que emocionaria por si só, mas que, musicada, penetra na alma. Sua tensão é instável e a única certeza é a de que algo muito profundo a acompanha, uma confissão de uma tragédia íntima sobre a qual se tem noção, mas não o controle. Como a vida.
o que me mantém vivo, porque eu não cedo ao sono
Eu te aconselho: nem queira saber
Assim que os meus dias de vândalo terminarem,
eu sei que me levarão pro céu
E farão com que eu narre os meus escândalos
sem que eu me gabe,
com o constrangimento abatido de um réu
Talvez fosse preferível
que eu nunca tivesse saído
de onde eu nasci,
de Araguari
* Os trechos em itálico são da letra de "Araguari II (meus dias de vândalo)". A foto é de autoria de Patrícia Caggegi. O download do EP pode ser feito no site do Jair Naves.
20 de abril de 2010
Jair Naves e Churrasco! na festa Meio Desligado, nesta quarta
Quem conheceu o Ludovic sabe que Jair Naves é um dos intérpretes e letristas mais intensos da música alternativa brasileira na atualidade. Agora, Jair explora novos caminhos, à mostra em seu primeiro trabalho solo, o EP Araguari.
O público de Belo Horizonte terá a chance de conferir essa nova faceta de Jair hoje, no palco do Conexão Vivo, às 19h (logo antes do show do Cidadão Instigado), e, principalmente, amanhã, na festa Meio Desligado na Obra. A festa começa às 23h e ter eu e o Amplis (melhor DJ de BH em votação do Mixsórdia) cuidando do som mecânico, além de fazermos o show de abertura com nosso projeto esquizofrênico Churrasco!.
A entrada custa R$ 8 e estão todos mais do que convidados.







