Pesquisar nos arquivos

Mostrando postagens com marcador uberlândia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador uberlândia. Mostrar todas as postagens

24 de junho de 2013

Cobertura do festival Goma 2013

O vestuário do público diz muito a respeito de um festival. No Goma, realizado em Uberlândia (maior cidade do interior de Minas Gerais) entre 12 e 16 de Junho, camisetas do Black Keys, Queens of the Stone Age, Rolling Stones, Julgamento (!), bonés com a frase “Vida loka”, microshorts e hipsters vestindo plumas indicam a pluralidade do festival. A diversidade fica clara na ousadia da penúltima noite do festival, com o experimentalismo afrosamba/jazz/noise do Metá Metá como penúltima atração da noite, logo antes da (agora) diva paraense Gaby Amarantos e seu pop tecnobrega para as massas.



Antes, estiveram no palco a Cambriana, banda indie goiana em constante ascensão na cena independente e que fez um bom show, apesar de alguns problemas no equalização do som nas primeiras músicas; Porcas Borboletas, que em casa fez um show curto e bastante seguro, com boa aceitação; a dupla setentista Muñoz, que evoca uma mistura de Wolfmother, Jimi Hendrix e Black Keys (guardadas as devidas proporções, claro); o cuiabano Linha Dura, que seguindo o que parece ser uma tendência no hip hop nacional, agora se apresenta com uma grande banda de apoio (tendo como diferencial em relação a nomes como Emicida, Flávio Renegado e Rael a presença de outros três MCs no palco); e a cantora Fernanda Sant'anna, que abriu a programação do festival (e não vi).

Diferentemente do posicionamento de outros festivais ligados ao Fora do Eixo que antigamente trabalhavam com a postura de não ter headliners, o Goma deste ano colocou Gaby e Criolo como principais atrações de seus últimos dias de programação (gratuita, vale destacar). O resultado foi a presença em peso do público no campus da Universidade Federal de Uberlândia, local de realização dos últimos dias do Goma, para assistir a apresentações diversificadas e que reforçam a qualidade presente na cena musical atual.

Em show curto, o Metá Metá causou estranhamento na maior parte do público presente mas logo após as primeiras músicas deixou claro porque seu afrosamba distorcido é tão comentado, apresentando músicas potentes e que se diferenciam de praticamente tudo que se está fazendo na música brasileira atualmente. Na sequência, para encerrar a noite de sábado, Gaby Amarantos demonstrou porque está entre os ídolos pop nacionais e fez um show redondo com o repertório do CD Treme e potporris que colocaram indies, donas de casa e playboys para dançar.

No domingo, perdi o show da banda local Dom Capaz e comecei a partir da belo-horizontina A Fase Rosa, que mostrou um "tropicalismo universitário" dançante, distorcido, com pressão e ótima execução. Na sequência, O Berço, de Patos de Minas, ganhou o público logo nos primeiros acordes de seu rock rural animado. Quem também era desconhecida do público local e fez um show agitado foi a brasiliense Spance Night Love Dance, que promoveu uma fanfarra plural, com guitarrada e música eletrônica de balada misturados. A Veja Luz, de São Paulo, fez um dos shows mais longos do festival e teve boa resposta de público, apesar da sonoridade reggae genérica da banda.

No quesito "surpresa", ninguém bate a Bandinha Di Dá Dó. Espécie de Gogol Bordello do Rio Grande do Sul, só que mais sincero (assumem, literalmente, serem palhaços) e dadaísta. Ou seja, melhor. Show sensacional que cativa a todos com letras que no fim das contas não dizem nada, mas estão envoltas em ironia e um espírito festivo irrepreensível (com direito a stage dive do vocalista).

Criolo fez o show de encerramento do festival e mesmo dois anos após o lançamento do disco Nó na Orelha o público demonstrou não estar cansado do repertório, resultando no show de maior euforia na plateia.

18 de dezembro de 2010

Pra não dizer que não falei das flores

Com um vocal feminino capaz de provocar ereções em um pedófilo, a banda mineira Ophelia and the Tree apresenta uma intrigante mistura de Belle and Sebastian e Joy Division.

Por Edwaldo Cabidelli

Formada em meados de 2008 na triangular Uberlândia (MG) por Camila Franco (vocal), Thiago Fontes (guitarra), Gabriel Felix (bateria), Lucas Paiva (baixo), Bernardo Penha (piano), Bim Bernardes (violão/guitarra/trombone) e Rafa Rays (violino) a banda atualmente prepara seu primeiro álbum “cheio” com lançamento previsto para o segundo semestre de 2011. Com sete boas canções autorais disponíveis em sua página no MySpace, além de inúmeras apresentações em diversas cidades do país, o grupo promete ser uma das surpresas do próximo ano.

Confesso que cheguei a ver Ophelia and the Tree ao vivo no início de 2009, no bar A Obra, em Belo Horizonte, e a banda não me causou maiores impressões. Na real, soavam como um bando de moleques abobados que juntou toda a grana da mesada para tocar em um “inferninho” da capital. Porém, os dois anos de estrada trouxeram um notável amadurecimento musical. Afinal, quando os integrantes não morrem de fome, algumas bandas independentes deste país tendem a melhorar com o tempo.

O tom singelo e “fofinho” presente na estética, tanto da banda como de suas canções, observado principalmente nos vocais, cordas e piano remetem, de forma imediata, aos escoceses do Belle and Sebastian, guardadas as devidas proporções. No entanto, o diferencial está na bateria marcada e reta que, em seus melhores momentos, lembra o genial estilo criado por Stephen Morris (baterista do Joy Division, mané!) e copiado por tantos. Além disso, o clima levemente sombrio de algumas letras parece também fazer referência aos “solares” rapazes de Manchester.

Em "Cabaret", principal motivadora deste texto, o incrível arranjo elaborado mostra ainda certa proximidade, talvez inconsciente, com o universo de Serge Gainsbourg, (é... o cara da melô de motel, mas acredite, ele é muito mais do que isso) em seu fantástico álbum Nº4, porém com uma pegada mais folk e menos jazzística. Para Bim Bernardes, guitarrista da banda, a canção “soa como as músicas de Robert Crumb”, mais conhecido por seu genial trabalho como cartunista do que por sua banda R. Crumb and His Cheap Suit Serenaders, igualmente fóda.

O timbre de Camila Franco parece ser bastante influenciado por grandes cantoras como Fiona Apple, Beth Gibbons (Porstishead) e Bessy Smith (la matrona!). Caso a impressão se confirme, será necessário muito arroz e feijão para que a menina chegue lá, mas trata-se, seguramente, de um vocal promissor que parece funcionar melhor em estúdio do que ao vivo. Cinismos gratuitos a parte, o fato é que boas referências são o melhor e mais indicado caminho para formação de qualquer bom músico/cantor e Ophelia and the Tree parece estar no caminho certo.

O futuro está em curso, siga as placas. Ou seja atropelado por elas.

P.S: Escrevi este texto no dia 16/11 e o Suplicy resolveu pagar de Geraldo Vandré no Senado em 17/11. Portando, não tenho nada com isso. Aliás, o Suplicy é a prova viva que a maconha ainda será legalizada no Brasil. No dia que ele chegar no plenário trincando, de mão dada com o Gabeira, e cantar "Rainy Day Women # 12 & 35", do Dylan, será um código secreto para legalização. Fica esperto na TV Senado!

15 de outubro de 2010

Festival Jambolada 2010

Começa hoje, em Uberlândia, mais uma edição do festival Jambolada, provavelmente uma de suas melhores. Esse também deve ser o fim do festival como o conhecemos, uma vez que os dois produtores do Jambolada resolveram terminar a parceria. Um deles, Talles Lopes, seguirá em frente com o Festival Goma, feita pelo coletivo Goma, no qual é um dos coordenadores. Talles também é o nome mais provável para assumir a presidência da Abrafin, substituindo Fabrício Nobre, há anos no comando da instituição.

Este ano o Jambolada é realizado junto ao 3° Congresso Fora do Eixo, iniciado no último domingo e responsável pela presença de mais de 300 pessoas, integrantes de coletivos do Circuito Fora do Eixo, que se deslocaram de todos os Estados brasileiros rumo à Uberlândia para discutir as ações do Fora do Eixo e a produção cultural no Brasil.

Programação do festival Jambolada 2010

Sexta, 15/10 @ Acrópole:
01:30 Otto (PE)
00:50 Emicida (SP)
00:10 Autoramas (RJ)
23:40 Falsos Conejos (ARG)
23:00 Cabruêra (PB)
22:30 Érika Machado (MG)
22:00 Monograma (MG)
21:30 Pedro Morais (MG)
20:30 Dom Capaz (MG)
20:00 Manos de Responsa (MG)
19:30 A170 (MG)
19:00 Desalma (PE)

Sábado, 16/10 @ Acrópole:
01:20 Matanza (RJ)
00:40 Vanguart (MT)
00:00 Copacabana Club (PR)
23:30 Vespas Mandarinas (SP)
23:00 Seu Juvenal (MG)
22:30 The Folsoms (MG)
22:00 Krow (MG)
21:30 Gritando HC (SP)
21:00 Animais na Pista (MG)
20:30 The Baggios (SE)
20:00 Mata Leão (MG)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Leave Me Out (MG)

Domingo, 17/10 @ UFU - Campus Santa Mônica (Palco Conexão Vivo):
21:00 Porcas Borboletas (MG) convida Paulo e Arrigo Barnabé (SP)
20:00 Nina Becker (RJ)
19:00 Indiada Magneto (MG)
17:00 Quarteto Olinda (PE)

Passaportes antecipados para os dois dias do evento na Acrópole:
Meia: R$15,00 / Inteira: R$ 30,00
Vendas: Fox Club - Pratic Shopping (loja 110) e Center Shopping (loja 22).
Ingressos para uma só noite (15 ou 16/10):
Meia: R$10,00 / Inteira: R$ 20,00
vendas só na portaria do Acrópole.

26 de agosto de 2010

Festival Goma, em Uberlândia, começa hoje

A 3 edição do festival Goma de Música Independente, realizado pelo coletivo Goma, começa hoje em Uberlândia (maior cidade do interior de Minas Gerais) e se estende até sábado, dia 28, com shows de bandas alternativas de seis estados brasileiros, oficinas e palestras. 

Um dos diferenciais do festival são as parcerias estabelecidas através de troca de serviços e do uso da moeda solidária Goma Card. O evento é um dos 15 festivais que compõem o Circuito Mineiro de Festivais, ação em rede do Circuito Fora do Eixo Minas que percorre, até o fim de 2010, 14 cidades mineiras.



Shows

26/08/10, quinta-feira
Local: Espaço Goma
Av. Floriano Peixoto, 12, Centro

01h00 LABORATÓRIO JACK (MG)
00h00 SUPER STEREO SURF (DF)
23h00 WALDI E REDSON (MG/GO)
22h00 DOM CAPAZ (MG)
21h00 LUFORDI (MT)
Abertura da casa: 20h

27/08/10, sexta-feira
Local: Coliseu Hall
Av. Afonso Pena, 3122, Bairro Brasil

01h20 DEAD FISH (ES)
00h20 UGANGA (MG)
23h40 FUSILE (MG)
23h00 HELLBENDERS (GO)
22h20 A170 (MG)
21h40 BURNAHEAD (MG)
21h00 ESQUIVA (MG)
Abertura da casa: 20h

28/08/10, sábado
Local: Coliseu Hall
Av. Afonso Pena, 3122, Bairro Brasil

01h20 BNEGÃO & BLACK SONORA (RJ/MG)
00h20 PORCAS BORBOLETAS (MG)
23h40 HOLGER (SP)
22h20 VELHOS E USADOS (DF)
21h40 KILLER KLOWNS (MG)
21h00 PERVERSE (MG)
Abertura da casa: 20h


Passaporte para os 3 dias de evento: R$20,00 (meia entrada*)
*Aos não estudantes, levando 1kg de alimento não perecível a cada dia de evento será válida a meia entrada.

7 de outubro de 2009

Programação do festival Jambolada 2009

Uma das diferenças que senti na programação do festival Jambolada 2009, que acontece em Uberlândia (interior de MG), é que ele está mais focado nas bandas mineiras, o que é bastante interessante para valorizar a produção musical do Estado na atualidade.

Bandas integrantes dos coletivos de ações culturais independentes de Minas também estão presentes na programação, caso dos sabarenses do 4instrumental, dos belorizontinos do Cães do Cerrado e dos divinopolitanos do Aura.


Sexta-feira - 23 de outubro
Local: Acrópole

01h20 - Pato Fu (MG)
00h40 - Black Drawing Chalks (GO)
00h10 - Ophelia And The Tree (MG)
23h40 - DJ Tudo e a Garrafada (SP)
23h00 - Devotos (PE)
22h30 - U-Ganga (MG)
22h00 - Dissidente (MG)
21h30 - Snorks (MT)
21h00 - Maldito Sudaka (MG)
20h30 - Seu Juvenal (MG)
20h00 - Os Patto (MG)
19h30 - Soprones (MG)
19h00 - Waldi e Redson (GO)

Sábado - 24 de outubro
Local: Acrópole

01h20 - Sepultura (MG)
00h40 - Canastra (RJ)
00h00 - Porcas Borboletas (MG)
23h30 - Mini Box Lunar (AP)
23h00 - Krow (MG)
22h30 - Dom Capaz (MG)
22h00 - Cérebro Eletrônico (SP)
21h30 - 4instrumental (MG)
21h00 - Mata Leão (MG)
20h30 - Johnny & Alfredo & Seus Neurônios Mongóis (MG)
20h00 - Erbert Richard (MG)
19h30 - Cães do Cerrado (MG)
19h00 - Aura (MG)

Domingo - 25 de outubro
Jambolada Especial Arte na Praça
Local: Praça Sérgio Pacheco

17h00 - Maria Alcina (RJ)
16h00 - Anelis Assumpção (SP)
15h00 - Os Seminovos (MG)
14h00 - Graveola e o Lixo Polifônico (MG)
13h00 - Manolos Funk (MG)
12h00 - Cidadão Comum (MG)

9 de junho de 2009

Cuidado: animais na estrada

Eles fizeram o show mais destruidor do Grito Rock Sabará 2009 e ao vivo são uma das bandas mais explosivas que vi nos últimos anos. O quinteto (até alguns dias atrás, sexteto) punk Cães do Cerrado é quase uma versão mais suja e hardcore de Jackass e, portanto, mais engraçada e visceral.


Não bastasse isso, ainda fizeram um relato no melhor estilo gonzo descompromissado no blog Pegada na Estrada, que reúne os registros das viagens das bandas integrantes do coletivo Pegada. Segue um trecho:
"Nos dividimos em duas equipes, com o intuito de competir perigosamente até chegar em nosso destino final. Equipe Regina – Formada por mim, Gigopepo e Alcatraz. Equipe Tempestade Ambiental com Cristo – Formada por Lixo e Corrupção, F. Dynamite (que saiu da banda, mas continua sendo nossa prostituta), 37 e Cacau. Então rumamos pela BR-262 em direção ao Triângulo Mineiro."

O texto completo está aqui. Em breve coloco alguns vídeos que fiz da banda para você sentirem o que é isso ao vivo.

25 de maio de 2009

Mistureba #7

Cobertura involuntária do Festival Goma de Música Independente
Recebi esse email (sutilmente editado) da Cacau, minha companheira de Fórceps:
"Galera, tô em uberlândia no II Festival Goma.
Vim com a galera do Cães do Cerrado, do Pegada. Eles são gente boa, tao super interessados em entender mais sobre o circuito e trouxeram a banquinha de cds e produtos.
E tá rolando com força o gomacard aqui. Até o restaurante é pago em gomacard.
Tá uma galera reunida aqui ralando junto. Os meninos do macaco bong estão fazendo a sonorização, o rodrigo do massa coletiva de são carlos tá fazendo as transmissoes da rádio, a Letícia, do megalozebu de uberaba tá dando uma força na produção também.
O festival tá sendo transmitido na rádio abrafin: www.abrafin.org, tá massa!"

Cao Guimarães e o Grivo no Oi Futuro (Rio de Janeiro)

26 de setembro de 2008

Cobertura do terceiro dia de Jambolada

(Antes tarde do que nunca, é o lema da semana)

Em seu terceiro e último dia (desconsiderando o show do Luiz Melodia, realizado uma semana antes numa parceria entre o projeto Arte na Praça e o festival), o Jambolada mudou de palco e foi realizado no campus da Universidade Federal de Uberlândia com entrada gratuita. O ambiente aberto e arborizado, somado ao clima universitário, encaixou extremamente bem com a diversificada programação do dia.

As maiores surpresas foram a sambista Aline Calixto (BH), que provocou os momentos mais animados da noite e fez o único bis de todo o festival (após longa insistência por parte do público); o rapper Renegado (BH), que mesmo ainda desconhecido na cidade reuniu boa parte da platéia para cantar e dançar juntos sua mistura de hip hop, samba, black music e ragga; e a banda acreana Filomedusa, que mostrou ter ao vivo uma surpreendente potência sonora.

FilomedusaA Filomedusa foi responsável por agradar os fãs de rock presentes. Com boas bases instrumentais e um guitarrista destruidor, bem ao estilo 70´s, um dos poucos pontos negativos da banda ao vivo é o vocal, que, para mim, mostra-se inapropriado em alguns momentos. Antes do Filomedusa, quem abriu a programação foi a banda local Ophelia and the three, que apesar de ter bons (e jovens) instrumentistas, ainda tem um longo percurso a ser feito para levar seu rock singelo e retrô para longe da banalidade.

Realizando a turnê de lançamento de seu álbum de estréia, Do Oiapoque a Nova Iorque, produzido por Daniel Ganjaman (Mombojó, Instituto, Sabotage, Forgotten Boys), Renegado apresentou pela primeira vez em Uberlândia seu trabalho, fruto da fusão sonora que busca tirar o hip hop de abordagens estereotipadas e ampliar seu potencial, tanto artístico como de mercado. Músicas como "Mil grau" (na qual se aproxima da black music) e "Meu canto" (excelente junção de samba com hip hop, longe da banalidade) demonstraram ao público presente que é possível misturar diferentes gêneros e manter uma unidade sonora concisa e dançante.

Distanciando-se ainda mais do rock ´n´ roll dominante nas noites anteriores do Jambolada, Aline Calixto e o grupo Eterna Chama envocaram as clássicas rodas de samba no mesmo festival que no dia anterior havia recebido o hardcore/trash do Ratos de Porão. Melhor para o público, que pôde conferir mais uma vez como a diversidade cultural brasileira gera manifestações tão díspares e interessantes. Com um repertório mesclando composições próprias, de novos autores mineiros e clássicos do samba, esse foi um dos últimos shows de Aline antes de entrar em estúdio para as gravações de seu primeiro CD, que será lançado pela multinacional Warner Music em 2009.


Fechando o domingo, a lenda do soul e da black music mineira Marku Ribas mostrou o que é swing para as novas gerações em um extenso show, que terminou com o hit "Zamba bem".


Obs.: Fico super feliz em ver Aline Calixto e Renegado crescendo e ganhando espaço. São artistas com os quais trabalho na Casulo Cultura e sei o quanto são comprometidos com suas carreiras e seus trabalhos artísticos.

Foto: Marco Nagoa

20 de setembro de 2008

Cobertura do segundo dia de Jambolada

Depois de passar por vários festivais de música pelo país, fica cada vez mais claro para mim que o ambiente gerado por esses eventos é tão importante quanto a música transmitida dos palcos. A reunião de pessoas com interesses comuns e conhecimentos benéficos à cena alternativa em um mesmo espaço gera encontros importantes e, em muitos momentos, focar-se nesses encontros pessoais pode ser muito mais interessante do que se limitar aos shows. A partir do momento que se tem isso em mente é possível tirar maior proveito dos festivais.

Esse "outro modo" de participação é ainda mais viável em festivais com tendências político-ativistas, como o Jambolada. A política e ativismo a que me refiro dizem respeito à postura de levar ao festival bandas de regiões longínquas que, de outra maneira, não teriam como dar vazão à sua música e também ao fato de dar espaço para as bandas da cidade e do Estado de realização do evento. Somados aos debates, oficinas e encontros propostos, são esses os elementos que tornam Jambolada e Calango, entre outros, mais do que simples eventos, mais que festivais de música.

Ratos de Porão, uma das atrações do diaCom isso em mente, meu segundo dia de Jambolada não foi preso aos dois palcos do festival. Preferi me ocupar de conversas pelos bastidores, conhecer pessoas, perambular apenas observando o movimento ou simplesmente descansar no hall do hotel enquanto Mallu Magalhães, à minha frente, tocava violão toda serelepe junto a um sujeito tatuado que mais parecia um membro do Exploited.

Entre essas e outras, realmente não me importo em ter perdido não ter visto o show do Transmissor (banda da qual gosto bastante), Galinha Preta (que mutos disseram ter sido O show da noite), Krow, Dissidente!, Madame Saatan, Juanna Barbera, Porcas Borboletas e Enne. Em alguns casos sequer tomei conhecimento da banda no palco, em outros, conferi uma música ou outra. No geral, foi mais importante ater-me a coisas como entender melhor algumas das ideologias que movem a cena musical independente brasileira e acompanhar o drama do repórter do jornal O Globo que tinha como pauta a Mallu (para uma matéria sobre jovens na mídia, se não me engano) e não conseguiu conversar com a garota, ficando cabisbaixo e tristonho pelo hotel ("Força, Denis!"). Até cheguei a sugerir uma matéria sobre o imbróglio, mas o olhar dele já dizia algo como "Você sabe como é O Globo?". Pois é.

Mallu Magalhães no JamboladaVale aqui uma breve interrupção: o hype em torno de Mallu Magalhães parece ter subido à cabeça de quase todos ao redor da menina, menos ela própria. Sua produção é arrogante ao extremo, enquanto Mallu aparentemente é super simpática. Pena que simpatia não se transforma naturalmente em música boa e fez seu show funcionar. Foi uma apresentação bem insossa no Jambolada.

Interrupção nº 2: "O que há de errado com os jovens de hoje em dia?", perguntaria meu pai. Até eu tive vergonha dos pirralhos se apertando na primeira fila para gritar "Mallu, Mallu, eu te amo" ou (no topo da vergonha alheia) "Eu quero o seu sapatooo!". Será que os moleques não conhecem puteiros, YouPorn.com ou simplesmente não têm imaginação para serem obrigados a se apegar à imagem de uma ninfeta de botinhas de vaqueira? (nem citei a opção de eles conseguirem sexo de modo natural porque seria demais, tendo em vista o nível a que chegaram)

Interrupção nº 3: "Marcelo, você é podre!". Bem, levando em consideração as coisas que saíram de mim (literalmente) essa semana, tenho que concordar. =D

Fotos: Thiago Carvalho

13 de setembro de 2008

Cobertura do primeiro dia de Jambolada 2008

Em meio a um calor infernal teve início, ontem, a programação principal do festival Jambolada, que este ano promove sua quarta edição. Realizado em Uberlândia, maior cidade do interior de Minas Gerais, o Jambolada é uma das ações que tornam a cidade o pólo das atividades culturais independentes em Minas Gerais, mantendo diálogo com centros culturais de diferentes partes do Brasil e com os integrantes do Circuito Fora do Eixo através do coletivo Goma, um dos idealizadores do evento.

Com 11 bandas e público de cerca de 4 mil pessoas, o início do festival desse ano deixa claro o status alcançado e sua importância na difusão do rock independente brasileiro.

Divididos em dois palcos montados na Acrópole (um ótimo espaço para eventos de médio porte, com espaço para 5 mil pessoas), os shows da primeira noite foram focados em diferentes vertentes mais pesadas do rock (como heavy metal e screamo) e demoraram para engrenar, salvo uma pequena exceção chamada Linha Dura.

O rapper cuiabano Linha Dura é diretamente ligado ao Espaço Cubo e movimentos sociais e vem aos poucos chamando atenção na cena alternativa. Na primeira noite de Jambolada era, fora os headliners, uma das atrações mais comentadas entre o público. Contando com um segundo MC e praticamente tendo o Macaco Bong como banda de apoio (Kayapy na guitarra e Ynaiã na bateria), além do baixista virtuose Ebinho Cardoso, Linha Dura fez uma apresentação potente e diferenciada em meio às primeiras atrações da noite. Embora suas gravações apresentem uma sonoridade próxima ao trabalho do falecido Sabotage, porém com o uso de samples de ritmos regionais, ao vivo suas músicas ganham peso e intensidade, resultando em canções com maior identidade.

Outro show de destaque na noite foi o da banda paranaense Sick Sick Sinners. O trio é fiel às características básicas da psychobilly (tanto estéticas quanto sonoras) e, mesmo desconhecido por grande parte dos presentes, fez um dos mais animados e elogiados shows.

Mudando de estilo e palco, o Jambolada também teve espaço para um baile da terceira idade à cargo de Wander Wildner e sua banda. Se focasse o olhar estritamente no palco, qualquer pessoa da platéia poderia se sentir em um baile do tipo, promovido pelo seu tio lesado/"doidão". Wildner tem presença garantida na maioria dos festivais e talvez seja justamente esse excesso de exposição que torne seu som tão cansativo.

Macaco BongCom alguns problemas no som do palco, o Macaco Bong veio em seguida para se apresentar pela segunda vez no Jambolada e fazer seu costumeiro show esporrento e elaborado. Fizeram um set levemente diferente do apresentado no Eletronika alguns dias atrás, incluindo "Vamos dar mais uma", faixa que fecha o álbum de estréia da banda, na apresentação, que fechou com a ótima "Shift", enquanto um enorme número de pessoas já se aglomerava em frente ao outro palco para conferir o Cordel do Fogo Encantado.

Público durante show do CordelAssistir a um show do Cordel é quase uma experiência religiosa. A resposta do público é incrível e a perfomance do "vocalista" Lirinha junto ao instrumental marcado pelas percurssões formam algo bastante próximo de um ritual provocador de catarses coletivas. O público reunido e interagindo com as canções do Cordel resultou em algumas das cenas mais bonitas da noite, mas, mesmo assim, eu preferi dormir.


Foto 1: Gustavo Moreia
Foto 2: Thiago Carvalho

Foto 3: Divulgação

11 de setembro de 2008

Nesse finde

Essa tem sido uma das mais pesadas semanas, em termos de tarefas a serem feitas, mas ao menos os motivos (ganhar dinheiro, pegar meu diploma, fazer algo que não seja medíocre e que dê prazer não apenas a mim mas também a outras pessoas) justificam o esforço.

Daqui a algumas horas vou para Ouro Preto, trabalhar no Tudo é Jazz, o festival de jazz da cidade e que esse ano homenageia Milton Nascimento. Nem fico muito tempo por lá e em seguida vou pra Uberlândia, acompanhar o festival Jambolada.

É bem provável (leia-se "com toda a certeza") que eu não queira ver um computador na minha frente até segunda-feira, então uma série de textos que estou preparando para publicar terão que esperar.

Até lá, minha sugestão é que você leia alguma coisa nos arquivos do blog, tenho percebido muita gente nova por aqui e que provavelmente ainda não sabe de muita coisa que rolou, como, por exemplo, o "Manual para divulgação de bandas independentes na internet".

E para quem fica em BH, a dica é conferir a apresentação da ótima banda de metal experimental Elma, que toca no Matriz no sábado de noite junto ao Ballet, Jazz Comfusion e Foz.

Sem contar que está chegando o Escambo...

1 de setembro de 2008

Festival Jambolada 2008 divulga programação

Com maior destaque para as bandas locais e buscando maior pluralidade sonora, o que é reforçado pelo slogan “Misturando sons”, o Jambolada 2008 acontece nos dias 7, 12, 13 e 14 de setembro na cidade mineira de Uberlândia e revelou durante este final de semana sua programação completa de shows.

Ao todo serão quase 30 show, abrangendo desde a porradaria do Ratos de Porão (SP) ao tropicalismo revisitado de Diego Moraes e o Sindicato (GO), mantendo espaço para o punk brega de Wander Wildner, o instrumental erótico e pesado do trio Macaco Bong (MT) e o folk pop de Mallu Magalhães (SP).

Programação:


07/09, domingo, na Praça Sércio Pacheco

13h - Dora Grossi (UDI-MG)
15h - Luiz Melodia (RJ)

12/09, sexta-feira, na Acrópole

Palco 1
20h - DCV (URA-MG)
21h - Linha Dura (MT)
22h - Metal Carnage (UDI-MG)
23h - Vandaluz (PTM-MG)
0h - Wander Wildner (RS)
1h45 - Cordel do Fogo Encantado (PE)

Palco 2
20h30 - Dyf (UDI-MG)
­21h30 - U-Ganga (MG)
22h30 - Carolina Diz (BH-MG)
23h30 - Sick Sick Sinners (PR)
1h - Macaco Bong (MT)

13/09, sábado, na Acrópole

Palco 1
20h - Transmissor (BH-MG)
21h - Krow (UDI-MG)
22h - Dissidente! (UDI-MG)
23h - Mallu Magalhães (SP)
0h30 - Porcas Borboletas (UDI-MG)
1h45 - Ratos de Porão (SP)

Palco 2
20h30 - Galinha Preta (DF)
21h30 - Juanna Barbera (UDI-MG)
22h30 - Enne (BH-MG)
0h - Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
1h - Madame Saatan (PA)

14/09, domingo, no CC Ufu Sta Mônica

17h - Ophelia and the Three (UDI-MG)
18h - Filomedusa (AC)
19h - Renegado (BH-MG)
20h - Aline Calixto e Eterna Chama (BH/UDI-MG)
21h - Marku Ribas (BH-MG)

29 de julho de 2008

Mallu Magalhães, Ratos de Porão e Cordel do Fogo Encantado são as primeiras atrações confirmadas no Jambolada 2008

A quarta edição do Jambolada, principal festival mineiro focado no rock independente, acontece entre os dias 12 e 14 de setembro em Uberlândia e terá como principais atrações três bandas bastante distintas: o hype Mallu Magalhães, com seu folk adolescente e meigo, pela primeira vez em Minas (como já havia sido publicado aqui); a veterana banda punk Ratos de Porão, na ativa há mais de 20 anos; e o performático e intenso Cordel do Fogo Encantado.

Ao todo serão mais de 20 shows, sendo que três deles serão definidos a partir das seletivas do festival, cujas inscrições estão abertas até 8 de agosto. Artistas mineiros interessados em participar devem enviar até três músicas em mp3, foto, release e link de seu material na internet para o email “seletivajambolada@gmail.com”. No caso dos músicos locais, as inscrições devem ser feitas no email “previajamboudi@gmail.com” até 15 de agosto.

19 de julho de 2008

Mallu Magalhães pela primeira vez em Minas

Mallu Magalhães
Em primeira mão!!!

Mallu Magalhães, o maior hype musical brasileiro surgido na internet, fará seu primeiro show em Minas Gerais no festival Jambolada, que acontece em Uberlândia nos dias 19, 20 e 21 de setembro.

Foto: Tatu (liberada via Creative Commons)

8 de setembro de 2007

Jambolada 2007

Maior festival de música independente de Minas Gerais, o Jambolada divulgou esta semana a programação completa de sua terceira edição. Serão três dias de shows (de 14 a 16 de setembro) e palestras em Uberlândia, em mais um exemplo do atual movimento de descentralização do circuito de rock independente brasileiro.

A programação possui ao menos dois nomes já consagrados da música nacional (Tom Zé e Nação Zumbi) e grupos em forte ascensão (Vanguart, Superguidis, Móveis Coloniais de Acaju).

Os shows de sexta e sábado acontecem na casa de shows Acrópole e os ingressos custam R$14, a inteira. O passaporte tem preço promocional de R$ 10 até dia 13. Os shows do domingo, na praça, são gratuitos. Os ingressos podem ser comprados nas lojas Açaí da Terra e Zagaia Tatuagens ou pedidos pelo telefone 3291-3291, no serviço de disk-ingresso, com entrega em casa.

Programação

[ shows ]

14/09. sexta-feira.
Local: Acrópole. Abertura dos portões às 18h.
19:00 h - Vandaluz (MG)
19:45 h - Ácidogroove (MG)
20:30 h - Proa (MG)
21:15 h - Falcatrua (MG)
22:00 h - Juanna Barbera (MG)
22:45 h - Tom Zé (BA)
00:30 h - Los Porongas (AC)
01:15 h - Vanguart (MT)
02:00 h - Porcas Borboletas (MG)
02:45 h - Daniel Belleza & Os Corações em Fúria (SP)

15/09. sábado
Local: Acrópole. Abertura dos portões às 18h.
19:00 h – Um Bando e o Fim da Quadrilha (MG)
19:45 h - The Dead Lover's Twisted Heart (MG)
20:30 h - Super HI-FI (RJ)
21:15 h - Estrume'n'tal (MG)
22:00 h - Dead Smurfs (MG)
22:45 h – Astronautas (PE)
23:30 h – Supergalo (DF)
00:15 h - Superguidis (RS)
01:00 h - Antena Buriti (MG)
02:00 h - Nação Zumbi (PE)

16/09. domingo
Local: Arte na Praca Especial Jambolada - Praça Sérgio Pacheco
Entrada Gratuita
12:00 h Quarto de Tom (MG)
13:00 h Duofel (SP)
14:00 h Makely Ka (MG)
15:00 h O Quarto das Cinzas (CE)
16:00 h Móveis Coloniais de Acaju (DF)

[ ciclo de debates ]

14/09. sexta-Feira
14:00 Circuito Fora de Eixo: Circulação, Distribuição e Produção de conteúdo
Palestrantes:
- Pablo Capilé (Instituto Cultural Espaço Cubo -MT)
- Marcelo Domingues (Festival Demo Sul , Londrina-PR)
Mediador: Talles Lopes (Festival Jambolada)
16:00 Música e Comunicação Independente nos Festivais
Palestrantes:
- Israel do Vale( Rede Minas-MG)
- Rodrigo Lariú (Festival Evidente,RJ)
Mediador: Alessandro Carvalho (Festival Jambolada / Novamidia Comunicação Independente)
Local: UFU - Bl. 3 E - Campus Santa Mônica
Entrada Gratuita

15/09. sábado
14:00 Lançamento do Circuito Mineiro de Música Independente
Participantes: Produtores Mineiros e Imprensa
Local: Hotel JVA
Mediadora: Mariana Soldi (Festival Jambolada)
Entrada Somente para convidados

Site e blog oficiais.

Mugg esta noticia

Arquivos do blog