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14 de abril de 2012

Programação do Vivo arte.mov 2012 em BH

Sem alarde, a produção do Vivo arte.mov - Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis publicou no Facebook a programação da edição do evento deste ano em Belo Horizonte, que acontece entre 25 e 29 de Abril e será encerrada por uma performance de Lee Ranaldo (Sonic Youth). "Sight unseen" é uma parceria do ex-guitarrista do Sonic Youth com Leah Singer, sua esposa, com quem realiza vários trabalhos artísticos. Toda a programação do arte.mov (que inclui workshops, debates, seminários e exibições de vídeos) é gratuita e acontece no Palácio das Artes, no centro da capital.


Curiosidade: Ranaldo é o segundo membro do Sonic Youth a se apresentar em Belo Horizonte em projetos paralelos. Steve Shelley, baterista da banda, tocou na cidade em 2010 com o Hallogallo, projeto de Michael Rother (ex-Kraftwerk e Neu!). E Thurstoon Moore, guitarrista e vocalista da banda, acaba de fazer três shows no país com seu trabalho solo.

Programação

--- 25 DE ABRIL – QUARTA-FEIRA ---
09H30-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
10H: WORKSHOP – ARTVERTISER
19H: PALESTRA DE ABERTURA – TECNOLOGIAS DE COOPERAÇÃO - HOWARD RHEINGOLD

--- 26 DE ABRIL – QUINTA-FEIRA ---
09H30-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
14H: WORKSHOP – URBAN REMIX
19H: SEMINÁRIO – TECNOPANORAMAS COM ROBERT KRONENBURG, FERNANDO GIL (LAB DE GARAGEM) E CAIO VASSÃO
21H-23H: MOSTRA COMPETITIVA

--- 27 DE ABRIL – SEXTA-FEIRA ---
09H30 -21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
10H: WORKSHOP ARTVERTISER 19H: SEMINÁRIO – ETNOPANORAMAS COM MASSIMO CANEVACI E MICHAEL NITSCHE (URBAN REMIX)
21H-22H: MOSTRA COMPETITIVA

--- 28 DE ABRIL – SÁBADO ---
09H30-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
17H: BATE PAPO ABERTO COM VENCEDORES DA MOSTRA COMPETITIVA
19H: SEMINÁRIO – MIDIAPANORAMAS COM SERGIO BASBAUM, ERICK FELINTO E ROBERTO MOREIRA
21H-22H: MOSTRA COMPETITIVA

--- 29 DE ABRIL – DOMINGO ---
16H-21H : EXPOSIÇÃO DESTERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
19H: ENTREGA DOS PRÊMIOS DA MOSTRA COMPETITIVA
20H: PERFORMANCE LEE RANALDO E LEAH SINGER – SIGHT UNSEEN

1 de dezembro de 2011

Editais: Natura, Arte.mov, Conexão Vivo

Fique esperto, três importantes editais estão em seus momentos finais para recebimento de propostas. No caso dos editais do Natura Musical e do Conexão Vivo, o objetivo é receber projetos culturais inscritos na Lei de Incentivo à Cultura de MG para patrocínio durante o ano de 2012. Já o Arte.mov, festival de arte em mídias móveis, recebe inscrições de obras audiovisuais e projetos de mídias locativas para serem apresentados durante o evento. Em todos os casos, as inscrições são online.

Natura Musical
Término: 2 de Dezembro
Descrição: Nossos ouvidos estão mais uma vez dedicados e ansiosos por nossa música: o Natura Musical está recebendo as inscrições para o Edital Minas 2011. Nesses 6 anos de programa, mais de 150 projetos vindos das 5 regiões do país já foram apoiados pelo Natura Musical. Em comum, todos valorizam nossas sonoridades inventivas, cheias de brasilidade e de livre passagem pelos outros cantos do mundo. Se você tem um projeto com estas características, não deixe de participar! As inscrições acontecem até o dia 2 de dezembro as 23h59 e todas as informações que você precisa estão em www.natura.net/patrocinio. Em caso de dúvidas, entre em contato com nosso atendimento por meio do telefone 11 3146 0970 ou no e-mail edital@naturamusical.com.br . O serviço funciona de segunda a sexta, das 9h às 12h30 e das 13h30 às 18h, durante o período de inscrição.
Inscrição.

Arte.mov
Término: 2 de Dezembro
Descrição: Mostra competitiva: Podem inscrever-se obras audiovisuais brasileiras, com duração de 20 (vinte) segundos a 3 (três) minutos, no período de 11 de outubro a 02 de dezembro de 2011. São aceitos trabalhos em quaisquer tipos de mídia ou suporte para captação das imagens. Para enviar seu trabalho, leia atentamente o regulamento / edital e preencha a ficha abaixo. / Mídias locativas: Suas ideias podem se transformar em um projeto realizado através do edital mídias locativas do VIVO arte.mov 2011. Queremos incentivar a criatividade associada a recursos antes de alto custo e apenas disponíveis a grandes produtoras, incentivando desta forma a produção de novas vertentes ligadas a arte e comunicação para mídias móveis.
Inscrição.

Conexão Vivo
Término: 16 de Dezembro
Descrição:

Inscrição.

7 de outubro de 2010

Shows do Air e Céu no lançamento do festival Eletronika + Arte Mov são cancelados


Começou como um boato no início da semana e se confirmou nesta quarta-feira o cancelamento do show que os franceses do Air e a brasileira Céu fariam na próxima sexta, 15 de outubro, em Belo Horizonte. O motivo teria sido a baixíssima venda de ingressos antecipados.

Desde o anúncio do show em BH pairou no ar a incerteza em relação à presença de um bom público, afinal, são poucas as pessoas na cidade que conhecem o som da dupla francesa. O fato de se tratar do lançamento da união de dois importantes festivais locais (o Eletronika, focado na música contemporânea um pouco mais experimental, e o Arte Mov, dedicado a arte eletrônica) parecia ser um importante diferencial para atrair o público mas que, infelizmente, parece não ter sido suficiente.

Mesmo com a tentativa de produtores locais em formar público para show internacionais de maior porte ainda são poucos os casos de sucesso quando se tratam de bandas menos populares. Foi assim no show da banda nova-iorquina Interpol e Gang of Four, por exemplo. Até mesmo no Faith No More, com um público de cerca de 3 mil pessoas, as informações são de que o show deu prejuízo.

Como consolo, resta saber que o aguardado show do Massive Attack  (UK) provavelmente acontecerá na abertura do Eletronika, no dia 15 de novembro (ingressos a R$ 70, meia-entrada). Seis dias depois, (21.11) no mesmo festival, quem se apresenta é a banda francesa Phoenix, que também toca no festival Planeta Terra em 20 de novembro, em São Paulo (com ingressos esgotados).

24 de junho de 2010

O que a geração MySpace deveria saber sobre trabalhar de graça

Não é necessariamente pelo que é apresentado no texto "O que a geração MySpace deveria saber sobre trabalhar de graça", de Trebor Scholz, que gosto desse artigo, mas pela reflexão que o mesmo pode estimular (ou estimulou em mim). Parte do e-book  (livro digital) Apropriações do (in)comum: espaço público e privado em tempos de mobilidade, lançado em 2008 pelo festival Arte.mov em parceria com o Instituto Sérgio Motta, o texto provoca questionamentos sobre uma atuação mais consciente nas redes sociais virtuais (assim como na internet de forma mais abrangente) e é facilmente aplicável à presença da música na internet. Afinal, nossas escolhas e ações são partes ativas na definição do mercado musical (assim como na construção de tudo ao nosso redor), mesmo que não detenhamos o poder exclusivo de determinar os resultados.

Escolhas aparentemente simples como focar toda a divulgação de um artista no MySpace, por exemplo, têm muito a dizer sobre o mercado musical atual. Por que escolher exclusivamente o site norte-americano, que sequer permite a opção de download das músicas, e não o brasileiro TramaVirtual (que ainda PAGA a banda pelos downloads realizados de suas músicas) ou a interessante plataforma BandCamp, que além de streaming (audição das músicas) possibilita o download de álbuns completos em diferentes formatos (.mp3 em alta ou baixa qualidade, .ogg, flac, etc) e até mesmo que as músicas sejam vendidas?

É preciso pensar de forma mais abrangente, visando diferentes momentos da cadeia produtiva. Se mais artistas passarem a utilizar o TramaVirtual a tendência é que mais pessoas acessem o site. Em decorrência do aumento no número de acessos, a Trama poderia negociar novos patrocinadores para o site, valores mais altos. Observando o sucesso da iniciativa, outras empresas poderiam adotar o mesmo modelo de remuneração (ou semelhantes, como uma junção do modelo TramaVirtual + Bandcamp). Resultado: mais dinheiro para os artistas, melhor distribuição da produção e da renda, maior formação de público.

Esse é apenas um exemplo, mas o que importa é que enquanto os próprios artistas permanecerem atrelados a estratégias do mainstream não haverá estrutura acessível e funcional para que os independentes possam se estabelecer de forma sustentável.

Abaixo, o texto que estimulou essa publicação. Para download completo do livro digital do qual o artigo faz parte, acesse este link do Instituto Sérgio Motta.

"Se você concorda com a teoria da “performance virtuosa” e “do ato de ser um falante” de Paolo Virno e Maurizio Lazzaroto como o mais novo trabalho imaterial (do Norte), aí sim, a web social é a nova fábrica sem paredes. Eu não assino embaixo da naturalização da exploração do trabalho que é tão querida pelo capitalismo. Onde estão as pessoas que se preocupam se os grandes lucros são feitos da sua criatividade distribuida? A maioria dos participantes não é consciente do seu papel no comportamento do mercado. 

Os sites mais centrais na World Wide Web criam massivos valores excedentes e pequenas iniciativas são freqüentemente compradas pelos Walmarts da internet (NewsCorp, Yahoo, Google) no exato momento que eles atraem numero suficiente de visitações nas paginas. As pessoas passam maior parte do tempo nos sites desses gigantes e não em lojas menores e caseiras (“mom and pop stores”). Cerca de 12% de todo o tempo gasto por americanos na internet é gasto no MySpace. 

Nicholas Carr assinalou que 40% de todo o tráfego na web é concentrado em 10 websites. (www.sina.com.cn, www.baidu.com, www.yahoo.com, www. msn.com, www.google.com, www.youtube.com, www.myspace.com, www. live.com, www.orkut.com, e www.qq.com). 

A maioria destes sites devem a sua popularidade para a riqueza de conteúdo gerada pelos visitantes que passam uma quantidade significativa de tempo sobre estes poucos, muito poucos sites, criando assim riqueza para um punhado de proprietários corporativos. O que atrai as pessoas para dentro? 

Numa recente entrevista à Forbes Video Network, Jay Adelson (CEO do Digg.com) foi questionado “o que vai fazer as pessoas voltarem?” Adelson respondeu: “Comunidade é o que realmente faz com que as pessoas voltem. Estas pessoas são apaixonadas pelo o que o Digg tem feito por elas. A experiência como usuário que obtêm ao ser parte dessa comunidade só está melhorando a cada dia.” Atenção se traduz em valor monetário concreto e a comunidade é o produto. O capitalismo cru offline é replicado na forma online, muito contra as esperanças de uma recente cibernética e o “de volta a terra” interligado, aspirações contra-culturais do final dos anos 60 e inicio dos 70 as quais Fred Turner escreve sobre.

A dinâmica do - sendo utilizado - pode deter muito menos verdades para websites periféricos na concêntrica hierarquia da web participativa. A “ mom and pop store “ online tem uma relação muito mais benevolente dos benefícios dos participantes em contraposição as despesas de funcionamento da empresa. E depois existem também duas ou três iniciativas sem fins lucrativos como o Archive.org e Craig Newmark sustentando a “forte esperança”. Eles não estão, com certeza, dominando a leitura e escrita na web. 

O “trabalho afetivo”, imaterial, das redes publicas produz dados. Contribuintes comentam, codificam, classificam, encaminham, lêem, assinam, conectam, moderam, fazem remixagens, compartilham, colaboram, escolhem favoritos, escrevem, trabalham, jogam, conversam, fofocam, discutem e aprendem, Eles preenchem perfis: 120 milhões de pessoas compartilham informações pessoais com a NewsCorp, por exemplo. 18 milhões de estudantes compartilham tamanhos detalhes em seus Facebooks com o Yahoo. Eles compartilham informações sobre suas musicas e clubs favoritos. Eles não ficam tímidos ao listar os livros que estão lendo e os filmes que estão assistindo. Eles detalham suas orientações sexuais e informações postais com cidade, telefone e e-mail. Eles compartilham fotos, histórico educacional e empregos. Perfis, mesmo quando somente visível aos amigos (e claro, ao Yahoo) que listam suas atividades diárias, interesses gerais e amigos.

Parece evidente que toda esta sociabilidade em rede canalizada representa valor monetário. Depois da bomba pontcom, os titãs do Google não iriam comprar um website de vídeos jovem como o You Tube, pelo valor da Companhia New York Times, se não houvesse um claro valor monetário. 

A ética arriscada relacionada à propriedade e exploração do trabalho do “núcleo da web sociável” se torna aparente se olhamos as políticas de privacidade do Yahoo para o Facebook. “O Facebook também pode coletar informações sobre você de outras fontes, tais como jornais, blogs, serviços de mensagens instantâneas, e outros usuários do serviço Facebook por meio da operação do serviço (por exemplo, tags em fotografias), a fim de lhe fornecer mais informações úteis e uma experiência mais personalizada". 

É um sonho se tornando realidade para qualquer pesquisador de Mercado. Mas isso não é brecado por políticas de privacidade bizarras, o Yahoo também reivindica seus direitos sobre o conteúdo do Facebook: “Ao postar conteúdo de usuário em qualquer parte do site, você automaticamente concede, e você representa e garante que tem o direito de conceder, a Companhia uma irrevogável e perpétua, não exclusiva, transferível, totalmente paga, licença mundial (com o direito de sublicenciar) para usar, copiar, executar publicamente, exibir publicamente, reformatar, traduzir, trechos (no todo ou em parte) e distribuir tal conteúdo... “ 

A imagem da rede publica- sendo usada - é, no entanto, complicada pelo fato de que os participantes inegavelmente ganham muito pela participação. Existe o prazer da criação e o mero gozo social. Participantes ganham amizades e um sentimento de pertencer a um grupo. Eles compartilham suas experiências vivenciadas e arquivam as suas memórias. Eles estão conseguindo empregos, acham companhia e provavelmente contribuem para um bem maior. 

A dimensão e grau de exploração do trabalho imaterial é mais inquietante quando olhamos para o site com maior tráfego. A web sociável torna mais fácil às pessoas usar e essa dinâmica poderá somente ser amplificada através do aumento da conexão de aparatos móveis aos grandes sites de rede social."

Imagem: Uribaani

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