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7 de janeiro de 2008

Retrospectiva do Espaço Cubo retrata cena musical independente em 2007

A enorme e completíssima retrospectiva de 2007 publicada pelo coletivo cuiabano Espaço Cubo aborda a efervescência cultural presente no circuito alternativo durante o ano passado e enfoca a importância de Cuiabá na movimentação ocorrida na gestão cultural.

Festival Fora do EixoSão abordados festivais como o Fora do Eixo, o Grito Rock e o Volume, o surgimento da Casa Fora do Eixo, novo espaço para shows alternativos em Cuiabá, e, principalmente, as ações que estimularam e aproximaram as pessoas envolvidas com a música independente.

O cenário que antecede as iniciativas realizadas em 2007 e seus desmembramentos podem ser entendidos ao se ler o trecho abaixo:

"Durante anos a indústria fonográfica brasileira viveu a seguinte lógica: poucas e grandes gravadoras eram detentoras dos direitos de poucas e grandes bandas, oriundas de poucos estados brasileiros privilegiados geograficamente.

Com o advento da internet, maior acesso a softwares de gravação, e etc, essa lógica leviana foi indo por água abaixo. Como conseqüência, ficou o vício cultural ao qual estavam fadadas as bandas outrora privilegiadas geograficamente (pelo “eixo” comercial brasileiro) e as insurgentes bandas de outros estados (fora do “eixo”), que já surgiam com características inovadoras, mais coerentes com a atual situação política e mercadológica da música no país. Interessante é que, mesmo estando em estados “viciados” algumas bandas e agentes situados no “eixo” passaram a compartilhar do modelo lógico de raciocínio dos fora do eixo; Casas noturnas de São Paulo foram cada vez mais abrindo espaços para bandas de outras localidades e o público paulistano cada vez mais se familiarizando com aquilo."

4 de janeiro de 2008

Sete lembranças de 2007


# 1 O álbum: Fome de Tudo - Nação Zumbi
# 2 O álbum independente: A Marcha dos Invisíveis - Terminal Guadalupe
# 3 O show: Macaco Bong na Casa Fora do Eixo na madrugada do sábado dia 04 de agosto em Cba
# 4 A surpresa: Diego de Moraes
# 5 A mídia: Alto-Falante e TramaVirtual
# 6 Quem fez: Espaço Cubo
# 7 O mico: Jão, guitarrista do Dead Smurfs, vestido de mulher (?), errando 50% dos acordes e apresentando suas teorias sobre aranhas durante o Calango 2007 (cadê minha memória seletiva quando preciso dela?) Troféu Manguaça garantido.

13 de setembro de 2007

Calango 2007: cavando a cova do mainstream

O termômetro no centro de Cuiabá indicava 40 graus em plena tarde de inverno. No bairro do Porto, becos estreitos e escuros abrigando bêbados, traficantes e prostitutas levavam ao Museu do Rio, onde seria realizada a quinta edição do Calango - um dos quatro maiores festivais independentes do país. O cenário desbotado e o clima insuportável faziam jus ao carinhoso apelido de "Inferno" ganhado pela cidade, que estava literalmente cercada pelo fogo que consumia matas nas cidades vizinhas.

Ao todo, cerca de seis mil pessoas enfrentaram o nada hospitaleiro bairro do Porto para ver 47 bandas independentes de todas as regiões do país durante os três dias de festival; isso em uma cidade de pouco mais de 500 mil habitantes e que ainda abrigava um evento de música popular no mesmo final de semana. "Em São Paulo as pessoas levam tudo mais na brincadeira porque é comum rolar essa movimentação. Nesses lugares que estavam fora do eixo e não tinham um histórico eles estão construindo tudo rapidamente e isso se deve a organização e a seriedade que as pessoas têm", arriscou Daniel Belleza tentando traduzir o que ocorre em Cuiabá. Com o show marcado apenas para domingo, ele circulou entre o público todos os dias de festival, além de ser figurinha fácil nas noites cuiabanas. "Eu venho direto. Acho que foi amor à primeira vista. Eu gosto muito daqui, as pessoas são legais e o público é muito interessado no seu trabalho", justificou.

Embora aconteça durante três dias, o Calango só começou de verdade no sábado, já que na sexta o que se viu foram apresentações medianas de bandas como Debate (SP) e Rockfelers (GO), enquanto bandas que não empolgariam nem festa de aniversário de amigos criaram uma expectativa nada animadora para os próximos dois dias. No sábado, porém, a história foi outra. Apesar de não ter chegado a tempo de ver o show da inclassificável Seminal, de São Paulo (uma semana depois a banda liderava com 30% dos votos uma enquete na comunidade do Calango no Orkut como o show "de fora" preferido do público), vários shows valeram o sacrifício de deixar o ar condicionado do hotel para enfrentar as chamas do inferno.


Os cariocas do Manacá surpreenderam com um show melhor que suas gravações em estúdio e a tentativa de fazer rock bebendo na fonte da MPB e da música folclórica funcionou bem ao vivo, gerando expectativas sobre a banda, formada há apenas um ano e meio. O rock de pegada pop do Terminal Guadalupe (PR) por si só já valeria a noite de sábado. Influenciados por britrock, o grupo apresentou as canções do seu último disco, "A marcha dos invisíveis", recheado de potenciais sucessos cantados em coro por boa parte do público. Já de madrugada, foi a vez dos cuiabanos do Macaco Bong mostrarem porque são, ao lado do Vanguart, o maior nome da música cuiabana. O trio instrumental apresentou seu já conhecido repertório hipnotizante que será gravado em disco no final do ano. A noite ainda reservava um grande show do Movéis Coloniais de Acajú (DF), que conseguiu acordar o público exausto às quatro horas da manhã com uma apresentação enérgica, que terminou com a platéia de mãos dadas formando uma roda enquanto os músicos desciam do palco e tocavam no meio da pista.


De longe o melhor dia do Calango, o domingo já começou com o Skarros (MT) conseguindo fazer o pequeno público moshar com seu hardcore à lá Ratos de Porão ainda às sete da noite. Mas a primeira banda a realmente chamar a atenção foi o Quarto das Cinzas (CE). Com um som baseado em trip hop e MPB o trio, que usa bateria eletrônica, conta com o belo vocal da atriz Laya Lopes, que mais tarde ainda daria as caras no show dos conterrâneos do Montage.

Experiência inigualável dentro do Calango foi o show de Daniel Belleza e os Corações em Fúria. Contando já de cara com a participação de Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong, na primeira música, a banda conseguiria levar boa parte do público ao êxtase sem fazer muito esforço, mas mesmo assim eles fizeram. Vestido com uma fantasia bizarra, Daniel foi aclamado como um popstar e conseguiu juntar cada vez mais gente em frente ao palco. "Nós não tocamos para fotógrafos, nem para imprensa" gritou antes de conclamar o público a arrancar as grades de proteção e se aproximar do palco - ordem atendida imediatamente pelos fiéis que deixaram os seguranças completamente desnorteados e espantaram boa parte da imprensa do local. Depois de restabelecer parcialmente a ordem, os seguranças ainda tiveram que socorrer Daniel de um tombo após escorregar em um amplificador e se arrebentar no chão bem em frente ao público que o agarrou pela trança. Mais hilário que isso, só mesmo o jornalista Humberto Finatti bêbado no palco tentando participar do show.

Por mais que as próximas bandas tentassem, estava claro que ninguém alcançaria uma performance tão bizarra, engraçada e que contasse com tanta resposta do público. O estrago feito por Daniel acabou prejudicando o show seguinte, dos cuiabanos do Boneca Inflável, que foram recebidos mais friamente. Mas o Calango havia reservado um headline perfeito para sua última noite com shows seguidos de Montage, Patife Band, Vanguart e Tequila Baby, o que tornava impossível não se contagiar novamente.

A dupla cearense do Montage enfileirou um sucesso atrás do outro de seu electro rock e avisou que está de malas prontas para uma turnê européia entre novembro e dezembro. Reflexos do CSS? "São caminhos diferentes. Eles tiveram a sorte de assinar com o selo do Nirvana e fechar uma turnê com o Diplo. A gente teve que juntar dinheiro pra viajar. É uma história completamente diferente", explicou o vocalista Daniel Peixoto antes de manter relações libidinosas com a caixa de retorno no palco.

O trio Patife Band (PR) apresentou seu punk rock experimental e rebuscado a um público que, em boa parte, era mais novo que a própria banda, formada em 1983. O grupo, no entanto, convenceu e deixou muita gente se perguntando como nunca tinha ouvido falar dele. Já de madrugada, o show mais aguardado da noite. O Vanguart, que acabava de lançar seu primeiro álbum na revista Outra Coisa, fez todos cantarem juntos hits do cenário independente como "Semáforo", que contou com uma invasão de vários outros músicos no palco. Nem mesmo os queridinhos da cena cuiabana escaparam do rigor da organização do festival. Assim que deu meia hora o som foi cortado. O vocalista Hélio Flanders chiou e ainda conseguiu mais uma música, prometendo um show completo com direito até a Raul na semana seguinte na Casa Fora do Eixo.

Vanguart > Semáforo








Por fim, os gaúchos da Tequila Baby, que sonham ser Ramones, fizeram sem dificuldade o público cantar canções como "Sexo, Algemas e Cinta-Liga" e "Tira o sutiã, tira a calcinha" e encerraram o Calango 2007 com a dobradinha "I wanna be sedated" e "Blitzkrieg Bop". Embora faltassem poucas horas para amanhecer a segunda-feira, a banda ainda ouviu um coro de bis do incansável público cuiabano.

Fotos: Leo Santiago / Manipulação: Marcelo Santiago

Agradecimentos à produção do Calango, que providenciou a credencial para que pudéssemos cobrir o festival.

12 de agosto de 2007

Cuiabá: uma cena criada em laboratório

"Arte engajada, em Cuiabá, deixou de ser ´caminhando, cantando e seguindo a canção´ para ser ´caminhando, cantando e carregando caixa´. Arte engajada não é mais o que você escreve na sua letra, mas sim o que você faz". A frase de Pablo Capilé, uma das mentes por trás da movimentada cena independente de Cuiabá, reflete muito bem como as coisas funcionam na "Hell City" brasileira.

Enquanto em outros lugares as cenas geralmente nascem de modo natural e desorganizado, em Cuiab
á a coisa é metodicamente pensada, planejada, articulada e executada do modo mais profissional possível, com todo mundo atuando de algum modo. E se o rock independente cuiabano hoje é conhecido em todo país, muito se deve ao Espaço Cubo, do qual Pablo é um dos fundadores. O trabalho desenvolvido pelo instituto vai desde formar tecnicamente músicos até auxiliá-los na hora de colocar o pé na estrada, passando por oferecer um palco para as apresentações e suporte para divulgação do trabalho.

Entre um "saca" e outro Pablo foi, aos poucos, nos ajudando (eu e Thiago Foresti - jornalista de SP) a enxergar o que é a cena cuiabana e a montar o quebra-cabeça que é o Espaço Cubo, com suas diversas frentes de trabalho atuando como múltiplos braços por todo cenário musical cuiabano.

Cenário pré-Cubo

Em meados da década de 1990, Cuiabá era dominada por bandas covers e quem se arriscava a desenvolver um trabalho autoral não encontrava palco para tocar. Daí a necessidade de trabalhar na formação de uma cena para que uma produção mais interessante surgisse na cidade. "Nos anos 90 teve um show dos Garotos Podres em Cuiabá e lá morreu um cara. Depois que rolou isso a resistência com relação ao movimento rock, underground e alternativo ficou maior e com o tempo o circuito de bar cover foi o que começou a predominar", explica Bruno Kayapy, guitarrista do Macaco Bong – talvez a melhor banda da cidade.

Sem palco não há cena

Com a realização da 1ª edição do festival Calango, em 2002, os produtores da cidade perceberam que não havia uma cena na cidade e que era necessário dar continuidade ao trabalho incentivando uma produção autoral e formando público. "A gente precisou trabalhar o processo de criação de uma cena e o Espaço Cubo veio num primeiro momento fomentando o trabalho autoral para a gente sair do circuito de bar. O segundo ponto foi fazer os eventos periódicos", diz Ynaiã Benthroldo, baterista do Macaco Bong.

Consolidado o Calango (que realiza sua 5ª edição nos dias 31/08, 01/09 e 02/09) e com a criação do Grito Rock (que se espalha por todo o país durante o carnaval) e da Semus (Semana da Música), o calendário de festivais em Cuiabá se fortaleceu incentivando os artistas locais e proporcionando intercâmbio com bandas de outros locais do país. Dentro dessa perspectiva, a criação da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) contribuiu muito para articulação independente ao unir vários festivais em uma única associação. Hoje, a Abrafin conta com 22 festivais e acaba de receber uma verba de R$ 2 milhões do governo através de leis de incentivo. "Em Cuiabá, temos o Calango, o Grito Rock e a Semana da Música na Abrafin. Acho que Cuiabá é a cidade que mais têm festivais dentro da Abrafin", arrisca Pablo ao apontar os resultados do trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2002 pelo Espaço Cubo.

Com a criação do Circuito Fora do Eixo, em 2006, o cenário ganhou ainda mais gás criando uma articulação fora do eixo RJ-SP e permitindo o crescimento do cenário independente em regiões antes ignoradas pelos grandes centros como o Norte e o Centro-Oeste. "Como os cenários locais estão cada vez mais fortalecidos, as bandas podem funcionar localmente. Elas não precisam mais pensar na perspectiva de estourar nacionalmente. As bandas hoje já conseguem sobreviver no circuito Centro-Oeste – Norte", garante Pablo.

O Cubo é visto por Pablo como um projeto visionário que não trabalha para alcançar um objetivo, mas sim para avançar dentro de um conceito. Além disso, segundo ele, o Cubo trabalha com um esquema de códigos abertos, o que permite uma transformação constante do instituto. Para Bruno, "a partir do momento em que uma cena se forma ela tem obrigação de deixar de pensar como cena e passar a pensar no mercado. Ela tem que pensar cadeia produtiva, então isso já abre outro leque e leva as entidades a se aglutinarem e a começar a partir para um outro estágio".

Nova lógica

Pautado pela organização e pelo engajamento, o Espaço Cubo atua como uma empresa com núcleos responsáveis por cada área enquanto Pablo age como um gerente, cobrando de todos e garantindo que a máquina ande. Para ele, a criação do Cubo Card foi o principal fator que levou a cena cuiabana a movimentação que ela possui hoje. "O Cubo Card é um sistema de crédito que fez girar a cena toda. O cara começava a trabalhar como roadie e recebia um número x de crédito com os quais podia ensaiar, gravar, entrar de graça em shows, comprar cds.....".

O Cubo trabalha com a idéia de que a lógica hoje é outra e o que emperra a cena em outros locais, para Pablo, é a dificuldade de algumas bandas perceberem a mudança. "As grandes gravadoras já acabaram. Quando você sabe que algo daqui a cinco anos não vai funcionar mais é porque ela já morreu. Quem estourou depois da Pitty? Ela é a última e ponto! Acabou aquela lógica. Existem os que já estão no altar, mas o resto é cena independente. A lógica inverte porque ao invés de ter cinco na major, tem 200 rodando o país".

Outro problema detectado pelo Espaço Cubo são os vícios que imperam na maioria das cenas. De acordo com Pablo, como as cenas geralmente nascem com a música como fim, elas acabam ficando suscetíveis a vícios como o amor à causa, a atitude rock and roll, o sexo e drogas. "Esses elementos estão muito próximos do ambiente rock e quando esse ambiente se pauta nesses elementos ele se torna extremamente alienado. Essa coisa do cara estar fazendo por amor é balela".

Avesso ao regionalismo, Pablo acredita que não há mais espaço para isso na música atual. Ele defende a diversificação e ataca: "O rock gaúcho é um dos rocks mais atrasados do país, até por essa perspectiva de pensar ´rock gaúcho´. Não existe mais mangue-beat, existe respeito, mas é aquela coisa de querer jogar o tambor no lixo, porque o som agora é mundo. Acho que a lógica do som regional também está morta. Não dá mais para esperar que uma banda de Cuiabá tenha uma pegada regional. A identidade agora é mundial", arrisca.

Artista-pedreiro

Além de primar pela organização, dentro do Espaço Cubo não há espaço para estrelismo. A cena cuiabana pensa e age coletivamente, inserindo o máximo de pessoas possíveis no processo e exigindo o máximo de cada um. Na Casa Fora do Eixo (principal palco da cena independente), por exemplo, é comum ver Pablo na bilheteria, Ynaiã no caixa do bar e Bruno como rodie de bandas recém-criadas que estão ensaiando. "Uma das coisas que a gente matou em Cuiabá foi essa coisa de dom divino. Artista é igual pedreiro, se o cara não ralar ele não vai se qualificar. Não existe mais essa lógica, porque essa é a lógica do mito, a mesma da indústria cultural. Essa lógica vem pra conseguir vender em larga escala, porque pra isso ela tem que dizer que você é melhor que o outro, que você tem um dom diferente. Aí todo mundo te vê como iluminado e te compra. A gente matou isso aqui", diz, satisfeito.

Perguntado sobre o futuro, ele é curto e direto: "Daqui a 10 anos vão ter saído 50 bandas boas de Cuiabá", prevê.

Desvendando o Espaço Cubo

CALANGO
- Festival independente que tem como objetivo desenvolver a cadeia produtiva da música em Mato Grosso (MT).
VOLUME (Voluntários da Música) - Organização criada com o objetivo de estimular a organização, qualificação e profissionalização da cena musical, oferecendo oficinas, workshops e palestras com músicos profissionais periodicamente. Realiza a Semana da Música (Semus).
CUBO MÁGICO - É a frente mercadológica do Espaço Cubo, formada pela junção dos núcleos de Comunicação, Discos, Eventos e Sonorização (ensaio + gravação). Tem como princípio produzir Cubo Cards e prestar serviços de assessoria ao mercado independente da cultura.
IMPRENSA ZINE - Tem como principio a elaboração de políticas públicas para a comunicação independente, com fins ao estímulo da formação, distribuição, produção e circulação dos agentes envolvidos nessa cadeia produtiva.
GRITO ROCK - Festival que busca fomentar e profissionalizar a cena independente durante o carnaval. Foi do Grito Rock que nasceu o Circuito Fora do Eixo.
CASA FORA DO EIXO - Casa de shows administrada pelo Espaço Cubo onde se apresentam os principais nomes da cena independente de todo o país, além de ceder espaço para bandas ensaiarem.

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