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27 de dezembro de 2012

Cena independente: melhores do ano

Ao longo do ano, no fim de cada mês, blogs representantes de cerca de 15 Estados brasileiros publicaram as edições da Cena Independente, coletânea que divulga a nova música produzida no underground brasileiro. Neste mês de Dezembro, os editores dos blogs participantes do projeto votaram nas músicas que mais gostaram dentre as enviadas em todas as edições da coletânea e o resultado você confere abaixo. Em Minas Gerais, Estado representado pelo Meio Desligado, a escolhida foi a Câmera, banda de indie rock com dois EPs no currículo e que em 2013 lançará seu primeiro álbum. Entre os escolhidos em outros Estados também marcam presença alguns dos destaques da cena indie em 2012, como os novatos Cambriana, Silva e Mahmundi, e "veteranos" como Macaco Bong e ruído/mm.

Faça o download da coletânea ou escute as músicas abaixo.





Blogs curadores
Atualmente o projeto conta com 16 blogs de todas as regiões do país, mas ainda há bastante espaço para novos parceiros, principalmente das regiões norte e sul. Caso seu Estado não apareça na lista, entre em contato conosco e torne-se mais um blog curador da Cena Independente.

Norte
PARÁ: MusicaParaense.Org

Nordeste
ALAGOAS: Sirva-se
BAHIA: El Cabong
CEARÁ: Implosão Sonora
MARANHÃO: Shock Review
PARAÍBA: Atividade FM
PERNAMBUCO: AltNewspapper
PIAUÍ: UpTune
RIO GRANDE DO NORTE: FUGA Underground

Centro-oeste
GOIÁS: Alice Ilícita
MATO GROSSO: Factóide

Sudeste
ESPÍRITO SANTO: Ignes Elevanium
MINAS GERAIS: Meio Desligado
RIO DE JANEIRO: RockInPress
SÃO PAULO: Move That Jukebox

Sul
PARANÁ: Defenestrando

7 de outubro de 2012

Coletânea Cena Independente # 9

CENA INDEPENDENTE é um projeto baseado no Music Alliance Pact. Nele, blogs nacionais especializados juntam o que há de mais novo e relevante na música independente de seus estados em uma coletânea mensal, organizada pelo FUGA Underground e publicada sempre no último dia de cada mês por todos os blogs parceiros, que, além de curadores da produção do Estado que representam, encabeçando uma faixa na mixtape, revezam-se na elaboração da arte da capa a cada edição. 

Nesta edição de setembro, a capa ficou por conta do músico, compositor e ilustrador paraense Marcel Barretto, convidado do MusicaParaense.Org. Além de assinar a capa, o músico também ganhou uma faixa na mixtape. 

Faça o download da coletânea completa ou escute todas as músicas abaixo.



MINAS GERAIS: Meio Desligado
Alcova Libertina – O Carnaval Não Tem Fim 
Difícil definir a Alcova Libertina. Coletivo de arte, bloco de carnaval, grupo musical... tudo isso e mais um pouco ajuda a tentar definir as atividades da Alcova, que em "O carnaval não tem fim" cria uma imagem melancólica da festa mais famosa do país, transformando-a quase em um estado de espírito, um sentimento pós-êxtase materializado em um "samba sacro". 
Para quem gosta de: samba indie, Momo, Los Hermanos 

GOIÁS: Alice Ilícita 
Cambriana – Face to Face 
indie rock 
Sem puxar a sardinha pro Goiás, mas a Cambriana é uma das bandas mais legais do cenário independente hoje. Pra quem curte um indie rock de qualidade, ou como eles mesmo se definem "pop psicodélico de Goiânia", tem que ouvir o som da banda. Indico aqui a música “Face to Face” que é a mais f*da (pelo menos pra mim). Para quem se interessar, o EP 'House Of Tolerance' está disponível pra download no site. 
Para quem gosta de: Keane, Coldplay, Interpol 

RIO DE JANEIRO: RockInPress
Tereza – Saudau 
farofa/churrasco/praia 
Uma banda independente que ganhou do Restart numa votação popular já é algo complicado. Uma banda que ganhou o Prêmio Multishow 2012 na categoria Experimente, sendo anunciados por Ivete Sangalo só pode significar uma coisa: é uma banda. Os Tereza são de Niterói, Rio de Janeiro, e fazem aquele som dançante, indie e divertido que as pistas de dança pedem e a fossa introspectiva que os hipsters almejam. É música para se divertir. O álbum “Vem Ser Artista Aqui Fora” já está disponível no site oficial dos caras. 
Para quem gosta de: Dançar, Nostalgia, Cerveja 

SÃO PAULO: Move That Jukebox
Elma – Fat Breath 
post-rock/instrumental/noise 
Em seu novo trabalho, o quarteto Elma amplifica ainda mais seu caos sonoro, não poupando decibéis ao disparar novidades no disco “Elma LP”. Como um Mogwai nervosão, que acabou de chegar ao estúdio depois de uma hora do rush infernal, o Elma cria temas com peso e precisão absurda, potencializados pelos instrumentos extremamente entrosados. A ausência de voz é facilmente compensada por riffs ensurdecedores e pela cozinha marcante. Se o dia foi longo e a intenção é descarregar o stress com fúria e melodia, vá de Elma, que é a boa. 
Para quem gosta de: Mogwai, Herod Layne 

14 de março de 2012

Cambriana, a revelação do indie rock goiano

No início de 2011, durante uma conversa com o Fabrício Nobre em uma pousada no interior de Minas, ele falava sobre como a geração dele (músicos, produtores e público) havia ralado (e continua) para construir um cenário diferente, mais receptivo, profissional e produtivo para a música independente. Mesmo longe do ideal, o mercado evoluiu e mais oportunidades surgiram em diferentes pontos da cadeia produtiva musical. Ele dizia (e concordo) que, agora, cabe à nova geração fazer uso dessa estrutura, abrir mais portas, continuar a evolução.

Ao conversar com o Luis Calil, da banda Cambriana e conterrâneo de Fabrício, é como se as palavras de Nobre se materializassem. A Cambriana é uma banda jovem que possui as principais características da produção independente moderna: produzem suas músicas em suas próprias casas, são auto-gestores e têm consciência da importância da divulgação digital, o que se reflete tanto nos contatos com blogs e perfis no Twitter relevantes para seu público-alvo como no fato de licenciarem suas músicas em Creative Commons.



A banda tem quatro shows no currículo, milhares de downloads de seu álbum de estreia (lançado há dois meses) e dezenas de referências na internet - e isso tudo soa muito natural. Mérito de Luís (criador da banda e autor de todas as músicas, algumas delas em parceria com Wanderson Meireles) e seus companheiros de banda, cuja faixa-etária vai de 20 a 27 anos.

House of Tolerance, o CD de estreia, é carregado de uma sensibilidade rara na cena de Goiânia. Indie rock singelo que trabalha bem texturas e climas depressivos e remete a grupos internacionais  contemporâneos como The National e Destroyer, emulando eventualmente o rock pop de bandas como U2 e The Killers em versão anestesiada. Além do álbum, acabam de lançar o single "Slow Moves" e possuem o EP Afraid of Blood, todos acessíveis no perfil da banda no Bandcamp e liberados para download em Creative Commons (o que significa que a livre distribuição das músicas está liberada, contanto que para fins não-comerciais). Abaixo você conhece um pouco mais sobre a Cambriana, sua história e planos para o futuro recente.


Por que "Cambriana"?
O motivo principal foi porque a palavra em si soa bonita, independente do significado. E ela parece bonita quando escrita em algum lugar. Mas o significado é interessante também: o período Cambriana foi quando a vida "explodiu" e se diversificou na Terra. Essa ideia de diversificação sem querer querendo se encaixou com a estética do álbum, que tem uma variação bizarra de estilos.

As letras da banda abordam aspectos da vida que são passíveis de identificação por grande parte do público, mas o fato de serem em inglês pode acabar deixando-as em segundo plano. Qual o motivo de escolherem o idioma? 
Foi basicamente costume. Eu sempre ouvi músicas internacionais mais do que nacionais e essas músicas internacionais costumavam ser em inglês. Quando tento cantar em português, não soa natural, eu me sinto meio idiota. E sobre as letras: me importo com elas, mas acho que o principal são as melodias, ritmos e texturas. Dá pra aproveitar o disco sem saber exatamente o que eu tô dizendo.

O CD de estreia da banda foi gravado em estúdios caseiros, certo? De onde vem o conhecimento para fazer as gravações? Rola de mandar uma foto de onde gravaram?
Nós gravamos vocais e instrumentos acústicos em estúdio, todo o resto foi feito em casa. O Israel, guitarrista da banda, já tinha experiência com estúdio e gravação, então ele orientou a banda em certos pontos. Mas boa parte do produto final foi alcançado na base de "errar e tentar de novo" até achar a solução, o que é relativamente tranquilo se você não está se preocupando com o relógio do estúdio.

Alguns dos membros já haviam tocado juntos anteriormente, não é? Quando e em qual banda isso aconteceu e por que ela terminou?
Eu, Israel e o Rafael já tocamos juntos fazendo covers de bandas que nós gostamos - acabou porque percebemos que ficar tocando só covers não tem a menor graça. O Israel já teve outras bandas, como a Fibra, de Brasília. O nosso tecladista, Wassily, também toca com o Diego de Moraes. Pedro, o baixista, e Heloísa, nossa atual baterista, têm um projeto juntos, o Fantoches Anônimos, que já tem uma certa história.

Goiânia é uma cidade que na cena alternativa está fortemente ligada ao rock'n'roll mais tradicional e pesado, grande parte devido ao trabalho da Monstro Discos. Como é a receptividade do público e mídia local para sons mais indie e introspectivos?
A recepção tem sido muito boa, justamente porque Goiânia não é tão forte nesse tipo de som. Eu acho que o público daqui valoriza variedade e novidade, não procuram só o estilo prevalecente na região. Tá todo mundo apoiando bastante o nosso projeto, inclusive essas bandas mais pesadas.

A Cambriana me parece uma banda própria do momento em que vivemos, esse esquema do it yourself digital viabilizado pelo avanço tecnológico e que se espalha rapidamente através das redes. Como (ao menos alguns de vocês) já tiveram bandas antes, como vocês comparam o atual momento da música independente brasileira com o que presenciavam antes? 
Ninguém sente nostalgia pela época de juntar dinheiro pra gravar uma demo mal feita (ou vender o carro pra gravar algo pra valer), enviar material pra selos e gravadoras e revistas, implorar pra tocar em algum fundo de quintal, e ficar sentado esperando algo acontecer. Tudo melhorou. Ninguém ganha mais cheques astronômicos de gravadoras, mas até isso é positivo, porque não se entra mais no ramo esperando ficar milionário. Vira algo mais honesto.


Atualmente grande parte das bandas independentes coloca suas músicas gratuitamente na internet, mas poucas são adeptas do Creative Commons. Por que utilizaram esse tipo de licença? 
Já que o disco seria distribuído de graça, fez sentido usar uma licença que libera a distribuição das músicas, mas que também cria algumas restrições. Ela garante que as músicas não vão ser usadas para fins comerciais, por exemplo. 

Até o momento os lançamentos de vocês são exclusivamente digitais? Pretendem lançar algo no formato físico? 
Pretendemos lançar o CD do House of Tolerance em breve e vender por um preço camarada pra quem gosta de ter o álbum fisicamente. Olhamos também a possibilidade de fazer vinis, mas não sei se será economicamente viável.



Vocês conseguiram um volume relevante de downloads e uma exposição significativa em blogs e sites rapidamente. Como funciona o esquema de divulgação da banda? 
Abrir contas no Twitter, Facebook, YouTube etc, e colocar o trabalho nelas. Foi basicamente isso. A única "estratégia" que usamos foi lançar alguns singles no mês de Janeiro, antes do lançamento do disco. Nós também entramos em contato com alguns blogs e quem gostou apoiou bastante a gente, tipo o @indiedadepre e o Move That Jukebox. Eu acho que se o trabalho é legal, não tem muito mais o que fazer (além de um clipe, que nós estamos providenciando).

O primeiro show de vocês aconteceu em Fevereiro deste ano? Como foi? Quais os planos para o restante de 2012 e qual a formação ao vivo?  
O primeiro show foi numa casa daqui de Goiânia chamada Metrópolis, abrindo pra banda The Neves, de Brasília. Nós ainda estávamos nervosos e pouco confiantes, mas foi uma estreia divertida e satisfatória, não teve nenhum erro catastrófico. Os planos agora são tocar onde nos convidarem pra tocar. Já nos apresentamos em algumas cidades dessa região e estamos planejando shows em Brasília, SP, Rio etc. Também queremos lançar mais coisas daqui a alguns meses.
 A nossa formação ao vivo é eu (Luis Calil) no vocal, Israel Santiago e Rafael Morihisa nas guitarras, Wassily Brasil no teclado, Pedro Falcão no baixo e Heloísa Helena batendo nos tambores. Esperamos em breve começar a tocar em palcos que caibam todo mundo.

Para quem tem interesse em conhecer mais sobre a cena alternativa de Goiânia, quais bandas indicam e quais os melhores lugares para tocar na cidade?
Não posso recomendar as coisas mais pesadas porque eu realmente não tenho experiência nesse ramo, mas eu curto a galera mais "indie", tipo Riverbreeze, Gloom, Ultravespa etc. E sobre os melhores lugares pra tocar, os membros mais experientes da banda dizem que o som no Martim Cererê e no Bolshoi Pub são muito bons. Vou confiar na opinião deles.

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