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22 de fevereiro de 2019

Carnaval da Obra terá Far From Alaska e Huey, entre outras bandas, de graça. Imagina isso


Em 2016, começamos (Quente) uma parceria com a Obra para a qual demos o nome de Tremor. Foram noites mensais com bandas como Pin Ups, Rakta e Macaco Bong, culminando na festa de 20 anos da Obra com um show do Hurtmold. Nos anos seguintes fizemos dois ex-Sonic Youth por lá (Lee Ranaldo e Steve Shelley), ainda dentro da programação do Tremor. E agora, entre 27 de fevereiro e 1º de março, chega uma edição especial de Carnaval da Obra, de graça, com três noites de shows.

Quando sentamos pra pensar a programação uma ideia que me veio era "qual banda as pessoas não imaginam que tocaria na Obra e poderíamos tentar?". Daí o convite para o Far From Alaska, para a qual o primeiro lote de ingressos acabou em uma hora e, quando abrimos o segundo lote, esse foi embora em literalmente três minutos.

Uma banda que tentamos trazer a BH em 2018 foi a Huey e agora isso finalmente se concretiza. A última vez que tocaram na cidade foi anos atrás, na Casa do Jornalista, em uma edição do finado festival Exhale the Sound. Seu disco do ano passado, Ma, vale muita a pena ser ouvido por quem gosta de sons mais pesados.

Quem abre a programação na quarta-feira, 27,  é a recém-criada Bad Humans Noise, que tem entre seus integrantes Claudão Pilha, ícone da cena underground local e um dos criadores da Obra, seguida pelo show da Huey. Na quinta-feira, 28, se apresentam os paraenses da Molho Negro, presença constante nos principais festivais de rock do Brasil; Oceania, banda reminiscente do Diesel e Udora; e Caipirinhas, tradicional grupo punk da cidade. O encerramento na sexta fica com a eletrônica acelerada do Retrigger, projeto do Raul Costa, e o Far From Alaska, banda criada em Natal/RN em 2012 e atualmente um dos principais nomes do rock alternativo brasileiro, com participações em festivais como o Download Festival de Paris, South by Southwest (Austin/EUA) e Lollapalooza Brasil.


Os ingressos antecipados para todos os dias estão esgotados mas haverá uma fila de espera para entrada na porta da Obra no dia dos shows. O ingresso garante a entrada até as 22h, depois desse horário quem estiver na fila poderá entrar até se atingir a lotação da casa.

26 de janeiro de 2008

As decepções de um (pseudo) jornalista tapado (ou "Electro/Rock em dias complicados")

Club Silêncio no MySpaceHá algumas semanas a banda brasiliense Club Silêncio tocou em Belo Horizonte na Obra junto ao projeto eletrônico Retrigger. Já conhecia a banda via MySpace e, em uma segunda audição, achei bem interessante. Mais interessante ainda era a foto da banda no site, que mostrava um quarteto de gatinhas indie (ao lado) prontas para serem abordadas por um pseudo-jornalista babão e sem noção.

Com a esperança de pegar um um broto brasiliense em mente (e também com intuitos "jornalísticos", é claro), tentei marcar uma entrevista com a banda antes do show. "Elas ficarão bêbadas, com certeza, enchendo a cara de graça, e isso facilitará para que minha abordagem seja certeira", passava em minha mente (ou quase isso, trocando o vocabulário correto por um monte de gírias e termos chulos, tipo "vai sê enrabada mermo, porra!").


Para minha sorte, ninguém da banda utiliza o MySpace ou visita a comunidade da banda com a devida frequência e por isso a entrevista não foi marcada. Digo que tive sorte porque, na verdade, e para minha infeliz surpresa, a banda é formada por quatro indiezinhos feios-nerds (com exceção do guitarrista/tecladista, que é um gatinho, ui!)! Você pode até levar a sua vida de acordo com as bundas e peitos que encontra pela frente, mas, definitivamente, sua vida jornalística não pode ser definida por outra cabeça além da que você leva (por enquanto) acima do pescoço.

O verdadeiro Club SilêncioAntecedendo a decepção visual n'A Obra, os momentos anteriores ao show também não foram os melhores: mezzo reconciliação com a ex (péssimos momentos de volta à mente); uma hora bebendo sozinho no bar da Obra; e caminhadas solitárias sem rumo. Ainda bem que a Camila me salvou do meu sono na Obra e seu grupo de amigos me entreteve enquanto o DJ mesclava erros e acertos (entre os acertos que me lembro estavam Black Lips, Primal Scream e Hot Hot Heat. Os erros eu esqueci, memória seletiva serve para isso).

Boa parte do público presente estava ali para prestigiar a atração local, Retrigger, projeto de breakcore (ou qualquer outro nome que queiram dar música ultra acelerada e esquizofrênica, cheia de samples e influências que vão do jazz ao industrial) e de certo renome na cena eletrônica underground. E foi, com certeza, uma apresentação histórica, durando cerca de dez segundos. Tempo suficiente para o Raul, o homem por trás do projeto, dizer algumas palavras inescutáveis em seu megafone e perceber que seu notebook havia dado pau. Fim do show.


Chegando ao Club Silêncio, à decepção visual somou-se certa decepção sonora. Apesar de algumas boas passagens instrumentais, mesclando electro e distorções à la Jesus And Mary Chain, o som tem pouca identidade e o vocal é péssimo. Pouco adianta dar nomes excelentes para as suas músicas, como "Depeche Mode" e "Carla Perez", se elas são ruins (correção: "Depeche Mode" é a melhor canção da banda até o momento. Na categoria de "músicas ruins com bons nomes" entram, na verdade, a já citada "Carla Perez", "Sandy" e "Vem Baiana", entre outras). Na maior parte do tempo, a melhor opção era torcer para que o vocalista ficasse calado e observar as viradas do ótimo baterista da banda. Ao que tudo indica, não é o caso de uma banda ruim, mas apenas despreparada ou "crua" demais.

O verdadeiro Club Silêncio versão p/b
Ao menos consegui fazer algumas fotos legais...

22 de janeiro de 2007

horizontes...

Esquadrão Atari
“Você gosta de mim?”,
ela me pergunta pela terceira vez na noite. Ela está tão bonita e dança de um jeito tão meigo que é difícil tirar os olhos de seu corpo. Enquanto devaneio sobre as possibilidades que o fim de noite aguarda para mim, mais uma pessoa esbarra em meu ombro em uma tentativa de conseguir uma vista melhor do que está à frente, me forçando novamente a segurar de modo firme minha Stella. A pequena TV posicionada em frente ao público provavelmente nunca havia sido tão valorizada em toda a sua existência, pobrezinha, apenas mais uma reles 20 polegadas desde os tempos de Zona Franca de Manaus. Mas agora ela acabara de se tornar o alvo das atenções em uma sauna subterrânea, conhecida por alguns como A Obra, e exibe os vídeos que completam a apresentação de um audacioso grupo chamado Esquadrão Atari.

Ela continua bebendo daquele seu jeito particular, meio atrapalhado, e dançando, esbarrando nas pessoas. Sim, este lugar está cheio em plena quinta-feira. Se não me engano, aquele cara aparentemente bêbado, com uma camisa de algum time europeu de futebol, é o Sérgio do Overmundo. E ele está bem atrás de um clone do Andy Garcia! São muitos os rostos conhecidos. Um deles é o do João.
Eu adoro o João, é um cara super bacana. Mas, se eu acreditasse em algum Deus, o agradeceria por ter tirado a famosa TVa cunhada do João de perto de mim. Ela é simplesmente uma tagarela sem noção ou estava bêbada (por enquanto eu deixo a suposição de loucura abafada)? (Em momentos como este, o fato de este blog ser pouco acessado é reconfortante)

Mas o que trouxe todas essas pessoas até esta sauninha indie em uma quinta-feira de noite? Bem, provavelmente suas pernas e seus carros.
Dããã.
“Não, imbecil. Eu me refiro aos motivos para estas pessoas estarem presentes”. Aaaaaah. Com certeza não foram as mulheres. Porque, se alguém entrou com intenção de “pegação”, se fudeu.
“Puta que pariu, que cara idiota. E que texto ridículo. Vou para de ler e...” espera! É que uma série de piadinhas infames foi irresistível...

Clumc! (para os que não sabem, este é o barulho que se faz ao entrar novamente dentro da narrativa pseudo-literária)

Kriiiickp! (para os que mais uma vez não sabem das coisas, este é o barulho de uma linha de pensamento se quebrando)

Foda-se! (isso você conhece, é a expressão tão utilizada nos momentos nos quais você simplesmente não sabe como continuar um texto e então decide partir de qualquer lugar, ignorando que seus futuros dois leitores poderão ficar totalmente perdidos por seu texto parecer ter sido montado pelo editor de 21 Gramas).
"Jusq'ua ici, tout va bien", adoro essa música. Conheço o Esquadrão Atari desde o início de 2005 e apenas agora estou vendo um show deles. E descobri tudo por acaso...

Lá estava eu, no serviço, entre a redação de uma notícia e outra sobre cinema, quando fiquei sabendo da festa Horizontes, a primeira de uma futura série de festas mensais a serem realizadas pelo coletivo Bricolagem.
Pelo que entendi, a intenção é sempre apresentar artistas que misturem instrumentos físicos (guitarra, baixo, etc) à música eletrônica, saindo dos shows básicos ou dos Macs solitários (esses geeks e seus apetrechos tecnológicos!).



"Uhm, outra cerveja". "Esquadrão funciona bem ao vivo, né?". "Olha, é a Joana!". "Nem sabia que eram dois guitarristas (exceto por alguns momentos)".

"Reason of the stone age", esse baixão distorcido é fóda. Mas ainda prefiro "unsquare beat". Talvez.

Reason of the Stone Age


Essa guitarra do Túlio me lembra alguma banda de metal... porra! Já acabou? Perdi a conta, mas devem ter sido em torno de umas seis músicas. Tudo bem, valeu muito a pena.
Chegou a hora do Dj e tentar adivinhar todas as músicas em seus primeiros 20 segundos...

Salto no tempo!

Admito que sou uma negação quanto a sub-estilos de eletrônica, mas gosto do que estou ouvindo. O máximo que me vem à mente é Aphex Twin.
O calor me força a ficar um pouco mais atrás, bem em frente a um dos ventiladores, por isso não consigo ver o "palco". Mas, de acordo com o programa, devem estar tocando agora Zaz-Traz (Portugal), Tsunami Youth Core (Espanha), Retrigger (BH) e Spetto (SP), em uma jam session digital. Tipo, quatro pessoas com seus Macs bonitões improvisando um eletrônico pancadão e cheio de ruídos, do jeito que a gente gosta.

Porém, mesmo que eu goste e que ela continue linda e dançando ao meu lado, nada disso muda o fato de eu ter de trabalhar em poucas horas.

E tomara que dê sol no sábado, porque estou louco para pegar um solzinho e ficar vendo mina gostosa na beira da piscina.

[Ps.: as fotos estão tão toscas que combinam com este texto]

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