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23 de março de 2009

O melhor show da minha vida (até agora)

RadioheadRADIOHEAD

Como era de se esperar, os shows do Radiohead no Brasil foram excelentes e alguns aspectos (positivos) me surpreenderam:
- Thom Yorke é muito mais performático do que eu imaginava, enquanto Johnny Greenwood é a timidez em pessoa
- As projeções e a luzes formam o visual mais incrível que já vi em um show. Não só os leds interagindo com cada momento das canções mas também as imagens (registradas com várias câmeras espalhadas pelo palco) projetadas em dois tons no telão são literalmente um outro espetáculo (com destaque para "I might be wrong"). Dá para dizer, sem dúvida alguma, que se trata de uma mega instalação mais interessante e estimulante do que a maioria das obras de vídeo arte que costumamos ver
- A banda realmente possui uma forte pegada rock´n´roll ao vivo, com vários momentos muito pesados e barulhentos
- Impossível não se divertir só de assistir ao Ed O´Brien no palco, sorrindo o show inteiro e se divertindo com instrumentos de percussão e aparatos eletrônicos (na maior parte do tempo, responsabilidade do multinstrumentista Johnny Greenwood)
- Felizmente o público não cantou tão alto a ponto de superar a voz de Thom Yorke, o que, a meu ver, significa duas coisas: boa parte do público simplesmente não sabia as letras e a outra sentia que estava em um momento tão importante que cantava mais baixo pra conseguir ouvir melhor o som que vinha do palco

Setlist do show do Radiohead no Rio de Janeiro
“15 step”
“Airbag”
There There
“All I Need”
“Karma Police”
“Nude”
Weird Fishes/Arpeggi
“The National Anthem”
“The Gloaming”
“Faust Arp”
“No Surprises”
“Jigsaw Falling Into Place”
Idioteque
I Might Be Wrong
“Street Spirit (Fade Out)”
“Bodysnatchers”
“How To Disappear Completely”

Primeiro bis
“Videotape”
Paranoid Android
“House of Cards”
Just
“Everything In It’s Right Place”

Segundo bis
You And Whose Army?
“Reckoner”
Creep


E o setlist do show do Radiohead em São Paulo

15 Step
There There
The National Anthem
All I Need
Pyramid Song
Karma Police
Nude
Weird Fishes/Arpeggi
The Gloaming
Talk Show Host
Optimistic
Faust Arp
Jigsaw Falling Into Place
Idioteque
Climbing Up The Walls
Exit Music (For A Film)
Bodysnatchers

Bis 1
Videotape
Paranoid Android
Fake Plastic Trees
Lucky
Reckoner

Bis 2
House of cards
You and whose army
Everything in its right place

Bis 3
Creep

E o Kraftwerk? E o Los Hermanos? Bem... o Kraftwerk fez um bom show, mas a maioria do público não conhecia a banda e apenas permaneceu parado para não perder os bons lugares para o show do Radiohead (no caso de quem estava na frente, como eu). Ao contrário do que boa parte da mídia escreveu sobre a volta do Los Hermanos, senti uma excelente energia entre a própria banda e a platéia, que cantou praticamente todas as músicas do início ao fim.

E o que isso tudo tem a ver com música independente brasileira? É fácil: depois de ver um show tão bom como esse, só podemos esperar boas influências para a nossa cena artística.

20 de março de 2009

O futuro dos blogs brasileiros e uma pausa para o Radiohead

Enquanto faço uma breve pausa aqui no Rio de Janeiro para conferir os shows históricos do Radiohead no Brasil, deixo aqui uma entrevista que dei para o Felipe Nunes, estudante de comunicação em Brasília, sobre blogs e o Meio Desligado.

Como você vê o futuro dos blogs brasileiros, e, principalmente, dos que tratam de música?
É uma grande incógnita, um assunto muito amplo. É o mesmo que perguntar qual o futuro da internet. Depende de tudo o que estamos fazendo com a ferramenta e como nos relacionamos com ela. "Blog", basicamente, é apenas um formato de publicação de conteúdo.O que essa ferramenta é capaz de produzir a partir de sua interação com as pessoas não é possível de se delimitar tão facilmente. A meu ver, a tendência é uma hibridização cada vez maior. Muita gente já não sabe mais diferenciar alguns blogs de sites e essa mistura é inevitável. A chamada "cultura do mashup" ainda está engatinhando em relação ao seu potencial.

A principal diferença de tudo isso para os blogs que abordam a produção musical é uma aproximação ainda maior dos conteúdos audiovisuais e hipertextuais. É ridículo acompanhar as versões virtuais de muitos dos grandes veículos de comunicação. A maioria sequer sabe usar links (ou acredita que utilizá-los resultará na perda de tráfego), usam podcasts e vídeos de maneira deplorável e que pouco tem a acrescentar ao conteúdo informativo, fazem isso apenas porque acham que devem fazer. Falta uma postura crítica e que busque não apenas seguir a tendência, mas sim buscar formas de transmitir informações de modo mais completo e que realmente interesse ao público. Nesse sentido, por terem um certo caráter anárquico inerente e estarem abertos às experimentações, os blogs estão à frente dos veículos de comunicação tradicionais (ou que não tiveram origem já no ambiente digital).

Quem definirá o futuro dos blogs são os blogueiros, isso é óbvio, porém muita gente não percebe. Enquanto os blogueiros continuarem a se basear em padrões e estruturas pré-definidas por meios de comunicação analógicos, que surgiram e se desenvolveram com tecnologias e em momentos históricos distintos, não haverá evolução relevante em relação ao que existe atualmente.

De onde surgiu a idéia de fazer um blog e como foi o processo de divulgação?
Google e Yahoo! foram minhas ferramentas de divulgação. Não montei um blog para que meus amigos ficassem sabendo o que gosto de ouvir ou o que penso de determinados assuntos do meio musical. Até hoje a maior parte dos meus amigos, aqueles que saem comigo pra beber e que jogavam videogame comigo na época de escola, sequer sabe que eu tenho um blog. Se resolvi disponibilizar isso na internet foi para alcançar novas pessoas, descobrir coisas novas. Nesse sentido, as ferramentas de busca foram cruciais.

Quando se comenta em outros blogs de assuntos semelhantes você naturalmente extende sua rede também. Não me refiro aos chatos que deixam comentários como "Olha, leia o meu blog!". Não, eu não vou ler o seu blog! Agora, se você escreveu algo que se relaciona com algo que publiquei, questionando, completando o que escrevi ou algo do tipo, um link para esse seu post é mais do que bem-vindo. Existe uma grande diferença entre participar e colaborar e ser um spammer de merda.

Sem contar que toda vez que você está logado e deixa um comentário seus blogs estão automaticamente linkados, o que abre a porta para que mais pessoas cheguem ao que você está produzindo.

Sobre o início do Meio Desligado, tudo se resume a "insatisfação". Várias formas de insatisfação, na verdade. Fazia três anos que escrevia sobre cultura pop em outro blog, o Mazzacane, e tinha uma resposta considerável na internet, mas comecei a sentir que aquilo tudo era muito básico, que outras pessoas poderiam fazer aquilo. E se outras pessoas poderiam fazer o mesmo, por que gastar o meu tempo com isso? Se há mais gente escrevendo sobre as mesmas coisas, de forma parecida, para que mais do mesmo? Isso me incomodou bastante. Procurei por algo que fosse diferente, que ninguém estivesse fazendo e que me desse prazer. Daí surgiu o Meio Desligado.

As outras insatisfações a que me referi eram relacionadas às bandas ridículas que eram aclamadas na mídia (tanto na "grande mídia" como na "mídia independente"), na maior parte dos casos por serem bandas de amigos dos jornalistas, enquanto as bandas boas que estavam sempre ali, tocando nos buracos sujos de quarta à sábado, não tinham espaço, não havia nenhuma informação disponível sobre elas para que mais pessoas tomassem conhecimento de suas existências. Parafraseando o filósofo Stallone, para esse cenário doente o Meio Desligado poderia não ser a cura mas pelo menos diminuía a febre.

Qual a idade do blog, e diante desse tempo, quais foram os grandes prazeres que o gerenciamento de uma página de internet lhe proporcionou?
O Meio Desligado foi criado em dezembro de 2006, então tem atualmente dois anos e três meses de existência. Ao longo desse período foram incontáveis momentos de satisfação proporcionados pelo blog. Escrevo porque gosto, porque é uma forma de me expressar e sinto ser útil para outras pessoas. Toda vez que leio algo que publiquei e sinto que dei o melhor de mim, me sinto bem. Por outro lado, sempre que percebo que estou aquém do que gostaria ou sei que poderia fazer, me incomoda bastante. Por vezes prefiro não atualizar o blog do que escrever algo fútil apenas para ganhar alguns acessos e mantê-lo atualizado. Fazer isso seria mentir para mim mesmo.

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