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15 de agosto de 2010

Palmas para BH (aparentemente)

Programação "alternativa" agitada no sábado em Belo Horizonte e, aparentemente, o público não fez feio: ingressos para o show do Mundo Livre SA e Graveola e o Lixo Polifônico esgotaram; festa do Dead Lover´s Twisted Heart já estava lotada às 22h, segundo me disseram; Flaming Night com Dead Fish, Mqn e outros teve no mínimo umas 700 pessoas...

Para uma cidade do tamanho de BH nós deveríamos esperar que isso fosse o mínimo, mas quem conhece bem a cidade sabe que o público para eventos alternativos ainda é bastante fraco por aqui. Grande parte das pessoas que procura por baladas vai para as opções da perifeira (artistas cover, principalmente, pagode, funk, axé, sertanejo, eletrônica farofa), boates da zona sul ou para qualquer boteco fuleiro (não é à toa que a cidade é conhecida como capital do boteco, com um a quase cada esquina). E no meio disso tudo ainda teve o show do Transmissor no Conservatório, afinal, citando um artista local, "tem que ter um lugar pras gatinhas irem" (breve comentário: quem foi ao Flaming Night sabe como o lugar estava cheio de gatas, imagine então como estaria o show do Transmissor...). De qualquer forma, é gratificante saber que a cena cultural alternativa tem realizado ações que cativam um público crescente e cada vez mais envolvido.

No caso da Flaming Night, que acabou há cerca de uma hora, posso dizer que o MQN (que prepara o lançamento de novo single) talvez tenha sido a surpresa da noite, uma vez que cativou o público HC fanático por Dead Fish e fez um de seus melhores e mais pesados shows na cidade. Após o show, o que mais ouvi foram comentários sobre como a banda é "do caralho". Perdi os 3 primeiros shows da noite (Proa, Pequena Morte e Sabonetes), dos quais ouvi somente críticas em relação ao Sabonetes ("wannabe MopTop", me disseram). Já o Dead Fish, para variar, fez um show animado e barulhento, como sempre. As músicas do CD mais recente da banda, Contra todos, funcionam bem ao vivo, apesar dos principais momentos continuarem sendo aqueles nos quais as músicas dos álbuns Zero e Um e Afasia são executadas.

Você quer ver fotos dos shows? Foi mal, a modinha de fotos de balada não vem pro Meio Desligado. Maaaaaaaas, se a Canon, Sony, Fuji ou outra empresa fabricante de câmeras fotográfias fodonas quiser me presentear com um equipamento "super supimpa", como diria meu pai, ficarei grato em publicar fotos da juventude transviada belorizontina (e adjacências).

4 de maio de 2010

Discografia do MQN comentada (e para download)


Fabrício Nobre, frontman do barulhento MQN, deu uma entrevista para a nova edição da + Soma e comentou a discografia da banda, uma das principais na cena alternativa brasileira na década passada. A maior parte dos trabalhos da banda está disponível para download no site deles, mqn.com.br, e o comentário sobre um dos lançamentos da banda (o álbum Bad Ass Rock And Roll), você confere abaixo.

"Depois a gente seguiu tocando, um monte mesmo, festivais, abrindo shows gringos, um monte de confusões, numa viagem destas acho que para Curitiba a gente conheceu o Iuri Freiberger, que tinha gravado Proto, Violins, Reu e Condenado e um monte de bandas gauchas, e principalmente os Walverdes e Frank Jorge, que sou fã. O bicho vai para sua casa, mora lá e grava discos, com estúdio, lap top, ou alugando um estúdio foda. Isso já em 2004, já casado com a Gabi, estamos juntos desde de 94, Iuri veio morar na minha casa, na casa dos Reu e Condenado, na casa do Márcio do Mechanics e gravou um monte de discos aqui, até 2006 eu acho. A gente gravou guitarras baixo e bateria no mesmo estúdio UP Music (aquele especializado em DVDs locais), mas com uma ótima sala, e as vozes no banheiro da casa do Daniel Drehmer (Réu e Condenado), a ainda mixou o disco na chácara do Miranda (batera do MQN), com Iuri, seu lap top e cerveja... eu nem fui, mas dizem que deu certo.

Saiu um single em 2004 mesmo, outro split agora, com os Argentinos do Satan Delears pela Monstro e Scatter Records, nosso grandes parceiros da Argentina. E saiu o cd (“Bad Ass Rock And Roll”) em 2005, começo do ano, tipo fevereiro. A gente fez um show de lançamento do caralho no Martim Cerere, onde a pessoa compra o disco e ganha o ingresso, LOTOU FUDIDO! O Iuri, que agora já tinha um quarto aqui em casa (hoje é o quarto da Ana e da Lara, mas já se chamou "quarto do Iuri"), gravou esse show ao vivo (falamos dele já já). Todo mundo gostou, o MQN era uma banda referencial para o Indie/Rock e agora Stoner Rock brasileiro. O disco saiu no mesmo ano do “Playback dos” Walverdes, e ambos apareceram em várias lista de melhores. Cachorro Grande cantou com a gente no disco, o role aconteceu.

E aí, a gente tocou mesmo, mesmo... recém casado, sem filhos, todo o gás do mundo, tocamos fora, tocamos em tudo que é festival, inclusive aqueles que a gente já tinha tocado... foi foda, acho que gente em dois anos, fez mais que 50 shows em cada. Tocou muito, muito, muito!

Lançamos um EP ao Vivo com esse show que o Iuri gravou no lançamento. E o trem foi indo, tocando, até que Jorge (cansou), antes de uma tour no nordeste que faríamos com Bois de Gerião, iríamos tocar no festival de Garunhuns, no DoSol e um monte de show."

17 de janeiro de 2007

fuck cd manifesto

A banda goiana de garage rock MQN lançou um interessante manifesto anti-cd, com o qual a equipe do Meio Desligado concorda totalmente.

Leia o manifesto, na íntegra, abaixo:

Há mais de 50 anos que rock diz foda-se para tudo que enche o saco. Agora chegou a hora de mandar o cd para putaquepariu. Não tem nada menos rock que cd. Agora o MQN está abandonando o formado de compact disc e tudo que ele representa: custos altos, subordinação ao estabelecido, problemas de distribuição e tudo mais. Por isso celebramos as coisas mais rock que existem atualmente: a música digital e o vinil.

Todas nossas canções, novas e velhas, estão disponíveis para download aqui no site, qualquer um pode baixar, colocar no mp3 player, copiar, mandar praquela amiga gostosa da Finlândia por email, remixar, apagar, baixar de novo, fazer o que o Diabo quiser. A música é verdadeiramente independente!!!

Os fãs e colecionadores que quiserem algo para guardar podem adquirir as incríveis edições limitadas em vinil “FUCK CD SESSIONS”. Serão 5 compactos em 7 polegadas, cada um com duas músicas, lançados, a partir de novembro de 2006, trimestralmente. Além de rock potente e demente, cada edição vem com um extra: material gráfico especialmente criado por designers e artistas gráficos independentes para esse projeto.

Com isso esperamos que mais pessoas conheçam as músicas, apareçam nos shows, cantem junto, curtam as artes dos compactos, e, enfim, divirtam-se pra cacete com o rock velho e sujo do MQN.

FUCK CD!

www.mqn.com.br


foto: Anderson Brito

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